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Review de Prey para PC de GamesBrasil

por the dark knight, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Gráficos: 10,0
Jogabilidade: 9,0
Áudio: 9,0
Desafio: 6,5
Diversão: 8,0



Introdução:
Será que estamos sozinhos em nossa galáxia? Esta pergunta tem despertado a curiosidade do ser humano... Inúmeras sondas forram enviadas ao espaço, telescópios cada vez mais potentes são construídos a fim de pesquisar e quem sabe, descobrir vida fora da nossa vizinhança, o sistema solar. E se um dia houvesse "contato", como seria? Seria um encontro fraterno de duas raças? Ou um conflito que despertaria os nossos piores pesadelos - à lá "Independece Day" ou "O Dia Depois do Amanhã"? O jogo Prey responde esta pergunta optando pela segunda opção. Afinal, o fato de a Terra servir de morada para bilhões de habitantes tem um propósito vital para os alienígenas: eles têm que comer para sobreviver...

Em Prey você é Tommy, um sujeito de família indígena - mais precisamente da tribo dos Cherokee -, com toda aquela conhecida tradição, mas que não dá a mínima para isso, o que pode até soar como uma critica aos jovens de hoje que não dão muita boa para suas origens ou tradições. O interesse de Tommy está mais em convencer sua namorada Jen para saírem do lugar onde vivem uns tempos, mas a garota não é fácil, e o seu avô-índio Enisi não pára de falar das antigas tradições e antepassados. Bem, tudo isso não importa muito, já que logo de inicio todos eles que protagonizam esta cena típica de um bar do interior são abduzidos por alienígenas. Cabe agora a Tommy salvar sua vida, a de seu avô, sua namorada e também... o mundo!

Para quem não sabe, Prey é um projeto antigo, daqueles que quase viraram lenda urbana (como hoje o Duke Nukem Forever). Data de 1995 o anúncio de seu desenvolvimento pela 3D Realms, que foi marcado por problemas, atrasos constantes nos três anos posteriores até ser cancelado no final da década de 90. A cada tentativa em dar continuidade no desenvolvimento do game, novos elementos eram adicionados com a promessa de um jogo revolucionário, mas aparentemente a complexidade causava cada vez mais problemas para a sua conclusão. Finalmente, depois de 11 anos, e agora com a grande colaboração da Human Head Studios, o game saiu da teoria direto para a tela dos computadores e Xbox 360 de todo o mundo.

Jogabilidade:
Como você irá perceber ao jogar, o roteiro que de Prey carece de originalidade. ?? também sofrível e incoerente quando tenta misturar fé, ceticismo, niilismo e alienígenas. Não que tal mistura não seja possível, mas o que temos em Prey é uma grande salada sem muito sentido. (*SPOILER* se não quer saber este detalhe sobre a história, vá para o próximo parágrafo). Um dos fatos mais ilógicos acontece quando Tommy, que batalhou para salvar Jen, a abandona para combater "a pedido" os inimigos que nem estão assim tão perto. Nem precisava dizer que ela vai ser recapturada e o que vai acontecer com a pobre moça por causa desse deslize é no mínimo cruel. Em outro momento, os alienígenas invadem do mundo "físico" invadem o mundo "espiritual". O final lembra muito o final do filme "Vozes do Além" de tão estranha a situação, com Jen e Avô de Tommy se conformando com suas mortes.

Tais furos no roteiro não vão incomodar muito quem está querendo apenas se divertir "algumas horas". Isso mesmo, Prey é tão curto que, se fosse um filme, você poderia alugar por um final de semana, "assistir" tranquilamente para depois entregar na segunda-feira. Mesmo sendo curto, Prey é um ótimo entretenimento. A primeira hora de jogo é fantástica. O começo é digno de um filme de terror e consegue ser obscuro, misterioso e surreal. Pena que isso dure pouco e logo percebemos que o melhor que Prey tem a oferecer está justamente no seu início. O jogo segue o estilo "Rambo", no qual o personagem corre rápido e mata tudo o que vê pela frente, não havendo ações furtivas. A dificuldade se ajusta automaticamente de acordo com a habilidade do jogador e a IA se mostra razoável já que inimigos evitam ou fogem quando estão em situação complicada.

Para o combate há um total de 8 armas. Todas elas são do arsenal alienígena e têm aparência orgânica, mechem-se nas mãos do jogador. Este é o principal atrativo nelas, pois de resto, ficam na sombra de outras armas que já encontramos em outros jogos do gênero, além de algumas deixarem a desejar tanto na funcionalidade como no equilíbrio do tempo de uso durante o jogo. Alguns exemplos: a Chave Inglesa é usada basicamente nos primeiros 5 minutos de jogo, depois disso, só por falta de munição e, mesmo assim, não tem utilidade contra monstros maiores; Crawler Launcher, é o lançador de foguetes do Prey com poder de fogo abaixo do esperado; o Arco na forma espiritual não é poderoso contra inimigos e sua energia acaba rapidamente, servindo mais para o Death Walk, que falaremos mais abaixo.

