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Review de DJ Hero para Wii de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


?? quase impossível começar a análise de DJ Hero sem falar da série Guitar Hero. ?? quase impossível falar de DJ Hero sem pensar antes onde irei guardar a novíssima Turntable. Novos Heroes, novos adereços, é a sina que tomou conta da sala de estar. Será isso mau? Não me parece. Com uma inquestionável qualidade e mérito, a Activision com a série Guitar Hero consegue de uma vês por todas desmistificar a sala de estar e a tornar num palco de milhões de jogadores. ?? incontornável o seu sucesso, e enquanto passamos os últimos anos de guitarra e bateria, a nossa mente divagava no que de novo poderia vir. Esse pensamento deve ter passado certamente pela Activision, pois a entrada de DJ Hero no mercado não é apenas mais um jogo de música, mas sim o preencher de uma lacuna de mercado, onde os adeptos de música de dança e géneros sempre foram colocados de parte em jogos de karaoke, e nos últimos tempos na guerra dos simuladores de bandas.

Era com expectativa que esperava pelo resultado final do trabalho de casa da FreeStyleGames, a equipa criadora do primeiro DJ Hero. O maior problema que a equipa se deve ter deparado, era como trazer para um videojogo toda a emoção e êxtase de uma mesa de DJ, sem que isso retirasse o divertimento e não fosse demasiado técnico para os aprendizes. Certamente que poucos de nós temos experiência com este tipo de aparelhos reais, pois sempre os achamos demasiado complexos, com imensos botões, pratos, e efeitos. No caso da bateria e guitarra, embora a sua técnica seja realmente difícil, em grosso modo é algo mais palpável e visível como efeito imediato. Será que a FreeStyleGames conseguiu ela própria misturar de forma correcta o mundo do DJ com os videojogos? Completamente.

Nos jogos musicais, o nosso interesse principal é o divertimento e acima de tudo que consigamos simular o instrumento em causa. Com DJ Hero isso é uma realidade. Os DJs reais de serviço irão certamente vaticinar que não é real, que isto e aquilo. Mas há algo que os ultrapassa, que é a verdadeira razão da existência de um jogo como o DJ Hero. Não é uma tentativa de ser real, ou de substituir os reais, pois esses já existem há muito tempo e não vinham trazer nada de novo. Estamos sim perante um videojogo que na sua própria essência tem o papel de divertir o mais comum dos mortais, e em DJ Hero não só conseguimos fazer isso como ainda divertimos outros. Talvez aqui esteja uma das vantagens do DJ Hero sobre o Guitar Hero como videojogo, é que as pessoas que estejam connosco sem jogar também se divertem e muito.

O hardware em si está muito bem construído, com materiais de qualidade. Os plásticos são de qualidade e é notório um certo peso na mesa, fazendo com que fique presa numa superfície. Podemos dividir em duas partes, sendo a primeira a Turntable e a segunda a mistura de efeitos e faixas. Elas poderão ser removidas fisicamente para uma melhor acomodação. Na Turnbable temos 3 botões, verde, vermelho e azul, sendo que o azul e o verde representam uma faixa de música onde podemos activar ao pressionar e efectuar scratch, bastando pressionar e girar o disco. Depois temos o botão Euphoria que serve para aumentarmos os pontos. Digamos que é uma versão do Star Power do Guitar Hero, onde quanto mais notas seguidas conseguimos executar sem errar, iremos elevar a prestação, e com o Euphoria aumentamos imenso os nossos pontos. Temos depois o botão Crossfader, onde usamos para alterar as faixas. Ou seja, temos três posições, na do meio as duas faixas estão a tocar ao mesmo tempo, a direita fica a faixa do botão azul e esquerda a faixa do botão verde. Por último temos os efeitos que poderão ser activados pelo botão vermelho, ou por fading directo após opção no jogo que o permita.

