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Review de Far Cry 2 para PC de Fliperama

por Giordano Trabach, fonte Fliperama, data  editar remover




Far Cry 2 é a nova versão da franquia que já se estendeu para diversos consoles, desde o Xbox até o PSP. O mais novo título, lançado para Playstation 3, Xbox 360 e PC, foi produzido pela CryTec, publicado pela Ubisoft e trazido ao Brasil pela Cynergex do Brasil. O game foi extremamente aguardado por fãs e críticos, e energéticas apresentações mostrando inovadoras possibilidades da engine ??? o dinamismo admirável do fogo e de incêndios e um rico criador de mapas são só alguns exemplos ??? são boa parte culpados por isso. Por mais admirável que seja, Far Cry 2 demonstra ser mais do que uma engine, e se torna um game obrigatório para fãs de tiro em primeira pessoa.



O jogo tem pouco a ver com as outras versões, pois conta com personagens diferentes, cenários diferentes e mesmo um enredo sem qualquer ligação com os games anteriores. A trama gira em torno de um conflito entre duas facções de um país sem nome no continente africano. Embora os tiroteios entre a UFLL e a APR sejam um grande problema, isso não é tudo: grupos paramilitares e milícias se lançam em um jogo de poder e um misterioso personagem, conhecido como ???The Jackal??? e riscado como seu alvo principal, está armando os dois lados do conflito entre as duas facções centrais.

Os controles para o game seguem o básico do gênero tiro em primeira pessoa, com as possibilidades de agachar,correr, mirar ou atirar da cintura e interagir com alguns objetos do universo de jogo. O jogador tem acesso a uma gama até bem ampla de veículos, embora a direção pareça menos intuitiva e a resposta do carro ao terreno seja escassa. A precisão de mira é satisfatória e diferentes armas trazem diferentes sensações (algumas têm um coice mais forte, outras têm uma cadência de fogo maior, etc.). A interface segue um padrão minimalista, normalmente aparecendo apenas durante os combates, demonstrando sua atual munição e situação física.

Seringas que recompõem sua saúde e pacotes de munição espalhados pelo mundo do game se tornam fontes quase inesgotáveis, fazendo com que a preocupação do jogador se resuma a sobreviver a um encontro aleatório para poder recolher suprimentos mais adiante. O desafio, assim, está no curto prazo e, na dificuldade normal, o game acaba sendo pouco exigente. A inteligência artificial dos oponentes é, no geral, muito boa: embora seus adversários se preocupem menos com a própria integridade física do que com matar - muitas vezes sequer procuram se proteger dos seus tiros ??? e tenham uma resposta irrealista a sua presença, na maioria das vezes eles se esforçam para procurar posições de vantagem, atingir seus flancos e trabalhar em equipe. Os inimigos, inclusive, tendem a te perseguir, mesmo se você estiver de carro: não se surpreenda se tiver acabado de passar por um posto de vigilância e logo em seguida ouvir o ronco do motor de um jipe na sua cola.

Além dos tiroteios, de sua saúde e de sua munição, outra problemática que o game coloca é sua doença. Sim, seu personagem contrai malária, logo no início da campanha. Embora dramática, sua condição acaba importando muito pouco no decorrer do game: apesar de você sofrer de tempos em tempos alguns ataques mais graves, tudo o que ocorre é que sua mira fica dificultada e um borrão amarelado toma a tela. Tomando as pílulas nestes momentos, a malária se torna um componente que certamente será quase que esquecido pelo jogador. O último contratempo está na condição de seu equipamento: recolher a arma dos bandidos ou mesmo usar intensamente um modelo acaba sendo uma tática pouco recomendada, já que o desgaste acaba fazendo com que sua arma constantemente engasgue ou trave e, em último caso, estoure em sua mão. Os veículos também exigem a mesma atenção e isso faz com que o jogador esteja sempre em movimento, utilizando-se de táticas diversas e gastando diamantes em melhorias no equipamento e em armas novas (o único jeito de consegui-las em perfeito estado).



Seu personagem, destituído de nome e personalidade, é selecionável na tela de entrada e a experiência acaba sendo diferente com cada um. Embora a estrutura básica das missões seja a mesma (geralmente exigindo que você vá a um lugar x matar y inimigos ou coletar um item z), as localidades e os personagens mudam. De fato, a estrutura das missões chega a ser repetitiva e as escolhas que você faz ??? trabalhar para a UFLL ou para a APR, o que significa, às vezes, sabotar a outra facção ??? têm pouco impacto na experiência de jogo. O diferencial, entretanto, está no sistema de Buddies. Os Buddies são colegas que você conhece no decorrer do jogo e são muito úteis: geralmente, em missões da trama principal, seu amigo telefonará e dará a oportunidade de cumprir a mesma missão de um jeito diferente. Muitas vezes, envolve sair do caminho normal, atacar por um outro ângulo ou forçar/matar algum figurão para assim sabotar os adversários. Trabalhar com um Buddy acaba sendo recompensador para o jogador e ajuda a variar a experiência geral. Entre as missões principais, há missões secundárias, como as dadas por vendedores de armas, que abrem novo equipamento para compra, e missões de assassinato. Porém, estas missões sofrem ainda mais do problema da repetição e quando você estiver estourando o quinto caminhão de comboio e colocando uma bala na cabeça do seu décimo alvo, a sensação de redundância se torna sensível.