Mesmo que Prey se assemelhe muito a outros shooters, há idéias inovadoras e únicas neste game. Algumas boas e outras dispensáveis. No conjunto de idéias boas destacam-se os portais e a gravidade. Os primeiros se abrem no cenário e sua função é conectar diferentes seções do jogo. Você pode olhar através deles, atirar por eles, e entrar em partes completamente diferentes do mapa por eles. Infelizmente, os portais são também utilizados para um SPAM de inimigos na tela. Abrem-se do nada e trazem consigo vários monstros, usando assim, a cansativa fórmula de Doom 3 e Half-Life. O problema é que, diferente destes outros jogos que os inimigos apareciam face a face, em Prey muitos aparecem a uma distância enorme, obrigando o jogador a trocar repetidamente sua arma e alterar para mira telescópica. Além disso, os desenvolvedores não aproveitaram o que os portais tinham de melhor para oferecer: a fuga da linearidade. Tudo é muito linear, não é possível errar ou pegar portais alternativos. De novidade inovadora os portais se transformam no decorrer do jogo em algo comum e sem o brilhantismo que mereciam.

Outra bem-vinda novidade é a mudança do ponto de gravidade. Situações muito interessantes são criadas com essa ótima inovação. Basta atirar num controle específico para mudar completamente a configuração do cenário, passando então a ser aquele o centro da gravidade. Trocando em miúdos: o que era teto vira chão e vice versa. ?? interessante também combater os inimigos todos no teto... ou seriamos nós que estamos de ponta cabeça? Muito bom e surreal. Existem também plataformas que quando acionadas podem servir de caminho independente de sua posição, já que fazem o jogador literalmente "grudar" nelas, seja no teto ou nas paredes. Essas inversões são ótimas, aproveitam todos os detalhes do cenário e adicionam novos elementos de jogabilidade quando misturadas com quebra-cabeças. Se você sofre facilmente tonturas (motion sickness) ou labirintite quando joga em primeira pessoa, fique avisado que em Prey você poderá enfrentar dificuldades em alguns momentos. O jogo nos faz perder completamente o senso de direção!

Entre as novidades dispensáveis de Prey estão Spirit Walking e Death Walking. A primeira delas é até boa, mas não muito bem aproveitada. Consiste em sair espiritualmente do corpo e passar por barreiras ou chegar a lugares antes inacessíveis por meio de "pontes espirituais". Grosso modo, é apenas de uma forma alternativa para conseguir superar obstáculos e descobrir caminhos escondidos a fim de resolver os quebra-cabeças. De início é bacana, mas torna-se previsível e repetitivo, uma vez que a maior parte dos quebra cabeças consiste em apertar a tecla "E", atravessar um campo de força, desligá-lo no controle especifico, apertar "E" e voltar ao corpo. Raras vezes esse processo é diferente do que descrito aqui. Já o modo Death Walking, esse sim, é completamente dispensável. Em outros jogos do gênero, quando o personagem morre, o jogador carrega o último jogo salvo. O fato de haver um "Game Over" obriga o jogador a rever a estratégia, cria tensão e desafio. Mas em Prey, essas coisas não acontecem. Quando o personagem morre, é imediatamente levado a um mundo espiritual onde deve atirar com seu arco e flecha em alguns seres voadores. Os vermelhos quando atingidos adicionam saúde física. Os azuis, saúde espiritual. Pois bem. No inicio o jogador pode até tomar cuidado para não morrer. Mas quando perceber que pode ressuscitar infinitamente, não vai mais se preocupar com isso, com estratégia, com nada. E assim o jogo perde o desafio e ganha uma superficialidade absurda nos combates. Para piorar, os 20 segundos perdidos nesse mini-game são uma ruptura agressiva na ação, um hiato desnecessário.

Para variar um pouco a experiência de jogo, temos um veículo, uma espécie de nave na qual só vemos seu interior (ela se constrói ao redor o jogador). Quando entramos em tal veículo lembramos palidamente de Halo e Descent. Só que aqui o controle da nave é frustrante, pois não permite dar uma volta completa em si mesmo na vertical. Você entenderá o que eu quero dizer quando jogar. O veículo possui uma arma anti-gravitacional com dois ou três quebra-cabeças com a mesma, mas não chega a se igualar à jogabilidade em primeira pessoa, decaindo bem a qualidade.

