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Review de Dark Void para PC de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Sempre tive o desejo de voar. Penso que seja um sonho recorrente em todos nós, onde apenas no imaginário dos nossos sonhos isso se torna real. A ideia de poder voar, pelo menos no meu caso, é a sensação de liberdade, a sensação de não existir limites ou barreiras para nos bloquear. Esta liberdade é sentida em Dark Void, mas claro, com ajuda de artefactos tecnológicos.

Este início de ano, é um dos mais forte de sempre, e Dark Void é um dos primeiros a pisar a nova década. A liberdade é a palavra de ordem em Dark Void, principalmente na sua vertente de voo. Mas já lá vou.

Dark Void foi produzido pela software House Airtight Games, onde se incluem na equipa membros da produção de Crimson Skies: High Road to Revenge, um jogo original para a Xbox. Não sendo assim estranho vermos algumas características de voo em Dark Void, principalmente nos combates aéreos.

Em Dark Void, um jogo na terceira pessoa, encarnamos o piloto William Augustus Grey (voz de Nolan North), que em conjunto com os seus amigos, se despenha em pleno Triângulo das Bermudas. Mas em vez de ser um acidente normal, dão por si presos num universo paralelo, chamado de The Void, onde não conseguem sair. Mas Will e Eva (sim existe um passado amoroso) não são os únicos presos neste mundo paralelo, e em conjunto com os Survivors, os nativos e o famoso cientista Nicola Tesla, irão tentar encontrar a saída.

Mas esta trama não estaria completa sem os inimigos, que são uma raça extraterrestre, chamada de The Watchers, onde no início apenas se apresentam como robôs, mas no decorrer da história se descobrirá mais sobre eles. O jogo tem como pano de fundo os anos 40, altura onde a alta tecnologia estava a dar os seus primeiros passos, tendo Nicola Tesla dado o seu contributo. Mas não é desculpa para não haver avanços tecnológicos, e é isso que o cientista Nicola Tesla faz, em transformar a tecnologia extraterrestre em armas, dispositivos, e principalmente na criação do Jet Pack e o capacete de Will. ?? impossível, como já referimos na antevisão, não levar a nossa mente a pensar no ???The Rocketeer???, um super herói de banda desenhada, que teve um filme com o mesmo nome em 1991. Embora a história não seja a mesma, o ambiente, as personagens, e até mesmo o guarda roupa e forma de voo é extremamente parecido. Vale sempre a pena ver.

O jogo tem um sistema de cobertura interessante, tanto na forma clássica, onde nos encostamos a muros, paredes, caixotes, ou apenas pedras, isto na batalha e progressão horizontal, bem como quando passamos a um sistema de cobertura na vertical, ascendente bem como descendente.

A opção de bloqueio, ou de ficarmos presos nas plataformas verticais, foi uma boa decisão por parte da Airtight Games. Embora pareça que estejamos sem movimentos, esta opção permite uma maior calma e assertividade na acção, embora por vezes a câmara nos pregue partidas, principalmente quando passamos de uma jogabilidade vertical para horizontal. Isto tudo quando jogamos com Will em solo firme. Com o JetPack esta liberdade ainda é maior.

O JetPack traz uma maior liberdade e formas de abordar cada combate. Em zonas apertadas, podemos saltar, dando pequenos impulsos com o jacto, sendo possível voar na vertical, de frente para a acção, ou deitados em pleno voo a jacto. Podemos também planar ficando suspensos para uma melhor vista de ataque.

O uso do Jetpack nas suas diversas vertentes é o expoente máximo em Dark Void, sendo fantástico o seu uso, a agilidade e facilidade com que saltamos para um abismo e começamos a voar é muito recompensadora. ?? um prazer sentir que podemos voar de forma real, pois as subtilezas das mudanças de direcção, voar de costas e ter a sensação de olharmos para algo distante, como por exemplo uma plataforma, ou uma rocha, e saber que podemos chegar lá e percorrer a zona a pé. Existe uma liberdade tremenda ao usarmos o JetPack, sendo que podemos escolher a forma de ataque. Tudo corre de forma fluída e com muita acção.

Posso dizer que Dark Void vive muito da sua jogabilidade, sendo ela muito intuitiva, fácil como um todo, mas que precisa de se aprender a tirar proveito e desfrutar do que o pessoal da Airtight Games produziu para nós.

Graficamente o jogo não compromete, mas não é nada que não tenhamos visto no ano passado. Existem zonas com bons efeitos de luz, nomeadamente nas zonas de voo e lutas contra as naves extraterrestres. Mas por outro lado os cenários são um pouco básicos, e comparando com a oferta actual, as confrontações seriam demasiado penosas para o jogo. Os movimentos das personagens são um pouco à cartoon, com passos largos e movimentos rápidos, interessante no início mas irritante passado algum tempo. Embora as animações das faces em termos de voice acting sejam razoáveis, os textos e enredo são perfeitamente banais, nunca nos conseguindo agarrar ao jogo nesse aspecto. O suposto romance com Eva é cativante.

Os níveis são lineares, não que isso seja em si algo de mau, mas juntando a isso inimigos que se comportam sempre da mesma forma, onde as instruções de movimentos se baseiam unicamente em ir de um ponto X a ponto Y, não traz novidade nenhuma nos níveis seguintes. Varia um pouco nas lutas contras os bosses de grande porte, mas os mesmos são também demasiado estáticos, bastando um pouco de paciência para os poder derrotar. Saliento, e voltando a glorificar o sistema de jogo em termos de passagem de vertical de voo para horizontal no terreno, algumas batalhas são muito interessantes, pois teremos que lutar no ar e após completarmos alguns objectivos temos que lutar contra os bosses em terra em pequenas sequências de QTE. Tudo bastante simples e intuitivo, mas ao mesmo tempo muito pouco desafiador.

Nem tudo são rosas em Dark Void. A sensação que fiquei é que existe aqui um potencial imenso, um jogo que poderia ser muito mais que umas horas de divertimento. O jogo é extremamente simples na sua concepção, parecendo que os produtores não quiseram arriscar em nada, nem ir mais longe do que o que já se tem feito há três anos para cá. O sistema de voo está interessante, mas não passa disso, deixando uma angústia no jogador, pois sei que existe potencial para muito mais.


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