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Review de Burnout Paradise: The Ultimate Box para PC de Fliperama

por Giordano Trabach, fonte Fliperama, data  editar remover




Burnout se tornou uma das mais influentes franquias quando o assunto é jogos de corrida no estilo arcade: alta velocidade, manobras extravagantes e destruição é o nome do jogo. A série, que praticamente se definiu a partir de seu terceiro título, vive ainda assim em constantes mudanças na jogabilidade e estilo, com apenas alguns pontos em comum entre um título e outro. Os gamers do PC finalmente poderão ter um gostinho da série com Burnout Paradise: The Ultimate Box.



Esta versão apresenta o que possivelmente é a maior das mudanças na franquia. Em uma manobra similar ao do game Test Drive Unlimited, Criterion levou o game ao território do sandbox: mundos amplos e completamente abertos. O resultado é um pacote que, embora competente, tem lá seus problemas. Comecemos com as novidades em si: o cenário agora é a cidade de Paradise City e seus arredores, que compõem um intricado labirinto de ruas e avenidas, que é onde cada desafio ocorre. Os desafios em si incluem desde corridas normais até modos que exigem coisas como chegar num certo ponto no mapa enquanto todos os outros corredores tentam tirar você da estrada ou ainda outro que exige que se detone um número certo de carros. Como o cenário é todo aberto logo de início e a grande maioria das missões envolvem sair de um ponto A ??? normalmente quando o jogador para em um semáforo e ativa o desafio ??? até um ponto B, o jogador tem a opção de criar sua própria rota e bolar atalhos diversos. Isso é muito interessante pois encoraja o gamer a explorar a cidade, mas exige um certo aprendizado das nuanças de Paradise City, o que por sua vez é bastante demorado. O jogo cria uma rota específica para cada desafio e vive dando direções ao jogador, mas mesmo assim muito do sucesso nas corridas vai se dever mais à memória e ao mapeamento mental dos cruzamentos e ruas do que à interface das corridas.

Ao retirar o sistema mais dirigido dos Burnout anteriores, onde cada desafio funcionava como uma fase, um estágio próprio, muito da sensação de progressão e desafio se perde: embora as missões sejam destravadas no percorrer do jogo, elas só são versões mais difíceis de corridas anteriores e, embora ??? e até mesmo ??? não existam pistas pré-definidas, todo o sistema base de tais desafios se torna repetitivo e não leva o jogador a crer que ele está progredindo tanto quanto sentiria se estivesse destravando percursos mais complexos. As corridas em si, não se engane, são incríveis e mantêm a sensação visceral típica da franquia. A sensação de velocidade é muito bem traduzida, com todo o mundo esticando levemente, seguido por um efeito de blur e de lentes olho-de-peixe ??? que deformam as extremidades da tela. A barra de boost, preenchida conforme se dirige perigosamente, funciona de diferentes maneiras para cada estilo de veículo no game: os carros que se baseiam em velocidade só podem usar o turbo se a barra estiver cheia, carros mais robustos e agressivos aumentam a barra conforme derrubam oponentes e carros para manobra ganham boost fazendo justamente o que nasceram para fazer.



Os modos em si não se tornaram tão diferentes, com exceção de um road rage um pouco mais agitado. Além das missões engatilhadas nos semáforos da cidade, outras atividades estão disponíveis: uma corrida contra o tempo, que começa sempre que o jogador estiver no início de alguma das ruas do game ??? cada rua tem um tempo a ser batido ??? e o Showtime, um substituto dos eventos Crash dos jogos anteriores. O modo fica muito aquém, com um design que não exige tática e pensamento como nos outros Burnout. O jogador apenas se torna uma bola de boliche quase inabalável e com físicas bem flutuadas e irrealistas, ganhando pontos conforme destrói veículos na rua. A tática geral se resume simplesmente a ficar jogando o maior tempo possível, já que o score vai se acumulando quase que por conta própria. Por outro lado, o game conta com outra atividade bem interessante: vez ou outra durante o jogo, um aviso aparece informando que um carro está correndo pelo mapa e sua missão então é derrubá-lo e liberá-lo para o uso. A missão não é obrigatória em si, e é extremamente aleatória, significando que você pode estar passeando pela cidade e, de repente, o veículo em questão passa zunindo. Isso gera uma situação de alarme e emergência interessante e como às vezes o jogador não estará com um carro superior, as perseguições vão desde experiências breves e energéticas até perseguições vorazes e excitantes. ?? um grande resumo do que a série tem de bom.

O Ultimate Box traz incluso diversas mudanças que foram levadas ao game de console através de downloads, entre elas, um ciclo dia/noite, a inclusão de motos e uma opção para parar a corrida no meio e começá-la do início, não exigindo mais que o jogador volte o caminho todo para o cenário. O modo multiplayer online é muito competente, podendo ser acionado pelo jogador no meio do game em um clique apenas. Exigindo um EA Account, o modo contém todas as atividades do modo single-player e possibilita que os próprios jogadores criem seus desafios. O jogo acaba dando a impressão de que foi montado justamente para esse tipo de jogabilidade, visto a interface simples e ágil e a diversão que jogar contra outro piloto humano proporciona. A experiência é bem livre de lags e, portanto, flui muito bem. O único porém é o suporte escasso de voz e um ausente sistema de chat, uma decisão que pode não parecer lá tão estranha, mas que dificulta a comunicação e mobilização de jogadores antes das corridas. Finalmente há um modo multiplayer offline chamado Party Mode, mas acaba sendo mais um detalhe do que uma modalidade indispensável de jogo.

Visualmente Burnout Paradise é relativamente sólido. Embora a complexidade da cidade surpreenda e os modelos dos carros sejam, além de criativos ??? a Criterion não têm licenças para incluir carros reais no game ??? muito variados e com bastante detalhes, o jogo de texturas e iluminação colocam o game atrás de títulos como Dirt e Gran Turismo 5 Prologue. A cidade, cheia de carros, tráfico realista e locais visualmente interessantes, parece um pouco vazia de vida, sem pessoas nas calçadas ou eventos randômicos no meio das ruas do game. O ponto chave da apresentação gráfica está, como qualquer fã da série pode supor, nas colisões. Os modelos dos carros se deformam conforme o choque, gerando dentes e arranhões em sua superfície que, principalmente no modo Showtime, persistem no decorrer do jogo. Além disso, um intrincado sistema de partículas entra em jogo, mostrando vidros estilhaçados e farpas de metal voando em todas as direções, tudo capturado em um slow-motion que torna toda a cena ainda mais intensa. A natureza realista faz com que cada colisão seja única e faz com que o próprio jogador, muitas vezes, pouco se importe em bater e perder algumas posições. O som também é competente, com uma robusta e eclética listam musical, além do ronco diferenciado de cada motor que, senão pouco realista, dá uma sensação dramática e poderosa. Nas colisões se ouve claramente o som do pára-brisas se desfazendo e do baque violento. Genial.


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