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Review de The GodFather para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução:

Após conseguir os direitos legais e ter acertado toda a papelada para ser licenciado à produção, a Electronic Arts batalhou arduamente na busca de distribuir e elaborar o jogo mais fenomenal sobre O Poderoso Chefão. E, num projeto que ansiou o público por muitos meses, a chegada do The Godfather repercutiu como um dos potenciais a campeão de vendas deste primeiro semestre. Título de grande repercussão, e por trás, a maior produtora de games do mundo, a mescla prometia um respeitoso impacto, contudo o estilo se encaixava num gênero desgastante e batido, o de tiro em terceira pessoa. Seria este o game capaz de renovar o conceito dos jogos desta classe? Vejamos.
Jogabilidade:

Conforme anunciado, The Godfather segue a mesma metodologia do (hoje) saturado Grand Theft Auto, controle este que também se repetiu em outro espetacular título, o adorado Mafia. Porém, mais parecido com o segundo do que com o primeiro em si, O Poderoso Chefão é uma réplica rica em fatos e retrata com êxito a renomada era das famílias mafiosas de Nova York, onde a extorsão, corrupção e a lavagem deste submundo existem em cada esquina, cada empreendimento. A movimentação segue os padrões "A, D, W, S", no melhor estilo shooter para PC, porém em terceira pessoa. A câmera logo de início já traz algumas complicações, que com o tempo é facilmente adaptada aos olhos do jogador assíduo, mas que ainda sim pode vir a comprometer em determinadas circunstâncias. O mapa clichê no canto da tela lhe ajuda a se localizar, demonstrando os pontos de interesse bastante ressaltados, assim como seu esconderijo, no qual você pode gravar sempre que precisar.

O primeiro passo é criar seu personagem, e customizá-lo como se fosse um personagem do The Sims ou um jogador em na série Fifa, ambos também patrocinados pela EA. A atmosfera nova-iorquina tem espaço cativo neste título, e novamente temos uma vasta comunidade retratada em seus detalhes acentuados. Usando muitos personagens da película para dar introdução à história, seu objetivo é vingar a morte do pai, um dos braços direito de Don Corleone, o chefe da família. O começo segue os padrões de um tutorial, lhe ensinado como se locomover, brigar e atirar, podendo circular livremente na enorme "Pequena Itália", bem como nos bairros vizinhos, e descobrir um enorme cenário virtual. Tão igual quanto nos jogos deste porte, cada região (neste caso, cada estabelecimento) é dominado por uma família diferente, tornando a troca de tiros freqüentes quando você, integrante da família dos Corleone, resolve visitá-los espontaneamente, ou atravessar o bairro em meio a uma missão. Outros itens banais que também aparecem é a facilidade de roubar um veículo nas movimentadas avenidas, assim como manter um comportamento ordeiro para que a polícia não lhe persiga em cada esquina; uma chacina, vários atropelamentos e qualquer outro tipo de atitude que fuja do bom senso, colocará a lei atrás de você de forma mais intensa.

Em Godfather, temos as missões que dizem respeito a história e obrigatoriamente devem ser executadas para o andamento do enredo, enfocando o respeito e reputação que seu personagem passa a ganhar na família. Há também diversos objetivos alheios que não seguem o trajeto da trama, e podem ser cumpridos conforme sua vontade ou disponibilidade. No início, você se depara apenas com um bastão e os próprios punhos, e serão eles que introduzirão pra você como se acostumar ao sistema de batalha. Para qualquer briga, seu jogador se fixa diretamente para o(s) adversário(s), e você deverá aplicá-lo uma seqüência de golpes; alguns são fortes, certeiros e até sangrentos, mas o sistema não é preciso, e você deve desferir socos de todos os tipos, podendo agarrar o oponente e esmagá-lo na parede numa espécie de execução. Já quando se utiliza alguma arma de fogo, o game adota outro sistema, um muito similar ao Splinter Cell, tornando a mira precisa e que lhe propicia tiros mais certeiros. Após apunhalá-lo de toda a forma, você pode optar por executar o oponente, seja lhe aplicando uma chave de braço, ou violentamente disparar um tiro à queima-roupa; esse tipo de punição torna o game bastante sanguinário, que por certas vezes exacerba na crueldade.

O sistema de subsistência é baseado nas conquistas das missões, porém também no cumprimento dos objetivos extras. Isso porque o dinheiro reina este mundo, e você precisará dele para obter não só armas e munições no mercado negro (ou roubá-lo dos inimigos após espancá-los), porém também sempre que puder subornar guardas e até mesmo para se manter vivo em caso de falhas em meio às missões; se você for abatido, irá direto para o hospital, e precisará pagar um preço para retornar à ativa. Você pode fazer dinheiro em pequenas quantidades simplesmente arrebatando pessoas e/ou inimigos pela rua, o que vai acarretar ter a polícia no seu pé a cada ato ilegal; a melhor opção é usufruir da maneira mais rentável e persuasiva: a extorsão. Extorquir estabelecimentos controlados por outras famílias se resume em conversar diretamente com o proprietário da Farmácia, Padaria, Barbearia e qualquer outro local comercial e "convencê-lo" de sua proteção a uma taxa mensal. Se o dono relutar quanto à decisão, lhe cabe destruir parte da loja ou até mesmo desferir socos "de leve", afim de amedrontá-lo e aumentar uma barra denominada "Pressão", tornando-se mais fácil a conquista. Uma vez adquirido, você poderá adentrar-se às portas dos fundos e descobrir de onde vem o dinheiro sujo que irá pagá-lo ao fim de cada mês, tornando-se uma renda fixa para seu cofre. Evidentemente, se o estabelecimento já é controlado por outra facção, você irá dar de cara com integrantes das outras máfias, o que implicará numa troca de tiros inevitáveis. Nestes casos, é melhor se preparar para não vir a falhar.

