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Review de Prince of Persia: The Sands of Time para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução


Relembrando os primórdios dos jogos para PC, Prince of Pérsia com certeza é um título inesquecível para muitos. Em uma época onde os processadores da família 386 munidos de poderosos 33 MHz de clock, com o famoso botão Turbo, acompanhados por 4 MB de RAM e placas de vídeo que mal utilizavam 1 Mb, eram a base para jogos com gráficos inovadores e jogabilidade criativa, com títulos diferenciados dos console da época.

Embalado nesse antigo sucesso, a Ubisoft pôde proporcionar neste novo título uma versão em 3D com gráficos atualizados do primeiro jogo da série, como uma espécie de bônus ou easter-egg, como veremos logo a seguir. E para a surpresa de todos, e contrariando a velha conversa de que uma continuação nunca é melhor do que o original, PoP: Sands of Time é o melhor jogo da série, recheado de puzzles inteligentes, combate intensivo e um excelente enredo, aliado a gráficos soberbo.

O enredo do game baseia-se em nosso herói persa, sem nome, atravessando a Índia na companhia de seu pai, e com a ajuda de um viril e mal-intencionado marajá faz um ataque surpresa a um castelo, roubando um artefato extraordinário: uma ampulheta contendo as areias do tempo. Retornando à Pérsia, o príncipe é enganado a quebrar a ampulheta. Tal feito acarreta uma bela confusão na região, tornando habitantes em monstros de areia, tornando a vida do príncipe um pouco mais atribulada. Sua missão é perseguir o desprezível marajá, coletar toda a areia do tempo derramada e fazer tudo retornar ao seu estado original.

A tarefa é mais fácil de ser dita do que ser feita. O castelo onde o príncipe se encontra tem um elaborado esquema de segurança (capaz de rebaixar os desafios de Indiana Jones para o nível de bebês) que temos certeza não ser comum em palácios persas do século IX, mas nada é capaz de deter o nosso herói, certo?

Misture todas as qualidades acima, e uma jogabilidade inovadora em todos os sentidos, e você tem Prince of Persia: Sands of Time, sem dúvida, um concorrente de peso para o Hall da Fama de 2003.
Jogabilidade:

Acompanhando os jogos de ação em terceira pessoa modernos, a jogabilidade é bastante fluída, extremamente agradável e intuitiva. A liberdade de movimentação pelo cenário, interação com plataformas, quinas, coqueiros e mastros, bem como um sistema de combate simples e ao mesmo tempo eficiente e bem desenhado.

O primeiro grande atrativo do game a ser explorado é o desenho das fases. Cada parte de Sands of Time é uma armadilha desenhada cuidadosamente, e só com uma certa combinação de movimentos é possível atravessar estas engenhosas ameaças, mas nada que seja complicado ou que tenha que se recorrer aos famosos FAQs. Os puzzles não são simples, mas ao contrário de alguns outros jogos, são bem intuitivos, não prejudicando a jogabilidade nem frustrando os jogadores.

Como característica marcante da série Prince of Persia, um movimento em falso ou mal pensado pode levar à morte instantânea de seu personagem. Mas a Ubisoft mostrou que tem talento e implementou um recurso inovador neste estilo de jogo: a adaga com a areia do tempo, carregada pelo nosso nobre herói, que tem a capacidade de voltar até dez segundos no tempo logo após um incidente, como em sua morte acidental, por exemplo, devido a um descuido na beirada de um precipício. Não há nada mais aborrecedor do que você estar quase vencendo um cenário, e por um descuido cair de uma plataforma, ou durante uma luta o inimigo te empurrar ou pegar pelas costas, ou ainda o famoso ataque montinho no canto da tela, ardilosamente arquitetado por programadores sacanas, e você simplesmente cair morto sem direito a replay ou câmera da Globo. A volta no tempo se dá como um retrocesso numa fita de vídeo cassete, realmente muito prático, mas limitado ao número de pontos de areia coletados através de inimigos sobrenaturais aniquilados pelo nosso herói.

