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Review de Forza Motorsport 3 para X360 de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Logo que abrem o jogo a estreita introdução leva-vos para onde está precisamente Forza Motorsport 3, entre a atenção ao mais ínfimo pormenor, belos automóveis como fonte de emoções, condução impiedosa e acesa competição. Os instantes iniciais do trailer de inauguração captam, sob alguns ângulos fechados, o vermelho flamejante do Audi R8 V10. ?? tentador o aspecto polido e brilhante da carroçaria. A abordagem serena e contínua em redor do carro impõe respeito, mas por instantes prende-se o olhar no interior, numa prospecção imediata do grau de luxo e abundante negro distinto. Não seria ainda um desportivo extremo sem a turbulência e ferocidade provocada por um V10 tecnologicamente avançado, a última imagem antes de sair para o sinuoso, pintado a borracha e algo desgastado, asfalto da montanha de Montserrat.

Um pelotão de carros danados desce com valentia, coeso. Cada um desafia a posição imediata. Com o Audi R8 em destaque, eis que este cede com volúpia a posição ao veterano Audi R10 tdi, num parto tecnológico extremo, engrenando uma quarta velocidade numa notável sonoridade, para tomar a dianteira já na mítica adrenalina de La Sarthe, onde cada curva e recta se cumpre com o peso de quase um século de história. Está lançado o perfeito ???rolling start???. A realização segue a voracidade dos LMP1 em Le Mans e abranda num regresso a Monserrat, entre drifts e rails amolgados pelas incidências ousadas, num périplo imediato por competições desportivas preponderantes no continente asiático, australiano e norte-americano.

?? uma entrada bastante concisa, acolhedora do sentido transversal de FM3, um jogo que congrega elementos e liberta doses de opções para agradar aos vários sectores dentro dos jogos de carros e também mercados. Da primeira iteração que a apresentação e carácter da série obedece a um manto de elegância e consistência no alinhamento e concretização das corridas. Não há grande show off ??? o vasto público sabe disso, Forza é tudo sobre carros, pura beleza e como estes podem provocar experiências excitantes e sobretudo credíveis, num desafio à realidade.

Os menus têm uma apresentação mais limpa, minimal, sóbria, mas sobretudo o esquema de opções é mais funcional e organizado, enquanto na selecção inicial terão sempre o carro que tenham utilizado na última prova numa espécie de ???showcase???. Depois de pressionarem o botão A, têm 3 grandes opções: Forza Motorsport 3, jogo livre e mercado virtual, onde poderão descarregar conteúdos adicionais que deverão ser disponibilizados muito em breve. A segunda opção funciona como o antigo modo arcade e permite realizar uma volta rápida ou uma corrida ad-hoc e também partilha de ecrã para uma corrida entre dois jogadores, numa pista à escolha e na posse de um qualquer automóvel. Esta é a secção mais livre, descomprometida e global.

O grande naco, onde derreterão grande parte do tempo, está no modo carreira, renovado, com um sentido de progressão mais eficaz através do critério de selecção de provas e integração numa ordem de temporadas que desde logo promove a realização de provas mais diversificadas, apelando a estilos de condução distintos. Contudo, antes de rubricarem um contrato de longa duração há um teste orientador da vossa familiaridade ou não com jogos de desportos motorizados. Se sentirem mais ou menos habilitados irão dispor de um menor ou maior indicador de assistência nos momentos decisivos da corrida e uma actuação dos adversários em pista mais tolerante.

Para o caso de terem treinado na demonstração disponível desde o final do mês passado ou mesmo terem vencido os desafios propostos pelos títulos anteriores, os produtores do jogo entenderam que o Audi R8 V10 é a máquina adequada para pôr à prova as vossas capacidades, dentro da dificuldade mais séria. Na prática e mesmo com as assistências reduzidas a um mínimo, terão em imediata linha de conta a particular eficácia do Audi, não apenas equilibrado, mas um ponto intermédio entre carros de fácil adaptação (veículos menos potentes) e as grandes cilindradas de competição mundial que reportam de forma por vezes cruel, mas necessariamente plausível, qualquer aceleração menos ponderada ou negociação das curva mais tardia.

Isto para dizer que a jogabilidade, rotulada por mérito de experiências anteriores como uma das mais legítimas, continua aditiva e gratificante, ao mesmo tempo que se compatibiliza com diferentes graus de dificuldade numa tentativa de acomodar até a clientela menos conhecedora deste firme posto de condução. Contudo, é na forma mais crua, exigente e despida de assistências que Forza 3 pulsa puro empenho. Percorre todas as categorias presentes de veículos, deixando em cada uma um traço orientador. Nos carros menos potentes há mais tempo para controlar a aproximação à curva, entrar na trajectória, dominar o apex e encaminhar potência quando as rodas já estão alinhadas com o rumo de saída. Através do novo sistema de dinâmica, até o peso sobre as rodas tem efeito na negociação das curvas, afectando o balanço e aderência do carro.

