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Review de Yakuza 3 para PS3 de GameTV

por Giordano Trabach, fonte GameTV, data  editar remover


Um mafioso pode se aposentar?
Kazuma Kiryu não é famoso à toa. Ele é o quarto chefe representante da família Tojo e, definitivamente, o mais polêmico de todos eles. Conhecido como o "Dragão de Dojima", nosso "herói" - se é que podemos chamá-lo assim - enfrentou acusações e tentativas de assassinato contra sua pessoa. Condenado a 10 anos de cadeia por um crime que não cometeu, perdeu seu melhor amigo e sua amada de uma única vez, restando apenas Haruka, uma órfã a quem e ele resolve adotar - e filha de Yumi Sawamura, seu grande amor. E isso é só a primeira parte da história.

De nome limpo, Kazuma decide que é hora de passar adiante o comando de sua família, indicando um novo líder para o clã Tojo, que está à beira da falência. Só que alguns fatores alheios à sua vontade, incluindo uma chacina coreana nos anos 80, uma família rival residente de Osaka e uma série de outros problemas o afastam cada vez mais da vida pacata que ele almeja para si e sua filha, Haruka. Tudo isso você consegue (re)ver graças aos flashbacks dos jogos passados que são disponibilizados para que todo mundo possa desfrutar melhor Yakuza 3.

Na nova trama, Kiryu finalmente conseguiu a tão sonhada (e merecida) paz. Ele e sua filha resolvem se mudar para Okinawa e passam a cuidar de um orfanato, o Orfanato Sunflower. Quase um paraíso na Terra, à beira de uma praia semi deserta e com vizinhos que não enchem o saco. Era sua aposentadoria tão sonhada e merecida.

Tá certo que nem em The Sims as coisas permanecem tão calmas, e Kazuma não consegue expurgar seu passado acusador. Logo os mafiosos locais resolvem tomar para si as terras do orfanato, clamando por questões monetárias e sociais - querem construir um resort e uma base militar no local. Mas seus amigos de Tóquio, também envolvidos no caso, resolvem ajudar Kazuma a manter a moradia das crianças. ?? é aí que a coisa complica.

Uma questão política
A Yakuza é intimamente ligada aos assuntos políticos do país, e tal relação é de conhecimento geral da nação. Um bom exemplo disso remete a famosa interferência da família Yamaguchi, o maior clã Yakuza do país, no auxílio dos feridos e desabrigados do grande terremoto de Kobe, cidade que era sede da organização. O ocorrido foi amplamente divulgado pela mídia global, tendo pouco destaque na local (Japão), que não se sentiam confortáveis em divulgar a ajuda de criminosos para a reconstrução da região.

Bem, voltando ao jogo, Daigo Dojima, sexto - e atual - líder da família Tojo, intimamente ligado ao negócio das terras do orfanato, decide ajudar o amigo e não dá sinal verde para o acordo. Tal fato provoca a ganância de outras famílias de mafiosos e o pior acontece: Daigo é baleado. Ao mesmo tempo, o chefe da pequena família Ryudo, Shigeru Nakahara - e também amigo de Kazuma - é baleado. Agora cabe ao Dragão de Dojima deixar de lado a preguiça da aposentadoria, procurar os responsáveis por isso e salvar o orfanato da destruição.

Uma trama complexa, intrincada e cheia de reviravoltas. Aquela máxima recém popularizada por Heavy Rain, de entreter o espectador/jogador de forma a se emocionar e torcer pelo personagem como num filme, se faz muito real em Yakuza 3. E sem atropelamentos sem graça, diga-se de passagem.

Mundo aberto
Yakuza 3 é daqueles jogos que possibilitam ao jogador a exploração (quase) total do ambiente. As duas principais localidades do novo jogo são os bairros de Kamurocho - versão fictícia de Kabukicho, um distrito barra pesada de Tóquio - e Ryukyu - ou Okinawa. Ambos os bairros/cidades são divididos em partes norte, sul, leste e oeste, com alguns bairros paralelos.

São muitas ruas para serem exploradas, aumentando drasticamente o espaço do jogo com as lojas, mercados e bares, espalhados pelos cenários. ?? medida que você avança no jogo, novas partes desses bairros são disponibilizadas. Além disso, é possível trafegar entre os bairros/cidades com a ajuda de trens, taxis e até aviões (com preços de passagens reais e tudo mais).

Mãos na massa
O sistema de jogo evoluiu bastante ao migrar para o poderoso PS3. O sistema de batalha conta com algumas inovações, como os loadings de batalha - que não possuem mais a famosa tela preta -, uma visão em primeira pessoa que ajuda na procura de objetos, perseguições a pé e uma nova forma de ganhar os Heat Actions, os golpes especiais de Kazuma.

A velocidade das batalhas é bem regular. Não sofre com lags ou slowdowns. Normalmente, com três a cinco personagens ao mesmo tempo e com uma dificuldade até que sustentável, tanto para jogadores hardcore quanto casuais. Botões para esquiva, ataques fracos e fortes e muitas armas, praticamente tudo que existe no cenário que possa ser usado para causar uma lesão no inimigo.

