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Review de Transformers: Revenge of the Fallen para X360 de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Eu subscrevo qualquer argumento favorável às recompensas dos jogadores, através de justos prémios pelos desafios e provas superadas. Por princípio e depois de concluída uma missão o nosso herói (o jogador) é aclamado pelo feito e geralmente uma breve cena animada sintetiza aquele instante que pode ser categorizado como uma espécie de ida ao pódio. O foguetão disparado no fim do Tetris versão Game Boy seguido de um singelo mas genuíno parabéns ainda é um destacado paradigma desse consolo.

Não direi, contudo, que Transfomers seja uma cabal excepção e nem é o primeiro jogo a adoptar outro método, mais aprazível, em que alguns dos objectivos a alcançar sejam compensados com o acesso aos primeiros episódios da série animada. Digamos que o jogo está a jeito, beneficia da licença, percorrendo o espaço temporal e os diferentes degraus da mesma, mas é reconfortante estabelecer o paralelo entre animação e jogo, depois de cumpridos certos desafios, ao mesmo tempo que regressam as memórias quiçá longínquas dos Sábados de manhã pegando destaque o confronto entre Optimus Prime e Megatron.

Este efeito enciclopédico é seguramente um dos méritos a elencar na versão videojogo de Revenge of the Fallen que mantém ainda a estrutura geográfica e narrativa base que serve de suporte para a película cinematográfica montada por Michael Bay. Mais que isso este é também o melhor jogo que vão encontrar a respeito da série, não tendo sido difícil superar a versão de 2007, também baseada no filme, mas que ficou bastantes pontos abaixo daquilo que seria de esperar.

Protegido pela Activision e desenvolvido pela Luxoflux para as versões modernas das consolas domésticas o fulcral da experiência neste Transformers, ao longo de para lá de uma dezena de horas, é o confronto entre os Autobots e Decepticons através de faiscantes combates em arena aberta, por via de missões não lineares e na perspectiva de terceira pessoa, dando uso a um número satisfatório de habilidades consoante façam uso do robô como se fosse um guerreiro ou transformado num veículo ou avião de alta formatação bélica. Tal como sucedeu no jogo anterior a campanha principal pode ser travada a gosto: Autobots ou Decepticons, com assinaláveis diferenças entre uma e outra. A escolha é vossa, que o jogo comece.

Mas voltamos aos combates, ao ritmo bombástico da acção e à concretização dos diversos movimentos dos Transformers pois este âmbito foi seguramente o que mereceu a maior atenção dos produtores e consegue destacar-se dos demais aspectos. Ao princípio não é fácil aquilatar as diversas formas de abordar os robôs. Enquanto esqueletos de metal na forma humana podem utilizar ataques melee de corpo a corpo, sendo possível cumprir umas combinações e ainda utilizar um ataque especial, típico do Transformer escolhido. ?? possível ainda fazer dash para esquivar dos mísseis. Para a longa distância estas pesadas estruturas têm ao dispor duas armas, geralmente uma metralhadora (mais rápida) e outra do tipo lança-mísseis ou granadas (menos disparos por segundo, mas mais dano). No entanto a utilização deste equipamento não se faz sem parcimónia. Ao fim de algum tempo os mecanismos sobreaquecem, justificando uma utilização moderada e apontada para as situações mais prementes. ?? possível fazer ???lock on??? nos adversários mas se estes se esquivarem há que voltar a apontar.

As coisas começam a ficar mais familiares e entusiasmantes quando ocorre a transformação num veículo rápido ou ???monster truck???, potenciando mais um conjunto de ataques à longa distância, à medida que se circula com outra voracidade pelas áreas de confronto. Perseguindo os inimigos poderão ainda recuperar a forma física e efectuar alguns golpes devastadores (ground braking e ataques corporais) que alimentam a barra de ???overdrive??? que a seu tempo deixará a vossa criatura totalmente ???on fire???, capaz de vergar e reduzir a farpas toneladas de ferro fundido.

Este bloco de comandos, essencialmente de ataque, é-vos entregue logo de início, pelo que a curva de aprendizagem revela alguma complexidade. Mas à medida que progridem por entre as 23 missões vão percebendo as diferenças entre os diversos golpes. Por outro lado a dificuldade é gradual e ajustada ao desenvolvimento das vossas capacidades. Cada robô da facção que tenham escolhido não deixa de ter o respectivo significado e aplicação para uma tarefa em específico. Optimus Prime é o mais robusto e capaz para as missões terrestres de grande densidade de maquinaria. Inicialmente a selecção está limitada a um Transformer por missão, mas depois de alcançados alguns objectivos poderão seleccionar outras figuras para cumprir a tarefa.

