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Review de Terminator Salvation para X360 de Fliperama

por Giordano Trabach, fonte Fliperama, data  editar remover


O espaço de tempo entre o lançamento do filme e do game baseado nele é o fator que decide a qualidade de um game baseado em um filme. Terminator Salvation, que foi lançado no dia seguinte às primeiras exibições de Exterminador do Futuro: A Salvação aqui no Brasil deixou a impressão de ser um bom exemplo. No entanto, Salvation é um game curto, frívolo e cheio de falhas. Seu sistema mostra um potencial pobremente explorado.



Terminator Salvation se passa dois anos antes da história do filme. A resistência humana sofre com o avanço das máquinas em uma destruída Los Angeles. Os líderes da resistência se refugiam e, como meio de autopreservação, decidem deixar pra trás os rebeldes capturados na batalha. John Connor, ainda um zé-ninguém no movimento, vai contra as ordens de seus superiores e sai em resgate dos desafortunados colegas. O jeito como a trama se desenvolve daí, com um mínimo de investimento emocional ou desenvolvimento de personagem, dá a entender que tudo é uma desculpa para atirar em máquinas e correr por aí. O que por si só ??? e para a sorte deste jogo ??? é a melhor parte de Terminator Salvation. O game utiliza a engine Unreal 3 e é a partir dela que foi construído o seu esquema de jogo, similar em muitos pontos a Gears of War, mas competente por si só. Embora o game seja linear, as fases são compostas de uma série de arenas cujo combate se desenvolve em 360° e onde o jogador deve procurar constantemente barricadas e paredes para se proteger do fogo inimigo. A movimentação é realizada de forma bem fluída: Connor se movimenta em uma única velocidade, mas se torna mais ágil conforme o jogador pula de barreira em barreira. Uma vez atrás de uma barricada, o gamer conta com um menu radial em 180°, de onde ele pode selecionar para qual barreira ele irá se dirigir. Feito isso, Connor quase que desliza ao local desejado, e a animação do ato é bem competente e ágil. Fora alguns problemas de colisão e uma ou outra parede invisível, a navegação pelo cenário é fácil e rápida.

O combate é até bem versátil. Armas como metralhadoras, calibre.12, granadas e lança-foguetes estão à disposição do jogador em um simples menu radial. Connor consegue atirar enquanto corre e a câmera se posiciona próxima do ombro do personagem. A mira é um grande anel branco, que não mostra nenhuma informação, obrigando o jogador a ficar constantemente consultando os cantos da tela, que é onde estão os medidores de munição e vida do personagem. Sob proteção, o jogador tem a opção tanto de atirar por trás da barricada como mandar uma rajada de fogo cego, para pressionar as máquinas a mudarem sua posição no cenário. Em minha prévia, eu reclamei da AI dos inimigos, inconsistente e falha: os T-600 apenas andam em linha reta em direção ao jogador, e os Aerostats seguem um padrão incoerente pelo cenário. Mas minha visão mudou depois de um confronto contra uma das aranhas mecânicas. Inteligentes, elas fazem de tudo para proteger suas costas frágeis de ataques dos rebeldes, obrigando o jogador a chamar a atenção da máquina para que seus companheiros aproveitem a deixa ??? a AI aliada deixa a desejar, infelizmente. Bem, o único problema? Espero que vocês tenham se divertido combatendo T-600, Aerostats e Aranhas, pois, fora os chefes, estes são os únicos três inimigos que o jogador confrontará durante o game. Se analisado com mais profundidade, o design até faz sentido. O game conta com três tipos de disparo: as balas calibre .12, os foguetes e os disparos da metralhadora. Cada um é eficiente para cada tipo de inimigo, criando uma dinâmica linear, uma filosofia que soa bem no papel, mas que, na prática, obriga o jogador a seguir um único modus operandi: máquinas voadoras são derrubados pela .12, as aranhas pelos disparos da automática, e os T-600 pelos explosivos.



Embora o combate seja bem construído e dinâmico, a mesma fórmula é usada constantemente por todo o curto percurso da aventura ??? que dura de 4 a 5 horas. O resultado é que a melhor parte do game se torna rapidamente redundante. Para quebrar a mesmice, o jogo inclui algumas seqüências em que Connor se utiliza de um veículo para atravessar avenidas e porções lineares de terreno. O jogador apenas terá a oportunidade de controlar a arma montada na traseira do transporte, e não há um estágio sequer em que ele pilote o dito veículo. Mas o pior pecado é que a jogabilidade sofre nestas fases, e o fato de que o jogador tem que compensar não só o movimento do carro, como também alguns inexplicáveis movimentos da mira, torna a experiência pouco animadora. No modo cooperativo, Terminator Salvation se torna mais interessante, e poder ter um aliado para combater as aranhas de forma tática é um dos pontos fortes da jogabilidade. Mas o multiplayer também parece ter sido minado pela pressa em se terminar o jogo: não há um modo online, e apenas dois jogadores podem se juntar à partida por vez, no modo split-screen. Fora voltar à campanha com mais um jogador, Salvation não dá nenhum incentivo para ser jogado novamente: não há itens secretos, colecionáveis, troféus ou Achievements para estender a curta vida útil do game.

Visualmente falando, o título é uma salada mista. Por um lado os cenários são variados, complexos e contam com uma ampla, embora opaca, palheta de cores. Os inimigos são cheios de texturas complexas e refletem a iluminação dos cenários, feita de forma criativa e impactante, os olhos vermelhos as únicas cores quentes de seus desenhos. Os efeitos especiais deixam um pouco a desejar, e muitas cenas que deviam ser carregadas de ação e de toques cinematográficos são realizadas com pouco cuidado e eficiência, normalmente assombradas por personagens em baixa resolução ou colisões pouco realistas. Mas o maior problema: John Connor não parece em nada com o ator que o vive no filme, Christian Bale. Em vez disso, é mais um modelo genérico, mais desinteressante até que outros personagens secundários. Isso, sozinho, não seria um problema muito grande, se toda a publicidade em torno do game ??? e o game em si - não ressaltasse constantemente Terminator Salvation como parte integrante da mitologia da série Exterminador do Futuro.


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