Contudo, a progressão na carreira estabelecida a partir dos carros menos cotados em potência serve de estímulo e encorajamento ao abandono progressivo das assistências, à medida que se conhece melhor as entranhas da jogabilidade e se sente o carro mais liberto para a implementação de uma forma personalizada de conduzir, que é dizer, tirar o máximo aproveitamento. O alcance máximo da experiência de condução volta a suceder com os LMP1 de Le Mans, através das armadas Audi e Peugeot. Equilíbrio, controlo cirúrgico e peso e medida nas acelerações e travagens, em circuitos vertiginosos como La Sarthe, titulam a densidade do título à medida que as categorias se multiplicam pelos V8 supercars, musculados americanos.

No canto superior direito do ecrã escalonam-se os indicadores de tempo de corrida: última volta, volta mais rápida e penalização, naquilo que é uma espécie de leitura imediata da prestação em corrida. O diferencial de tempo para o perseguido e perseguidor pisca após passagem nos sectores intermédios. Um estímulo à manutenção do ritmo rápido ou cauteloso.Mas se por um segundo ou décimo se ganha ou perde uma corrida, esta máxima implacável pode cair em desuso através do uso dado ao novo sistema de regressão que permite recuar uns breves instantes no tempo e contornar devidamente um obstáculo que tenha aparecido. A utilização desta batota não é livre, porém. Só nos casos da perda de controlo do carro ou toque provocado se pode activar a opção. De certo modo há uma manipulação dos resultados e da classificação final quando é posta em prática a opção. Pode-se ganhar uma corrida de forma fraudulenta, mas não será frustrante ver desmoronar-se o tempo gasto a garantir o primeiro lugar numa prova de resistência, só porque o perseguidor exagerou numa tentativa de ultrapassagem? Para não incluir os casos em que se repetem constantemente as partidas devido ao aglomerado excessivo de carros na passagem pela primeira curva, bem como as temidas ???agressões??? dos adversários na dificuldade máxima. No final é o jogador que decide quanto à utilização do sistema.

FM3 mantém uma estreita relação com os números, redondos e gordos. Perto de 100 pistas, entre variantes e percursos alternativos, embora muitos sejam formados a partir do mesmo circuito. Carros são 400. O esmero e dedicação da Turn 10 não segue expressão somente pela atenção suplementar dada a cada veículo ??? garantem que para cada um o número total de polígonos é dez vezes superior ao usado na versão anterior. Transpira mais beleza, pornografia automóvel, especialmente a partir do ponto de condução, a perspectiva adequada para arrancar nas corridas. Cada carro tem assegurada a reprodução interior ao mais ínfimo pormenor. A sensação de velocidade é maior, as curvas negoceiam-se com outra precisão e a aproximação aos adversários, por exemplo na longa, sinuosa e apertada pista de Nurburgring faz-se com acentuado perigo.

Os números continuam em alta quanto ao número de provas distribuídas pelo novo modo individual de progressão ordenado por temporadas. Ao todo são 200 provas que representam corridas em circuito, percursos de montanha (drifts), duelos, drags, voltas rápidas e acelerações em circuitos ovais. Uma voz off salienta as novas regras. Com um calendário em cima da mesa, desde logo os domingos ficam destinados aos grandes prémios, que têm lugar de duas em duas semanas. São provas de maior duração e constituídas por veículos geralmente mais potentes dos que vinham sendo utilizados. Ao longo da semana e para ocupar o tempo livre podem escolher um de três convites, sugeridos em função das pistas percorridas e classe de veículos.

A progressão no modo carreira não só está mais expedita, através da facilidade em escolher um carro e imediatamente prepará-lo para a prova, como também os calendários são organizados em função dos carros preferidos e das corridas seleccionadas, embora haja uma viagem gradual a sustentada a partir dos veículos da classe F, até às categorias dos bólides de competição. De resto permanece como dantes o sistema de acumulação de créditos e de experiência. Com mais créditos obtêm descontos na aquisição de peças das marcas e podem adquirir veículos. Os pontos de experiência desbloqueiam novos contratos e algumas marcas entregam veículos em função das boas prestações.

A preparação e alteração dos veículos para garantir um maior equilíbrio na competição deixou de ser operada de forma manual. Nalguns casos o veículo seleccionado para a prova está de tal modo abaixo da média de eficácia dos restantes veículos, que logo surge uma indicação para fazer a alteração de modo automático. ?? uma forma de permitir a entrada imediata para as corridas, esvaziando de interesse o recurso à selecção e compra das peças para os jogadores menos habituados. Os ???tunners??? do costume não terão problemas em comprar o conjunto de peças mais eficaz ao mesmo tempo que afinam as definições do veículo para o ter mais a gosto.

Se a progressão individual através de temporadas motiva uma densidade maior e uma renovação tendente a premiar as preferências dos jogadores, a componente on-line propõe-se como uma das mais completas, através de uma infinitude de opções, deixando para trás a concorrência. Desde logo é um abuso o número de parâmetros que podem ser definidos. Qualquer coisa como 100 opções, entre definição de voltas, critério de vencedor, partidas lançadas, partidas do tipo contra relógio, entre outras opções mais simples e comuns. Mais que isso é possível separar os oito jogadores através de equipas, organizando competições do género ???cat and mouse??? visto em PGR, entre outras provas afinadas ao mais pequeno detalhe.

