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Review de Act of War: Direct Action para PC de GamesBrasil

por luisinho42, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução:
A escassez do petróleo mundial, reforçado por crises diplomáticas entre as
maiores nações fornecedoras e compradoras deste material, aborda um dos maiores
conflitos mundiais já reportados. A ânsia daqueles que o consomem é tamanha, que
a falta de distribuidores nos cinco continentes aumenta a procura pela mais
importante fonte de combustão, resultando em preços exorbitantes e inacessíveis
para tantas repúblicas pobres. O formato do capitalismo não favorece um acordo
entre os povos, e pensando justamente em vender para mais compradores, surge
inexplicavelmente uma distribuidora denominada Transglobal, com o intento
de perfuras solos egípcios e repassar o petróleo retirado por um preço inferior
ao do mercado. Cria-se uma nova situação de tensão no mercado, e empresas
líderes do setor não querem permitir que a Transglobal se sobressaia com
o dumping praticado, com o receio de não haver mais a concorrência.
Manifestantes se agrupam e começam a exigir a liberação da energia mundial, do
petróleo mais barato e de condições melhores na negociação do combustível.

Uma crise possivelmente verídica e contemporânea, um conflito fictício.
Explorando um tema político real e que atinge a quase todos os países, a
Atari traz Act of War: Direct Action, game de estratégia que
incumbirá você e a segurança nacional a deter os rebeldes que desejam acabar com
o alto valor petrolífero, liderados por algumas multinacionais.

Jogabilidade:
Trazido no excelente formato em DVD, Act of War não requer a troca insistente
de discos na hora de instalar, uma vez que sua ocupação no HD ultrapassa os seis
gigas. E já na própria instalação, é possível compreender a seriedade com que a
desenvolvedora pouco conhecida Eugene Systems resolveu tomar ao
concretizar o game, colocando um vídeo que retrata o debate de dois chefes de
segurança (fictícios) para discutirem a situação da crise do petróleo,
intermediada por uma terceira atriz, apresentadora de um tele-jornal. O jogo
traz em suas tramas inúmeros atores reais que recriam os conflitos no início de
cada missão, numa excelente qualidade de imagem em DVD. E nada falta no elenco,
desde o Sargento, o chefe de estado, o encarregado de defesa, o terrorista de
duas faces e outros personagens importantes que compõe o cast.

Já no comando do jogador, o título não apresenta um controle inédito, e seu
aprendizado é questão de minutos. Os primeiros passos são resumidos a controlar
o líder Jefferson em objetivos simples, posicionando sua equipe de um
determinado número de unidades e atacar a milícia inimiga, obviamente
preservando a vida de seu protagonista. Depois de um certo tempo, é preciso
começar a construir seu próprio exército, chegando a vez das instalações e seus
upgrades. Marines, Snipers, Heavy Snipers e outros são os tipos de combatentes
humanos possíveis, carregando desde arrojadas metralhadoras, até devastadores
lança-mísseis. Já os veículos seguem desde tanques a jipes usados pelas forças
armadas americanas, e helicópteros, Choppers ou até mesmo ataques aéreos por
caças, verdadeiros modelos de grande poder de fogo e destruição por onde passa.
E destruir é uma das virtudes do jogo, que traz uma excelente interação das
unidades com o cenário; árvores, postes, cercas, tudo pode ser estraçalhado
pelos grandes corpanzis de lata ou ser alvo fácil de um míssil perdido.
Edifícios em tamanho real também podem ser ocupados, servindo de abrigo e
permitindo um maior alcance na distância daquela parte do cenário. Sua
desocupação se dá de duas formas: ou invadindo o interior do prédio ou demolindo
por completo com balas de tanque, incapacitando o local de ser reutilizado.

O material principal de construção é o petróleo, que transformado em
dinheiro, lhe dá capital para investir em sua própria base. Outra fonte de renda
é a captura de inimigos, resultado de combatentes adversários que após conflitos
intensos, tornam-se inaptos a lutar e viram alvos fáceis para que seus soldados
se aproximem e o capture. Feridos só podem ser trazidos de volta à ativa em
ambulâncias ou helicópteros especiais, que ao se aproximarem dos que precisam
ser medicados, já os restauram quando estiverem ocupando o diâmetro próximo.

O desenvolver do enredo acaba sendo interessante, porém a essência do game
está mesmo em levantar exército e caminhar pelos longos cenários, em 33 missões.
Você pode jogá-las na ordem que quiser, mas somente seguindo o roteiro é que
passará a entendê-lo. A IA não surpreende tanto como a história, e o
comportamento de certo veículos, em especial, atrapalha com toda a estratégia de
um ataque. ?? muito comum ver jipes e tanques atolados num corredor, enquanto
eles poderiam avançar e se espalhar na hora de recorrer a um alvo. Outra
anomalia a se ver, e não menos engraçado, é solicitar que sua milícia capture o
inimigo incapacitado, e ao invés de termos uma prisão, vemos um atropelamento
involuntário de um tanque que se adiantou, antes mesmo que você pudesse resgatá-
lo com vida. Em um nível mais difícil, conseguir dinheiro com estas capturas é
fundamental, uma vez que nem mesmo o petróleo retirado consegue construir um
exército suficiente para concluir a missão. Também é comum ver algumas unidades
adotarem um caminho alternativo sem seu consentimento, deduzindo que aquele
trajeto optado não seja o mais interessante, e que certamente vai contra a
vontade do jogador.