Após inúmeras missões e novas fontes de rendas, sua reputação começará a ser aclamada pela cidade de Nova York. O intuito de "carreira" é exatamente tomar o lugar e assumir o cargo de Chefe da Família, onde você passará a ter subordinados aos seus comandos. Quanto mais missões paralelas forem executadas, e obviamente as ligadas à história do jogo, você ganhará pontos de habilidades, podendo incrementar suas agilidades com luta, direção, precisão de disparo, saúde e velocidade. Tais aprimoramentos são importantes para você triunfar nos objetivos mais cascas-grossas, porém a IA deixa a desejar em inúmeras situações. A real dificuldade está na massificação dos inimigos, que se triplicam quando você já está em certo ponto adiantado no game, o que realmente torna-se mais complicado sair ileso, mas a Inteligência Artificial mantém-se a mesma, e decepciona bastante.

Não se pode esperar muito das atitudes dos oponentes, mas Godfather consegue traduzir a verdadeira ação daquela época num game contagiante, e bastante frenético de certa forma. Extras é o que não faltam no jogo, e conforme se progride, mais se pode saber sobre a produção dos filmes, assim como coletar peças dentro dos cenários para descobrir mais. Se o coração do jogo é abusar da imagem de Marlon Brandom e sua família mafiosa, O Poderoso Chefão cumpriu com êxito ao trazê-los para este enredo tão único, sendo o carro-chefe para o reconhecimento do título, e de sua enorme duração, que requer uma dedicação extra para completá-lo. O que acaba sendo compensador, temos que assumir.

Áudio:

Baseado na trilogia cinematográfica, a trilha sonora é integralmente ligada às vistas no filme. As músicas - todas temáticas - inspiram com sucesso a película, e emocionam nos momentos tensos do jogo. A dublagem é inquestionavelmente uma das melhores qualidades do game, pois traz o próprio Marlon Brando, na voz do Don Corleone, feito conseguido por completo antes de sua morte. As muitas horas de conversação são intensas e contam com staff bastante dedicado, trazendo mais vida às centenas de personagem, sendo a maioria com sotaque italiano acentuado, trazido junto da tradição da família. As discussões são expressivas e freqüentes, e a cólera exprimida nas cenas de vingança é interpretada com entusiasmo, seguido de uma movimentação labial bastante competente.

Gráficos:

Após maravilhar com centenas de screenshots, a beleza é exposta num trabalho autêntico, contudo cheio de altos em baixos. Por um lado, podemos comprovar a excelência das skins, relevando réplicas absurdas de Marlon Brando na pele do "poderoso chefão", sendo possível verificar sobre os rostos as marcas, rugas e outra infinidade de detalhes, sem mencionar uma expressão facial relativamente boa. Ao customizar o seu personagem, é possível moldar queixo, boca, sobrancelhas, olhos e outros traços da fisionomia, se baseando no mesmo mecanismo de criação do The Sims 2. O vestuário caracteriza a época, e também reforça a idéia daquele tempo. O mesmo se pode dizer do interminável cenário e toda a construção edificada, onde na antiga Nova York se ramifica entre sua ilha, Manhattam, e outros bairros renomados, em quilômetros de centenas de comércio, pessoas e tráfego de veículos.

Porém, é na ambientação que Godfather expõe suas fraquezas à tona, pois se observamos sem muito esforço, é fácil notar o quanto muita coisa deixou a desejar no quesito. Os carros foram construídos de forma muito simples, ostentando cores opacas e não refletindo nenhum tipo de efeito de luz. Exceto por explosões fenomenais, efeitos é um dos pontos fracos do jogo - o mais acentuado é o Blur - uma vez que eles são escassos e tudo no game parece ser muito modesto e de pouco detalhamento. Muitas residências e prédios não passam de quadros em duas dimensões (embora nos que são possíveis entrar, você pode vasculhar sem os inconvenientes "Loadings"; eles já vêm pré-carregados) e a incontável presença de bugs desvirtua um pouco a qualidade do visual. Alguns movimentos aleatórios tornam os personagens mecânicos e "desembestados", comprometendo no comportamento da movimentação, que fora edificado baseado na mecânica humana.

Conclusão:

Após uma novela de espera com direito a desentendimentos autorais, O Poderoso Chefão é lançado sob a impressão de que seria uma cópia "cara", patrocinada pela Electronic Arts, de Máfia, título cuja visão, espaço e idéia partem basicamente do mesmo princípio. Mas Godfather é o único a trazer toda a temática e a atmosfera da renomada trilogia dos cinemas, e numa produção que ostenta a história, as vozes e o visual muito bem trabalhado, mesclados a um jogo de grande durabilidade, consegue instigar o jogador já saturado do estilo GTA.

?? fato, porém, que O Poderoso Chefão também cai em gráficos modestos para demais objetos dos cenários, sendo tomados por bugs inevitáveis, e numa Inteligência Artificial pouco aguçada e precisa para os dias de hoje. ?? verdade também que ele não consegue criar um novo patamar ao gênero tiro em 3ª pessoa, mas se relembrarmos que a boa história contida é quase uma das variantes mais persuasivas dentro do jogo, os defeitos, as falhas e qualquer outro tipo de má crítica parece ficar em segundo plano. Melhor definido, aprende-se a conviver com elas, graças ao interesse no enredo bem construído.


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