GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Dragon Age: Origins para PC de E-Zine/MyGames

por Giordano Trabach, fonte E-Zine/MyGames, data  editar remover


Dragon Age: Origins poderia muito bem ser o nome de um filme com Mel Gibson, ou o título do primeiro livro de uma qualquer trilogia de fantasia épica. Não é, mas não fica muito longe da junção dos dois. Dragon Age: Origins é o novo role-playing game (RPG) da BioWare, que afirmou que o jogo seria uma espécie de "sucessor espiritual" de Baldur's Gate. O que a BioWare se esqueceu de dizer é que Dragon Age: Origins viria a ser um dos grandes títulos dos últimos tempos.

A cada várias centenas de anos, os Darkspawn invadem o mundo de Ferelden, trazendo caos e destruição à vida dos seus habitantes. Este acontecimento ficou conhecido por Blight e é, geralmente, liderado por um demónio gigantesco de um poder imenso. Tudo estaria perdido se não fosse pelos Grey Wardens, uma ordem militar que tem como única missão combater os Darkspawn.

?? precisamente durante um Blight que Dragon Age: Origins tem lugar. Assim, caber-nos-á a nós, jogadores, liderar os últimos dos Grey Wardens em mais uma contra-ofensiva, de forma a salvar tudo aquilo que nos é importante.

Dragon Age: Origins é um RPG com alguns traços de MMO. O que não tem de multiplayer online, compensa em massive. O jogo é extenso e complexo, conseguindo proporcionar-nos uma experiência entre 60 a 80 horas, dependendo se gostamos de explorar todos os cantos do mapa, falar com todos os NPC's e fazer todas as quests.

No entanto, antes de começar a jogar, há que passar pelo típico ecrã de selecção e personalização do nosso "eu" virtual, que irá ser a personagem central durante todas essas horas. Podemos escolher entre três raças (Humans, Elves ou Dwarves), três classes (Warrior, Rogue ou Mage) e seis origens ou passados (o background da personagem). São, precisamente, estas origens que irão determinar o comportamento das outras personagens para connosco. Assim, divididas entre estas três raças estão os Nobles, os Magi, os City Elves, entre outros.

Se jogam ou conhecem World of Warcraft, saberão que cada raça tem uma história e uma zona inicial própria. Em Dragon Age: Origins passa-se mais ou menos o mesmo. Dependendo da origem que se escolhe, o jogo terá um começo de acordo com essa decisão. Cada zona introdutória tem pelo menos uma hora, por isso aqueles que quiserem explorar todas as origens antes de tomarem uma decisão poderão contar, logo aí, com seis horas de jogo. No entanto, independentemente da origem que se escolhe, o jogador acabará sempre por ingressar nos Grey Wardens.

Mas não é só isto que expande o universo de Dragon Age: Origins, visto que a BioWare trouxe de novo o conceito de escolhas e decisões morais. Em quase todos os longos diálogos e interacções que travamos com as outras personagens presentes no jogo existem várias opções de resposta e de comportamento. Isto dá-nos a hipótese de escolher se queremos ser honestos e simpáticos, ou se preferimos envergar pela agressividade verbal e pela arrogância. Note-se, ainda, que acções como mentir (lie) ou persuadir (persuade) vêm indicadas antes da resposta correspondente.

No que toca a gráficos, Dragon Age: Origins não desaponta. As personagens e os ambientes estão bem detalhados, dependendo, claro, das capacidades do PC de cada um. Os efeitos visuais também merecem destaque, como o sangue salpicado na cara das personagens ou alguns efeitos de luz e sombra nas suas armas e roupas, por exemplo. Por outro lado, o ambiente do jogo consegue passar aquilo a que se propõe, o de um mundo fantástico e antigo (e por vezes escuro e "pesado"), seja em florestas ou cidades, ou em zonas completamente demoníacas.

O gameplay e o design, pelo seu lado, poderão não agradar a toda a gente. Poderemos dizer que, dentro dos RPG's, existem vários subgéneros. Dragon Age: Origins é um action role-playing game, com uma "pitada" de estratégia. Aqueles que gostaram de Baldur's Gate sentir-se-ão em casa nesta nova aposta da BioWare. Por outro lado, mesmo que estejam habituados ao estilo de World of Warcraft, também não será muito difícil "encaixarem" em Dragon Age: Origins.

