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Review de No More Heroes para Wii de Fliperama

por Giordano Trabach, fonte Fliperama, data  editar remover


A plataforma Wii se tornou rapidamente o porto seguro de jogadores casuais. Um acontecimento já esperado e até planejado e anunciado pela Nintendo a plenos pulmões, numa estratégia para atrair pessoas que não costumam passar horas na frente de um game. O resultado, entretanto, é que boa parte do catálogo de jogos da plataforma é composto por mini-games levianos, jogos repetitivos e versões mal planejadas de games lançados para outras plataformas. ??, portanto, confortável ver um título como No More Heroes.

Desenvolvido pelo incomum time de Suda 51, este jogo foi feito especialmente para agradar o público hardcore e, embora não seja o melhor game para o Wii, é recomendado para quem quer uma experiência nova no console. Associações com o jogo Killer 7, de 2001, são normais, mesmo porque o mesmo time ??? a Grasshopper Studios - foi responsável pelos dois títulos. Fato é que No More Heroes, embora pegue emprestado algumas idéias da outra obra de Suda 51, é um jogo completamente diferente e original. A trama acompanha um excêntrico otaku, fã de animações japonesas chamado Travis Touchdown, que um dia recebe uma espada de luz no melhor estilo guerra nas estrelas e decide sair em sua moto na busca dos maiores assassinos do mundo, auxiliado por uma estranha companhia que promove combates. O cenário de jogo é aberto, em um estilo similar à GTA, mas a cidade de Santa Destroy acaba sendo pequena em comparação a muitos jogos da popular franquia. Assim sendo, o jogo se divide praticamente em dois momentos: o percurso pela própria cidade, onde se pode obter missões laterais, conversar com alguns NPC???s e admirar o belo design da moto de Travis (o único meio de transporte através do jogo), e um segundo game no estilo beat???em up, onde a espada de luz é usada para detonar diversos inimigos e mesmo alguns chefes. Um é essencialmente ligado ao outro, claro. O porém é que No More Heroes dá a impressão que poderia ser simplesmente um jogo linear mais no estilo Killer 7: o cenário aberto de Santa Destroy pode parecer atrativo, mas é mal planejado. Problemas de colisão são constantes, com construções que, visualmente, são menores que seus limites físicos, e a direção da moto é irreal e pouco intuitiva. Os lugares realmente relevantes do mapa se resumem a uma dúzia de prédios e estruturas, dando uma sensação de redundância à exploração.



Talvez para amenizar isto, o jogo apresenta a seguinte dinâmica: Travis vai procurando batalhas com cada um dos assassinos que dominam o ranking. Essas batalhas são tratadas como embates contra chefes de jogos de ação normais. Mas para conseguir acesso a elas, o jogador precisa angariar dinheiro e eis a importância do design aberto do mapa e das missões laterais: elas são importantes para encher os bolsos do personagem e se tornam, assim, obrigatórias. Estas missões se resumem normalmente a derrubar um x número de oponentes, com algumas variações no tema para tornar maior a dificuldade, e há algumas delas que são, de fato, um desafio digno de jogadores hardcore ??? o que faz lamentar a falta de uma opção de retry em alguns momentos. Além disso, o personagem pode obter pequenos empregos temporários, como atendente em posto de gasolina, cortador de grama e catador de cocos. Por mais hilárias que sejam as situações ??? Travis constantemente acaba em chamas ao tentar encher o tanque dos automóveis ??? as atividades se tornam muito repetitivas com o tempo. As batalhas contra os assassinos se tornam então um tipo de recompensa a toda a viagem e ao vai-e-volta. E de fato o são. Todos estes matadores são personagens muito interessantes, cheios de personalidade e alguns até mais loucos que o próprio Travis. Mas, mais importante, esses trechos do jogo são deliciosamente desafiantes e comportam o fator mais especial do game: a mecânica de combate. A experiência com a espada de luz é muito recompensadora: os ataques normais são aplicados com o botão A e B do wiimote e com gestos que definem golpes baixos e altos. Além disso, Travis pode finalizar oponentes de formas altamente violentas e estilosas: desde espadadas que dividem o inimigo ao meio até uma variedade de golpes de luta livre, todos feitos por meio de movimentações com o wiimote. A escolha dos gestos é muito competente e dá uma sensação imersiva ao combate. O resultado é um sistema ágil e divertido, além de visualmente agradável. A espada de luz de Travis é até mesmo tratada como uma lanterna de néon comum, que precisa ser agitada energeticamente para ser recarregada.



No departamento gráfico, No More Heroes é bastante interessante: o estilo visual do pessoal da Grasshopper é sentido pelo decorrer do game. Para quem já conhece, será como boas vindas. Para outros, certamente há aqui muito que se admirar. As texturas são, em sua maioria, simples, e boa parte da competência visual vem de uma sólida e corajosa direção de arte. Travis e todos os personagens têm um estilo que remete aos desenhos japoneses, mas são em si muito únicos: desde um super-herói lunático, de collant e capa, até uma bela garota, com colete militar e uma perna biônica. A violência é bem presente no título - mais na versão ocidental do que na japonesa - mas de um jeito que remete a filmes como Pulp Fiction e quadrinhos como Sin City, no sentido em que as cenas violentas chamam mais a atenção pelo traço estilístico marcante do que pelo ato em si. Sendo assim, a natureza violenta e exagerada do game auxilia na criação de um forte traço de personalidade que, no fim das contas, é o principal atrativo do game. O display de jogo também agrada: ele remete a jogos 2D, escassamente pixelizados, mas bem chamativos e mostram apenas o necessário no momento. E, como um último ponto de análise, a moto de Travis apresenta um desenho primoroso, que remete a uma versão mais agressiva das arrojadas curvas da clássica moto do filme Akira.

A experiência sonora, finalmente, é divertida e reflete a preocupação maior por estilo do que por conteúdo que permeia No More Heroes. Isto não é negativo: as cenas de ação exageradas são divertidas, principalmente quanto se leva em consideração a redação dos diálogos, que escolhe por um estilo brega e extravagante e por uma tradução deliberadamente falha que dá um gosto especial a cada conversa e a cada personagem.

Entre erros e acertos, a escolha de mergulhar ou não no game dependerá de um pouco de permissividade da parte do jogador: o jogo tem suas falhas e mesmo algumas escolhas de design questionáveis, mas em alguns momentos a experiência mais que vale à pena com seus traços de genialidade.


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