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Review de Cities XL para PC de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Começar esta análise sem fazer referência a SimCity seria quase um crime. Passei muitas horas a construir cidades no velhinho ZX Spectrum, tempos gloriosos de um jogo revolucionário para a época. Os tempos são outros e infelizmente, SimCity já não é o que era. Mas vamos ao que importa, analisar Cities XL da Monte Cristo. Este jogo não vem trazer nada de novo no que toca à gestão e construção de uma cidade, mas traz consigo um prometedor modo Online.

Confesso que sempre me senti atraído por este género de jogos, construir uma metrópole à minha maneira dá um gosto especial. Neste jogo isso é possível, tanto no modo offline ou ligado à Internet, construímos, administramos recursos e satisfazemos necessidades. As semelhanças com o título da Maxis são muitas, também já era de esperar tal semelhança, não há muito por onde fugir no conceito geral, construir estradas, áreas residenciais, comerciais e industrias, infra-estruturas de apoio e explorar recursos é o nosso dia-a-dia.

Cities XL assenta fundamentos numa concepção sólida e segura. Temos mapas com dimensões mais do que suficientes para dar azo à nossa imaginação. A construção é muito intuitiva, o jogo possui um tutorial bastante eficaz, permitindo uma aprendizagem fácil e rápida. Temos que começar pela construção de estradas, fazer a ligação com cidades vizinhas, criar zonas residências, comerciais e industriais. As zonas têm vários graus de densidade, começamos pelas mais baixas e só com a progressão no jogo, aumento da população, é que as zonas mais densas ficam disponíveis. Temos também a possibilidade de construir zonas relacionadas com a agricultura, são campos enormes com várias opções de cultivo e criação de animais.

Não há grandes inovações, nada que não esteja presente em títulos do género. O desafio também não é assim tão grandioso, a construção corre a um ritmo bem acelerado, há que ter a preocupação com o desemprego, o tipo de mão-de-obra que estão a exigir, e claro, os edifícios de apoio, como polícia, escolas, centros de saúde, hotéis e muitos mais. O jogo possui também um bom interface de apoio, com vários links visíveis, que vão alternando de cor para alertar o jogador. Mas existem pormenores um pouco irritantes, que dificultam a própria jogabilidade. Um exemplo bem evidente é a falta de ???memória??? do interface, este não memoriza os items seleccionados anteriormente, temos que percorrer sempre todos passos para chegar ao que pretendemos, o jogo não se adapta às nossas escolhas, a fluidez de jogo é muito prejudicada já que em níveis mais avançados certos items exigem vários cliques até que os consigamos seleccionar.

A construção de uma cidade deveria obedecer a determinadas regras que regem as grandes metrópoles modernas. Mas existem aspectos sem grande lógica, há determinadas infra-estruturas, como as de entretenimento, que na realidade são autênticos negócios, mas que não funcionam dessa forma em Cities XL. Rodas Gigantes ou até um Centro de Bowling só dão despesa, não há retorno no investimento. Mas ainda mais graves são as explorações petrolíferas que também dão muita despesa, não existe um volume de receitas que justifique essa exploração. De facto, a luta para diminuir a despesa é frustrante devido à falta de opções, os edifícios de apoio, como escolas, centros de saúde e polícia, funcionam sempre no máximo das suas capacidades e despesas, não existe um regulador de gastos/abrangência, tornando a despesa pública quase insustentável.

Se inicialmente podemos construir à nossa vontade, sem nos preocuparmos com recursos, como a água, electricidade e combustível, com o aumento da população esses recursos são vitais. Mas continuo a ???bater no ceguinho??? em relação à lógica de toda a construção. ?? muito estranho podermos construir qualquer edifício ou zona em locais remotos sem termos que fornecer água e até electricidade. Basta ter uma estrada ligada para que funcione na perfeição, levando-me a crer que quando construímos a respectiva estrada estamos ao mesmo tempo a fornecer água e energia, muito estranho.

Como já referi, o desafio não é assim tão interessante como se poderia pensar, muito por culpa da falta de opções, muitos aspectos do jogo ficam a anos-luz do que já foi conseguido na série SimCity. Não há uma real organização das diferentes variáveis que determinam a gestão de uma cidade. Não é muito pormenorizado, o que até pode ser visto como um ponto positivo, para quem optar pela via Online através de uma subscrição.

Realmente, este Cities XL liberta um pouco o jogador da complexidade de gerir uma metrópole para que este se sinta à vontade para interagir com jogadores de todo o mundo. Procurar pelos diversos mundos jogadores/cidades que necessitem dos nossos recursos, e também tentar negociar os que não possuímos, tentando-os adquirir com o menor custo possível. ?? um autêntico jogo de gestão global, onde controlamos um negócio/cidade, aproveitando os recursos presentes no terreno e explorando-os para criar excedentes.

Este modo Online do jogo tem muito potencial, quer pelas relações interpessoais ou simplesmente pelo desafio que nos é colocado. Mas existem problemas que não passam despercebidos, como algum lag, um interface que apresenta alguns erros, e sobretudo pelo facto de não acrescentar nada ao jogo, o jogador acaba sempre por jogar offline, sem ter que gastar dinheiro com a subscrição. Esta ideia de que tudo serve para criar um jogo com funcionalidades Online tem muito que se lhe diga, há que criar um "mundo" virtual suficientemente apelativo e recompensador, para que o jogador sinta necessidade de lá estar, isso não acontece com Cities XL pelo simples facto de não acrescentar nada ao modo offline do jogo.

Confesso que até me diverti com Cities XL, sou grande fã deste género de jogos, mas os problemas já referidos, e sobretudo a falta de visão e desafio, fazem com que este jogo pareça de certa forma inacabado. Há muitos elementos que não obedecem às lógicas da construção, evolução e gestão, sendo por outro lado mais acessível e menos complexo do que os rivais, podendo cativar um público menos exigente. O seu modo Online também poderia estar mais maduro e com muitas mais funcionalidades, dando a entender que é apenas um acessório do jogo.


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Eurogamer
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