GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Need for Speed: ProStreet para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução

Há certas franquias no mundo dos jogos que, constantemente, são presenteadas com novos exemplares pelos seus respectivos desenvolvedores. Uma destas séries imortais é Need For Speed, que com méritos atravessa mais de uma década reunindo milhares de fãs. Os desafios e dificuldades em se manter firme no mercado tanto tempo se focam na obrigação de lançar sempre um game que inove, mas não perca as características de seus antecessores - e isso, como todos devem saber, não é algo fácil. Existem também questões financeiras e mercadológicas que apressam projetos e idéias, não permitindo que os desenvolvedores possam inovar de forma mais madura um jogo.

Provavelmente as razões acima descritas entre outras, sejam os motivos pelos quais o mais novo exemplar da franquia, Need for Speed ProStreet, siga por um caminho bem diverso daquele que a série ia tomando, tanto no conceito em si como na jogabilidade. Agora o foco está mais na simulação, em circuitos fechados e na regulagem do carro.

A inevitável pergunta dos fãs vem à tona: "As mudanças valeram à pena ou descaracterizaram a franquia?". Para descobrir, nada melhor do que ler a nossa análise e descobrir a conclusão que chegamos.

Jogabilidade

Como já é conhecido por todos, roteiro de jogo de corrida nunca foi algo digno de Oscar. Esperamos roteiros elaborados em jogos de RPG, aventura, entre outros. Portanto se prepare para ter contato com a mesma cantilena de sempre: Ryan Cooper (você) é um corredor misterioso que deseja "limpar" o seu currículo participando de corridas legalizadas; humilhado e desafiado, Ryan decide alcançar prestígio e se tornar o melhor do mundo, vingando-se assim de todos aqueles que duvidaram de seu potencial! Fim.

Além de abordar os mesmos temas e lugares comuns, o pobre Ryan Cooper não tem carisma nenhum e boa parte do problema reside no fato do rapaz ter um capacete entalado na cabeça, que não tira nem quando sai do carro. Por fim, espere mais do mesmo.

Como adiantamos na introdução, ProStreet mudou substancialmente os rumos da franquia NFS. Não há mais a possibilidade de andar livremente com o carro no cenário (free roam). Tudo é via um confuso modo carreira, amparado por uma ainda mais confusa interface de menus, que o jogador sempre acessa após uma corrida.

As disputas agora são legalizadas, patrocinadas e organizadas em eventos chamados "Dia de Corrida". Cada Dia de Corrida tem diferentes tipos de modalidades que por sua vez exigem carros específicos. Para avançar para nova etapa, o jogador deve ganhar todos os eventos ou pelo menos dominar um Dia de Corrida. Esta nova maneira de "ajuntar" as corridas em um só lugar não alterou a lógica criada nos games anteriores: é necessário vencer eventos, comprar carros e superar os adversários.

Os modos de jogos não sofreram profunda inovação. Drift dá a vitória ao piloto que derrapar melhor na pista; Drag é uma corrida em linha reta onde deve haver precisão na troca de marchas e muita aceleração; Speed Challenge traz como objetivo alcançar e manter a velocidade máxima do veículo, enquanto Grip nada mais é do que a tradicional corrida em circuito. Variações de jogo também são possíveis como, por exemplo, "empinar" o carro e a existência de check points que somam a velocidade máxima de cada piloto para dar a vitória ao mais rápido. A principal novidade é a presença de um mini-game antes da corrida Drag. Nele, o jogador deverá controlar a aceleração do carro para "aquecer" os pneus enquanto estes derrapam no asfalto. Acréscimo totalmente dispensável e repetitivo, ainda mais agora que o modo Drag é composto de três rodadas. A impressão que fica é que o mini-game existe apenas para mostrar que a fumaça está bem realística, pois é a única coisa interessante aqui.

