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Review de Need for Speed: SHIFT para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Não existe série de corrida mais polêmica que Need for Speed. Ela começou boa, teve jogos memoráveis ocasionalmente e depois despencou dentro de um abismo que parecia não ter fim, principalmente quando se fala em jogabildiade e gráficos ultrapassados. Quando tudo parecia ir de mal a pior a EA passou a produção do jogo para a Slightly Mad Studios com um único objetivo: Need for Speed: SHIFT deveria resgatar do fundo do poço a franquia de corrida mais conhecida no mundo.

Esqueça corridas de rua, cidades amplas e abertas e até luzes neon embaixo do carro que mais pareciam camas de bronzeamento artificial ambulantes. Em Need for Speed: SHIFT tudo isso saiu de cena e as corridas voltaram para dentro de autódromos com ótimas disputas entre equipes. Certamente, em um primeiro momento, isso não agradará jogadores que gostaram da série Underground, mas a mudança foi bem vinda, ainda mais quando dentro de um circuito menor e fechado, os produtores puderam abusar nos detalhes.

Os carros impressionam principalmente para quem prefere jogar de dentro do veículo. Os cockpits estão fiéis aos carros verdadeiros e nenhum detalhe foi esquecido. ?? interessante notar que todos os componentes contidos em cada painel diferem-se em cada carro, seja o botão de pisca alerta retangular do Golf ao Lamborghini costurado no couro do painel central da Murcielago. O trabalho de reprodução está excelente e é uma boa chance de conhecer, mesmo que virtualmente, como eles são por dentro.

Na verdade o jogo todo recebeu um bom avanço gráfico, estabelecendo-se em mesmo nível que outros bons títulos de corrida como Grid e Forza Motorsport 3. Se compararmos as batidas, SHIFT se destaca. A velocidade, diferente dos anteriores, não ganhou aquele efeito de blur exagerado. Dessa vez tudo foi tocado no processamento dos quadros, deixando que os 60 frames lisos passem a sensação necessária. Quando o carro se choca com muita força contra um objeto, o jogo aplica um filtro embaçado, embaralhando e descolorindo a visão do jogador. Esse efeito de tontura simulada aumenta ainda mais o realismo da corrida, deixando a pessoa realmente desnorteada após uma colisão. Uma pena que para isso tiveram que estragar algumas texturas que, quando vistas de longe, aparecem em baixa qualidade, ficando nítidas apenas quando próximas. Ainda que isso não aconteça frequentemente, para os olhares mais atentos essa pequena variação de texturas acaba sendo percebida.

A trilha sonora é boa. Vai do rock ao hip-hop. São músicas agitadas que passam a adrenalina necessária para uma competição, mas que se tornam cansativas pela pouca quantidade de faixas. De contra partida, o ronco dos motores está acima da média, não só pela perfeição técnica que permite notar a diferença de acelerar uma BMW e um Nissan, mas também pelo seu efeito 5.1. Quando o veículo adversário sai de trás do carro e ultrapassa por uma das laterais é possível ouvir todo o caminho que ele percorre através do sistema surround, inclusive identificando momentos em que o motor é mais exigido para ter potência na ultrapassagem.

De volta ao realismo
Se o grande vilão das versões anteriores era a jogabilidade arcade mal desenvolvida, em SHIFT a coisa muda de figura: a começar pela customização dos controles. Quando se inicia pela primeira vez o jogo, o piloto virtual é convidado a fazer uma corrida para calibrar os controles de acordo com o seu estilo. O que era para ser bom pode trazer alguns problemas como a alta sensibilidade dos direcionais, dificultando na execução de uma curva mais aberta. O mais bizarro disso tudo é que não importa quantas vezes se faça a mesma corrida de calibragem, ela irá sempre apresentar resultados diferentes, forçando o jogador a ir às opções e configurar da forma que bem entender, escolhendo o que cada botão irá fazer.

