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Review de Mega Man 10 para X360 de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


?? com grande agrado que mais uma vez se acolhe um regresso ao passado da indústria. Algumas editoras sentem o pulso da nostalgia ainda muito marcada em nichos de mercado e reeditam jogos de plataformas fora de circulação para os modernos sistemas. Pequenos trechos que realinham memórias e ciclos encerrados. Há vinte e cinco anos as definições dos jogos de plataformas estabeleciam baluartes. Regra geral saíam demarcados graças à jogabilidade e não havia como deixar de apontar para o mercado japonês como um vulcão em permanente actividade. Com a chegada de um novo Mega Man por intermédio da Capcom às plataformas virtuais dos três sistemas dominantes do mercado (o décimo episódio em 2010), é caso para se dizer que a NES tem outra estreia, totalmente definidora de uma época, 8-bit, embora na série Mega Man o quadro dos níveis e formatação dos adversários ao longo seja praticamente uma fórmula.

A partir desse ponto, e já os dados tinham sido lançados em 2008 com Mega Man 9 ??? um modelo semelhante de reedição áurea dos Mega Man produzidos para a NES ??? a série Mega Man continua a não ter vergonha em pregar constantemente um par de bofetadas no jogador pelos falhanços que inevitavelmente comete à medida que arrisca chegar mais além, sem o treino devido. ?? um processo quase masoquista, arredar caminho pelos chefes de fim de nível e descobrir qual o alinhamento correcto para encontrar as armas certas para específicos. Mais, a organização dos níveis em pouco tempo se transforma numa teia de armadilhas, constantemente empurrando o jogador para o começo da área. Mas é esta organização e especialidade em Mega Man que volta a pôr sobre a mesa uma experiência que tanto abre de frustrante e difícil como recompensadora e definidora de um vínculo clássico que poucos se atrevem a erigir nesta altura.

?? de apludir a decisão da Inti-Creates em renovar o design e construção do jogo como se fosse reproduzido a partir de um cartucho da Nintendo Famicom. Vê-se naquele 2D de traço largo, escuta-se com nostalgia e joga-se à moda antiga, especialmente quando utilizam o wii remote na posição menos vanguardista. A recente tendência de recuperar alguns modelos clássicos, servindo-se dos motores Unreal para gerar maior realismo, acaba muitas vezes por ser um ???tunning??? insipiente. Agradável ao olhar, mas falta qualquer coisa; carisma. E isso Mega Man 10 tem como poucos. Não me canso de exibir como esteio de recuperação actual em 2D o Ghouls???n Ghosts Extreme para a PSP. A ligação? Ambos pertencem à Capcom, pois claro.

Mega Man 10 será sempre um jogo que entusiasmará particularmente fãs da série e mesmo simpatizantes, sendo que, por revés, dirá pouco ou mesmo nada para quem chegou à indústria numa fase mais recente e que não nutre qualquer tipo de empatia com modelos clássicos que redefinem no seu melhor o esquema tentativa/repetição ad nauseum (que acaba por ser parte do charme da obra). De todo o modo para não se tornar insustentável em termos de dificuldade a Capcom adicionou um modo ???easy??? que facilita sobremaneira a progressão e para isso foram criadas pontes, retirados alguns inimigos do caminho e diminuída a resistência dos ???Robot Masters???. ?? certo que esta opção permite percorrer o jogo de uma forma descomprometida, mas é também a partir daí que perde todo o carisma que lhe está associado, tornando-se numa experiência descaracterizada, ainda que a pontuação final de jogo concluído não se inscreva na tabela de pontuações, à qual poderão aceder através da ligação sem fios à rede.

Uma das novidades em Mega Man 9 foi a introdução do modo ???Time attack???, um extra que permitia aos jogadores percorrer as diferentes áreas o mais depressa que podiam. A opção está de volta e poderão partilhar o melhor resultado seguida de uma repetição do feito na tabela de resultados, algo que será útil para aqueles que pretendem descobrir formas alternativas para ultrapassar os inimigos. O modo ???Challenge??? representa uma série de mais de 80 desafios, pequenos segmentos que exigem habilidades específicas. Alguns só serão desbloqueados depois de cumprido o jogo na dificuldade normal, ou ultrapassados certos pontos. No entanto esta é uma porção do jogo estimulante por funcionar um pouco como aprendizagem ou desenvolvimento das técnicas, permitindo um refinar e conhecimento alargado de confronto com os inimigos. Sem refrear a dificuldade, mas acrescentando uma outra tónica nos combates, a entrada do conhecido Proto Man arrecada um outro tipo de trabalho nos níveis, já que os disparos têm outro impacto e ainda pode derrapar sobre a base.

Praticamente por 10 euros acedem a um produto representativo de um baixo orçamento, mas seguro e sólido como uma barra de ferro na execução. Puro clássico de gema. Mega Man 10 põe em destaque e nos devidos termos um mecanismo de comando forjado com sucesso nos tempos áureos da NES. ?? certo que nem todos sentir-se-ão compelidos para acolher e digerir um jogo desta estaleca, ainda que a concessão em termos de dificuldade também possa distorcer o teor da experiência. ?? um jogo representativo de um tempo e espaço específicos. Não há 2D sobre 3D, nem demais experiências concebidas para ilidir um clássico como deve ser. Folha de exercícios, peça ???old school???, estupendo na arte e música, recusa-se a dar o salto (tantas vezes outros o fazem para o abismo) em nome dos veteranos. Mega Man é assim.


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Eurogamer
8/ 10
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