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Review de Grand Theft Auto IV para PC de GamesBrasil

por GamerVicioX, fonte GamesBrasil, data  editar remover




Começando com pé esquerdo

Depois do enorme sucesso nos consoles, a Rockstar acabou dando um tiro no pé ao lançar Grand Theft Auto IV para computadores. Logo a Rockstar, que rege com maestria as ferramentas de marketing envolvendo anúncio, desenvolvimento e lançamento de games, acabou dando uma tremenda pisada de bola ao se eximir de culpa na adaptação do jogo para PC. Passados quatro meses e três patches de correção, a conclusão a que se chega é a seguinte: o game tinha tudo para ser considerado o maior título de ação da história ??? como foi nos consoles -, não fosse o desleixo da desenvolvedora em adaptá-lo de forma mais consistente para os computadores.

O resultado que se tem hoje é consideravelmente superior ao que se tinha em dezembro de 2008, quando o jogo foi lançado. Deve-se reconhecer o duro trabalho de correção da desenvolvedora nos últimos meses, que foram capazes de deixar o desemepenho aceitável e apreciável até em hardwares mais modestos.

Este parêntese é necessário para que se entenda que GTA IV não foi desenvolvido para as gerações atuais de PCs: exige, no mínimo, processador de dois núcleos, 16 GB de espaço no disco rígido, placa de vídeo de 512 megabytes e consome 2 GB de memória RAM para que se alcance, em média, 25 frames por segundo.

Tamanha robustez é explicada quando se assume a pele do protagonista Niko Bellic e se percorre as ruas de Liberty City, a fictícia reprodução de Nova Iorque. A metrópole possui vida própria: pedestres conversam nas ruas com seus telefones celulares, vendedores de cachorro quente oferecem suas mercadorias, policiais perseguem bandidos, motoristas se estressam no trânsito caótico e performances de comediantes a dançarinas agitam os teatros da cidade.


Bem-vindo (de volta) à Liberty City

Os fãs que acompanham a série sabem muito bem que o segredo da franquia está em juntar o protagonista e a cidade como ingredientes de uma receita de sucesso. Foi assim com Tommy Vercetti em Vice City e Carl ???CJ??? Johnson em San Andreas. Pois bem: a Liberty City dos tempos atuais recebe, de braços abertos, Niko Bellic, imigrante do Leste Europeu que chega à cidade para reencontrar seu primo, Roman Bellic.

Niko chega aos Estados Unidos munido do sonho americano: riqueza, belas mulheres, automóveis e residiências de luxo. O que ele encontra, porém, é um parente viciado em jogos de azar, atolado em dívidas e proprietário de uma modesta empresa de transporte de pessoas no subúrbio da cidade.

Cidade esta que cresceu exponencialmente se levarmos em consideração a Liberty City retratada em Grand Theft Auto III. A versão revigorada da cidade apresenta uma metrópole dividida em cinco regiões principais, cada qual com características próprias: Broker (Brooklyn), Dukes (Queens), Algonquin (Manhatan), Bohan (Bronx) e Alderney (Nova Jersey) são entrecortados por arranha-céus, pontes gigantescas e sistemas de transporte público como trens e táxis.

Tudo isso construído à margem da ilha que abriga a Statue of Happiness (Estátua da Liberdade), fielmente reproduzida. Geograficamente, o mapa representa três quartos do tamanho retratado em San Andreas, não possui praias ou áreas rurais, o que deixa a atmosfera do jogo consideravelmente mais urbana e sombria que seus antecessores.

O "Open World" da nova geração

O conjunto toma forma com a utilização da engine física Euphoria. O sistema, aliado à famosa jogabilidade da franquia, permite experiências jamais vistas em games do gênero. Em primeiro lugar, Niko se comunica com amigos e contatos profissionais via celular. ?? por meio dele que o personagem solicita serviços de táxi e paramédicos, agenda compromissos, adquire armamentos e recebe instruções de suas missões.

O personagem, diga-se de passagem, é o mais ágil da série: escala muros, sobe escadas, pendura-se em parapeitos e veículos em movimento e se protege de tiroteios com um novo sistema de cobertura, semelhante ao da série Gears of War. Outras novidades, entretanto, deixaram o jogo ligeiramente mais monótono. O sistema de lutas ficou menos "arcade" e não é mais possível customizar o personagem com tatuagens, cortes de cabelo e tipo físico. As lojas de roupa marcam presença nesta versão, mas com menos opções que em San Andreas.