Falando do jogo em si, e pela minha experiência em jogos musicais, sei que o que conta é o estado de ilusão. Ou seja, queremos sentir que estamos mesmo a colocar música. Essa sensação é imediata em DJ Hero, mas não deixa de ser uma certa decepção quando sabemos que os samples são scriptados, onde não existe em si uma mudança de música em tempo real. Os samples são também muito poucos, não permitindo alargar a nossa combinação de sons. Diferente de Guitar Hero, onde a falha da nota implica a ausência de som, nem sempre, mas quase sempre, em DJ Hero isso não acontece com regularidade, pois o som principal é continuo, e as variações de samples e introdução de efeitos é feita com entradas directas, sendo que a nossa função é apenas para elevar esse efeito. ?? um sistema ilusório mas que funciona muito bem, e a ideia de que somos realmente nós em tudo está presente.

Podemos optar por diferentes níveis de dificuldade, indo de Beginner, Easy, Medium, Hard e Expert. A curva de aprendizagem é superior ao Guitar Hero. No início a sensação é que são demasiadas coisas para se fazer ao mesmo tempo, e que temos que trocar de postura muitas vezes. Uma dica importante é a postura a tomar. Se quisermos ser ases em DJ Hero temos que tomar uma postura de DJ, assumindo a função sem complexos e nos deixarmos levar pela música. Dessa forma iremos conseguir compreender o que cada coisa faz e de forma instintiva nos daremos conta que não é assim tão complicado. Claro está que o modo Hard e Expert exigem uma eficácia e rapidez de movimentos brutais. Algumas músicas são autenticas maratonas videojogaveis.

Um dos factores que abona a favor de DJ Hero é a sua lista de músicas. Existem 93 misturas, que foram criadas de propósito para o jogo. ?? agradável verificar que existem músicas para todos os gostos, permitindo que um maior número de pessoas se sintam agarradas, pois podemos ter House, Rap, Techno, Hip-Hop e até mesmo Rock. De realçar o trabalho que Jay-Z e Eminem tiveram no jogo, sendo uma das minhas favoritas a mistura da batalha entre estes dois.

Graficamente o jogo continua na linha da série Guitar Hero, sendo a opção por um design mais cartoon novamente escolhida. Gostaria de ter visto, principalmente na questão dos palcos algo mais detalhado, e os efeitos com maior relevo. A maior sensação de estarmos a colocar música é mesmo pela música em si, pois o público e a movimentação das câmaras não é pouco credível para que nos sintamos um DJ num palco real. A festa é feita em nossa casa, num ambiente real, e se virmos as coisas dessa forma, o aspecto gráfico é um mero adereço. Podemos também personalizar uma enorme variedade de coisas, desde a nossa personagem, aos decks, às roupas e ter diversos locais disponíveis que irão sendo desbloqueados consoante vamos avançando na pontuação.

Não poderia deixar de mencionar uma das maiores falhas de DJ Hero, que é a impossibilidade de perdermos. Não sei até que ponto isso poderá ser algo mau para os jogadores, mas a meu ver sinto que em termos de desafio é sempre bom sabermos que estamos no fio da navalha. Por outro lado parece uma opção que tenta gratificar o jogador, por permitir tocar a música toda, embora não da melhor forma. Pessoalmente considero que esta não tenha sido a melhor opção. Foi também adicionada a opção de batalhas entre DJ Hero e Guitar Hero, este formato em teoria parece interessante, mas na prática resulta numa mistura estranha, pois se já por si DJ Hero vive de misturas e samples, e funciona impecavelmente à sua maneira, não existindo a necessidade de complicar as coisas.

Activision pegou na formula vencedora da série Guitar Hero e trouxe-nos um jogo refrescante e extremamente divertido. Peca pela falta de ambição e por ser uma aposta segura, sem correr demasiados riscos. Mas DJ Hero ganha em ser um jogo que agradará a quase todos, onde a nossa sala de estar ou mesmo qualquer festa caseira rapidamente se transforma numa pista de dança. ?? um jogo tecnicamente exigente e quem gosta de um bom desafio e de música ficará muito bem servido. Esta é a primeira incursão pelo universo DJ por parte da Activision com a série Hero, e o trabalho está acima do esperado.


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Eurogamer
8/ 10
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