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Review de Need for Speed: Hot Pursuit 2 para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução


Há muitos anos em que a célebre série Need for Speed (Electronic Arts) não sai do topo dos jogos de corrida para PCs mais vendidos, afinal, quando sua soberania esteve ameaçada, sempre houve um novo lançamento da empresa canadense com o objetivo de ganhar os fanáticos por corrida. E desde o início da década de 90 - quando se deu início a série - esta metodologia foi muito bem usada, rendendo a EA bons lucros e um reconhecimento notável.

Entretanto, o que se via com os jogos de corrida desta virada do século, pelo menos até os dias de hoje, era um regresso em sua qualidade, visto que os games recentes não são de empolgar e tornaram-se poucos expressivos, não visando mais um jogo com gráficos ultra-realistas e uma física coerente, e sim, uma tentativa da conquista global, transformando-os em simples arcades acessíveis para os menos exigentes, trazendo carros que desobedecem à lógica da realidade e voam a 400 Km/h.

Beirando a realidade com mais exatidão, a série Need for Speed não encontra adversários a altura no momento, ainda mais quando se notifica de que grandes títulos deste estilo estão sendo desenvolvidos para os consoles e não mais para os PCs. NFS: Hot Pursuit 2 deslancha para acabar com a concorrência direta, mostrando que na pista não há quem o supere, e que no mercado não há quem possa significar mais em vendas.
Jogabilidade:

Hot Pursuit inaugurou uma nova fase na série, enfocando a perseguição entre polícia e infratores da lei, deixando aquele bom e velho jogo de uma jogabilidade inovadora e carros que corriam apenas pelo prazer de ganhar, para trás; agora a onda é fugir, fazer rachas perigosos ou pegar foras-da-lei. A idéia foi bem aprovada, pois carregava não somente a fama dos primeiros da série, mas também a emoção de fugir da polícia a mais de 150 Km/h em jogo muito bem apresentável. Fazendo o uso dos mesmos ingredientes que resultaram em uma receita satisfatória, a segunda edição é lançada no final de 2002.

A jogabilidade continua a mesma, caracterizando cada carro de acordo com o tamanho, peso e estabilidade. Não há como desconsiderar este belo controle, talvez a melhor qualidade de todo o jogo, que reproduz um volante em quase todos seus detalhes de um carro verdadeiro, auxiliado por uma física lógica e que não deixa as máquinas voarem ou fazerem uma curva a centenas de quilômetros por hora com tamanha facilidade; é necessário conhecimento de cada veículo que se dirige para uma boa corrida.

São muitos os carros que fazem parte da galeria deste NFS, guardando na garagem os modelos mais antigos, como foi exibido no último da série (Porshe Unleashed). Destaque agora para as poderosas máquinas, como Ferraris, Maclarens, Lamborghinis, Dodges e até os mais "modestos e populares" Mercedes, que também impressionam pela velocidade. A vasta opção de carros é um dos pontos fortes (como sempre foi) do jogo, resultando em uma variedade enorme a se escolher. Lógico que nem sempre o mais rápido será o melhor, e exemplos comuns como optar por um Mercedes conversível poderá ser melhor que uma McLaren, uma vez que o primeiro é mais leve e fácil de se fazer curvas em uma pista estreita, enquanto o segundo pode atingir altas velocidades em pouco tempo, tornando difícil o seu total domínio.

Há dois modos de disputa no single-player para evoluir: Campeonato (Championship) e Perseguição (Hot Pursuit). O tradicionalíssimo Champioship consiste em desafiar o tempo e os adversários em 33 etapas, que podem consumir muito mais dias que se pensa para serem cumpridos. Ele desenvolve o modo carreira com muitos torneios, disputas por "knockouts" e corrida contra o tempo. Já Hot Pursuit tem a apimentada perseguição da polícia, o que torna mais difícil ganhar e até mesmo cumprir as provas, que quando concluídas, liberam verba para a compra de novos carros e novas pistas. Lógico que, as primeiras etapas são disputadas por carros menos velozes e as corridas podem não chegar a ser tão excitante; com o tempo, novas máquinas e pistas estarão à disposição, mas você deve comprá-las caso deseje desfrutá-las futuramente. Existe também o modo ???Seja o Policial??? (Be the Cop), trocando os papéis e transformando você em um homem da lei, a espreita de um maníaco em alta velocidade. ?? bastante divertido perseguir, mas do mesmo jeito que você consegue se livrar da polícia, eles também podem facilmente jogar você fora do asfalto.

