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Review de Need for Speed: SHIFT para X360 de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Need for Speed tem sido um camaleão na indústria dos videojogos. Quem conhece a série desde o seu início, sabe bem do que falo, pois é, provavelmente, o jogo que mais mudanças teve em toda a sua história. Para alguns isto talvez soe a estranho, pois estamos a falar de um jogo de carros, onde o objectivo principal é mesmo esse, conduzir carros. Mas, talvez, o sentimento de nostalgia tenha atingido, nos últimos anos, todos os seguidores de NFS, quando considerávamos a série como rainha do asfalto.

No fundo, considero NFS como um espelho da moda de cada época. A passagem pela série dos polícias e ladrões, a vinda para a moda dos tunnings e cenários livres de condução underground, bem como numa miscelânea de spin-offs, e tentativas frustradas de implementar um enredo em volta da série. Todas estas mutações colocaram a série sem um rumo fixo ou linear, mas sem por isso deixar de ter considerável sucesso comercial.

Este ano temos de novo uma mudança na série, onde até o subtítulo SHIFT parece fazer crer que tudo é diferente. Para minha surpresa, até é. Como referi na antevisão, jogar NFS sem sentir que é um NFS é algo de estranho e confuso. Provavelmente este será o ponto da discórdia, onde muitos poderão aplaudir esta mudança e outros simplesmente largar a série para sempre. Pessoalmente acho que este é o rumo certo, e pela primeira vez nestes últimos anos, acho que NFS acertou na fórmula.

SHIFT é um jogo mais duro, mais real, mais dinâmico e mais vistoso que todos os anteriores. Agora não existe nenhuma história que nos obrigue a efectuar determinada prova, ou cidade aberta onde iremos em busca de power-ups e afins. Em SHIFT tudo se resume à corrida em si, ao percurso e aos pilotos adversários, sendo tudo o resto adereços, nunca perdendo assim um pouco da sua identidade. Para esta nova versão, a EA entregou o jogo aos cuidados da Slightly Mad Studios, um recente estúdio formado por alguns dos criadores de GTR 2 e GT Legends. Tendo em mente os projectos anteriores, é perfeitamente compreensível e notório no jogo a mão de simuladores. ?? quase como pegar em GTR 2, misturar com Gran Turismo, e colocar uma pitada de NFS. Sim disse quase, pois NFS: SHIFT nunca chega a atingir a glória de todos eles nos elementos chave, mas mistura esses ingredientes como nenhum outro até agora.

Perante concorrência feroz, como Forza Motorsport 3, Gran Turismo 5, e sem esquecer GRiD, bem como o recente Colin McRae DiRT 2, SHIFT destaca-se por se manter fiel ao passado, no que toca ao tunning, à personalização dos carros, às pinturas e adereços, mas crescendo em simulação. Não querendo bater-se contra os já referidos, pode causar mossa, principalmente nos que pretendem algo a meio termo.

Falando mais precisamente no jogo em si, temos um jogo de corridas em pista, onde corremos um pouco por todo o mundo. Desde a fantástica pista de Spa Francorchamps à citadina pista de Londres. Existem circuitos para todos os gostos, aqueles que exigem maior concentração devido à sua velocidade e curvas extremamente rápidas, às pistas mais sinuosas, onde a perícia do piloto se nota na abordagem às curvas, principalmente se corrermos sem nenhuma ajuda e com mudanças manuais, onde a sensação de velocidade e força dos cavalos se faz sentir.

A nossa progressão é medida por níveis. O nível máximo que podemos atingir é o 50, mas para lá chegar teremos que cumprir inúmeras provas e conquistas. Assim, para obtermos pontos suficientes para subirmos de nível, teremos que conquistar estrelas, que são objectivos primários e secundários em cada prova, e também pela balança do perfil de condutor. Ou seja, para além das estrelas ganhas, que são meras conquistas dentro de cada prova, tais como conseguir atingir o pódio, atingir X km/h, ou mesmo conseguir efectuar todas as curvas na perfeição, ainda temos uma balança de perfil que resulta da nossa forma de correr.

Assim temos os pontos por precisão e por agressividade. Sendo que em cada prova essas duas barras vão enchendo atribuindo-nos pontos por tudo o que fazemos, quer em termos de precisão, como nunca bater, ultrapassar recorrendo ao cone, ou mesmo pelo estilo de condução, ou pela agressividade, como fazer com que um corredor saia de pista, bater por trás, ou mesmo bloquear. No fundo, este formato prima a forma de cada um conduzir, nunca atribuindo vantagem ao preciso ou ao agressivo. Para além destes pontos, destas estrelas e balança de perfil, ainda temos os prémios por conquistas, do tipo achievements em longa escala. Estas conquistas finais poderão ir desde número de quilómetros percorridos em X pista, ou em X território. Estes pontos e conquistas desbloqueiam inúmeras coisas que podemos usar nos nossos carros, como novos vinyls, pinturas, jantes, e também taças.