As características da corrida arcade foram abandonadas em ProStreet. Tudo agora é focado na simulação; isso não significa que está difícil de jogar, pelo contrário, a dificuldade se mostra bem flexível, podendo o jogador contar com auxílio nos freios e na tração do carro, se desejar. Entretanto, aqueles antigos macetes usados, como, por exemplo, fazer das bordas da pista o ponto de apoio para as curvas não são mais possíveis.

Os carros podem ser alterados em várias minúcias mecânicas para obterem desempenho máximo na pista. Também contam com sistema de danos mais satisfatório que os jogos anteriores da série, com basicamente três níveis que afetam o desempenho do carro e podem deixá-lo menos potente que um Fusca. Os estragos durante as corridas devem ser consertados a cada evento para garantir a performance adequada do veículo.

Todas as inovações acima são ofuscadas pelo fato de ProStreet não ser a melhor simulação do mercado. Alguns carros são quase impossíveis de serem controlados e a física dos mesmos, de uma maneira geral, ficou um tanto estranha. Basta dirigir um pouco para se ter a impressão de que estamos controlando grandes caixas de ferro sobre rodas. Faltou algo aqui que não falta em outros grandes títulos do gênero e isso claramente prejudica ProStreet.

E já que falamos em carros, ProStreet dá show na quantidade, variedade e caracterização. São 55 veículos divididos em três categorias de performance, entre os quais citamos: Nissan 240SX, Pagani Honda F, Pontiac GTO ???65, Porshe Caymans, BMW 24 M Coupe, Lamborghini Murciélago LP 640, Lotus Elise, entre outras máquinas fantásticas. Se o jogador desejar, pode comprar mais carros online, elevando ainda mais esse número.

Como já é tradicional na série, é possível "tunar" os veículos, mudando sua aparência e performance com diferentes acessórios e peças. Este aspecto em relação aos jogos anteriores da franquia foi realmente melhorado, permitindo que o jogador construa um carro atraente e potente com o desenvolver da campanha. Embora seja um tanto confuso (graças aos menus) é tudo muito detalhado, com possibilidade do jogador fazer testes imediatos para saber os resultados das mudanças promovidas na sua máquina.

Áudio

A franquia NFS sempre prezou por ótimas músicas para marcar seus respectivos jogos. Desta vez, a trilha sonora foi formada de Hard Rock, Techno, Metal entre outros estilos variações similares. O problema é que os desenvolvedores resolveram usar de algumas bandas desconhecidas e o resultado não é tão marcante como nos jogos anteriores. Mesmo assim, não dá pra dizer que as músicas ficaram ruins.

Os efeitos sonoros, motor dos carros, derrapagens entre outros detalhes estão ótimos, preenchendo com realismo necessário o visual apresentado. O surround apresentado no game é incrível e aqueles que possuírem um Home Theater ou um fone de ouvido avançado em 5.1 poderão curtir o jogo em seu potencial máximo.

Talvez o que vai mais irritar o jogador são os comentários feitos durante a corrida. Enquanto pilotamos, um sujeito fica fazendo observações ao público de maneira intermitente. ?? difícil agüentá-lo depois de algumas corridas, não sobrando outra opção a não ser desligar o áudio da voz no menu opções - problema resolvido!

Multiplayer

Sem sombra de dúvida, o melhor de ProStreet é o seu multiplayer, que traz uma integração excelente com os elementos do jogo, além de adicionar características sociais com a presença de uma espécie de Messenger dentro do game.

Para disputar com outros jogadores na internet, é necessário logar nos servidores da Electronic Arts e criar uma conta (gratuita). A partir daí, o jogador poderá compartilhar os dados de suas corridas online, participar de um ranking e tornar pública suas personalizações do carro usando o que o jogo chama de Blueprints.

A estrutura de jogo é a mesma do single-player, sendo que se pode entrar em um Dia de Corrida para participar das modalidades com outros jogadores ou criar o próprio Dia de Corrida com modalidades e tipos de carros personalizados.

