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Review de MotorStorm: Arctic Edge para PSP de Eurogamer

por Luan Marqueti, fonte Eurogamer, data  editar remover


Muitas têm sido as adaptações de clássicos dos sistemas caseiros da Sony a ser anunciados para a PSP nos últimos tempos. Cabe geralmente a produtoras mais pequenas agarrar estas oportunidades para fazer brilharete. Não obstante, poucos não são os casos em que a pasta é entregue a estúdios mais experienciados no ramo, tal é o caso de Resistance, série convertida ao pequeno ecrã pela popularizada produtora de Syphon Filter. O mesmo acontece com Arctic Edge, produzido pela bigBIG, série outrora responsável pelo aclamado Pursuit Force e respectiva sequela.

Talvez por aí Arctic Edge me tenha despertado mais curiosidade: saber como lidaria a produtora com este estilo de corridas mais aberto e inesperado que é o offroad. E, nesse sentido, ao pegar em Arctic Edge é fácil constatar que o trabalho foi bem cumprido, pois é um Motorstorm em todo o sentido da palavra. Continua intenso, vertiginoso, rápido e lamacento. Diria que cheira a Motorstorm por todo o lado. Porém o cenário agora é outro, o árctico gelado.

E essa será mesmo a maior novidade que irão encontrar ao longo de todo o jogo: um cenário diferente. E por aí digo que Arctic Edge é uma adição necessária à série, pois passando por onde já os seus antecessores haviam passado, este é definitivamente um cenário em falta e que vale a pena visitar. Contudo é bastante fácil também perceber que essa é mesmo a principal novidade aqui presente e fora isso há muito pouco a fazer de chamariz. ?? um regresso às origens, primando pela falta de variedade entre cenários.


Efeitos de iluminação são muito bem conseguidos em Arctic Edge.

Na verdade, e depois de jogar Pacific Rift, diria até que esta versão PSP é um ligeiro passo para trás. Voltamos a estar cingidos a uma única tipologia de circuitos. São 12 pistas nunca antes vistas, o que é até uma quantidade bastante razoável tendo em conta que o original apenas tinha 8, mas diria que os veteranos da série dificilmente irão encontrar aqui algo de verdadeiramente inédito. Todas elas são demasiado derivativas, sem que consigam encontrar verdadeiros rasgos de originalidade que lhe confiram a magnitude de outros circuitos já conhecidos.

Ora se por um lado é de aplaudir a apresentação de um novo e inédito cenário, por outro, é visível que tudo isto pouco ou nada traz de novo ao jogo.

Com o novo cenário vêm também 3 novos veículos. ?? de notar, porém, que certas classes de veículos sofreram algumas mudanças. A mota, por exemplo, tem agora uma condução mais dura. Parece até que a sensibilidade característica ao dito veículo terá passado para o novo SnowMachine (o trenó a motor), o que é fisicamente improvável. Os Mud Pluggers chamam-se agora Snow Pluggers e, contas feitas, o único veículo que realmente se adequa a este novo cenário é mesmo o SnowCat, um veículo definitivamente mais lento, mas também mais estável graças às ???rodas??? estilo tanque com que se movimenta. Fiquei também com a sensação de que é possível utilizar o Boost durante bem mais tempo, o que, tendo em conta a natureza do cenário, até faz sentido.



A jogabilidade, sem ser exime, será do melhor que cá vão encontrar. A condução continua frenética, tal como a sensação de velocidade, mas a nível de física são de notar falhas evidentes. Os veículos não se desfazem em mil pedaços como acontecia nos capítulos anteriores. Mas pior do que isso é quando se espetam numa valeta e ficam atolados, sem que o jogo inicie automaticamente a sequência de destruição que colocaria o jogador de volta à pista. Isto resulta na necessidade de reposicionar manualmente o veículo ou então premir (quando possível) a tecla Select, de reposicionamento.

Mas a falha mais gritante parece-me ser o modo festival, do qual nunca fui grande fã, e que mais uma vez vejo com a mesma exacta apresentação. Aqui nada mais irão encontrar do que uma sucessão de dezenas de corridas nas quais o único objectivo é desbloquear alguns filmes para a galeria e ocasionalmente novas peças como Ailerons, faróis ou pinturas para alterar os veículos. A quantidade de veículos também não sobeja os 3 por cada classe, sendo que a única forma de desbloquear novos bólides é avançando o modo Festival. Conforme avançam este modo ganham pontos, sendo que quando atingem valores mais altos poderão então desbloquear novos veículos.

Este modo continua a não me agradar pois vejo muito mais potencial na ideia e isto parece-me apenas uma saída fácil e desleixada. Com uma ideia tão abrangente quanto este cenário de festival é triste progredir no modo carreira apenas através de corridas praticamente aleatórias. E se por outro lado as novidades em Motorstorm apenas têm passado pela apresentação de novos cenários, então algo terá que se repensado nesta ideologia após o escoamento de todos os cenários possíveis.



Mas há aqui um ponto verdadeiramente inédito. Arctic Edge introduz pela primeira vez na série uma maior interacção entre o jogador e o ambiente, nomeadamente com a existência de tremores de terra durante as corridas, provocando choques e acidentes inesperados a qualquer momento. Seria até engraçado ter visto inserido nesta temática a queda de avalanches para incutir um pouco mais de adrenalina ao jogo, mas tal não se sucedeu.

Toda a apresentação é bastante semelhante e familiar aos outros da série. O jogo está totalmente localizado em português, incluído o vídeo de apresentação. A nível de menus a paleta de cores utilizada deixa a ideia de uma inspiração relativa à série SSX, ou não fosse também este um jogo na neve. Cliché será dizer que a nível de apresentação é do melhor que se pode ver na PSP. Os efeitos de luz são algo realmente bem conseguidos, tal como o detalhe impresso nos cenários, carros e demais. Já tradicional à série é o modo Online que se apresenta exactamente da mesma forma do que nos anteriores, seja a nível de evolução de patentes ou mesmo de organização. Existem dois modos de jogo e a possibilidade de correrem até 6 jogadores na mesma sala. Aparte do modo festival e Online têm ainda os habituais Corrida Livre, onde podem também optar por correr nas pistas invertidas, e ainda o modo de corrida Contra o Tempo.

Contudo se aquilo que procuram é novidades então Artic Edge está longe de ser a escolha mais acertada. Os novos veículos não reinventam a experiência e muito menos o fazem as pistas. Arctic Edge é um meio-termo entre aquilo que foi o original Motorstorm e Pacific Rift, voltando à singularidade do primeiro no que a cenários diz respeito, mas indo buscar a Pacific Rift ideias como os eventos especiais ou o arrefecimento do motor. Para quem só agora tem oportunidade de colocar as mãos sobre esta série diria que vale bem a pena. Mas se são já veteranos neste universo, olhar para Arctic Edge como a sequela directa que almeja ser será como passar de cavalo para burro.


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