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Review de God of War III para PS3 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Como parte final de uma trilogia que começou já no fim do ciclo do Playstation 2, God of War 3 é muito parecido com os dois jogos anteriores, mas nem por isso é menos interessante. Além de fazer o salto para a alta-definição no Playstation 3, a nova aventura de Kratos consegue ser ainda mais impressionante e épica que antes. E também prova que a ideia original ainda é melhor que seus recentes clones.

O vingativo Kratos
O terceiro episódio começa de onde o segundo termina. Para quem nunca jogou a séria e não sabe o motivo que Kratos está buscando vingança, a explicação mais simples e rápida é que o deus da guerra Ares acabou o traindo e matando sua família. Kratos então mata Ares e somente depois descobre que foi tudo uma armação barata de Zeus. Decide que é hora de expandir os horizontes de sua raiva e vingar-se pela injustiça que havia acabado de cometer. Ao invés de focar todo seu ódio em uma pessoa, ele passou a perseguir todos os deuses do Olímpio e só irá descansar quando todos estiverem mortos. Depois de uma dura e penosa batalha contra Zeus, no final do segundo título, Kratos une suas forças com os titãs, antigos ???deuses??? que buscam derrubar os atuais e reerguer seu poder. ?? neste ponto que começa o terceiro e derradeiro episódio.

A história se mantém no roteiro original e um tanto quanto previsível. Kratos com a ajuda dos titãs segue em busca de sua vingança, mas é traído pelos gigantes, tendo que lutar sozinho contra tudo e todos.

Um dos pontos que poderiam ser melhorados é a forma de narrativa utilizada. A trama é contada através de pequenos trechos que se assemelham muito a capítulos. Existem fases que servem para explicar apenas determinada parte da história, parecendo mais um episódio sem qualquer ligação com o jogo em si. Quem acompanhou a série vai sentir que a história demora muito para pegar no tranco e que os verdadeiros momentos de tensão foram deixados para o final. Em um primeiro momento pode parecer complicado unir os pontos e formar um enredo que possa ser chamado de trilogia, mas os produtores conseguiram com o tempo mostrar um roteiro interessante e que não deixa brechas na história

Processador potente, mudanças boas
As principais mudanças vistas de GoW3 são gráficas. A diferença já é perceptível nos primeiros minutos de jogo através da grandiosidade do cenário: amplo e com excelente profundidade. Logo no início, no monte Olimpo, escalar a bela montanha na companhia dos titãs é uma tarefa indescritível. A beleza gráfica e os detalhes que compõem o cenário são de encher os olhos. Quando mais o jogador se aventura caminho a cima, seja pulando ou com a ajuda de um gigante, mais detalhes desta maravilhosa e detalhada paisagem são revelados.

O mais impressionante disto tudo é quando, ao retornar a um ponto do cenário anterior, tem-se novas surpresas antes encobertas por diferentes ângulos de visão. Todo o jogo se passa em um único ambiente: o Olimpo. O jogador sobe, cai para o inferno de Hades, sobe novamente, vai e volta. Tudo acontece naquele lugar restrito. Não, não estou apontando um problema aqui. Problema seria se ocorresse uma repetição de cenários. Mas tudo é diferente, com alguns pequenos detalhes como uma pedra ao fundo ou um pedaço de corrente que tem o propósito de lembrar o jogador que ele ainda está no mesmo lugar.

Quem busca God of War porque quer a violência explicita pode ficar tranquilo. GoW3 é, de longe, o mais competente neste quesito. Primeiro porque os gráficos permitem ainda mais nojeira como estômagos e intestinos rolando pela tela. Os clássicos QTEs para desmembrar os oponentes estão de volta e prometem muitas cabeças rolando, pernas arrancadas e chifres quebrados. A tortura dos inimigos está mais real graças à modelagem extremamente realista dos inimigos e do próprio Kratos. Não vai ser novidade o jogador ser pego de surpresa tomando uma surra de um simples e burro esqueleto só porque ficou parado olhando o movimento do oponente.

Se a modelagem surpreende, os efeitos de luzes acompanham com a mesma competência. O estúdio Sony Santa Monica fez uma boa escolha ao criar diversos cenários totalmente escuros só para obrigar o jogador a usar a Blade of Exile e iluminar tudo com as chamas que saem das adagas, e ainda teve a pachorra de criar uma arma secundária que é a cabeça de Apollo transformada em uma espécie de lampião. Simplesmente lindo de se ver.

Leves mudanças na jogabilidade
A jogabilidade, que é um ponto forte desde o primeiro jogo, mudou muito pouco. Foram mantidos os controles originais e aprimorados pequenos detalhes buscando atingir a perfeição.

Uma das pequenas mudanças é a melhora das respostas dos controles. As ações são mais instantâneas, mesmo quando se está a meio caminho andado de um combo, por exemplo. Nos jogos anteriores, quando se tentava acertar uma sequência de combos em um inimigo e errava-se o ângulo, Kratos era obrigado a parar, virar para o oponente e recomeçar toda a sequência novamente. Agora isso acabou de vez. Entre socos é possível mudar a direção dos golpes apenas virando o direcional para o lado certo e pronto -- não se perde tempo e ainda evita-se a burrice de socar o ar dando as costas para o inimigo.

Outra mudança notável é o agarrão à distância. Apertando dois botões, Kratos lança suas correntes prendendo o inimigo e arrastando-o em sua direção dando um murro em pleno ar no coitado. ?? primeira vista não parece a coisa mais útil do mundo, mas quando nota-se que God of War 3 tem bem mais inimigos na tela que seus antecessores, essa habilidade é extremamente útil para atravessar o campo de batalha inteiro e ir de encontro aos arqueiros irritantes no fundo do cenário.

Aproveitando que o assunto é o aumento de oponentes simultâneos na tela, é preciso comentar que agora eles pensam em equipe. Não é raro quando os infelizes resolvem pular todos ao mesmo tempo em cima do herói, obrigando o jogador a ficar girando o mais rápido possível o analógico e fazer Kratos jogar inimigos para o alto como pipoca estourando na panela.

Novas armas estão disponíveis e assim como os jogos anteriores elas modificam a jogabildiade de forma criativa e destrutiva. No entanto, quantas vezes o jogador não ficou naquela dúvida de qual seria a arma ideal? God of War 3 resolve este problema. Apertando X e L1 ao mesmo tempo troca-se a arma atual pela próxima da lista, sem precisar usar direcional algum ou entrar no menu. Traduzindo em miúdos, a pessoa pode começar um combo apertando determinados botões e no meio da sequência trocar por outra e finalizar com um golpe totalmente diferente. As possibilidades que as combinações de armas permite são sensacionais.

Conclusão
Com God of War 3 a Sony Santa Monica conseguiu aperfeiçoar a jogabilidade, que já era excelente nos jogos anteriores, e ainda transportou as batalhas épicas de Kratos para um sistema gráfico que explora muito bem o poder do Playstation 3. Se alguma coisa poderia ficar melhor, certamente seria a história que demora muito para engatar a marcha certa e surpreender a quem joga. Ainda assim, o desenrolar da vingança de Kratos é cheio de momentos de testosterona e brutalidade ??? justamente os elementos que o fazem um herói tão carismatico.

Prós:
  1. Gráficos que fazem jus ao Playstation 3;
  2. Jogabilidade melhorada, mesmo que isso pareça impossível;
  3. Momentos de tensão graças a um final muito bem tramado;
  4. Batalhões de inimigos simultâneos na tela.


Contras:
  1. A história demora muito para chamar a atenção.



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9/ 10
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