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Review de Muramasa: The Demon Blade para Wii de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Mergulhado em um Japão feudal, onde demônios e samurais convivem lado a lado com outras entidades tradicionais da cultura japonesa, encontramos Muramasa: The Demon Blade, desenvolvido pela Vanillaware, mesma produtora do aclamado Odin Sphere.

A trama conta a história da princesa Momohime e do ninja exilado Kisuke. A pobre princesa passa grande parte do jogo presa fora do corpo, como um espírito, enquanto seu corpo foi seqüestrado por um forte guerreiro. Enquanto isso, Kisuke sofre de amnésia e não entende porque um grupo de ninjas quer sua cabeça. Em um determinado momento suas vidas se cruzam e aí começa a missão do jogador.

A pintura está se mexendo
Os gráficos lembram muito Odin Sphere. Sprites grandes, bem desenhados e coloridos, fazem o jogo provar que o 2D ainda tem mercado, se for bem feito. A animação dos dois personagens principais é viva, dando uma sensação de suavidade nos movimentos e parecendo mais uma dança com espadas do que uma batalha. Os inimigos também dispõem dessa variedade de sprites nas animações, mas a falta de diversidade deles acaba caindo na repetição. Os mais fortes apenas têm cores alteradas, se tornando repetitivos depois de poucas fases avançadas. E isso acontece novamente nos cenários. Infelizmente, a transição entre eles acaba fazendo o jogador ver as mesmas planícies e florestas. Se for Possivel ignorar este problema não há o que questionar no resto, que é lindo e rico em detalhes. Poucos jogos conseguiram chegar a um patamar de total exuberância gráfica no Wii como Muramasa.

O som se destaca pela dublagem dos personagens. Todos os diálogos entre NPCs e os protagonistas possuem vozes originais em japonês, com legendas em inglês. ?? interessante para quem gosta do áudio original japonês, que dificilmente chega ao ocidente. As músicas também estão na média. Melodias que remetem a clássicas músicas orientais ajudam na ambientação feudal japonesa, dando um bom exemplo de como um áudio apropriado pode melhorar muito um jogo.

Dois personagens são selecionáveis: o menino e a menina. A diferença de jogabilidade entre eles é nula. Fica claro que a única ideia por trás da escolha deles era atrair ambos os sexos para o jogo e não distingui-los por força ou agilidade. Diferenciar entre os personagens, ou até mesmo adicionar mais protagonistas com habilidades diferentes, faria o jogo não ficar apenas em mais um side-scroll de luta com belos sprites coloridos.

Bonitinho, mas ordinário
Muramasa: The Demon Blade é bastante simples de se jogar, ainda mais pelas alternativas de controles: Wiimote, Classic Controler ou o controle do GameCube estão disponíveis nas opções e ajudam bastante para pessoas que têm dificuldade em se adaptar com o Wiimote. Um tutorial auxilia a compreender a mecânica e os comandos do jogo.

Nas batalhas não há dificuldade. Na verdade, o tutorial foi apenas um exemplo de tudo que é possível fazer, porque, na realidade, esmagar o botão A apontando para uma direção aleatória enquanto se pula é o que se precisa saber. Não demora muito para perceber que a ideia é avançar até o fim da fase, matar o chefão e adquirir uma nova espada para abrir outro caminho. Não é preciso jogar uma hora para ver como os combates são repetitivos.

A ideia das espadas é interessante. Cada uma tem um poder de ataque e um especial que pode ser desferido usando uma barra que se encontra no topo da tela. Os especiais mudam de acordo com a espada e é interessante escolher a certa na hora que se quer usar um golpe que afete todos os inimigos ou dê um alto dano em apenas um, situação útil nos chefes. Além disso, cada vez que se defende de golpes inimigos, diminui sua durabilidade, chegando em um momento em que ela quebra e obriga o jogador a escolher outra para continuar na luta. Um ponto positivo é escolher a espada certa e perceber que ao enfrentar um chefe mais avançado, a escolha correta pode facilitar a sua vida. Com 108 espadas distintas, terminar o jogo buscando todas elas rende boas 15 horas de jogatina.

Entre o RPG e o Side-Scrolling
Quem procura labirintos e quebra-cabeças engenhosas pode esquecer Muramasa. As fases são cenários divididos em telas que se bifurcam em diversos caminhos. Alguns deles bloqueados e só acessíveis depois de obter a espada necessária para abri-los. Nesses cenários o jogador encontrará desde inimigos até ambientes vazios, sem nada para fazer a não ser observar os bonitos gráficos, enquanto procura a saída. Essa é toda e qualquer exploração existente.

Alguns elementos de RPG são visíveis. NPCs pipocam em determinadas partes do jogo passando informações sobre inimigos que estão à frente, elucidando a história ou com lojinhas de vendas de itens, que vão desde itens de recuperação de HP a bombas de fumaça. Em determinados momentos, é possível entrar em casa e encontrar itens escondidos ou NPCs que ajudam a completar a história. Aproveitando que o assunto é o enredo, apenas uma coisa pode ser dita: irrelevante. Ao contrário de Odin Sphere, onde uma completa história está presente, aqui nada chama muito a atenção ou impressiona o jogador. Outro elemento constante é a experiência ganha no final de cada batalha fazendo o guerreiro subir de nível aumentando o HP e outros pontos como força e agilidade. Existe mais uma adição bastante interessante e talvez um dos (se não o único motivo) de fazer a pessoa jogar novamente: o jogo possui mais de um final, dando uma sobrevida. Pena que, certamente, poucas pessoas irão aceitar o desafio.

O Veredicto: Os gráficos são a prova de que o 2D pode e deve ter espaço na biblioteca de jogos atual. A jogabilidade é a amostra do que deve ser modificado para não fracassar, lamentavelmente, pelas batalhas e cenários repetitivos. E a história, que ia muito bem pela variedade de vozes, acabou ofuscada por um roteiro irrelevante. Os aventureiros podem correr atrás dos diferentes finais disponíveis, mas não esperem uma medalha de honra ao mérito para Muramasa.

Prós:
  1. Gráficos 2D coloridos e muito bem desenhados;
  2. Trilha sonora e vozes que ajudam na ambientação;
  3. A idéia das espadas é interessante.


Contras:
  1. Cenários e batalhas repetitivas;
  2. Enredo simplório;
  3. A escolha de personagens é inútil.



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