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Review de Dragon Age: Origins para PC de Gamus

por Giordano Trabach, fonte Gamus, data  editar remover


Alguns gêneros possuem produtoras que são verdadeiros bastiões. Nintendo define os jogos de plataforma, Square os JRPG, Bioware os RPGs. Criadora de clássicos como Baldur´s Gate, Star Wars: Knights of the Old Republic e Mass Effect, o estúdio canadense é um dos poucos com um histórico imaculado. Com Dragon Age: Origins a Bioware retorna ao ambiente medieval que marcou sua origem. Descubra agora se o retorno é digno de decepções ou regozijos.

No que diz respeito a trama a Bioware novamente não decepciona. Apesar da premissa óbvia, que coloca uma raça demoníaca invadindo o mundo civilizado e a necessidade de todas as raças se unirem frente ao mal maior, o roteiro é extremamente bem conduzido. Cada uma das raças está imersa em problemas e conspirações e esta é a parte mais fascinante da trama. Traições e reviravoltas são uma constante e sempre há um clima de alinhamento ???cinzento??? que se afasta do maniqueísmo óbvio.

Outra parte fundamental da experiência está no fato de que suas decisões realmente afetam o andamento da história. ?? uma sensação gratificante estar sendo sempre moralmente desafiado. Cada uma das escolhas trazem novos desdobramentos e, apesar de alguns serem feitos de modo superficiais, a cadeia de eventos que se segue é relevante.

Enquanto alguns RPGs trazem personagens tão interessantes quanto uma parede de tijolos, aqui a Bioware se esforçou para tornar o relacionamento do seu personagem com os companheiros o mais empolgante possível. Há uma grande miríade de personalidades e motivações e cabe o jogador tentar descobrir o âmago de seus colegas. Essa jornada é especialmente gratificante já que algumas das melhores sequências saem dos diálogos e sequências que se originam desta forma. Isso sem mencionar que o modo como você se relaciona com seus companheiros pode levar a consequências dramáticas. Os relacionamentos amorosos são muito bem conduzidos, e trazem diálogos hilários sobre ciúmes além de provocações entre as garotas que rolam no fundo da aventura. ?? tudo muito bem feito, muito cativante e realmente compele o jogador a seguir adiante.

Os menus são simples mas organizados. O sistema de inventário é muito funcional e os mapas graficamemente bonitos e muito bem definidos impedindo confusões.

Se você já viu imagens e vídeos de Dragon Age sabe o que esperar. Os gráficos são bons mas não impressionam. Eles fazem seu papel criando ambientes grandes e com boa draw distance permeados de elementos artísticos clássicos da fantasia medieval. Faltou um pouco de ousadia da Bioware já que as vezes as coisas parecem um tanto genéricas.

Os personagens são bem modelados, mas os cabelos são um problema. As texturas são ruins e não existem cabelos longos, uma clara demonstração de tecnologia datada da Bioware o que chega a ser inadmissível vindo de uma produtora tão incrível.

A iluminação, por outro lado, é muito boa com destaque especial para os ótimos efeitos de magias.

O jogo é bastante sangrento me isso se reflete nos visuais. Não raras vezes seu personagem estará banhado pelo sangue de seus oponente. Vê-lo conversando sobre a verdade do amor com uma maga cética neste estado é, no mínimo, interessante.

Apesar do infeliz primeiro trailer que vinha embalado por ???This is the new Shit??? do Marilyn Manson, a trilha sonora de Dragon Age é extremamente clássica. A Bioware apostou no mesmo estilo que deu certo de Baldur´s Gate, mas aqui os temas são mais pesados para refletir o clima carregado do jogo. A qualidade está lá mas a ousadia, infelizmente, passou mais longe do que gostaríamos. Há alguns momentos marcantes proporcionados pela trilha sonora; o trecho onde a barda canta em seu acampamento é uma das mais tocantes e belas dos últimos anos. Uma cena linda o bastante para competir com alguns clássicos momentos de Final Fantasy X e Shadows of the Collossus.

A dublagem segue o padrão Bioware de qualidade e apesar de não se equiparar á trabalhos marcantes como os de Mass Effect, GTA IV ou Uncharted é simplesmente ótima. A naturalidade dos atores é ajudada pelo roteiro que tem falas excelentes.

Os efeitos sonoros são muito bons mas algumas das magias poderiam ser ajudadas por sons mais interessantes. A mixagem fica na média já que não usa um sistema de 5.1 real.

A jogabilidade de Dragon Age: Origins se parece bastante com as dos MMO modernos. Quem jogou World of Warcraft estará imediatamente familizarizado com o sistema. Clique no inimigo para atacar e seu personagem fará a aproximação de modo automático. A partir dai basta clicar nas habilidades especiais para interromper o ataque com o golpes especial, após ele seu personagem volta a desferir ataques normais.

Nos consoles as habilidades são acessadas através de um ótimo sistema de atalho que mapeia até 6 talentos. Infelizmente não raras vezes você precisará de mais que isso para derrotar alguns oponentes. Neste caso ??? apenas nas versões de console ??? você terá que acessar o menu radial ??? saido diretamente de Mass Effect ??? que para a ação e permite a escolha de qualquer talento disponível. ?? um sistema simples que está longe de perfeito mas, honestamente, não consigo pensar em algum melhor para os consoles.

O destaque nos combates está na construção de estratégias para seus companheiros através do uso dos ???Tatical Slots???. Eles, basicamente, são scripts extremamente complexos que permitem que o jogador programe seus aliados a agir de formas personalizadas ao serem confrontados com situações específicas. ?? mais fácil ver que explicar, mas basicamente você pode selecionar o que, quando e como seu aliado agirá em determinada situação. Um exemplo simples e concreto: ???Personagem principal ??? Saude abaixo de 25% ??? Usar Curar ??? Slot 1″. Situações infinitamente mais complexas também podem ser personalizadas resultando em um grande espectro de estratégias. Acreditem, alguns trechos são muito, muito difíceis e sem uma estratégia bem arquitetada a vitória é, simplesmente, impossível.

As classes de personagens são muito diferentes e ainda contam com várias especializações disponíveis. Tudo isso traz experiências muito distintas de jogo, especialmente quando levamos em consideração que elas podem determinar diferentes backgrounds a seu personagem. Estes backgrounds alteram radicalmente o início da aventura, além de alguns trechos específicos, e são tão variados e tão bem pensados que praticamente obrigam o jogador mais hardcore a jogar o game novamente. Levei 40 horas para terminar com um pesonagem e fiz menos da metade das quests secundárias. ?? fácil perder 150 horas com Dragon Age se o objetivo for aproveitar a maior parte do que é oferecido.

Conclusão
Após minhas 60 horas de Dragon Age não ficou cansaço. O jogo é uma experiência narrativa forte e pessoal, permitindo ao jogador dar ao mundo o seu toque. Os combates são cheios de possibilidades e a dificuldade alta é uma delícia para os jogadores hardcore. O conteúdo extenso e complexo torna os 60 dólares do jogo uma pexinxa para o fã de RPG. ?? sem dúvida um dos melhores jogos do ano e um dos melhores RPGs clássicos de todos os tempos.

Mais
  1. RPG no sentido puro da palavra
  2. Trama sensacional
  3. Combates estratégicos
  4. Desafiador como poucos do gênero


Menos
  1. Gráficos datados Cenários variados;
  2. Alguns problemas na IA



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