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Review de Sacred 2: Fallen Angel para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


O desafio começa na instalação
Há certos jogos que você instala e pronto ??? é só jogar. Porém, há outros que o desafio já começa na instalação. ?? o caso de Sacred 2: Fallen Angel, RPG criado pela Ascaron e lançado internacionalmente no final do ano passado, mas que chegou só no meio deste ano ao Brasil pela Tech Dealer. A reclamação não é contra os 2 DVDs de instalação, coisa que está ficando comum nos jogos atuais que cada vez demandam mais espaço de HD (este game ocupa cerca de 25 GB). O problema diz respeito às correções que foram lançadas para diminuir os bugs do jogo. Afinal, qualquer um com o mínimo de juízo, antes de iniciar uma campanha em um jogo de RPG, procura por correções importantes, pois, corre o risco de perder os ???saves??? ou qualquer outro problema que o obrigue a começar do zero.

Pois bem, a versão original que chega na embalagem do jogo é a 2.11.2. Porém, para a nossa surpresa ao procurar correções na internet, descobrimos que o primeiro patch a ser instalado tinha mais de 600 MB. O segundo 250 MB, o terceiro 200 MB e o quarto 48 MB. Somando tudo, tivemos de baixar e instalar mais de 1GB de correções! Seria este um prenúncio de um jogo mal finalizado? Ou uma maneira de adicionar mais conteúdo? Provavelmente as duas coisas. Acompanhando os relatórios de patches, foram feitas várias mudanças importantes no game, como por exemplo, acrescentados 8 novos portais para facilitar a viagem. Por outro lado os desenvolvedores colocaram junto nos pacotes das correções diversos novos itens, portanto o update funciona também como uma espécie de expansão gratuita. Nossa review considera as versões de patch mais recentes para Sacred 2, e aconselha você a fazer o mesmo, caso se aventure a jogar.

???A primeira impressão é a que fica???
Diferente de alguns jogos clássicos de RPG, onde você constrói o seu personagem do zero, podendo mexer inclusive no físico e rosto, em Fallen Angel já existem personagens pré-definidos que podem apenas ser escolhidos para depois serem personalizados. Seraphin, Elfa Suprema, Dryad, Guardião do Templo, Guerreiro das Sombras, e Inquisidor são os que podem ser escolhidos, sendo que entre os mais estranhos estão a Seraphin, uma espécie de modelo com saltos altos, e o Guardião do Templo, um robô com cabeça de cachorro. Não há muito carisma nos personagens pelo menos nesse momento inicial. Em seguida, escolhe-se a divindade e opta-se por uma das duas campanhas: Luz ou Sombras.

Sacred 2 é um discípulo da série Diablo, onde é necessário explorar o cenário, enfrentar inimigos, pegar itens e resolver missões ??? prepare-se para usar muito o mouse. Ao iniciar o game, a primeira sensação que temos é a de confusão. ?? difícil saber de início o que se deve fazer exatamente. Tão logo que o jogador comece a explorar o cenário, é confrontado com os principais defeitos do jogo.

O primeiro é o próprio mapa, que é enorme e vasto, com cerca de 35 km²; possuí ícones que deveriam informar, porém apenas confundem por ficarem na maior parte do tempo sobrepostos. Apesar de a interface tentar deixar o jogo mais informativo nesse sentido, na prática a navegação é horrível e nada intuitiva, pois quase sempre o jogador pega o caminho contrário que desejaria.

Sendo assim, para ir ao local desejado, o jogador deverá consultar o mapa constantemente ??? e aí temos outros dois problemas. Primeiro, o cenário é infestado por oponentes e o jogador ao que parece é o ???inimigo público número 1???, pois a cada 10 metros andados, uma horda de adversários o ataca, ignorando muitas vezes uns aos outros só para matarem o herói. ??s vezes é melhor sair correndo com um bando atrás do que parar para tentar matar todo mundo e arriscar morrer longe de um portal, perdendo assim o avanço no mapa. E é justamente aí que entra o segundo problema, pois ao consultar o mapa, o jogo não é ???pausado???. Nem mesmo se o jogador apertar ???ESC??? para configurar teclas ou qualquer outra coisa, podendo assim ser morto sem perceber, porque isso não pausa o jogo como era de se esperar, a não ser de fato que seja usada a tecla ???Pause Break???.

Some isso a um controle péssimo e não intuitivo e uma câmera que não ajuda em nada (falaremos mais daqui a pouco sobre ela) e você tem a receita para uma jogabilidade repetitiva, irritante e pobre.

