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Review de Silent Hill: Shattered Memories para Wii de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A Climax Studios recebeu uma missão um tanto quanto audaciosa: reinventar o primeiro Silent Hill. Shattered Memories volta aos primórdios da série e para dar uma nova visão ao antigo jogo de 1999.

Quem teve a oportunidade de jogar o original perceberá que as semelhanças não vão além dos nomes dos personagens e o mote inicial, de encontrar a filha desaparecida. A Climax conseguiu mudar a série, não há como duvidar, mas nem todas as mudanças são boas.

Onde está Cheryl?
Harry Mason, após perder o controle de seu carro em uma estrada afetada pela nevasca, bate seu carro. Zonzo com o acidente, ele percebe que sua pequena filha Cheryl, de oito anos, desapareceu na misteriosa cidade de Silent Hill. Apenas usando uma lanterna ele resolve ir à busca de sua filha guiando-se por misteriosos moradores da cidade e pelos resquícios de lembranças que povoam sua mente.

Nesta hora entra uma releitura da trama. Shattered Memories foca no psicológico e na personalidade definida ainda no início do jogo. Logo que se começa a jogar, uma sabatina de perguntas feitas ao jogador vai definir a personalidade de Harry. São perguntas que, em um primeiro momento não parecem ter muito sentido, mas durante o jogo estas decisões marcam as escolhas e os diferentes rumos do enredo. Um psicólogo, que segue o jogador durante todo o jogo, interrompe frequentemente a história para iniciar uma nova sessão de questionamentos sobre a moral, ética e até sexualidade do protagonista. As respostas mudam totalmente a direção da história, abrindo novas portas, fechando outras e, principalmente, alterando a reação dos personagens mediantes as mais adversas situações. A aventura desenrola entre o mundo real e os pesadelos que Harry enfrentará. Como os pesadelos se passam em um mundo coberto por neve, não é difícil para o jogador saber quando o seu personagem está sonhando. A Climax foi ambiciosa e toda esta jogada psicológica gera um replay significativo. Ao terminar as parcas seis horas de jogatina dá vontade de jogar novamente, mudando suas escolhas só para ver o que acontece.

Se o desenvolvimento do enredo surpreende, os puzzles não. Por algum motivo os quebra-cabeças são infantis beirando o ridiculamente fácil. Todos envolvem contato físico, ou seja, ache um interruptor, empurre determinada porta, etc. Para piorar, suas respostas estão próximas, a poucos metros da porta trancada, por exemplo. Além disto, o celular do protagonista sempre dá dicas de como resolver os puzzles, seja por mensagens de voz ou por SMS. E não são dicas enigmáticas. Na verdade mais parecem respostas soletradas do que dicas. Definitivamente ninguém se sentirá desafiado em Shattered Memories.

Corre Harry, corre!
Adeus batalhas. Shattered Memories não tem batalhas, mas sim muita corrida. O ponto mais fraco do jogo é a total ausência de combates entre o protagonista e os carniçais mortos vivos. Munido apenas de uma lanterna e alguns sinalizadores é possível sobreviver praticamente durante todo o jogo. Para usá-los é bastante simples: aponte a lanterna para onde se quer correr e sebo nas canelas. Fugir dos inimigos é a única garantia de sobrevivência. Caso algum o agarre, chacoalhe o Wiimote e Nunchuck freneticamente até se livrar do vilão e volte a correr. Quando a coisa fica complicada é preciso apenas usar um dos sinalizadores que ele afastará qualquer criatura de perto do personagem abrindo caminho para mais uma maratona para a liberdade. Mas o jogador não passará o tempo todo correndo. Ele também irá fazer Harry pular, se agachar e caminhar. Uma pena que na parte da dos pesadelos, onde a ação é predominante, ele passará mais tempo correndo do que explorando, o que, de certa forma, detona um pouco uma das características mais forte da série.

Falando em controles, é preciso dizer que o jogo usa bem as funcionabilidades do sensor de movimento. A sensibilidade é tão boa que não fica cansativo segurar o controle por muito tempo suspenso no ar enquanto se tenta acertar o local que se quer iluminar (ao contrário do que possa parecer). Ao correr é preciso ter muito cuidado para onde está se apontando. Se deixar o sensor sair da tela, deixando tudo escuro, é certo que terá grandes problemas.

Ao contrário da boa utilização dos controles, o som que sai do speaker do Wiimote deixa a desejar. O pior é que ele é peça fundamental durante o desenvolvimento da trama. Sempre que o telefone tocar, com chamadas anônimas, o jogador precisa colocar o speaker próximo da orelha para ouvir o que o desconhecido tem a dizer. Agora vem o complicado. O speaker não é o componente mais claro para vozes, ou seja, a clareza da voz fica bastante comprometida pela baixa qualidade do pequeno alto-falante. Para piorar, a desenvolvedora ainda teve a péssima idéia de por um chiado semelhante ao que ocorre nos telefones tornando por diversas vezes o áudio indecifrável. Para contornar o erro, é necessário aumentar o volume do speaker no máximo na tentativa de compreender o que foi dito. Sem contar que segurar o WiiMote ao ouvido é patético.

Se perder no meio do jogo é comum e por isto estes jogos vêm com um mapa para ajudar os atrapalhados. No novo Silent Hill o mapa não ficou de fora, porém ele não funciona como deveria, ou seja, mais confunde do que ajuda. Dentro das construções não existe marcação alguma sobre onde se deve ir, fazendo com que o jogador acabe partindo para o ???achismo??? na tentativa de se localizar. E se na hora do desespero quiser saber pra que lado correr, então a coisa degringola de vez. Sempre que se abre o mapa, o protagonista para de correr e só caminha pelo cenário. Quem teve está brilhante idéia? Com dois, três carniçais atrás da pessoa, caminhar nunca é uma boa opção.

Conclusão
Corra, responda a uma bateria de perguntas, corra mais um pouco e se apavore com o terror psicológico. Isto é Shattered Memories. Embora use o título de 1999 como referência, pouca coisa do original está presente e, possivelmente, não atrairá jogadores veteranos da série. A ideia de trazer um terror mais psicológico, focado na personalidade e nas sessões de psicanálise surpreende por ser uma proposta inovadora e bem utilizada. Infelizmente a jogabilidade repetitiva e a exploração comprometida não condizem com as principais características da franquia. Se o jogador sempre foi apaixonado pela série Silent Hill, a recomendação é fazer a mesma coisa que Harry faz o jogo inteiro: correr.

Prós:
  1. Focar na parte psicológica do protagonista deu certo;
  2. Wiimote bem utilizado.


Contras:
  1. Puzzles extremamente fáceis;
  2. Mapa mal implementado;
  3. Correria.



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Outer Space
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