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Review de The Saboteur para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O último legado da Pandemic Studios, antes de ser diluída pela EA, foi a produção de mais um jogo ambientado na Segunda Guerra: The Saboteur. Para não repetir tudo que já foi explorado à exaustão por outros jogos, a desenvolvedora apostou em algo diferente, trazendo um cenário ???sandbox??? onde o foco sai das grandes batalhas e cai na heróica resistência francesa.

Mas The Saboteur acaba inovando pouco para se destacar, e o que se tem é um jogo abaixo da média que sonhou alto demais com o que propunha.

La Résistance
A abertura do jogo mostra uma França invadida por nazistas durante a Segunda Guerra. O piloto automobilístico irlandês Sean Devlin viu seu melhor amigo sendo assassinado por um nazista e prometeu vingar a morte do colega. A história por si só não é muito original, mas enquanto a entrada mostra uma trama simples e sem grandes mistérios, as cutscenes durante a jogatina provam o contrário. Uma rede de intrigas e surpresas faz o enredo surpreender e ser um dos poucos pontos positivos.

Se a história vai bem o resto não segue o mesmo estilo que apenas mescla o stealth de Assassin???s Creed com o ???sandbox??? e furto de veículos de GTA. Se a distância é longa, basta parar qualquer motorista, arrancá-lo a socos e chutes de dentro do veículo e dirigir pelas esbeltas ruas da cidade luz. Na verdade, o fato de terem escolhido um protagonista piloto de corrida se deve a habilidade de fugir dos nazistas que passam o tempo todo o perseguindo. Enquanto em GTA basta andar em baixa velocidade e, caso seja reconhecido pelos policiais, sumir do círculo de procura, os nazistas parecem bem mais empenhados em ferrar a vida de Sean. Quando menos se espera, surge um pobre coitado alemão atirando feito louco contra o carro do jogador e tentando matá-lo a todo o custo. ?? tão comum encontrar esses psicopatas germânicos que se passa mais tempo correndo deles do que jogando de verdade.

A parte de stealth é a mais complicada de se compreender. A furtividade não funciona tão bem como deveria. Na verdade Devlin também é notado quando disfarçado. Ao abater sorrateiramente um nazista é possível vestir suas roupas e circular entre outros vilões sem chamar muita atenção por um curto período de tempo. Ao correr redobram-se as precauções e não é preciso muitos passos para por todo o objetivo da missão por água abaixo. Se não bastasse, o direcional é extremamente sensível e por um leve descuido ou uma pequena tremida de dedo o protagonista corre sem querer, irritando o jogador. Sem contar que caminhar é lerdo demais e, dependendo da missão, uma aventura que demoraria poucos minutos dura bem mais que o necessário para divertir.
Outra grande dificuldade é saber qual a hora certa para sair descarregando pentes de balas contra os inimigos ou abater o oponente sem ser percebido. Nunca se sabe se algum outro nazista estará por perto e verá o protagonista apunhalando um companheiro pelas costas. Muitas vezes, o jogador se encontrará perdido sem saber qual o seu objetivo. Matar sorrateiramente ou fuzilar todos? A falta de uma melhor explicação obriga-o a repetir a missão até ter certeza do que deve ser feito. No entanto, o jogo tem um bom diferencial para isso: o botão de pausa. Inúmeras são as vezes que se deve abusar do ???Load last checkpoint??? para terminar as missões.

Escalar prédios deixou de ser novidade. Qualquer protagonista que se preze precisa saber subir em prédios sem usar escadas ou elevadores e em The Saboteur isso não é diferente. Escalar é tediosamente simples: aperte o botão A (ou X no PS3) freneticamente até atingir os telhados. Não precisa de cérebro para isto e nem requer prática. Aperte, aperte e pronto. Não se pode subir em todos os tipos de superfícies, e descobrir quais são as possíveis é pura tentativa e erro. O problema é quando o erro acontece ao se estar fugindo de uma leva de nazistas furiosos. Felizmente (ou não), a prática de Le Parkour parece que foi implementada porque alguém achou que: se fez sucesso em outros jogos, então fará sucesso no nosso. Tirando raras missões que obriga o jogador a subir pelas paredes, é praticamente desnecessário sair pulando prédio acima. The Saboteur pegou a ideia de diversos jogos, mas sem tirar proveito da façanha.

Noir, Mon Amour
Quando a Pandemic distribuiu imagens e trailers do jogo, o que mais chamou a atenção eram os gráficos. Uma França bem reproduzida dentro de um cenário ???sandbox??? com diversas cenas em preto e branco é o maior apelo visual de Saboteur. Quando se está em território dominado, todo o jogo fica em preto e branco e apenas alguns detalhes como uma aura e um bracelete vermelho os destacam os nazistas do resto do cenário. Além disso, fogo e sangue também ganham cores dando um efeito bacana às cenas de grande tensão. Ao completar a missão, parte da cidade ganha cores e vida mostrando que ali a ocupação não foi bem sucedida e que a população está livre dos encrenqueiros. ?? bonito ver a evolução gradual da metrópole e funciona muito bem para acompanhar o quanto da história já se avançou, além de passar o clima sombrio que a resistência francesa enfrentava.

Alguns descasos por parte dos programadores no som tiram um pouco o brilho que o jogo merecia. Embora o jogador esteja em meio a uma França invadida, dificilmente se escutará outra língua além do inglês. Obviamente, eles se preocuparam com a facilidade em compreender a história do jogo, mas nem os transeuntes, que de nada interferem no enredo, falam francês. Até mesmo os alemães sussurram poucas frases na língua mãe e preferem se restringir ao inglês universal. Mais incompreensível que isto só algumas músicas que tocam durante a partida e que só foram ouvidas nas rádios do mundo todo na metade dos anos 60, como é o caso da Feelin??? Good. Para um jogo ambientado nos anos 40 a escolha da trilha sonora foi bastante relapsa.

Se mesmo assim o jogador quer apostar na compra do The Saboteur, talvez o DLC disponível gratuitamente possa acrescentar alguma coisa. Logo no início do jogo é possível baixá-lo e deixar as dançarinas exibirem seus peitos aos frequentadores das casas noturnas. Não influência nada na história ou jogabilidade, apenas é um apelo sexual para tentar aumentar as vendas do título.

O Veredicto
A resistência francesa não conseguiu fazer The Saboteur ganhar o merecido destaque. O apelo visual e a trama cheia de reviravoltas é um bom argumento, mas problemas na jogabilidade stealth e a dificuldade de compreender as missões acabam tornando o que era para ser um grande diferencial em um fracasso. O jogo que serviu para ser o último grito da Pandemic não ecoou como prometia e acabou sendo apenas um baixo sussurro.

Prós:
  1. Trama bem desenvolvida;
  2. Visual diferente e interessante.


Contras:
  1. Stealth não funciona como deveria;
  2. Fica-se um pouco perdido até entender as missões;
  3. Escalar prédios mais parece um adicional que foi decidido às pressas.



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