De uma forma geral, o multiplayer é divertido e competitivo em todos os aspectos e vai deixar o jogador ocupado por um bom tempo. Observamos somente a falta de mais jogadores online e a ausência do suporte para LAN (que pode ser adicionada a partir do patch v.1.1 lançado para o game).

Gráficos

Como já é tradição na série NFS, os gráficos continuam muito bem produzidos. As texturas são convincentes, a iluminação se faz refletir na pista e deixa sombras corretas em relação ao sol em todas as partes. Os veículos estão minuciosamente reproduzidos na tela; o nível de reflexo visto na lataria em relação ao cenário é de alta qualidade e abrangente.

Os já conhecidos efeitos, como, por exemplo, o Blur que embaça os cantos da tela quando se usa o turbo ou mesmo as leves tremidas na câmera em alguns momentos estão muito bem feitos; levados até a fumaça, que vemos no repetitivo mini-game antes da corrida Drag é perfeita.

A mesma atenção não foi dada à multidão que assiste a corrida. Nos pontos mais velozes, não percebemos, mas nas screenshots vemos claramente os humanóides em gráficos poligonais. Esqueça também as pistas que cortavam abertos cenários com vários atalhos. Tudo isso deu lugar a pistas de circuito fechado, algumas carregadas de placas de anunciantes, balões e arquibancadas.

Este problema da poluição visual atinge toda a interface do jogo. Há uma overdose de menus que desdobram em novos que, para piorar, abrem com um pequeno atraso em relação ao comando do jogador. Entrar ou sair de uma corrida é burocrático demais. O visual geral é também confuso e carregado excessivamente. Os desenvolvedores tentaram impor um estilo ao game, mas acabaram "enfeitando" demais, sendo difícil saber o que se está selecionando, onde se está clicando - tudo deveria ser mais limpo e prático.

Propagandas há por toda a parte. Especialmente na pista, durante a corrida, com placas e objetos. Os desenvolvedores chegaram ao ponto de sacrificar o realismo pelo marketing. De forma que, mesmo nas batidas e destruição dos carros, nunca o lugar da propaganda se danifica. Fizemos um teste, destruindo o carro na pista com batidas sucessivas para ver até onde ia o realismo e descobrimos que apesar dos estragos serem bem convincentes, ainda há pontos no carro que são indestrutíveis - exatamente os lugares das propagandas.

E o último detalhe, não menos importante, já que agora a série tomou rumos de simulação, perguntamos: Onde está o replay? Por que não podemos dirigir a partir do interior do carro? Afinal, em jogos de simulação o replay é essencial para que o jogador analise o seu desempenho e corrija eventuais erros. Dirigir do ponto de vista do interior do veículo é recurso obrigatório em simuladores, embora nenhum deles esteja presente em ProStreet.

Conclusão

Need for Speed ProStreet chegou ao mercado apresentando novos rumos à série já consagrada que acumula milhares de fãs. Com corridas legalizadas, circuitos fechados, um foco maior na simulação, sistema de danos nos carros e um retorno ao velho método de "correr e voltar ao menu", fica a pergunta: as mudanças foram para melhor?

Para os fãs, infelizmente não. Conforme avançar na campanha single-player, o jogador perceberá que sem a polícia e sem a liberdade de fazer vagar pela cidade, o jogo ficou também sem a adrenalina e brilho de seus antecessores. Coloquemos também na balança uma extensa e imutável campanha solo, jogabilidade que pode não agradar a todos, visual poluído e o abandono de tudo aquilo que marcou a série.

Apesar destas observações, NFS ProStreet é um jogo de corrida sólido e bem produzido, que com certeza vai divertir àqueles que procuram velocidade.


Nenhum comentário

comments powered by Disqus
GamesBrasil
7.6/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Reviews da crítica

6 / 10
Outer Space
7.5 / 10
GameVicio
©2016 GameVicio