As câmeras disponíveis no jogo trabalham bem, embora não tragam nada de inovador do que as habituais: visão de dentro do carro, visão de fora do carro e visão um pouco mais distante. O que ficou faltando foi que a visão de dentro do carro não mostra nada do cockpit, dando a impressão que sempre falta algo. Daria um toque muito mais completo poder visualizar o console de cada carro por dentro, tornando esta opção de câmera muito mais atraente.

O que realmente desanima é a falta de atenção com a ???destrubilidade??? dos carros, e que na verdade foi uma exigência feita pelas montadoras que não permitiram ver os seus cobiçados e valiosíssimos carros sendo destruídos no game. ?? primeira vista, todos parecem ser feitos do metal mais indestrutível existente, que chocado com um concreto a 200 Km/h, não altera sua forma completamente, quanto menos arranha o vidro ou outra parte do veículo. Um conflito entre dois concorrentes pode causar apenas em um bate-bate que não danifica o carro do outro, resultando no máximo em um capô levemente amassado. Não há porque se preocupar com um pequeno raspão em alta velocidade, por exemplo, que poderia fazê-lo rodar e tirar praticamente todas suas chances de vitória; neste jogo a parede é sua amiga, na qual você pode esfregar, bater, amaciar o impacto, que o veículo continuará novo em folha para seguir em frente.

Outro ponto que desagrada é a ausência do modo split-screen, que permitia disputar corridas com um amigo no mesmo computador: para se divertir com o amigo, agora só pela Internet ou em rede. Ainda neste parágrafo vale destacar a IA que atua de forma nada surpreendente, tenta demonstrar aleatoriedade nas ultrapassagens e vida própria para os adversários, mas que sempre coloca os mesmos adversários nas respectivas posições em praticamente 100% dos casos, o que é típico na série NFS.

As pistas podem ser percorridas em quatro diferentes direções e conservam muitos atalhos, gerando diferentes aspectos de cada uma, podendo ajudar ou atrapalhar caso você não se familiarize com o trajeto. Não há uma grande variedade de pistas, mas sim de muitos caminhos que nela se abrem, modificando totalmente cada uma, encurtando ou estendendo sua distância. Particularidades como estas é que fazem de Need for Speed um ótimo jogo, que pode tomar um bom tempo para se ganhar o controle de cada carro, de cada pista, e ainda sim divertir por horas e mais horas.

Áudio


Baseado na dedicação e os gostos clássicos da Electronic Arts, NFS: Hot Pursuit 2 é favorecido pela ótima trilha sonora, composta de Rush, Bush e outros que pertencem ao gênero musical. O sucesso mesmo são os roncos dos carros, conseguidos um a um e diferenciando-os pelo barulho que cada motor maravilhosamente consegue produzir, deixando muito nítido a diferença de cada veículo.

O jogo tem o auxílio de uma ótima acústica 3D, gerando efeitos espetaculares ambientais e transpassando uma ótima sensação de localização de espaço, determinando o quanto um carro está perto ou longe, podendo ainda identificar em que lado o oponente está tentando a ultrapassagem.