Aqui jogamos na terceira pessoa, conseguindo rodar a câmara a nosso bel-prazer. No ecrã podemos contar com os elementos típicos de um jogo deste tipo: o mini-map, os frames de cada um dos membros do nosso grupo, a barra de habilidades e feitiços (action bar), e a barra através da qual podem aceder ao vosso inventário, quest log, habilidades e skills.

O sistema de combate é intuitivo e estratégico, mas não se pense que as batalhas são pêra doce. Se os inimigos comuns são relativamente fáceis, os boss encounters requerem alguma perícia e "thinking ahead". O jogador poderá controlar directamente os membros da sua party, mas nem sempre com a rapidez necessária a uma luta mais difícil. Por essa mesma razão, Dragon Age: Origins conta com um sistema de pause and play, que permite que se pause o jogo e se tome as acções que consideremos necessárias para cada personagem. Não é obrigatório usá-lo, obviamente, mas este revela-se bastante útil em algumas situações.

?? medida que a história avança, várias personagens irão ingressar nos Grey Wardens e, consequentemente, no leque de companheiros que podemos escolher para lutarem, directamente, a nosso lado. A nossa party engloba quatro personagens (incluindo a nossa), o que nos permite delinear o plano de acção para cada uma. Aqui aplicam-se os típicos conceitos de tank, damage dealer e healer, que resultarão numa verdadeira máquina de combate se forem bem combinados (e, claro, bem jogados). Uma espada gigante dará mais dano em cada ataque, duas espadas resultarão em ataques rápidos, uma espada e um escudo servirão para aguentar mais tempo em campo, um arco traduzir-se-á em grande dano a partir de uma grande distância, e a magia, pelo seu lado, pode ser usada para dano ou para party support. Para além disso, cada personagem terá ainda direito a escolher duas de quatro especializações (uma a nível 7 e outra a nível 14), uma espécie de aperfeiçoamento à sua classe de base, que trará bónus e novas habilidades.

Um dos melhores aspectos de Dragon Age: Origins reside no campo do audio. O som e a música são, como se esperaria, épicos e adaptados ao mundo de fantasia retratado no jogo. No entanto, é no trabalho de voz que o jogo prima. Cada personagem teve direito a uma excelente vocalização, conseguindo passar as diferentes emoções, de situação para situação. ?? uma pena que a nossa personagem não fale, o que poderia ser uma boa adição ao jogo. Sabemos que esta decisão foi propositada, mas a ausência da voz pode revelar-se "estranha" em situações mais marcantes. Este será um dos poucos pontos negativos de Dragon Age: Origins, mas que nem por isso lhe retira qualidade.

Um dos aspectos que poderá ser desnecessário para alguns, mas agradar a outros, é que Dragon Age: Origins é um jogo que não vê o sexo como um tabu. Greg Zeschuk (Vice-Presidente da BioWare) defendeu, há uns tempos, que o sexo faz sentido nos videojogos, desde que seja inserido para ajudar a criar a história e a desenvolver as relações entre as personagens. Depois da polémica que Mass Effect gerou devido à sua cena mais ousada, Dragon Age: Origins vai mais longe. Não entrando em muitos detalhes, digamos apenas que não estamos só a falar de relações heterossexuais (sim, a nossa personagem pode ser gay ou lésbica).

Em suma, Dragon Age: Origins apresenta-nos um mundo complexo e cativante, capaz de nos roubar muitas horas de sono. Não tem muitos aspectos negativos (sem ser a questão da voz principal, talvez alguns problemas gráficos ou de design), mas o jogo em si poderá revelar-se frustrante e, por vezes, difícil. Os seus longos diálogos e a sua narrativa extensa poderão tornar-se aborrecidos para jogadores que procurem uma ou duas horas rápidas de jogo depois do trabalho ou da escola. No entanto, para aqueles que gostam de boas histórias e de personagens com densidade psicológica, Dragon Age: Origins traz tudo isso e muito mais. Por tudo o que foi dito, Dragon Age: Origins merece ser reconhecido como um dos grandes títulos deste ano, dentro do campo dos RPG's e não só.


  1. Escolhas morais
  2. Narrativa interessante
  3. Mundo épico por explorar
  4. Bom trabalho de vocalização
  5. Densidade psicológica das personagens



  1. Inexistência da voz da personagem principal
  2. Longa vertente de "storytelling" poderá não agradar a toda a gente



Nenhum comentário

comments powered by Disqus
E-Zine/MyGames
90/ 100
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Reviews da crítica

9 / 10
Gamus
90 / 100
E-Zine/MyGames
10 / 10
GamesBrasil
4.5 / 5
Uol Jogos
©2016 GameVicio