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Review de Bayonetta para PS3 de Gamus

por Giordano Trabach, fonte Gamus, data  editar remover


Os japoneses não foram os criadores do videogame. Entretanto é incontestável que foram eles que injetaram vigor criativo suficiente para tornar nosso hobby uma indústria de massa. Nos últimos 4 anos, entretanto, temos visto a indústria nipônica minguar. Muitos a taxam de decadente e a capacidade de criar e inovar dos games designers japoneses tem sido posta a prova.

Um dos últimos bastiões da inventividade oriental é a Platinum Games. Formada por ex-funcionários da Capcom, é da mente de seus criadores que saíram clássicos como Resident Evil, Devil May Cry, Okami e Viewtful Joe. Bayonetta é a primeira mega produção do jovem estúdio e os vídeos nunca foram capazes de criar uma expectativa arrasadora. Descubra aqui se o novo jogo do criador dos beat ???n ups modernos é um passo a frente ou mais um sinal da estagnação criativa japonesa.

O quanto você gostará do clima e enredo de Bayonetta depende, basicamente, se você é ou não capaz de entender a proposta do jogo de Hideki Kamiya. Lotado de frases de efeito bregas, designs exagerados e momentos completamente absurdos, o jogo é um dos raros títulos que não se leva a sério. Esta é o principal mérito de Bayonetta. Os japoneses se tornaram famosos por criarem engenhosas cenas de ação e momentos bregas e auto-indulgentes. Aqui tudo isso é elevado a enésima potência como uma ousada gozação do próprio legado da indústria nipônica! Se você achava as peripécias de Dante ou Kratos impressionantes espere ver o que a bruxa é capaz de fazer!

O roteiro é descartável mas consegue prender a atenção do jogador, especialmente após a entrada da adorável Cerezita. Os momentos os quais ela aparece são sempre de doçura ainda que o jogo não abandone em nenhum momento o seu clima de exagero pirotécnico. O final do jogo é especialmente notável misturando um pouco de jornada de auto-conhecimento às batalhas absurdas de Bayonetta.

Outro ponto que me agradou foram as diversas referências a outros jogos. Devil May Cry e Resident Evil ??? criações das mentes do Platinum ??? e Sonic e After Burn ??? clássicos da distribuidora Sega ??? são referenciados de modo inteligente e hilário. Aliás, os jogos da Sega são homenageados também na jogabilidade, mas isso fica para outro trecho de nossa análise.

O destaque negativo fica para as cenas em ???animated comics???. Ao invés de um recurso estilístico, fica claro que a decisão foi pautada na falta de recursos. Bayonetta não possui o orçamento milionário de um God of War ou Halo e isso acaba prejudicando a experiência já que as cenas em ???comics??? não se encaixam com a proposta ???over the top??? do jogo.

Confesso que não me empolgava com as imagens de Bayonetta. O character design não me empolgava e a poluição visual as vezes me trazia incômodos. Felizmente esta impressão vai embora após algumas horas de jogo. Os exageros gráficos servem para emoldurar a proposta de absurdos que permeia a trama. Os efeitos visuais são tecnicamente competentes e extremamente variados! Tornados, poeira, vidro quebrando, mar em fúria, combates nas nuvens??? A quantidade de efeitos gráficos jogados na tela é incontável e acrescenta muito ao clima do game.

Para completar o tamanho de alguns cenários e inimigos é simplesmente impressionante! Vou dar um exemplo: Em certo momento corria por esferas no melhor estilo Mario Galaxy, continuei subindo através de belos e imensos Halos translúcidos até chegar a uma plataforma elevada de onde podia ver todo o cenário lá embaixo. Ao chegar nesta plataforma giro uma manivela e a câmera começa a subir, subir e subir. Vejo então que o imenso cenário é apenas uma pedra girando no meio do vazio para encontrar outra imensa pedra que, ao termos o zoom, se revela outro cenário completo e cheio de detalhes.

Os inimigos seguem o mesmo padrão. Em um trecho lutei contra um bicho de tamanho tão absurdo que enxergar a protagonista ??? surfando entre ondas revoltas ??? era complicado! Sério, são confrontos empolgantes trazidos a vida por uma engine gráfica que, se não é capaz de impressionar com texturas perfeitas ou modelagem irrepreensível, dá um banho em variedade.

Na versão do Xbox 360 o framerate é sólido mas nos momentos de maior confusão visual experimentei alguns slowdowns. No Playstation 3 a situação é mais complicada e em situações com muitos elementos na tela o jogo perde bastante e em fluidez. Além disso a versão do console da Sony tem efeitos de geração de partículas bem inferiores a contraparte do Xbox.

Tecnicamente decentes. Poluição visual serve para dar os contornos de exagero desejado pela obra. Bela modelagem de personagens. Cenários gigantescos. Inimigos IMENSOS. Grande variedade de efeitos visuais.

A trilha sonora de Bayonetta traz elementos novos como toda a experiência. Ao invés de óbvias orquestrações épicas ou o previsível heavy metal, a Platinum Games optou por uma bizarríssima e agradável mistura de Jazz, Beebop e Jpop. A digestão pode não ser tão fácil quanto as trilhas que citei previamente mas temos que convir que isto ajuda a trazer personalidade ao jogo. Ainda mais quando observamos que as inspirações visuais remetem muito aos clubes de strip do sul norte-americano, tradicionalmente embalados por jazz.

