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Review de METRO 2033 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Metro 2033 é a conversão para tiro em primeira pessoa do romance homônimo do escritor russo Dmitry Glukhovsky. A história se passa em um futuro alternativo pós-apocalíptico, causado pelo holocausto nuclear que ocorre durante a Guerra Fria. Os únicos sobreviventes de que se tem notícia foram os habitantes de Moscou que se refugiaram no sistema de metrô da capital russa, transformando seu abrigo temporário na moradia permanente dos últimos resquícios conhecidos da humanidade. Após algumas décadas, o sistema central de governo se desfaz em meio ao caos gerado pelas precárias e desumanas condições de sobrevivência do metrô, levando as pessoas a se organizarem em pequenos aglomerados nas estações de trem, formando alianças e fortificações como os feudos da era medieval.

O cenário de Metro 2033 é uma rica ficção que tem paralelos com os jogos da série de RPG Fallout. Apresenta um contraste da ideologia da época da guerra fria, em um futuro pós-apocalíptico, com a diferença de ter a perspectiva russa da história. Isso representa um ângulo de visão refrescantemente livre dos usuais conceitos e clichês da cultura americana, sem fugir dos arquétipos básicos de uma jornada heróica, mas de uma forma mais humanizada e austera.

Futuro imperfeito
O jogador assume o papel de Artyom, o jovem protagonista do romance que se vê confrontado com o desafio de salvar sua estação e todo o metrô da ameaça dos "dark ones". Naturalmente, por ser um jogo de tiro em primeira pessoa, Metro 2033 toma liberdades poéticas, adicionando confrontos constantes à narrativa com todos os tipos de monstros mutantes, bandidos e até soldados comunistas e nazistas. A história progride com a narração de trechos resumidos do livro entre as fases, acompanhando a exploração dos mistérios e segredos do mundo subterâneo de uma forma bastante imersiva.

Metro 2033 tem uma interface minimalista que ajuda na imersão, mas a falta de indicadores claros na tela tem o efeito colateral de dificultar a detecção dos inimigos e a identificação de elementos do cenário que devem ser manipulados.

A caracterização realista da sociedade subterrânea, o uso constante do contraste entre o perigo da escuridão e o conforto e segurança da luz ajudam muito na construção do ambiente que absorve o jogador, apesar de destacar negativamente breves defeitos de animação dos personagens, certas cenas de corte mal acabadas e expressões facias que deixam a desejar.

A jogabilidade de Metro 2033 é bastante intuitiva, e a variedade de ferramentas que o personagem usa para sobreviver, junto à diversidade de situações apresentadas em cada fase, mantém o jogo interessante com um ritmo envolvente durante toda jornada. O protagonista tem à sua disposição um capacete laterna que permite o total uso das mãos e não exige recarga, uma verdadeira bênção em um jogo que se passa quase todo no subterrâneo. Outro utilitário é a máscara de gás, essencial para exploração de áreas perigosas ou do desolado mundo da superfície, embora possa ser quebrada durante uma luta e exija constantes trocas de filtro. Um diário com uma bússola auxilia o jogador a não perder vista seu caminho e seus objetivos. Eventualmente o jogador adquire um visor infravermelho, que ajuda bastante nas missões que exigem furtividade, mas que requer recargas esporádicas feitas com o gerador portátil, que também serve para fortalecer a luz da lanterna.

O arsenal do personagem é limitado a quatro tipos de armas, incluindo facas de arremesso e granadas. Vários modelos de revólveres, submetralhadoras escopetas e rifle automáticos, sem a falta do icônico AK-47, podem ser comprados nos mercados com o uso de munição pré-holocausto como moeda. Armas de ar comprimido também podem ser encontradas, mas devem ser ocasionalmente bombeadas para manter a pressão. Modificações como baionetas, silenciadores, visores de longo alcance, entre outras, adicionam uma grande variedade de opções ao combate, apesar de não ser sempre visível se uma versão é melhor do que a outra quando encontrada. A diversidade da parafernália de Metro 2033 fortalece muito a identificação do jogador com o cenário, fazendo-o se sentir um sobrevivente, constantemente se adaptando para enfrentar as adversidades do mundo subterâneo.

A busca de Artyom não é de todo solitária, vários personagens acompanham ou guiam sua jornada, evitando a monotonia ou o desapego com o destino dos habitantes do metrô, cujas vidas o jovem tenta salvar. Os diálogos são interesantes e até mesmo os inimigos têm falas que revelam mais sobre a natureza hostil de seu mundo.

Roleta russa
Um aspecto do jogo que, infelizmente, não funciona bem é o papel que a furtividade e o uso da escuridão poderiam ter na maioria das fases. Quase sempre que há confronto com humanos, sejam bandidos, soldados comunistas ou nazistas, há um design de fase todo construído para permitir a eliminação silenciosa dos inimigos ou a simples passagem sem conflito. Infelizmente, furtividade em primeira pessoa é algo de difícil realização por limites do campo de visão do protagonista e dos adversários. A percepção dos inimigos é tão apurada que eles sempre sabem automaticamente onde está o personagem assim que ouvem qualquer passo em falso e, muitas vezes, percebem o jogador sem qualquer motivo aparente. Uma atenção maior a este elemento beneficiaria muito o jogo da forma como foi construído, mas a frustração resultante desta negligência acaba sendo prejudicial à experiência.

Conclusão
Metro 2033 é uma adaptação competente do romance original, falhando apenas na caracterização da ameaça principal que inicia a jornada de Artyom. Como consequência, os enigmáticos momentos mais metafísicos vivenciados pelo protagonista durante o jogo ficam sem base e perdem muito de seu impacto. Esse efeito também dilui a justificativa dos eventos mais relevantes do final da história. Se as animações dos personagens fossem melhores e o jogo não sofresse de algumas falhas da jogabilidade, poderia ter alcançado um alto patamar entre os títulos do gênero. Apesar disso, o resultado ainda é muito positivo e as possibilidades de melhora já justificam a espera ansiosa pela adaptação do próximo romance da série, Metro 2034.

Prós
  1. Narrativa rica e envolvente;
  2. ??timo ritmo e diversidade da jogabilidade;
  3. Ambientação bem feita;
  4. Alto nível de imersão e exploração recompensadora.


Contras
  1. Sistema de furtividade mal implementado;
  2. Animações pobres que tiram a força da narrativa;
  3. Dificuldade de identificar e atingir os inimigos de forma consistente.



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