De resto, podemos afirmar que, mesmo com tantas novidades (Portais, Gravidade, Spirit Walking, Death Wlaking) Prey perde muito sua força após o brilhante início. As novidades viram situações comuns, justamente por não serem elevadas a novos níveis. Ao invés de se tornar mais intenso da metade para o final, o jogo se torna burocrático, com fases longas e tediosas, se redimindo apenas nos momentos derradeiros.


Áudio:
O nome por traz do áudio de Prey é o Jeremy Soule, conhecido por vários jogos, entre eles, Oblivion. Por isso, a trilha sonora é perfeita, cria um belo clima de suspense e medo em alguns momentos. Estas músicas são contextuais, isto é, aparecem nos momentos certos para gerar todo o clima. Há também algumas várias músicas dos anos 70 a 90. Pena que só podem só ser ouvidas de início no rádio do bar.

A dublagem não fica atrás. A cena é roubada por Tommy, que apenas pela voz consegue mostrar toda a sua personalidade, fugindo assim do estilo Gordon Freeman (de HL), que é irritantemente calado. Aqui Tommy opina, comenta e ofende os alienígenas - atitude digna da série Duke Nukem! Uma curiosidade na dublagem é a voz do sujeito do rádio que atende os telespectadores. O nome dele é Arthur "Art" Bell que na vida real é um radialista especializado em ufologia, teoria da conspiração e coisas do gênero. Ele interpreta a si mesmo no jogo, adicionando bom humor e ironia. Quando você encontrar o local do cenário específico, pare um tempo para ouvir as ligações que ele atende.

Os demais efeitos sonoros não diferem muito daquilo que já se ouviu em games e filmes de ficção científica: voz de monstros, armas, maquinário da nave, etc. Todos com ótima qualidade.


Multiplayer:
O jogo multiplayer (ou "multiprey") comporta apenas duas categorias: Deathmatch e Team Deathmatch, ambos com suporte para 8 jogadores via LAN ou internet. Os mapas são criativos e fazem bom uso das novidades encontradas no jogo, como os portais e plataformas gravitacionais. O modo Spirit Walk fica muito limitado por dois motivos: 1) existe um tempo limite para se andar no modo espírito; 2) é praticamente um suicídio deixar o corpo parado no cenário cheio de inimigos enquanto se passeia com o espírito.

Por incrível que pareça, o MultiPrey não diverte tanto quanto imaginávamos. Parte do problema se dá pelas armas (como já avaliamos acima), parte pelas inovações que não mudam muito o padrão multi-jogador que se tem em outros jogos do gênero. Por ser um título inovador, aqui se esperava um pouco mais, por isso fomos mais exigentes.


Gráficos:
Os gráficos de Prey são resultados da engine aperfeiçoada de Doom 3. Claro que tal motor gráfico já não é o que temos de mais avançado, especialmente se comparado ao de Oblivion, mas mesmo assim, mostra que ainda tem fôlego para criar ambientes e monstros bem realistas, fazendo de Prey um jogo de encher os olhos. Você verá vários efeitos de fumaça, reflexo, explosões e texturas ótimas.

Além do motor gráfico, o jogo lembra muito ao Doom 3 ou ao Quake IV, mas felizmente, não há tantas áreas escuras, todavia é notável a falta de variedade nos cenários. Apesar disso, a estrutura das fases está ótima com pequenas salas, corredores e ambientes enormes, com vários portais e até algumas salas que se montam perante os seus olhos. A nave dos alienígenas é uma ótima e nojenta mistura de metal e matéria orgânica, que lembram certas partes do corpo humano. Há orifícios nas paredes que expelem algo verde e nojento, tubulações que se assemelham ao intestino grosso e superfícies que se assemelham a vísceras humanas. Os monstros são fantásticos e bizarros. Alguns parecem ter sido costurados numa mesa de autópsia onde ganharam um ou outro "acessório". Outros seguem a mesma aparência acinzentada e plástica do Doom 3.

A HUD é competente, mas os jogadores acostumados a números para verificar a quantidade de munição irão estranhar, já que aqui é apenas uma barra que vai esvaziando. O sistema não chama tanto a atenção e é comum o jogador ser surpreendido pela falta de munição. No mais os gráficos rodam bem e a engine mostra que é capaz de render muita coisa boa.


Conclusão:
Mesmo construído sobre um roteiro fraco, Prey é um sólido shooter de ficção científica e como tal apresenta ótimos gráficos e som. Traz inovações ao gênero e em alguns momentos consegue ter alguns lampejos de brilhantismo. Pena que tais novidades não foram aprofundadas suficientemente e logo se tornam comuns durante o jogo, fazendo o título perder sua força do meio em diante. Fácil demais, multiplayer pouco explorado e campanha curta, esperamos que sua continuação (prometida no final do game) se aprofunde nas características aqui observadas.


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