Quantidade nem sempre é qualidade
A história principal do jogo, pelo menos no manual é claramente compreensível. Funciona como um prequel do primeiro game e o cenário dos acontecimentos é a fictícia Ancaria, um lugar onde convivem elfos, humanos, entre outras criaturas típicas de RPG. Mas logo a paz de Ancaria é ameaçada pela guerra na disputa do domínio pela Energia-T, fonte misteriosa de poder que sai como água do chão e cria mutações e monstros por todos os lados. A história faz um interessante paralelo com o petróleo no nosso tempo e as estúpidas guerras motivadas pelo domínio deste combustível fóssil.

Porém, é só começar a jogar que fica difícil acompanhar para onde o roteiro está indo. O motivo é simples: Sacred 2 traz uma quantidade absurda de missões e sub-missões, o que para um RPG é ótimo, mas que na prática neste game, acabam por se perder no vasto cenário que é difícil de navegar e que geralmente tira o jogador de foco por ter muitos inimigos. Isso é especialmente irritante quando se tem que andar muito entre um ponto e outro do mapa para realizar uma missão, pois tira a fluidez do jogo.

Quanto ao conteúdo das missões, não é lá muito interessante ou marcante. Para piorar, algumas delas não são muito claras, outras aparecem do nada, ou mesmo falham do nada também, o que torna tudo muito tedioso para jogadores mais exigentes.

Por outro lado, apesar de tantos problemas, o acerto principal do jogo é a construção dos personagens. Para aqueles jogadores que se dedicarem, há inúmeras possibilidades criativas de formar um personagem poderoso, tanto fazendo uso dos milhares de itens achados no jogo ou mesmo usando os recursos da interface, como as runas e os combos. As primeiras adicionam artes de combate que podem ser personalizadas e dão bônus para itens. Já os combos são ações determinadas que o jogador pode construir para o personagem em combate. A interface contém diversos slots para o jogador personalizar os vários aspectos com itens e bônus, além de um sistema bem intrincado de desenvolvimento de habilidades.

Ambientação é o ponto forte
Os gráficos de S2FA são datados e não fazem frente aos jogos mais modernos, como outros mais recentes, além de apresentar alguns inimigos reciclados e repetitivos. Já o ambiente é bastante detalhado, variado (desertos, floretas entre outros) com cores vivas, mas com apenas alguns momentos de real inspiração que podem surpreender.

Mesmo que a ambientação seja boa, o que infelizmente estraga tudo é a câmera do jogo que, seja com o ângulo de cima como de perto, não permite que o jogador veja o horizonte. Isso com um cenário infestado de inimigos faz com que o jogador deixe tudo de longe para conseguir ver um pouco mais. Depois de alguns momentos de jogo, isso pode causar tontura, o que mostra a péssima decisão dos desenvolvedores em não dar total liberdade à câmera ??? ou seria uma óbvia limitação da engine gráfica? O fato é que não se consegue acertar um ponto confortável da câmera para jogar.

O som por sua vez segue a linha ???genérica???, com algumas músicas ao fundo, mas nada marcante. A dublagem tem momentos bons e ruins, acertos e desacertos em vozes inadequadas a alguns personagens.

Longevidade e considerações finais
O jogo traz boas opções de multiplayer, como a ???hot-swapping???, que permite que o jogador troque a campanha single-player pela multiplayer, sincronizando os itens e a história.

Pode também ser jogado pela LAN ou internet e há vários modos de jogo, que podemos citar, por exemplo, o PvE (Players VS Environment ??? jogadores contra ambiente) com possibilidade de disputar com até 5 jogadores no modo campanha, Free Game ??? PvE e PVP (Player VS Player ??? jogadores contra jogadores) ??? com até 16 jogadores livres para explorar o mapa sem participar da campanha. Há ainda um modo cooperativo que permite ao jogador participar do modo campanha que outro jogador convidar, sendo que só é salvo para quem criou o jogo. Além disso, é possível trocar itens com outros jogadores, uma boa forma de valorizar e obter itens desejados. Isso, somado às duas campanhas e variedade de personagens, garante diversas horas de jogatina a quem se dedicar até as profundezas de Sacred 2. Mas a questão é: quantos de fato se dedicarão? Quantos se frustrarão?

Quando fui designado para fazer a review de Sacred 2: Fallen Angel fiquei animado. Não tinha jogado o primeiro, mas quando vi as informações na capa e manual fiquei impressionado. Ledo engano. ?? aquele tipo de jogo com boas idéias, números impressionantes, complexidade alta, mas que falha justamente ao colocar tudo isso em prática. Só aos jogadores que realmente gostam do gênero e tiverem paciência para superar a barreira inicial, que por incrível que pareça, começa antes mesmo de jogar, devido aos enormes patchs.

Apesar de ser um jogo repleto de conteúdo, a maneira como foi desenvolvido faz o jogador se sentir num lugar vazio, sendo que aqui o ???tesouro escondido??? só achará aquele jogador paciencioso e fã hardcore de qualquer tipo de RPG. Diversão só para os pacientes.


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