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Review de Dante's Inferno para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A Visceral Games diz que Dante???s Inferno é baseado no poema A Divina Comédia, de Dante Alighieri, mas basta observar os golpes, contagem de combos, violência, enfim, tudo no jogo para saber que a fonte de inspiração foi, na verdade, outro jogo: God of War.

Será que essa ???homenagem??? ao jogo de Kratos se sustenta e também rende boa diversão?

Kratos + cabelo = Dante
A história tentou chamar a atenção. A Divina Comédia foi escrito em 1300 e poucos jogos se fundamentaram na literatura clássica, ainda mais em uma tão complicada como O Inferno de Dante. Hoje, 700 anos depois, a narrativa pode parecer bastante batida. Dante faz a maior besteira que existe na história da humanidade: um acordo com o Diabo para salvar sua esposa Beatrice, a qual encontra morta , após retornar das Cruzadas. Claro que ele perde a aposta com o coisa ruim, mas promete não deixar barato. O problema é que a EA, ao contrário da Sony, deixou a trama em segundo plano, esquecendo um dos motes mais interessantes para vender o jogo. Todo o foco ficou nas batalhas, e estas sim ocorrem incessantemente, apostando aí na única diferença para o concorrente God of War que, por sua vez, justifica tudo que Kratos faz com uma história firme.

Se a história não chama a atenção, os inimigos chamarão ??? em especial os chefes memoráveis. Os inimigos são imensos e ocupam mais do que a tela pode oferecer, muito parecido com outro hack ???and ???slash lançado recentemente: Bayonetta. A diferença é que no jogo da bruxa as coisas são mais bonitas e celestiais, enquanto aqui as coisas vêm direto do inferno e não são agradáveis de ver. Um gigante queimado e cego ou uma mulher que expele vermes de seus mamilos são exemplos de chefes repugnantes que revirarão o estômago do jogador. Típicos monstros que perpetuarão na cabeça dos jogadores como exemplos dos seres mais medonhos do videogame.

Os inimigos rotineiros, aqueles que aparecem frequentemente, também são bem caracterizados. Prostitutas que ganhavam dinheiro vendendo o corpo quando vivas agora têm suas almas torturadas pela eternidade, e obesos que pecaram na gula vagam nos estágios iniciais atrás de Dante, sendo bons exemplos de criaturas infernais.

O Diabo não é nada criativo
Definitivamente, o demônio não sabe elaborar puzzles complexos e divertidos. Todos os quebra-cabeças encontrados no jogo são ridiculamente fáceis e só servem para atrasar a história, na tentativa de aumentar as horas de jogo. Não desafiam nada e suas respostas são tão obvias que se tornam automáticas quando o jogador se depara com elas. Quando se encontra com algum fantasma sofrendo, é possível puni-lo ou absolve-lo. Escolher a absolvição é o melhor exemplo de ter certeza que se está no inferno. Um mini game idêntico ao antigo Dance Dance Revolution surge na tela para o desespero do jogador. Sua função seria juntar o maior número de pecados para trocar por pontos. Entretanto, o que se tem é a mais chata expressão da criatividade limitada. Incrível como nos dias atuais, uma empresa ainda acredita que um bom desafio consiste em arrastar caixas de um lado para o outro em uma sala, puzzle típico de Dante´s Inferno.

Durante as oito horas em que se estará imerso no inferno se notará que o ânimo dos programadores foram mudando conforme a produção se aproxima do final. O jogo começa empolgante com batalhas épicas e chefes nojentos, mas quando se está perto do fim tudo perde a cor. As batalhas, ponto alto do jogo, não têm o mesmo brilho, os chefes não têm um design tão grotesco e bem elaborado como os anteriores e os puzzles, bem, esses continuam a mesma porcaria. Inaceitável desenvolver um jogo voltado a experiência de magias e golpes arrasadores e, no final, não deixar o jogador usar qualquer tipo de poder mágico. Pode acreditar, o jogo fará isto.

Aprende comigo Kratos
Não é de todo mau Dante???s Inferno. O ponto mais alto do jogo são as batalhas e aqui elas são frequentes. ?? impossível deixar de fora mais comparações com God of War. Do abuso dos ???quick time events??? para finalizar cada inimigo a violência expressiva na mutilação dos adversários. Até a movimentação do protagonista é muito semelhante à do concorrente da Sony.

Despedaçar os inimigos garante pontos de experiências que podem ser trocados por novas sequencias ou magias que seguem dois caminhos: o sagrado ou o sem luz ??? e a escolha fica totalmente a critério do jogador, gastando os pontos onde bem entender. A possibilidade de seguir diferentes trilhas força o jogador a explorar ao máximo a construção do personagem e, de forma gratificante, a Visceral conseguiu equilibrar todas as escolhas. Quando se está em um estágio mais avançado da campanha e, por algum motivo, começamos um novo jogo é que notamos como Dante saiu de morto-vivo sortudo para se tornar um poderoso guerreiro, capaz de meter medo em Lúcifer. Ponto positivo para a curva de aprendizagem.

Os comandos são semelhantes a todos os que seguem este estilo: um botão executa um golpe fraco enquanto outro executa um forte. Até o botão que arremessa alguma coisa a longa distância está presente, porém, desta vez, ao contrário da concorrência, os Holly Attack são ilimitados, dando a liberdade de o jogador afastar ou matar qualquer um sem se preocupar com a pouca energia. Estes ataques só funcionariam melhor se tivesse qualquer coisa semelhante a uma mira, porque os tiros saem a esmo e é muito difícil saber para que lado os golpes vão.

Até mesmo o combate, o ponto mais alto do jogo, tem seus problemas que irritam com facilidade quem o joga. Um deles bobo como os combos inquebráveis, que consiste no jogador dar uma sequência linda e recém comprada com os pontos de experiência, mas impossível de ser interrompida. Imagine sair apertando os botões e quando se percebe que será atacado por trás nada pode ser feito, até o final de toda a animação do personagem. Como dito, é bobo e só serve para irritar. O pior deles é, certamente, a habilidade que somente as criaturas infernais têm de desferir golpes enquanto se está caído ao chão. A maioria dos combates são absurdamente fáceis, no entanto têm alguns que fogem da explicação humana de dificuldade. Estas sequências inimigas consomem, sem exagero, meia barra de energia, tornando a jogabilidade complicada sem aviso prévio ou evolução dos controles. Certamente, será o problema que mais aborrecerá o jogador em todo o jogo.

Conclusão
A Visceral Games trouxe um título que, talvez, poderia ter se saído melhor se não fosse lançado logo após Bayonetta e em meio ao hype do terceiro episódio de God of War. A história que seria um ponto alto ficou esquecida em segundo plano, assim como alguns fatores da jogabilidade. Felizmente existem batalhas, adversários e chefes de fases horripilantes que salvam o título. Dante???s Inferno é um clone, sim, de God of War e isto tem suas vantagens, afinal, ele é multiplataforma, o que vai servir bem a quem só tem um Xbox 360.

Prós:
  1. Batalhas violentas e divertidas;
  2. Chefes nojentos e marcantes.


Contras:
  1. Puzzles fáceis e repetitivos;
  2. História muito superficial;
  3. No final das contas não inova em nada.



3 comentários

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Outer Space
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Eurogamer
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