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Review de MAG para PS3 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


MAG, o novo jogo da Zipper Interactive, gerou grande expectativa por conta de uma característica inédita em jogos multiplayer para console: a possibilidade de se ter 256 jogadores simultâneos no campo de batalha.

Mas seria esse um recurso útil apenas para a propaganda do jogo ou realmente colocar centenas de pessoas combatendo um diferencial importante para a jogabilidade?

Empurra que pega no tranco
A primeira coisa que se faz ao por o Blu-ray no Playstation 3 são algumas atualizações pequenas e demoradas. Quem experimentou o demo deve lembrar que o beta de MAG era pavoroso: possuía atualizações monstruosas e servidores lerdos para se ter nenhuma modificação visível no final das contas. MAG mal saiu e parece que todas as empreitadas do beta não serviram para muita coisa. Apenas após todos os downloads e instalações necessárias terem sido feitos, o jogador está finalmente dentro do jogo e pronto para sua primeira investida: criar seu personagem.

Agora começa toda a dor de cabeça que um fuzileiro de primeira viagem pode enfrentar. A primeira tarefa na criação é escolher entre três facções. S.V.E.R. é a mais difundida por ser formada por mercenários undergrounds russos que, munidos de suas AK-47, espalham terror pelo cenário. Valor Company, por sua vez, é formada por americanos, ingleses, canadenses e mexicanos procurando salvar sua honra enquanto os Raven são europeus agressivos conhecidos por abusarem de alta tecnologia armamentista. Qual escolher? ?? uma preocupação puramente estética, uma vez que elas não se diferem quando em combate. Na verdade, neste primeiro momento não é bom nem se apegar muito a cada facção, pois a probabilidade de se ter o primeiro personagem deletado é grande.

Depois de tê-lo escolhido, é hora de ir para um treinamento e algumas batalhas entre sua própria facção. O treinamento propriamente dito é uma curta fase que ensina apenas o extremamente básico. Informações importantes como compreender o mapa ou como se portar diante de um objetivo específico não são mencionadas, deixando o jogador a mercê da própria sorte nestes quesitos. Passando essa frustrante etapa dá-se início um mata-a-mata modesto. 32 jogadores para cada lado disputam, no tapa, a morte do adversário. Esta parte é tão decepcionante quanto a etapa de treinamento, justamente por deixar a pessoa perdida em meio a uma batalha sangrenta de morte quase confirmada. Não interessa qual a espessura da armadura escolhida ou tipo de equipamentos de proteção. Meia dúzia de balas e pronto, tela de respawn na cara e a espera de alguns segundos até voltar para o jogo e repetir o ciclo. Se tudo correr bem e a experiência for subindo, logo se estará nos modos de 128 jogadores e, lá pelo nível oito, os famosos 256 simultâneos. O fato é que chegar até os modos mais altos é um tanto quanto complicado quando informações estritamente necessárias não são explicadas no início do jogo.

Ao matar um inimigo e fazer pequenas missões de conquistas e defesas, adquire-se experiência que, ao final da batalha, é subtraída dos pontos necessários para se atingir o nível seguinte. A cada nível se ganha um novo ponto para gastar na árvore de habilidades e escolher quais delas são as melhores parece ser uma das mais complicadas decisões de todo o jogo. A princípio tudo que se refere às habilidades é muito confuso. As parcas frases que explicam suas funções são bastante sucintas e não dizem realmente qual a utilidade. Para aumentar a precisão, existem umas duas habilidades iguais, mas até que o jogador entenda que uma é para metralhadoras e outra é para sniper, o ponto pode ter sido gasto no lugar errado. Leva-se um tempo até descobrir que é melhor fazer um personagem especialista em uma determinada arma do que possuir habilidades balanceadas. O resultado destes cinco ou seis pontos gastos na dura aprendizagem é, inevitavelmente, a exclusão do personagem e a criação de um novo, desta vez ponderando mais em onde pôr os pontos.

Hierarquia acima de tudo
Existem dois tipos de pessoas no jogo: as que dão ordem e as que as recebem. Não, ninguém será humilhado ou enxotado, na realidade, ambas as propostas trazem benefícios aos jogadores.