Como dito anteriormente, o sistema de luta é simples, porém funcional, assim como esteticamente bem trabalhado, com pulos acrobáticos com direito a facadas pelas costas e outras peripécias. Inimigos humanos (que aparecem mais no início) são mortos com simples golpes de espada, porém os sobrenaturais são bem mais difíceis, pois contam com uma vida um maior e golpes arrojados, sendo necessário utilizar a adaga do tempo para coletar a areia contida em seus corpos, logo depois de atordoados por seus golpes de espada, senão os mesmos voltam, e, acredite, com força total. O interessante é que determinados tipos de sobrenaturais são imunes à certos tipos de ataques, então é necessário traçar uma estratégia diferente para cada ocasião, pois diferentes tipos de inimigos são colocados juntos, justamente para complicar a situação do nosso pobre príncipe. A adaga durante a luta também pode congelar alguns inimigos, o que é muito útil em situações de muitos monstros te atacando, já que por um ou dois segundos o jogador poderá ter um alívio momentâneo para poder descer o sarrafo logo depois nos restantes.

Áudio


Caprichado como todos os outros itens do jogo, o som faz de tudo para manter o clima de contos das noites da Arábia. A trilha sonora é composta de uma relaxante coleção de flautas e percussão, como os presentes em um mercado Egípcio.

As vozes utilizadas para os personagens caem perfeitamente, dando a eles muita personalidade, assim como efeitos surpreendentes como os seus passos e o barulho do vento quando o jogador está em ambientes abertos, garantindo a credibilidade ao game.

As músicas costumam aparecer apenas em cenas de lutas, enfatizando a ação, o que deixa um pouco a desejar, mas não prejudica o efeito geral que o título apresenta.

Gráficos


A engine gráfica é outro show à parte. Muitos dos efeitos utilizados no Splinter Cell aparecem em grande estilo no Sands of Time, como o sistema de roupas, incluindo um detalhamento muito realista. O sistema de iluminação é impressionante, ele faz uma espécie de brilho em volta dos personagens e objetos, assim como os cones de luz projetados no chão provenientes de rachaduras e janelas, dando um toque especial a parte gráfica. Outros detalhes que não podem passar desapercebidos: a poeira que anda em círculos obedecendo à direção do vento, imensas cortinas acetinadas que também balançam e realmente passam uma idéia de movimento, assim como criaturas e monstros bem detalhados.

A modelagem dos personagens é feita com poucos polígonos, mas as texturas em alta resolução que adornam seus corpos escondem essa imperfeição. Isso e o fato de que tudo é animado com tantos detalhes que você certamente não irá se preocupar com a falta de atenção dada à modelagem.

Uma triste notícia, anunciada há algum tempo pela indústria de games, é que placas sem suporte a tecnologia pixel shader 1.4 (incluem-se nessa lista todas as GeForce 2 e anteriores, além das Geforce 4 MX) simplesmente não entram no jogo. Como a presença de pixel shader é maciça, certamente uma placa sem estes recursos rodaria o jogo, mas numa qualidade de efeitos bem inferior, que iria quebrar totalmente o clima de perfeição proporcionado pelo game.

Sabemos que não são todos os gamers que têm condições de atualizar constantemente sua máquina para jogos mais atuais, mas infelizmente o suporte em relação às placas de vídeo está cada dia mais exigente.

Conclusão


PoP: Sands of Time é um jogo surpreendente. Jogabilidade com grande fluidez, gráficos estonteantes e som de primeira, combinados a um enredo muito bem escrito, fazem do game um título inesquecível. O jogo chega para mostrar que não é só de FPS que vive a indústria de games para PC, e a tendência é que títulos deste nível, como o Beyond Good and Evil, façam cada vez mais sucesso.

E, até que enfim, temos um game de aventura no estilo plataforma que não tem como requerimento para se tornar "jogável" possuir um joystick especial ou um vídeo-game. Simplesmente imperdível!


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