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Review de Portal para PC de Fliperama

por Giordano Trabach, fonte Fliperama, data  editar remover


Mais puzzle do que tiro em primeira pessoa, Portal é o game mais incomum concebido para o pacote Orange Box. O jogo foi inicialmente desenvolvido como um conceito por um grupo de estudantes da faculdade norte-americana Digipen, que caiu no colo da Valve e foi trabalhado em conjunto com a engine Source até chegar no que os jogadores estarão experimentando ao iniciarem o game.

A premissa gira em torno de uma mulher oriental que acorda no grande laboratório experimental da obscura Aperture Scientifics. A voz, feminina e digitalizada, logo lhe coloca a par do que virá pela frente: a máquina é responsável por guiar o jogador por diversos cenários que exigem o uso do raciocínio, ao fim dos quais, segundo uma adorável promessa, o gamer será presenteado com uma festa e até mesmo um bolo. Sim, a história parece ser simples e estranha, e de fato o é. Mas é contada de uma forma que faz com que a experiência seja agradável e divertida. O design minimalista faz com que boa parte do drama seja contado de forma visual e, portanto, já exige que se discorra sobre o setor gráfico de Portal.



Com um look limpo, clean e estéril em sua brancura, o laboratório é um ambiente de certa forma fascinante. O uso de texturas e Bloom Lightning, que cria cenários de iluminação complexa, transformam o conjunto de paredes quadrangulares e básicas em um ambiente belo. Porém, ao se entrar em corredores mais profundos da instalação uma curiosa dualidade é percebida: o cenário, antes organizado e certinho se transforma em um opressivo ambiente, de cores quentes e escuras, repletos de tubulações, pistões e uma sensação de abandono e desordem. São justamente estes espaços os grandes responsáveis por passar a história ao gamer: antigos habitantes do complexo deixaram mensagens nestas paredes, numa concha de retalhos que pouco a pouco vai clareando a verdadeira natureza dos acontecimentos. Como contra-ponto, a voz do super computador sempre lança comentários espirituosos - lotados de humor negro - sobre a trama e sobre a performance do jogador, criando uma camada a mais de complexidade e subjetividade na história contada. Uma dúvida reinante durante o percurso do desenvolvimento do game foi se o jogo teria alguma ligação com o universo de Half-Life e imagino que, ao se alcançar o final do game, o jogador atento terá uma resposta clara.

Não se pode falar muito de Portal, entretanto, sem antes falar sobre a Portal Gun. A arma, que lança portais no tempo espaço, é o núcleo e o tema chave que dirige toda a jogabilidade do título. Funciona da seguinte forma: o dispositivo dispara dois tipos de buracos, os azuis e laranjas, que servem como entrada e saída e permitem a viagem instantânea entre um e outro. Se lançado um portal azul, é necessário disparar um segundo laranja e vice-versa. Os portais podem apenas ser lançados em certas superfícies, com uma diversidade de variações e objetivos, a coluna vertebral de todos os desafios, mas não excluí a possibilidade de prover horas de divertimento e experimentação. Experimento de fato será grande parte da experiência do jogador. Um exemplo: toda vez que a personagem entra em um portal, a velocidade de entrada será igual a de saída, o que significa que os portais geram uma força inercial cada vez maior ??? o efeito chamado momentum ??? conforme a personagem cai por eles. Se o jogador colocar um portal no teto e outro no chão, cair por eles e, no momento de máxima velocidade, lançar um portal de saída em alguma parede, ele será catapultado daquele ponto quase como uma bola de canhão. Tudo parece meio complicado se colocado em palavras, mas o game faz um primoroso esforço em lhe introduzir os conceitos chave e te preparar para o desafio dos estágios finais. Um problema dessa decisão é que quase a metade dos estágios servem como algum tipo de tutorial e apresentam um desafio que, além de simples, ainda é dado para o jogador meio que de bandeja. Problema agravado ainda mais pelo pequeno número de estágios (32 no total) e pela dificuldade geral não muito exigente. O game acaba muito mais cedo do que desejado e deixa um gosto de quero mais. Há todo um modo lateral que inclui desafios a mais, como um número limitado de portais que podem ser usados, e ainda alguns achievements a serem destravados, mas nada que acaba aumentando muito a vida útil do título.



Portal, entretanto, usa o som com uma maestria rara em games atuais. A voz calma e feminina do super computador é a grande atração e exprime tanta personalidade e humor que, no fim da experiência, o jogador sentirá falta de suas piadas infames e de suas sádicas tentativas de encorajamento, todas interpretadas com uma frieza desconcertante. E não é só ela: metralhadoras montadas, de formato oval e voz infantil, pergunta pelo jogador sempre que este sai do campo de visão e exprime uma hilária dose de piedade ao te caçar com frases como ???podemos ser amigos???? ou um adorável ???sem ressentimentos??? quando são derrubadas. O clima de opressão e o silêncio é constantemente quebrado por inteligentes doses de humor e leveza. Os efeitos sonoros são bons e o som da arma de portais tem um impacto considerável. Alguns efeitos são roubados, entretanto, dos arquivos de áudio de Half-Life, mas ainda sim a apresentação sonora é altamente agradável. E como uma última consideração: Portal tem a melhor e mais viciante música de créditos da história dos videogames. Ponto.

E não se esqueçam: ???The cake is a lie???!


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Fliperama
3.7/ 5
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