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Review de Just Cause 2 para PS3 de E-Zine/MyGames

por Giordano Trabach, fonte E-Zine/MyGames, data  editar remover


Uma ilha tropical, instalações destrutíveis, armas de todos os tipos, veículos terrestres, aéros, náuticos e anfíbios, uma conspiração política e um suposto herói sem respeito pelo bem-estar de quem quer que seja, incluindo o próprio. Just Cause 2 pode ser resumido nesta primeira frase. O conceito do jogo promete acção estilizada mas será que este segundo título da série é realmente um exemplo de jogos de nova geração ou é apenas uma experiência já conhecida com a maquilhagem das novas consolas?

A primeira coisa que notamos quando começamos o jogo não é nos bons gráficos que Just Cause 2 tem mas no péssimo trabalho de voz. A pior nota vai para Rico, o personagem principal, que fala sempre com sete pedras na mão e com um espanto que não consegue esconder a sua evidente ignorância. ?? fácil de reparar na sua falta de jeito para o diálogo porque também é o único que está constantemente presente e com algo para dizer. Não obstante, Rico é o músculo da operação, nada mais lhe é pedido, e sejamos francos, para músculo funciona bastante bem.

A segunda coisa em que reparamos é a história, compilada a partir de telefilmes protagonizados por Jean-Claude Van Damme, Steven Seagal ou mesmo Chuck Norris da série o Ranger do Texas, com um pretexto político atirado para o caldeirão. Just Cause 2 é apenas sobre a acção e como o mundo reage à sua iminente destruição que vem pelas nossas mãos enquanto Rico. A narrativa é apenas um enquadramento e justificação para que o caos se solte na ilha de Panau.

Falando agora de um dos pontos fortes de Just Cause 2, algo que realmente tem peso no que o jogo se propõe a fazer, o universo em que Rico se insere e os intervenientes principais beneficiam de um nível de detalhe espantoso. Não é, sem sombra de dúvida, equiparável a Gears of War 2 ou Uncharted 2 mas é visualmente estimulante, com especial atenção ao mundo em si.

A ilha de Panau é simplesmente enorme e aberta aos nossos caprichos, com pequenas instalações e acampamentos prontos para serem mandados pelos ares à primeira visita de Rico. As texturas, sejam das árvores, do terreno ou da água, e as explosões são impressionantes. Note-se que 90% do jogo passamos o tempo a explodir com coisas e digo "coisas" porque tudo quanto seja fabricado pelo homem pode ser desmantelado por Rico.

As animações de Rico, contudo, deixam algo a desejar, tirando as automáticas em que o herói salta do lugar de condutor de um jeep ou outro veículo para o seu tejadilho. Os movimentos do agente de ascendência sul-americana são trapalhões e pesados transpirando esta falta de jeito e peso para a jogabilidade.

O combate em Just Cause 2 depende em tudo da imaginação e destreza do jogador. Sem estes dois elementos o jogo torna-se numa experiência frustrante enquanto se o jogador os possuir, Just Cause 2 transforma-se numa verdadeira sandbox de combate, sendo o céu o limite para as maneiras possíveis de destruição do mundo e seus habitantes.

Embora haja armas com fartura, a chave para o divertimento em Just Cause 2 reside nas engenhocas à disposição de Rico como o para-quedas que recolhe sozinho e o gancho que traz no braço, recarregável e sem limites. A primeira, como devem adivinhar, serve para planar e, com a ajuda do gancho, cobrir o espaço horizontal ou verticalmente. A segunda engenhoca, o gancho, abre mais possibilidades ao jogador. Podemos puxar inimigos de torres ou prender um inimigo a um veículo em movimento e ficar a ver o pobre coitado a ser arrastado como um saco de areia.

Há muitas outras coisas para fazer durante o combate em Just Cause 2 embora fazer uso do armamento bélico não seja a mais bem implementada. Disparar em Just Cause 2 não tem grande ciência, não sendo preciso sermos certeiros, visto que as balas são atraídas pelos inimigos desde que a mira esteja relativamente perto do alvo. Contudo, não é por termos um sistema de auto-aim sem o ser que o combate se torna fácil. Cada inimigo leva no mínimo uma dúzia de balas, não importa se vão à cabeça ou ao dedo gordo do pé.

Para dificultar, não há qualquer sistema de cobertura, algo que me obrigou a correr para trás de paredes e voltar à carga à moda antiga. Visto não haver um sistema que nos permita proteger das balas das dezenas de inimigos que infestam os campos militares alvos dos nossos ataques, seria de esperar que Rico recuperasse a sua energia automaticamente quando escondido e a salvo de projécteis ofensivos, mas não. Just Cause 2 recorre ao velho sistema de estojo de primeiros socorros ocasionalmente encontrado colado a uma parede qualquer.

Compreendo que não faça sentido, dada a personalidade macho macho man de Rico, a existência de um sistema de cobertura mas, mesmo assim, creio que é um elemento indispensável a qualquer third person shooter moderno. Quanto à gestão de energia, se é que posso pôr isto nestes termos, é uma escolha, errada a meu ver, dos produtores algo que torna frustrante tentar fazer uso das oportunidades e liberdade que o jogo oferece.

Sonoramente Just Cause 2 apresenta trabalho feito e tarefa cumprida sem se importar em oferecer aquele toque extra que nos faz aumentar o volume. Se há algo que os elementos sonoros de Just Cause 2 fazem é exactamente o contrário mas somente por causa do trabalho de voz.

Just Cause 2 é um jogo de mundo aberto que não nos impinge o que quer que seja, muito menos um sentido de orientação em que a história serve de bússola. Contudo e surpreendentemente, é este caos e desorientação que resultam em liberdade total que sustentam e categorizam Just Cause 2 enquanto jogo. Fosse obrigatório seguir a narrativa, muito pouca gente teria o estômago para chegar ao fim só de pensar nos inúmeros diálogos que seriam obrigados a ouvir.

Just Cause 2 faz-se valer pelas possibilidades dignas de um jogo do género sandbox. Tudo quanto existe neste universo pode ser escalado, todos os veículos podem ser guiados e com as ferramentas ao dispôr de Rico imaginar e tentar realizar as mais impossíveis manobras de neutralização de inimigos.

Este é um jogo que mais parece uma tech demo de apresentação de um motor de física, visto ser a física o pilar que sustenta o divertimento encontrado em Just Cause 2. Quem procurar um enredo pertinente ou personagens memoráveis não encontrará nada disso na segunda aventura de Rico. No entanto, se o objectivo do jogador for destruir tudo e todos de formas impensáveis, como prender um inimigo a uma botija de gás, disparar sobre esta e ver o mercenário desaparecer no grande azul do céu, então este jogo oferece mil e uma maravilhas. Não obstante, enquanto jogo enquadrado na corrente geração, creio que um jogo não pode aspirar a ser grande com um conceito tão pouco abrangente.

Prós:
  1. Ambientes detalhados
  2. Variedade de veículos
  3. Sistema de física permite malabarismos espantosos
  4. Liberdade total


Contras:
  1. História passa despercebida
  2. Personagens fracas
  3. Mau trabalho de voz com diálogos piores
  4. Não há sistema de cobertura



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