Embora o jogo trabalhe com grandes quantidades de personagens, eles são divididos em pequenos grupos onde um líder, que deve ter atingido o nível 15, fica disponível para auxiliar e, principalmente, orientar os demais jogadores. Esta divisão do time principal funciona para dar mais independência aos pequenos grupos na hora de agir, afinal é mais fácil controlar dez pessoas do que 128. O comandante tem novas habilidades: bombardeio e granadas de gás são bons exemplos de armas úteis nas mãos de pessoas experientes. O soldado raso, aquele que recebe as ordens de seus superiores ao andar perto do seu líder, além de adquirir um bônus de resistência, pode recarregar armas e aumentar sua experiência com mais rapidez. Essa relação benéfica unida à experiência foi, com certeza, uma ótima idéia da Zipper para fazer o sistema hierárquico funcionar, ainda mais quando maus comandantes podem ser exonerados de seus cargos. Os integrantes do pelotão iniciam uma votação e se a maioria escolher pelo fim do poder exercido pelo condutor, o mesmo é deposto de cargo deixando o grupo livre para agir como bem entender.

Como nem tudo são flores, o fantástico sistema hierárquico pecou ao deixar um grupo especial de pessoas de fora: os atiradores de elite. Eles não correm atrás de líder algum e precisam ficar parados em pontos estratégicos dando cobertura para o resto do pelotão que avança pela base inimiga. A distância acaba fazendo com que eles não tenham os privilégios da companhia do líder, prejudicando a classe.

Como dito, não existe uma grande diferença entre 256 jogadores e 64. O principal motivo para esta sensação é todo o esquema de jogar em pequenos grupos. Os mapas são grandes, bem produzidos e possuem diversos objetivos espalhados. Isso exige que cada grupo de jogadores busque diferentes pontos do mapa para defender terminais ou forçar a resistência inimiga. Esse vasto cenário acaba isolando os grupos e têm-se a impressão de que o jogo ocorre entre um número bem reduzido de participantes. Afastar-se do grupo e sair pelo cenário a esmo pode revelar outros campos de batalhas, novas pessoas e muitas emboscadas. Subir em locais altos é muito interessante, pois dá uma visão geral do cenário. Lá de cima é possível ver todo o potencial de 256 pessoas disputando um punhado de objetivos espalhados. ?? o raro momento que se tem total noção do que o título tinha a oferecer e que na frente de batalha acaba despercebido.

Som MAGnífico
Enquanto os gráficos sofreram uma perda na qualidade para conseguir sustentar tantas pessoas diferentes correndo de um lado para outro, o som é sensacional. A tecnologia THX faz os proprietários de um Home Theater agradecerem por ter desembolsado dinheiro em troca de um som 5.1 de primeira. O barulho das explosões que acontecem e os tiros que atravessam o cenário circulam por todos os lados. A bala atravessa as caixas aumentando o volume conforme se aproxima do jogador criando um realismo de movimentos surpreendente. O som é acompanhado pelas caixas a cada movimento e giro do personagem de forma suave e sem cortes. Realmente se tem uma sensação total de imersão na batalha graças ao som.

O jogo vem com suporte para português de Portugal e tanto as falas quanto os textos são traduzidos, ajudando aqueles que têm dificuldade com a língua inglesa. Entretanto, é bom lembrar que no sistema hierárquico o uso do headset é necessário para comunicar-se com o resto do pelotão e será imprescindível o uso do inglês. ?? o preço que o jogo cobra por ser global, até porque, sinceramente, é difícil juntar 256 brasileiros no mesmo jogo. O limite de 100 amigos na Friend List do PS3 já é uma grande barreira para isto.

Conclusão
A Sony gosta de franquias exclusivas para valorizar seu produto. God of War, Gran Turismo e Uncharted são bons exemplos disto. MAG foi a tentativa de abocanhar a parte de FPS, criando um MMO que permite, como a contracapa do jogo mesmo deixa clara, ???Somente Multiplayer Online???. Quem não tiver muita paciência acabará desistindo logo no início, antes mesmo de chegar às aguardadas centenas de jogadores online. Os empenhados serão recompensados com o sistema hierárquico que funciona bem. Sobre o restante: 60 níveis, armas novas, habilidades extras conforme se evolui, enfim, todo o resquício, é idêntico ao que se encontra em outros FPS com suporte a multiplayer online fazendo MAG ser apenas mais um título do gênero.

Prós:
  1. Hierarquia de comando;
  2. Realismo sonoro.


Contras:
  1. Ausência de um tutorial de verdade;
  2. Habilidades mal explicadas;
  3. Início chato e cansativo.



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