Atenção aos detalhes e à produção artística, naquilo que em Forza 2 foi atingido de forma notável e um outro tanto de prolongamento do jogo, continua nesta versão a proporcionar um extremo sentido de comunidade. Não é para todos tocar a excelência de algumas pinturas que se podem adquirir a peso de ouro na storefront e sempre com a protecção dos direitos de autor. Para os menos habilitados à criação artística, o editor de ferramentas é suficientemente escorreito ao ponto de permitir um bom nível de personalização dos carros preferidos.

Depois podem votar sobre as produções artísticas, para as quais foram criadas listas de classificação, naquilo que se pode antecipar venha a ser outro tanto de competição fora das pistas. Tal como em PGR podem votar nas fotografias e vídeos remetidos para uma secção pessoal. Cada jogador dispõe de uma espécie de ficha que organiza todos os dados importantes, desde fotografias, pinturas, vídeos, afinações dos carros. ?? tocante a profundidade do sentido de comunidade neste jogo. Para tudo há tabelas classificação e ainda podem pesquisar noutros jogadores e amigos que tenham na lista aquilo que procuram, como carros, afinações, etc.

Desde percursos míticos reais localizados primordialmente na Europa, continente norte-americano e asiático, o périplo ficou reforçado com a introdução de novos ambientes da costa italiana (Amalfi Coast) - embora melhor adaptado à realização de drifts, a região de Montserrat e ainda a reter o regresso da extensa mas absolutamente louca pista de Fujimi Kaido. Mas é com a entrada de La Sarthe (apesar do fervor do circuito da Catalunha) que se abre a garrafa de champanhe. Le Mans é um marco histórico na tradição do desporto automóvel e ainda a verdadeira catedral que dirá muito para os entusiastas, sobretudo pela hipótese de ser percorrida a enorme recta de Mulsanne sem as chicanes. Num misto de percurso aberto ao público ladeado de verde e cobertura de azul é um privilégio arriscar voltas rápidas nos mais gloriosos carros das categorias R. Contudo, muitas pistas representam regressos das edições anteriores e as variantes e percursos alternativos das mesmas não colmatam um certo amargo de boca por ainda não ter sido desta que se incluiu SPA Francorchamps, Imola, Monza ou Mónaco.

Contudo, as recuperações das pistas anteriores fizeram-se com retoques e substanciais melhorias, com mais detalhes e pormenores que marcam uma progressão. Nurburgring continua a proporcionar o entusiasmo de sempre, ainda que desta vez sob um céu escuro a clamar por trovoadas.

Quanto aos carros disponíveis a entrada dos Sedans e Suvs não só preenche muitas das preferências dos jogadores, com mais opções até pelo comportamento distinto que estas viaturas exibem, como há ainda um reforço nos carros de competição, nomeadamente das 24 horas de Nurburgring, de Le Mans e das provas australianas. As opções em termos de carros asiáticos foram alargadas com muitos veículos oriundos do campeonato japonês de GT, pelo que mais do que tentar alcançar todos, a tendência é para alargar as opções dentro dos grupos mais representativos.

Por outro lado, a inteligência artificial está amplamente melhorada para responder em função do vosso comportamento (tenham em conta que quem vai à guerra dá e leva) e os toques entre os carros provocam reacções mais credíveis na condução. Se tentarem ultrapassar o veículo fazendo uma espécie de encosto, contem com um chega para lá condigno em resposta, desde que para tal ajustem a dificuldade para o máximo. Apesar da facilidade em capotar, após uma entrada fora de tempo numa curva, ou toque num adversário a alta velocidade, o sistema de reprodução dos danos não proporciona uma destruição cabal da parte afectada. Mesmo a alta velocidade e apesar da desvitalização imediata das funções, a carroçaria não manifesta a brutalidade do impacto.

Dentro do habitat natural, em plena competição, Forza 3 é um jogo mais vivo, colorido e dinâmico, com uma reunião formidável de pressupostos que alinhados formam o jogo de automóveis mais gratificante, recompensador e credível da actualidade. O poderio gráfico manifesta-se na concretização cabal do ambiente nas pistas e ao redor e da integração dos veículos concebidos com um grau impressionante de detalhe nas mesmas. O fulgor da animação é uma constante mas dentro dos circuitos de La Sarthe e Nurburgring é de uma admiração capaz de rivalizar com qualquer transmissão televisiva. No entanto a transição entre o dia/noite e implementação das condições atmosféricas deverão constituir os próximos desafios Mas ainda há que contar com aquelas subtilezas como o relógio que marca as horas em tempo real, situado entre os manómetros, no interior do Audi R8 V10. Até o conta quilómetros mede a distância total que já acumularam no carro.

No final FM3 não só é um jogo maior e melhor. Significa ainda devoção e progressão assertiva por onde se deve enfiar a reprodução virtual das incidências de condução de um automóvel. Exprime ainda uma tendência para se moldar à capacidade dos interessados, não só por patentear largos índices da cultura automobilística e desportiva, mas também por entregar uma intimidade maior, gratificante e verdadeira entre os principais actores desta experiência.


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