Áudio:
A boa qualidade sonora presente em Art of War é capaz de detectar todos os
pormenores da ação de alguma unidade e/ou personagem no cenário. Seja um
disparo, uma árvore sendo derrubada, uma simples caminhada de um marine, tudo é
captado pelo áudio e retratado ao jogador. As boas vozes de comando, embora
repetitivas como sempre deve ser, seguem o estilo "Yes, Sir!" ou "On
my way, sir
!", o que também não foge à regra de um RTS. O que realmente
impacta e pode vir a chocar suas caixas de som é a força das explosões,
freqüentes e constante, salientam o impacto da destruição. As músicas de tensão
aparecem adequadamente com a situação, e permanecem suaves ou silenciosas quando
a ação inexiste na partida.

Multiplayer:
Dezenas de mapas estão disponíveis para jogadores online via GameSpy
ou rede, ligando até oito participantes numa mesma partida. O multiplayer
realmente não é o quesito mais expressivo de Act of War, não por não acomodar
poucos jogadores, porém por apenas possuir um modo de combate, que é o
Deathmatch. Logicamente facções podem ser criadas dentro das batalhas, tornando
a estratégia mais cooperativa, entretanto o que se sobressai no modo
multijogador é a corrida contra o tempo, uma vez que cada jogador deve construir
e devastar a base inimiga o quanto antes ela possa crescer. Bacana, embora não
muito original.

Gráficos:
Numa primeira leva de screenshots exibida ano passado, Act of War expôs um
realismo surpreendente de construções de um ambiente urbano em caos. Valendo-se
da qualidade daquelas fotos, cidades incrivelmente edificadas foram levantadas
com uma infinidade de minúcias por trás. O asfalto, tanto de longe como perto,
descreve ruas e avenidas quase reais aos olhos, acompanhadas de marcações e
sinalizações de tráfego bem desenhadas. Postes, fiação elétrica, parques e outra
infinidade de detalhes fazem um dos cenários mais completos de um game de
estratégia, mas que não permanece desta forma em todos os aspectos. Um excelente
efeito de sol reproduz sombras e reflexos na água conforme a posição da luz,
influenciado também pelos diferentes níveis de relevo. Já os cenários desérticos
e montanhosos são tão belos quanto os urbanos, porém se nota uma certa
artificialidade virtual na criação destes ambientes. As próprias unidades e
instalações das milícias demonstram falhas gráficas quando aproximados pelo
poderoso zoom, revelando personagens e veículos nem tão bem concluídos assim.

Mas no geral, Act of War é um belíssimo jogo de se ver. A quantidade das
explosões exageradas mais a interação dos impactos com o ambiente ajudam na
assolação quase por completa dos cenários. ?? comum (vide fotos) ter um local de
batalhas totalmente deformado após a troca de tiros entre dois pelotões,
deixando ruas esburacadas, estruturas abaladas e postes ao chão. O próprio peso
dos tanques é verificado no terreno prejudicado pela marca de suas correntes,
bem como jipes que também deixam o asfalto queimado. A densa fumaça é capaz de
subir até o céu e atrapalhar determinado ângulo da câmera, lhe obrigando a mudar
a posição da vista. Porém seu conteúdo tem um preço relativamente caro, uma vez
que, com tantos objetos nos cenários, acaba pesando na configuração do jogador.
Contudo, quando os efeitos de FSAA estão desligados, o jogo pode fluir bem em
computadores modestos, em resoluções inferiores e opções de vídeos reduzidas.

Conclusão:
Abordando um tema bastante complexo, Act of War é uma superprodução da
Atari com a desenvolvedora Eugene que vai além de um jogo bonito.
Atores reais, edição de filmagem, um som e acústica de invejar e a adição de uma
boa jogabilidade sumarizam o que este título consegue trazer, embora ele não se
diferencie muitos dos RTS convencionais. O modo de construir, atacar, investir e
fazer estratégia fora tão banalizado, que nem mesmo a Atari pôde fugir
muito deste conceito, concepção essa que resume a longevidade e o sucesso de um
game de estratégia. Mas Act of War: Direct Action vale uma conferida com
atenção, pois mesmo que o jogo não traga nada de tão revolucionário ao gênero,
esbanja um ótimo visual e uma diversão interessante, sem mencionar um básico
multiplayer que atrai jogadores de todo o mundo.


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