Os efeitos sonoros são aquilo que estamos acostumados em jogos do gênero, o destaque aqui são os tons mais agudos nos impactos, casando com a natureza feminina da protagonista.

Falando em protagonista a dublagem de Bayonetta é muito bem realizada. Seja quem for a misteriosa dubladora ??? a Platinum mantém em segredo a dubladora da bruxa ??? fez um ótimo trabalho. A voz é madura e sexy e consegue interpretar de modo decente. Infelizmente os coadjuvantes foram dublados de modo RIDÍCULO. Especialmente Rodin, uma das atuações mais forçadas e irritantes que já ouvi!

Dublagem de Bayonetta é ótima. Coadjuvantes dublados de modo medíocre/ruim. Trilha sonora é bastante bizarra mas agradável. Mistura Jazz/Jpop

O quanto um gênero pode evoluir? Em 2001 Hideki Kamiya impressionou o mundo com a ressureição do gênero beat´n up que havia feito sucesso na geração 16bits mas passou em branco na era PSX. Devil May Cry era fluído, estiloso, profundo e rápido, muito rápido. Aliando influências de Mario 64 a clássicos de luta como Tekken, a Capcom deu o pontapé numa revolução e o gênero se tornou febre. Ninja Gaiden evoluiu a fórmula com combates mais precisos, desafiadores e rápidos. God of War simplificou o combate, misturou QTEs e trouxe as massas ocidentais o estilo criado por Kamiya e seu time. Infelizmente, desde então, o gênero estagnou. God of War II, Ninja Gaiden II e Devil May Cry 4 nada acrescentaram a fórmula e gênero começou a dar sinais de estagnação.

Felizmente o Japão ainda tem a genialidade que me cativou por tantos e tantos anos. Bayonetta é o ápice de um gênero e o primeiro salto a idéias verdadeiramente ???nextgen???. Os combates são fluidos como o que se espera deste tipo de jogo, mas aqui o destaque é a variedade sensorial. Os combates contra os chefes misturam luta a plataforma, luta a jogos de tiro, luta a QTE??? Há sempre algo novo a ser feito, a sempre um novo absurdo a ser jogado.

Em uma das situações surfei no meio do mar contra um inimigo enorme e invoquei uma criatura que faz os gigantes de Shadow of the Collossus parecerem chiuauas! Em outra lutei contra um gigante, corri por sua língua em espiral enquanto o mundo girava de ponta cabeça, desviando de obstáculos, saltando hélices de energia e esquivando de tentáculos explosivos. Depois corri de moto em cima de mísseis atravessando o sistema solar, saltando entre cometas, me transformando em uma pantera, destruindo planetas e jogando meu nêmesis contra o sol???

São tantos, tantos momentos de criatividade exuberante. Tantas homenagens a jogos clássicos misturando combate de vanguarda possível somente com o poder de processamento dos consoles da atual geração. Poucas vezes me senti tão atordoado por detalhes tão pequenos mas tão intensos quanto os de Bayonetta. Apesar de não ???reinventar a roda???, Kamiya a torna mais redonda e rápida. Assim como uma stripper ??? que inspira os movimentos da bruxa ??? Bayonetta retorce sua percepção com movimentos criativos díspares. Se em Devil May Cry Kamiya usava Resident Evil e Mario 64 para criar impacto no beat´n up, aqui o genial japonês foi buscar em outro espetacular game da Nintendo idéias para torcer nossas expectativas. Como em Mario Galaxy, você lutará em esferas, saltará de ponta cabeça, verá o mundo girar enquanto desvia de obstáculos e esmaga anjos.

O jogo é um pacote consistente de inventividade, diversão, desafio e impacto. Tudo embalado por um clima de absurdo, de exagero, de gozação e de sensualidade só possível para quem tem coragem de desafiar mercados e expectativas. Após as 11 horas de Bayonetta, só queria ligar o console novamente, aumentar a dificuldade e experimentar tudo de novo com novas armas e percepção renovada por um jogo que é um oásis de criatividade.

Conclusão
Bayonetta é um atestado da genialidade japonesa. ?? a prova que a indústria nipônica tem conserto e que sua inventividade não sumiu simplesmente da noite para o dia como se cogitava. Não é um jogo com produção ???AAA??? como God of War ou Halo. Aqui não tivemos 120 pessoas trabalhando com um orçamento de 80 milhões de dólares.Tivemos um time de 50 pessoas que quando começaram o jogo não sequer sabiam o futuro do seu estúdio.

Bayonetta não é um jogo feito por números milionários e hype alarmante.

?? um jogo feito de idéias e, no final do dia, ainda são elas que movem o mundo.

Mais
  1. Confrontos com chefes espetaculares
  2. Criativo, intenso e divertido
  3. Não se levar a sério


Menos
  1. Dublagem de coadjuvantes é terrível
  2. Não poder dar ???11″ a Diversão e Jogabilidade



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Gamus
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