GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Superstars V8 Next Challenge para PS3 de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Nesta indústria está visto que não é fácil alargar a dimensão de um produto em tão pouco tempo. Para a Milestone, mesmo que tenha sido uma decisão arriscada, é tempo de pensar agora se o desafio e a aposta na renovação da licença do campeonato oficial de turismos baseado em carros com motores V8 terá compensado e se, para os compradores do produto da época passada, subsistirão motivos para rebentar as colunas da televisão com recicladas e estonteantes passagens nos altos e baixos da pista algarvia em Portimão.

A edição do ano passado de Superstars V8 deixou-nos satisfeitos. Não se trata de um jogo directamente concorrente para a dimensão de um Gran Turismo, Forza 3 e até Shift, porém, deixando-o fluir a solo, ficámos agradados pela forma como de uma forma simples e sem inusitadas perdas de tempo em progressões rotineiras propôs uma jogabilidade bastante escorreita, definindo o essencial das corridas, com um pelotão bastante compacto a desafiar quer novatos, quer veteranos, ao mesmo tempo que as viaturas e pistas presentes formavam um todo agradável de percorrer. De certo modo estreitou uma dimensão ao jeito dos primeiros jogos da série TOCA. Por outro lado a escassa dimensão do conteúdo, face ao leque de opções dos concorrentes do género, não se podia deixar de fazer sentir.

Ainda nem um ano volveu e Next Challenge já está sobre a mesa. Fez a diferença este tempo? Da estrutura das provas, desafios e competições, passando pela condução dos veículos em pista e redefinição dos automóveis e pistas, não nos sobram dúvidas que esta é mais uma evolução que arredonda uma casa decimal, uma espécie de upgrade e nunca um avanço definitivo capaz de encontrar novas soluções, quanto mais fazer do piloto o protagonista e herói no fim de um campeonato ganho.

Desde logo as opções em para utilização individual em nada mudaram. Dos treinos cronometrados, às corridas rápidas, fins-de-semana de competição e campeonato, o esquema é idêntico, embora tenham introduzido um pormenor que os mais habituados às corridas de turismos com base na Europa conhecem, que é o formato das duas corridas no dia gordo. Ou seja, os oito classificados na primeira prova, invertem as posições na grelha para a segunda largada. Isto é particularmente excitante para tentar vencer a primeira corrida e na seguinte voltar a chegar à frente. Se forem veteranos destas andanças a dificuldade máxima continua a estabelecer um bom compromisso. Por fim as licenças representam uma boa forma para conhecer o jogo, os graus de dificuldade e as diferentes condições climatéricas. Uma estrutura muito simples, mas é sem dúvida entre o campeonato e a obtenção das licenças que reside o grosso do divertimento que se tira quanto às opções individuais.

Relativamente ao modo para vários jogadores, algumas alterações a ter em conta. Um máximo de 16 jogadores pode partilhar e competir na mesma pista, podendo fazer até fazer um campeonato inteiro. As tabelas de classificação, com voltas rápidas e corridas curtas voltam à disposição. Por vezes alguns utilizadores avançam com lag, o que pode ser custoso se tiverem activada a opção para colisões, no entanto e regra geral, a experiência online decorre de forma satisfatória.

Onde é mais visível o esforço da Milestone em fazer chegar para a frente esta sequela é desde logo na modelação dos veículos, autenticidade das pistas e atmosfera envolvente. Mais colorido, polido e agradável aos olhos, os belos V8 estão agora mais dinâmicos e credíveis face às velocidades que atingem. As pistas obedecem a uma reprodução mais fidedigna e elaborada, os contrastes são evidentes e as corridas à chuva deixam ficar alguns pontos do asfalto com poças de água, que tende a secar à medida que os pneus vão, volta após volta, afastando a água. Basta voltar a percorrer a pista de Portimão sob céu limpo, para reter a profundidade da pista cada vez que se atinge um ponto alto. Porém, as pistas correspondem na esmagadora maioria às mesmas da época passada (aquelas por onde se disputa o campeonato), apontando-se Imola como novidade.

Quanto às viaturas, a reter desde já a inclusão da perspectiva interior a partir dos olhos do condutor. Ainda que não acrescente nada de novo e a caracterização do interior se reduza a um mínimo, pelo menos acalenta uma boa margem de velocidade e possibilita uma extrema empatia com os motores V8, especialmente dos carros de severa sonoridade. Neste âmbito, os produtores alargaram as opções, contando com as licenças oficiais de todos os modelos, sobretudo o Mercedes, tendo sido acrescentados um Jaguar, um Audi Sport Itália do nosso Filipe Albuquerque, um Chevrolet e até um Maseratti. Novas e interessantes opções para as corridas, cumprindo aqui destacar a autenticidade dos interiores de cada um, a sonoridade e comportamento em pista.

Conduzir à chuva continua a ser uma tarefa para os pilotos que têm mãos. Os novatos não terão problemas em enfrentar o asfalto, desde que para isso activem as habituais opções que tornam a condução mais automática. Dispam o automóvel de assistências e avancem para a dificuldade máxima, mexendo nas definições ao nível da travagem, suspensão, engrenagens e aerodinâmica, puxando para a dificuldade máxima e terão um desafio de piscar o olho. As travagens bruscas e no limite desequilibram o carro e promovem um efeito sonoro bastante realista. No entanto é difícil ver aqui uma propensão para a simulação. A perda definitiva do controlo do carro só ocorre em situações de manifesto excesso de velocidade e ainda que a traseira aponte, nas curvas mais fechadas negociadas acima da velocidade ideal, para sucessivos coices, as correcções permitem retomar depressa o andamento.

Há que contar com uma inteligência artificial dedicada. Alguns camaradas de corrida não querem perder posições e fecham as posições até ao limite, mesmo quando parece abrir um corredor para os passar. ?? possível forçar o embate e amparar o desgoverno do carro à saída de uma curva à custa do infeliz piloto que segue à frente. Uma batotice praticável que furta o desportivismo em pista. No entanto curvas cortadas e adversários empurrados para fora constituem motivos para penalização imediata de alguns segundos de motor cortado. Esperava-se mais na reprodução dos danos. Mesmo um embate a alta velocidade contra uma barreira de pneus pouco mais provoca que umas consideráveis amolgadelas e riscos fundos na chapa.

Next Challenge é um jogo que do ponto de vista da competição acaba por convencer, propondo novamente um campeonato que se percorre de forma agradável, com melhorias significativas face ao jogo predecessor, redefinindo automóveis, pistas e um pouco o estilo de condução, sobretudo junto das dificuldades elevadas com todo aquele pelotão muito compacto. No entanto não descola o suficiente perante a oferta do produto original. Já para nem referir a escassez de conteúdos e opções perante outros títulos do mesmo género. Talvez o próximo desafio para a Milestone (enquanto empresa europeia dedicada aos jogos de corridas com automóveis e motas) seja agregar esta com outras competições e atribuir mais destaque ao papel do piloto/jogador.


Nenhum comentário

||
Eurogamer
7/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach
©2016 GameVicio