Por último, todas estas conquistas também irão representar dinheiro, que nos é atribuído no final de cada prova, ou pelos patrocinadores. Podemos gastar o dinheiro na compra de novos carros, ou comprando peças e upgrades para os carros, transformando um veículo banal num fantástico carro de corridas. Referente à aquisição de carros, poderemos recorrer, por intermédio do jogo, à sua compra utilizando os Pontos Microsoft no caso da Xbox 360, e na PS3 pela PlayStation Store. Até ao momento ainda nenhum conteúdo adicional existia, mas certamente que não tardará aparecer.

Não fosse este um NFS, podemos pintar os nossos carros, bem como colorir ao nosso gosto com vinyls, autocolantes de patrocinadores e desenhos. Também podemos kitar o nosso carro, mas nunca atingindo os níveis de tunning de NFS: Underground, principalmente no que toca à visualização dessas alterações. Em termos de grafismo, estamos longe de um Forza 3 e GT5, mas acima de todos os anteriores NFS. Os carros estão bem representados, principalmente os seus interiores, pecando nas texturas dos autocolantes e logótipos dos patrocinadores, que em muitos casos estão com uma qualidade horrível. As pistas também estão muito bem construídas, com imensos detalhes, merecendo uma atenção especial para a citadina de Londres, ou mesmo a Brands Hatch ao fim da tarde.

Falar de NFS é também falar dos carros que o compõem, e como não sou dado a muitas estatísticas, julgo que SHIFT é certamente um dos NFS com mais quantidade e qualidade de carros disponíveis. Passando pelos mais pequenos e lentos como VW Golf ou Audi A3, até aos super desportivos e comedores de estrada como o Bugatti Veyron. Cada carro tem o seu som característico, muito bem representado, principalmente quando efectuamos as reduções em alta velocidade, onde se sente o poder do jogo em termos de simulação, pois conduzir um Bugatti Veyron é razão para ter medo, e esse medo chega quando a velocidade é demasiada para as nossas mãos inexperientes em segurar esta besta. As ajudas de condução aqui são quase obrigatórias no início.

Os danos nos carros estão muito em voga, ou em discussão. NFS: SHIFT não tem um modelo perfeito, mas muito cumpridor para o efeito. Os danos são quase todos em termos de chapa, bem recriados, sendo que estragos mais profundos, como motor, direcção, pneus, travões, mudanças e suspensão são quase inexistentes. Para podermos ter uma sensação de direcção torta não basta um embate em betão a 150 km/h, mas sim muito mais que isso, penalizando a perspectiva de condução, mas compensando aqueles que pretendem um maior divertimento sem que tenham que estar presos a essas exigências técnicas.

Como tenho vindo a referir, este jogo traz até nós o melhor de dois mundos, sendo que a principal adição é a forma de conduzir e o seu realismo. Aconselho desde já a comprarem um volante, pois de todo é a melhor experiência de SHIFT. Sem ele estarão a perder grande parte do brilho por detrás do jogo, principalmente quando atingirmos um estatuto de condução que nos permita correr em modos mais difíceis, onde teremos que ter uma condução precisa e assertiva. Nunca um NFS chegou a este nível, onde poderá cativar todos os amantes de simulação, mas dando a liberdade de ter um jogo dinâmico, divertido e nunca preso a um esquema que os jogos de simulação muitas vezes empregam. De referir que SHIFT em termos de IA, ao nível dos adversários, é algo que um Gran Turismo certamente invejaria ter. Aqui os carros não andam como que apenas nos quisessem atrapalhar, abrandando em zonas estranhas, mas em vez disso nota-se que os adversários pretendem vencer a corrida, sendo isso mais evidente nos níveis mais difíceis. Por isso, não estranhem levarem com um encontrão na traseira que vos lance para fora da pista.

Uma das principais lacunas é a falta de modo split-screen, sendo que a única possibilidade de jogarmos contra amigos é mesmo no online, nas diversas corridas presentes no jogo. Assim até 8 corredores no máximo, podemos competir em modos versus, drift, e corridas longas até 25 voltas. Como em qualquer jogo online de corridas, se quiserem uma boa experiência, organizem partidas privadas, sendo essa a única forma de desfrutarmos em pleno o modo online.

Need for Speed: SHIFT é uma verdadeira mudança na franquia, levando o jogo para um patamar mais real e sólido. ?? um jogo que dividirá opiniões, pois embora não seja melhor que os seus concorrentes em quase nada, é melhor por ser o único a criar uma harmonia entre um modo simulador e arcada. Peca por ser demasiado simples nos seus objectivos, pois embora tenhamos imensas coisas para fazer, e prémios para ganhar, isso em si não é mais que meros adereços, que um bom sistema de Troféus e achievements não consigam fazer.


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Eurogamer
8/ 10
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