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Review de Half-Life 2: Episode One para PC de Fliperama

por Giordano Trabach, fonte Fliperama, data  editar remover


Em uma manobra similar ao jogo Siren V e aos novos games Sam & Max, a empresa Valve decidiu prosseguir e expandir a profunda trama da franquia Half-Life através de capítulos: jogos curtos lançados periodicamente em uma cadência menos longa e custosa que os ciclos convencionais de desenvolvimento de games. O resultado é que o desfecho da trama possivelmente se dará ao fim de três episódios completos, ao invés de um ???Half-Life 3??? inteiro. A pergunta que fica é se essa decisão conseguirá criar ainda uma narrativa poderosa e uma experiência satisfatória por si só, ou se tornará a trama redundante.



O primeiro episódio da série conta a corrida de Gordon Freeman e Alyx Vance para tentar escapar da City17, depois do caótico desfecho do jogo anterior. Com o atual estado da monstruosa estrutura da Citadel, as forças alienígenas se dispersaram, patrulhas Combines procurando fugir da destruição e caçando os últimos sobreviventes e outras espécies, como os Headcrabs e Barnacles, lotando as ruas e esgotos da cidade. Personagens do jogo anterior retornam em uma trama com um pouco mais de urgência e adrenalina do que a de Half-Life 2. São, portanto, raros os momentos de aprofundamento e admiração da narrativa, visto que a dupla prossegue continuamente em frente. Para piorar, ainda há o problema da natureza curta do título ??? obviamente, bem menor em duração, mas não tão breve, quanto, digamos, Max Payne 2 ou F.E.A.R.. Jogadores de nível médio serão capazes de terminar o game em um único fim de semana.

Os gráficos continuam sendo bons, baseados numa versão atualizada da engine Steam, que foi responsável pelas capacidades gráficas de todos os games da Orange Box. O resultado é um jogo de texturas agradável, bump mapping e bloom lightning, mas que remete ao estilo artístico e mesmo à performance do jogo anterior. Entretanto, o jogador vai se ver em uma variedade de novos cenários conforme o jogo prossegue. Lugares como hospitais abandonados, praças, um enorme sótão e ainda mais demonstrações fantásticas da tecnologia Combine serão parte do cenário de jogo, num repertório, senão não tão eclético quanto o de HL2, ao menos pouco cansativo e repetitivo. Há a inserção de mais um novo inimigo, os Zombines e a exploração mais complexa do comportamento dos Antlions, que sem a devida contenção dos Combines, perambulam livres por City17. A AI segue o padrão do gênero FPS, com inimigos que procuram abrigo e tentam trabalhar em grupo e aliados que te ajudam de forma bem eficiente no combate. As diferentes espécies alienígenas atacam umas as outras se deixadas sozinhas.



A jogabilidade e interface permanecem a mesma, o que é positivo. O sistema Half-Life é um dos mais sólidos no conceito tiro em primeira pessoa, sendo extremamente intuitivo e também simples. Não há a inserção de novas armas e equipamentos e, ainda por cima, o gamer passa um bom pedaço da experiência sem a icônica Gravity Gun e mesmo sem o Crowbar (o infame pé-de-cabra). Isso se torna um problema pouco importante, visto o modo bem trabalhado de como elas são colocadas de volta na mão dos jogadores. A grande estrela de Episode One é mesmo a própria Alyx Vance, a companheira de Gordon no decorrer da aventura. A equipe de produção fez um grande trabalho traduzindo toda a emoção e vida de uma face humana real em seus modelos digitais, e Alyx é um excelente exemplo, demonstrando sorrisos, preocupação e tensão realistas e envolventes, levando o jogador na carga emocional que permeia Episode One. O jogo nunca abandona a perspectiva em primeira pessoa, o que nos faz sentir verdadeiramente próximo da personagem nas porções mais focadas em diálogos e no drama. Acredito que, além de ser um passo a mais na mitologia da série, Half-Life 2: Episode One é relevante justamente pela Alyx Vance e pelos laços que se constroem entre ela e Gordon, por meio de um script muito bem escrito e dirigido, que se torna o ponto mais importante da narrativa do game. Sim, Half-Life 2: Episode One ainda apresenta uma humanidade extremamente rara de se ver em outros jogos de seu gênero, abordando temas humanos como o desespero, a esperança e os laços afetivos.

Half-Life 2: Episode One pode não causar toda aquela sensação de espanto e novidade de seu antecessor, mas consegue ser, em si, um game muito competente e bem trabalhado.


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