Assim como os controles, os carros também são customizáveis. Ainda que mais modesto que os jogos anteriores da franquia, o tunning está presente. A gama de ajustes foi diminuída deixando muita frescura estética de fora. Claro, mesmo assim ainda é possível deixar o carro com um visual mais agressivo e, sobretudo, aumentar significativamente a potência do motor.

As corridas são variadas. Vão de campeonatos entre diferentes equipes, corrida contra o relógio a competições entre montadoras. Por exemplo: carros da Wolkswagen correndo contra Mercedes. Além disso, existem as corridas de drifts, e aí se derrapar com o carro não for o forte do jogador tudo se complica. Conforme as provas vão avançando, drifts complexos são necessários, porém a curva de aprendizagem é muito rasa, transformando o que era para ser divertido em uma das competições mais irritantes da história do automobilismo. Ainda mais quando ir bem na corrida é a única garantia de avançar no modo carreira.

Carreira curta
Need for Speed: SHIFT presenteia o piloto com duas diferentes formas de ganhar pontos: sendo um ás do volante ou jogando sujo. Fazer curvas perfeitas, ultrapassagens no momento certo e evitar colisões são o perfil da direção, uma vez que pontos são ganhos a cada manobra bem sucedida. Agora, se bater na traseira, obrigar o adversário a rodar na pista ou empurrá-lo para a grama cai mais no gosto do piloto então não tem problema, a cada sacanagem feita pontos também são adquiridos e, acredite, isso não se limita a quem está jogando -- os adversários também irão tentar a todo custo tirá-lo da pista- custe o que custar. Esta jogabilidade diferenciada, onde é possível escolher entre ser agressivo ou prudente, é o grande diferencial do SHIFT e, tranqüilamente, agradará todos os estilos de corredores.

O modo Carreira é um pouco frustrante. Corra, ganhe pontos por loucuras na pista e por terminar a corrida. Esses pontos servem para abrir novos campeonatos e para comprar novos carros ou peças para os que já estão na garagem. O problema é que nunca falta dinheiro. Você pode comprar uma BMW 325i e ainda sobra dinheiro para os upgrades, mas quando se abre ela, também surge um Aston Martin Vantage muito superior, então porque comprar a BMW? Talvez pelo sonho de se tornar um colecionador virtual de carros, mas isso nem é um grande problema no SHIFT já que só 60 carros compõem a garagem do jogo. Essa falta de bom senso dos programadores em dosar melhor como os poucos carros vão ser abertos durante a carreira acaba tornando-o ainda mais curto do que realmente é e encerrando qualquer chance de jogá-lo novamente.

O multiplayer diverte, mas não inova. As mesmas competições do modo singleplayer estão presentes no multijogador, entretanto, é sempre mais divertido correr contra cabeças pensantes do que depender da inteligência artificial do jogo. O mais decepcionante do online são as penalidades por sair da pista em uma ultrapassagem. Se durante a competição o piloto inventar de forçar uma ultrapassagem por fora da pista ou transformar uma chicane em uma reta para ganhar alguns segundos de tempo, o jogo automaticamente pune o jogador deixando-o mais lento. Nada é mais frustrante do que estar bem colocado e ver todo mundo passando em alta velocidade enquanto seu carro se arrasta pela pista.

O Veredicto: Need for Speed: SHIFT traz as boas lembranças da série para jogadores que tem um pouco mais de idade e que sempre gostaram de jogos de corrida com viés de simulação. A customização dos controles, somada à sensação insana de velocidade cria um ambiente perfeito para sentir-se atrás do volante. Entretanto, os drifts impossíveis de se fazer, as punições onlines e a trilha sonora repetitiva acabam deixando o título um pouco menos atraente do que ele realmente poderia ser.

Prós:
  1. Alta fidelidade do interior dos veículos;
  2. Sensação de velocidade perfeita.


Contras:
  1. Apenas 60 carros;
  2. Punições no multiplayer;
  3. Dificuldade demasiadamente elevada nos drifts.



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Outer Space
7/ 10
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