Multiplayer


Com a ausência do ???split-screen??? para a disputa de dois jogadores no mesmo computador, a esperança de disputar um racha com amigos ou anônimos agora é somente na Internet ou Lan. Hot Pursuit 2 suporta até 8 jogadores online, conectados em rede ou facilmente encontrados no sistema da EA, possibilitando também que qualquer jogador crie um servidor para hospedar e participar de partida com vários jogadores em sua máquina. Entretanto é necessário fazer combinações prévias para poder realizar uma corrida, pois muitas vezes (experiência própria) é possível entrar em desavenças com outros jogadores que insistem em jogar com carros diferentes dos que você. Enfim, o multiplayer traz surpresas por encontrar adversários com os gostos mais estranhos possíveis, não julgando que o seu seja normal.

Gráficos


Do mesmo modo que cada veículo obteve seu ronco do motor particular, as características físicas de cada um também sofreram boas melhoras. Independente da cor, o reflexo produzido agrada aos olhos mais perceptíveis. Como mencionando anteriormente, o fato do carro não sofrer danos permite com que ele fique brilhando do começo ao fim da corrida, o que qualifica negativamente o jogo por esta ausência de detalhes.

Mas a incrível quantidade de máquinas velozes convence mais uma vez de que Need for Speed consegue repassar com bastantes minúcias e uma realidade considerável os mais cobiçados carros da linha Ferrari, Maclaren, Lotus, Speedsteer, Mercedes, Jaguar, Lamborghini e outros desejos de consumo estão novamente bem reproduzidos, maquiados pelos ótimos efeitos de luz que pairam sobre os carros, apesar da pouca variedade de tons de cores a se escolher.

Outro ponto que pesa positivamente são os cenários (como sempre foram), que descrevem pistas incrivelmente grandes, detalhadas por muitas árvores, casas, edifícios, estádios de futebol, avenidas imensas, erupções vulcânicas, cachoeiras paradisíacas, pôr-do-sol refletido ao mar e tantos outros fatores tão bem desenhados pela EA, que tiram a atenção por muitas vezes e a corrida pode tornar-se privilégio secundário. Cada pista se abre em tantos atalhos, que por muitas vezes pode confundir o jogador sobre qual o melhor caminho a se fazer. Infelizmente, não se pode mais optar por dia ou noite, muito menos escolher correr sob chuva ou sol, o que não interfere na jogabilidade, como pista escorregadia ou seca. Fumaças mais densas e marcas no asfalto mais fortes caracterizam bons efeitos no jogo, bem como faíscas da lataria.

Entretanto, é mais que óbvio que Need for Speed ainda não conseguiu subir um patamar em seu aspecto gráfico. Se Hot Pursuit 2 é o que há de mais bonito no momento tratando-se de um jogo deste calibre, os games de corrida precisam de concorrentes mais fortes e progressivos, uma revolução visual que gere jogos mais bonitos e mais reais, assim como os consoles já vêm sofrendo esta transformação.

Conclusão


Para os principiantes no volante, Need for Speed - Hot Pursuit 2 ainda é uma boa pedida para ensinar e mostrar o que o jogo pode proporcionar. ?? sem sombras de dúvidas um ótimo simulador de corrida, agora mais voltado para perseguições policiais, mas que não pede o glamour de um visual impecável e um áudio empolgante.

Todavia, Hot Pursuit 2 não dá um pontapé a mais para os jogos do estilo, pois utiliza a filosofia "em time que está ganhando, não se mexe". De fato, todos os jogos da série mantêm características semelhantes, mas nunca evoluindo agressivamente seu conteúdo (exceto nos primeiros games). E esta é a estratégia da Electronic Arts com seus produtos, sendo a maioria campeã de venda e de fãs, cujo planejamento é realizar leves alterações no título anterior para o seguinte, não progredindo muito (como em FIFA e toda a séria EA Sports), mas agradando a todos.

O segredo talvez não seja a falta de concorrentes, mas a indiscutível qualidade que os jogos da empresa apresentam. Talvez também não seja culpa da EA não arriscar um alto investimento e mudança, e sim da falta de novas caras fortes, que não temem investir alto, bater de frente, e obrigar uma reformulação geral em seus títulos. Porém, essa já é uma outra história...


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