A estrutura das missões continua a mesma. Niko recebe ordens de escoltar bandidos, assaltar bancos e eliminar determinados alvos. Conforme se avança na história, é apresentado a algumas decisões que modificam ligeiramente seu destino. O que chama a atenção, porém, é que a Rockstar retirou a opção de compra de propriedades para transformá-las em safehouses. A decisão gera um paradoxo interessante: considerando que Niko se declara um mercenário, qual a finalidade de arrecadar tanto dinheiro ao longo do jogo, se não é permitido adquirir residências, mansões e apartamentos em hotéis ou customizar características do protagonista da história?

A engine gráfica RAGE, sigla para Rockstar Advanced Game Engine, deixou o game com efeitos de sombra e iluminação incríveis. Mas em especial na versão para PC, eles acabaram ficando incrivelmente ruins. ?? inadmissível que em pleno século 21 uma desenvolvedora não consiga adaptar versões de games dos consoles para PCs. A impressão que fica é a de que houve falta de vontade, pois a Rockstar já havia adotado anteriormente o mesmo procedimento de lançamento em Vice City e San Andreas com muito sucesso.

Consequentemente, a versão para PC sofre de graves falhas de otimização, causando um impacto direto no resultado final e na performance. Imagens, texturas, sombras e efeitos diversos de iluminação apresentam problemas. Visualmente, o game é impressionante pela riqueza de detalhes e cenários, mas a falta de cuidado e carinho dos desenvolvedores causa espanto. Não se iluda: GTA IV é capaz de exaurir e jogar na lona CPUs menos potentes.

Diversos mini-games e missões paralelas completam o pacote. O jogador tem a oportunidade de abandonar a história principal para se aventurar em corridas de rua, cumprir missões policiais, atender solicitações de personagens secundários, convidar outros para encontros e atividades sociais e roubar automóveis com o objetivo de exportá-los. Inclusive, a prática de crimes ficou mais fácil: agora, quando a polícia percebe a ação de Niko, um círculo azul aparece no mapa demarcando a zona de ação das autoridades. Para escapar com êxito da perseguição, basta fugir da área delimitada pela força policial.

Trilha Sonora soberba e "Grand Finale" com estreia do modo multiplayer

Reconhecidamente, a franquia possui tradição nos efeitos de áudio. Nesta versão não foi diferente. Dublagens e efeitos de voz beiram a perfeição, apresentando diferentes sotaques, típicos dos cidadãos nova-iorquinos. São vozes norte-americanas, européias e latinas, inclusive brasileiras, que ajudam a construir o componente cultural de Liberty City. A Rockstar também preparou uma seleção com 20 estações de rádio programadas com diferentes ritmos, noticiários e talk-shows. Exclusiva da versão para os PCs, a Independence FM permite customização com seleção de músicas em MP3 do próprio jogador.

No entanto, a novidade que salta aos olhos em GTA IV é seu modo multiplayer. Se antes o jogo ficava restrito à uma experiência individual de, em média, 20 a 30 horas de jogo, a série agora ganhou mais longevidade. A Rockstar separou o modo multiplayer em três grandes partes: modo cooperativo, equipe e corridas, cada qual dividido com outras opções. Tomemos como exemplo o modo em equipes: as opções variam entre Deathmatch - clássico originário do gênero FPS -, Mafiya Work - que coloca equipes para escoltar bandidos e assaltar carros -, Jack City ??? em que automóveis devem ser roubados ao redor da cidade -, Cops n??? Crooks ??? mini-game no estilo polícia/ladrão -, e Turf War, onde o objetivo é capturar bases inimigas.

O modo multiplayer mereceria, a rigor, uma análise à parte. O jogador acessa a opção através do celular de Niko, customiza seu personagem com várias características físicas e encontra com facilidade outros participantes ao redor do mundo. A Rockstar foi capaz de incorporar a um jogo reconhecido pela experiência totalmente individual um recurso multiplayer denso e divertido, que podem elevar a vida útil um, dois ou três anos, quem sabe até que o próximo GTA seja lançado.

Poucas são as desenvolvedoras que conhecem perfeitamente os sonhos de consumo do seu público-alvo. GTA IV veio para fincar sua bandeira como uma franquia sólida, capaz de incorporar diversão e novidades a um sistema de jogo famoso e surrado. Não foi à toa que o título alcançou 3,6 milhões de cópias vendidas nas primeiras 24 horas.

As críticas, no entanto, são válidas e possuem fundamento. A adaptação para PC foi sofrível e somente depois de três patches de correção o game apresenta desempenho satisfatório. Mesmo com esses obstáculos, GTA IV está a anos-luz de outros concorrentes do gênero. Para os que ainda criticam ou torcem o nariz para a receita de sucesso, basta conferir o recém-lançado The Godfather II: a comparação beira a covardia.


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