Além disso, é possível dominar o uso de uma determinada arma, como o nunchaku, por exemplo. Aí você aprende a manusear a arma branca com um mestre, ganha o certificado e o leva até a loja de armas, para que o vendedor possa customizá-la ao seu bel prazer. Certas armas só podem ser adquiridas mediante o certificado do mestre em questão, que vira e mexe aparece com novas técnicas para lhe ensinar.

Tenkei, ou Revelações, é um novo modo de aprender os ataques especiais de Kazuma, que podem ser utilizados quando a barra de Heat se preenche. Aí é um pouco de quick time event, com o apertar dos botões indicados na tela e na hora certa. Para aprender tais técnicas basta ficar de olho nas mensagens de e-mail do seu celular. Ao receber uma, assista à cutscene, aperte os botões indicados e seja feliz. Esses Heat Actions variam entre uma série de agarrões e torções, a cabeçadas e sequências de pontapés violentos. Eles são a melhor pedida na hora de enfrentar um chefe de fase.

Todas as lutas e missões realizadas com sucesso lhe fornecem pontos de experiência. Aí você escolhe onde quer aplica-los, seja em pontos de vida, força, novos golpes, do mesmo jeito que acontece nos rpgs.

Muitos e muitos itens
Você perde energia sempre que leva um soco, isso é óbvio. Para recuperar esse desgaste, ou você fica de repouso no seu esconderijo ou compra alguma coisa nas lojas de conveniência espalhadas pela cidade. Tudo funciona basicamente para a mesma coisa, mas a variedade chega a causar lombrigas aos mais esfomeados. Pratos típicos orientais, petiscos, refrescos e energéticos, tudo igualzinho as lojas verdadeiras do Japão. E ainda dá para visitar uma lanchonete, um restaurante de frutos do mar, uma sorveteria e quaisquer outros estabelecimentos que estejam abertos no momento.

Além das lojas de conveniência, você pode visitar mercadões, lojas de roupas e acessórios e é claro, um armazém com tudo que há de novidade no ramo bélico ou de armas brancas da atualidade. A quantidade de itens disponibilizados para a compra em Yakuza 3 é insana. ?? tanta coisa que chega a ficar difícil você conseguir comprar um item de cada até o final do jogo.

Duas palavrinhas (ou parágrafos) antes de continuar...
Mais uma vez, as contrapartes americanas das produtoras de games nos chamam de "porcos sem cultura" nas entrelinhas. Da primeira vez com "Ah, os ocidentais não vão ligar para a história do Japão, pode cortar" com o fracassado Devil Kings (Sengoku Basara). Dessa vez, um pouco menos radical, mas igualmente preconceituosa, a Sega retira da versão em inglês de Yakuza 3 - que saiu alguns anos atrasada - os host clubs femininos - porque os masculinos ficaram, mascarados de baladas.

A desculpa? Que nós ocidentais não seríamos prejudicados com a falta de tais localidades no jogo. Que estaríamos plenamente satisfeitos com todo o resto dos minigames que nos foram cedidos. Todo tipo de censura é ruim e vai prejudicar alguém. Neste caso, nós, os consumidores. Com todo aquele discurso de que o jogo só saiu porque os fãs pediram e tudo mais, o que foi feito é uma tremenda falta de respeito com os mesmos. ?? um detalhe ínfimo, mas que ao mesmo tempo faz toda a diferença.

E fim do interlúdio.

Minigames
Se você é daqueles que gosta de degustar, ir devagar na história principal e se divertir no mundinho virtual que o game lhe oferece, Yakuza 3 não vai te decepcionar. São tantos minigames espalhados pelo jogo que fica difícil experimentar todos sem ao menos contar com 10 horas de jogo.

E não são joguinhos feitos às pressas, não. Todos são meticulosamente preparados, com regras específicas e até desafiantes, caso você goste de um pouco de competição. Da sinuca ao golfe, passando pelo jogo de dardos, jogos de carta japoneses e ocidentais, fliperamas, U.F.O. Catcher (aquelas malditas máquinas de pegar bichos de pelúcia) e até um karaoke estão na versão ocidental de Yakuza 3, que soma ao todo, 20 minigames.

Além disso, uma série de subquests estão disponibilizadas para os jogadores. Tem coisa extremamente sem noção, do tipo treinar seu cãozinho alguns truques básicos, à missões de acertos de contas e resgates de crianças sequestradas. Cada missão realizada com sucesso lhe dá como recompensa um pouco de experiência, essencial para a evolução do personagem.

Mesmo com um ano de atraso, o próximo jogo já lançado no Japão (Ryu ga Gotoku 4) e a censura descabida da Sega em relação aos host clubs femininos, Yakuza 3 não faz feio, marca o retorno de personagens já famosos por aqui, mantém o ritmo de um clímax atrás do outro, assim como nos jogos anteriores e dá a chance do ocidental vislumbrar um pouco de uma cultura pouco difundada no exterior. Tá certo que cheia de romantismo pela parte da ficção, mas ainda sim, uma ótima experiência.


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