Deste ponto de vista os índices de acção são bastante elevados e a mesma cumpre-se com bastante satisfação, exigindo uma permanente disponibilidade, superando os obstáculos das arenas e tomando as melhores opções para derrubar as criaturas (algumas de dificuldade simples para facilitar o aparecimento dos super poderes indispensáveis para afastar os grandes chefes, nomeadamente o Devastator e o Demolishor. Não é que fique vedada a possibilidade de circular à volta das criaturas utilizando a metralhadora permanentemente. Agora experimentem aplicar os diferentes golpes e combinações de poderes nos momentos mais empolgantes e terão um desafio bem mais dinâmico e cativante, até porque as transformações e selecção de poderes está muito bem concretizada.

E convém que sejam expeditos na execução das manobras. Quão rápidos forem na limpeza da área melhor pontuação terão. Além disso há um tempo limite para cada missão estando previstas medalhas de ouro, prata e bronze em função do tempo gasto. Alcancem uma rodela e passarão à etapa seguinte, mas fora do tempo máximo dos doze minutos não serão contabilizados os pontos ganhos em função de energia retirada aos inimigos. Este pecúlio é essencial para incrementar os poderes já definidos e até alargá-los como sejam a duração do tempo de disparo, do turbo no veículo, capacidade para golpes corporais, etc. Isto para relevar que não terão mais movimentos do que os disponibilizados de início, simplesmente é-vos dada a possibilidade de fortalecer as capacidades declaradas no começo do jogo.

Depois, não é possível deixar de salientar a enorme firmeza e vitalidade da animação. Muito estável e sem pingo de abrandamento o ritmo é sempre frenético e propício grandes explosões e muita chapa amolgada. A transformação é suave e instantânea como é desejável e a percepção e locomoção das pesadas criaturas faz-se com uma ligeireza assinalável.

Contudo e para lá desta componente bem suprida, faltou ambição e (muito seguramente) tempo para tornar a obra ainda mais marcante. Desde logo os objectivos das missões tendem a ser muito repetitivos e idênticos. Escoltar um camião de transporte de uma pesada bomba, eliminar um ninho de inimigos, quebrar as fontes de comunicação adversárias, levar umas personagens do ponto A para o local B, são uma constante ao fim de algumas horas. Funcionam como pequenos pretextos para mais uma dose de acção.

Por outro lado a variedade das áreas e respectiva geografia é escassa. Da costa asiática, passando pelos limites oeste e este dos Estados Unidos, (Shangai) ao Cairo, a secção da emboscada aos porta-aviões integra a única missão que providencia um certo toque distintivo, não só pela abordagem do tipo ???sniper??? ainda que tal se deva às características do Transformer destacado para a empreitada.

A construção dos cenários não foge à mediocridade, quase sempre pouco caracterizados e sem o pânico nas ruas que seria de esperar quando grandes criaturas de metal travam autênticos e avassaladores combates no meio de estradas, escalando edifícios, abrindo crateras e trocando doses apreciáveis de materiais explosivos. As zonas citadinas mais parecem abandonadas, vazias, ainda que por vezes, uma e mais outra pessoa entrem em fuga e percam o controlo dos veículos, assustadas.

O ritmo da narrativa não é servido da melhor forma. Sem cenas prévias animadas os pequenos espaços dedicados ao argumento fazem-se por intermédio de um escasso briefing, projectado sob uma espécie de concílio entre os Autobots ou Decepticons consoante a vossa escolha no começo do jogo.

As opções respeitantes aos combates para múltiplos jogadores não fogem à regra com alguns mapas interessantes e tipos de jogo usuais. Porém, o aspecto mais sedutor para a componente on-line passa pela dimensão estratégica que as equipas podem motivar em função das habilidades e características dos Transformers. Entre Autobots e Decepticons o equilíbrio é uma nota a ter em conta pois os golpes de ataque e recuperação de energia são bastante similares, sem que com isso fiquem prejudicadas diferentes possibilidades de actuar em grupo.

Como jogo que acompanha um filme a estrear nas salas de cinema, Revenge of the Fallen não conseguiu dar a volta a alguns desafios. Não que a Luxoflux tenha feito um mau trabalho, até pelo contrário. Este é seguramente o primeiro Transformers que vos deixará satisfeitos no controlo e manuseamento das soberbas criaturas de metal em pleno combate. E mesmo que demore algum tempo até assimilar as diferentes possibilidades de uso, a componente estratégica está assegurada. Mas daí por diante a experiência deixa de apresentar novos argumentos, limitando-se a reproduzir constantemente o mesmo conceito.


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