Far Cry 2 é um game extremamente belo. Não é de se admirar, visto que a produtora do game é a Crytek, responsável pelo visualmente incrível Crysis. Embora o jogo não chegue a replicar os panoramas do game de 2007, há sem dúvida muito para se ver. O cenário se passa na África e é amplo, em um estilo sandbox (vá onde quiser, como quiser). O tamanho equivaleria ao deserto nuclear de Fallout 3, ou ao menos foi essa a impressão dada pelo expansivo cenário, que inclui zonas de selva, deserto e savana. O território é repleto de folhagem, desenhada lâmina por lâmina, que responde realisticamente a passagem do jogador. Além disso, diversas vilas, postos de comando e esconderijos estão espalhados pela área, devidamente povoado de destroços, veículos e uma geral sensação de poeira e abandono. Os modelos humanos são bem desenhados e animados, embora com uma escassa variação entre um e outro e sejam, no fim das contas, repetitivos (o que é de se entender se levar em consideração a complexidade da topografia e o tamanho da região). Além disso, um dos pontos chave da apresentação visual do game é a variação climática em tempo real, que realmente ajuda a tornar a experiência altamente imersiva. Joguei em um computador de especificações medianas, que me obrigou a usar as especificações mínimas do game e, mesmo com as texturas numa resolução pequena, fiquei com uma boa impressão geral, o que prova uma direção artística muito competente ??? tudo que você olha durante o jogo lhe remete a ambientação, sejam algumas cadeiras e mesas de plástico barato do lado de fora de um bar pintado em cores desgastadas, ou mesmo uma galinha correndo desesperada na sua frente, enquanto seu pé derruba uma garrafa PET jogada no chão. O game, no fim das contas, é extremamente imersivo: suas mãos aparecem sobre o volante de carros, o mapa aparece também com o personagem e toda vez que o jogador toma um dano pesado, uma intensa animação surge, que mostra toda uma gama de processos, desde tirar uma bala com a ajuda de um alicate, até arrancar estilhaços das mãos e das pernas, tudo em primeira pessoa.

A quantidade de pop-ups é considerável, mas até mesmo pequena se levar em consideração que o enorme cenário raramente exige que o jogo pare para loadings. Sim, o jogador verá arbustos e grama aparecerem magicamente na sua frente, mas o ritmo constante de viagem e o resto do departamento gráfico deixa tal problema no chinelo.

No departamento de áudio, Far Cry 2 também agrada: O som da selva é uma constante durante a experiência, é bem feito o suficiente para se tornar natural, e pode-se ouvir a grama farfalhando ao sabor do vento ou crepitando em uma língua de fogo. A qualidade dos diálogos é menos sólida: enquanto os inimigos gritam frases que se tornam repetitivas com pouco tempo de jogo, as falas dos personagens principais da trama são muito bem escritas. O problema é que, embora os atores consigam levar uma boa dose de emoção aos NPCs, suas linhas são entregues em uma cadência bem acelerada, o que pode dificultar muito a compreensão, mesmo com a legenda ligada. A primeira conversa com o Chacal (algo bem unilateral, visto que seu personagem - seja qual for sua escolha - não tem linhas de diálogo) se provou de difícil assimilação e até mesmo um pouco forçada. As músicas ficam bem em segundo plano, justamente para lhe envolver no mundo do game da melhor forma possível. O som das armas ficam um pouco aquém: apesar de soarem realistas, não há muita força ou presença. O som dos motores dos carros acaba muitas vezes sendo mais impactante que os disparos em si.

O modo multiplayer apresenta pouca variação, entre modos de deathmatch ??? com variações time-contra-time ou individual - capture the flag e um modo VIP. A estrela do show, entretanto, é o modo de criação de mapas. Nenhuma novidade, principalmente se contar o histórico de MODs habilitados em games para PC. Mas o que o destaca é uma interface simples, limpa e direta, e a possibilidade de uma distribuição fácil para o resto da comunidade. ?? possível criar mapas, mandá-los online para o resto dos jogadores, fazer o download de mapas alheios, olhar uma lista dos melhores jogadores, ver seu ranking e seus recordes. Um pacote que, senão tão inovador quanto o modo campanha, é sem dúvida tão sólido quanto.

(Conclusão?)


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