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Review de BioShock para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução


Na véspera de ano novo em 1959, sucumbiu Rapture, aquela que seria a sociedade perfeita. Construída debaixo do oceano por idealistas e reunindo os melhores seres humanos na opinião de seu fundador (Andrew Ryan), Rapture tornou-se um infernal abrigo de loucos, conseqüência das constantes transformações genéticas.

Tudo começou com uma descoberta científica revolucionária. O fundo do mar abrigava moluscos que possuíam células-tronco capazes de revolucionar a genética e aprimorar o corpo humano em todos os aspectos. Porém, a ambição pelo poder ultrapassou todos os limites éticos imagináveis e trouxe para todos conseqüências desastrosas.

O personagem principal da trama é inserido neste contexto a partir de um acidente de avião no mar. Diante dos destroços e fogo a única opção é entrar em na cidade submarina em busca de refúgio. A partir desse momento, damos adeus ao ambiente aberto, ao mundo exterior. BioShock nos conduzirá para baixo, em um ambiente sinistro e claustrofóbico. Aparentemente, pensa-se que tudo está abandonado e deserto. Mas basta passar a primeira cena para vermos, do lado de fora, que estamos encrencados. E muito.
Jogabilidade:

Como se percebe, BioShock trás um enredo profundo e muito interessante. Mesmo que a cinemática inicial seja um tanto breve, a história realmente nos envolve, fazendo o pano de fundo para um submundo incrivelmente detalhado. Tudo é revelado gradativamente e as coisas vão fazendo um incrível sentido conforme a história avança, com a garantia de boas tiradas e reviravoltas na trama. Muitos desses detalhes estão presentes nos intermináveis "áudio-diários" achados pelo cenário (portanto, não deixe de procurá-los, do contrário pode perder revelações importantes).

Os controles seguem o já padrão universal dos shooters em primeira pessoa, sendo o teclado usado para a movimentação básica (W,A,S,D) e o mouse para mirar e atirar nos inimigos. Para atacá-los, o jogador dispõe de uma diversidade de armas: chave inglesa, pistola, metralhadora, espingarda, lançador de bombas, lançador de armas químicas (fogo, nitrogênio e eletricidade em gel) e crossbow (arco e flecha mecânico). Tem até uma câmera para tirar fotos que dá bônus ao jogador e revela os pontos fracos do inimigo.

Cada arma do jogo tem três tipos de munição, com diferentes efeitos. O objetivo é que sejam usadas contra inimigos específicos. Também é possível fazer upgrade nas armas e assim aumentar sua rapidez, capacidade de munição e poder de fogo. Paralelo ao armamento, vem os elementos de RPG inserido no jogo, que se apresentam nas habilidades que podem ser desenvolvidas pelo personagem principal, e atendem pelo nome de gene tonics e plasmids, ambos com a característica de modificam seu DNA e lhe dar poderes específicos. Os primeiros são aptidões específicas que podem ser desenvolvidas de acordo com o estilo de jogo adotado. Há dezenas deles para o jogador aperfeiçoar habilidades em combate, engenharia e capacidade física. Sendo assim, um jogador que prefira o estilo "rambo" (lutar frontalmente e sem muita estratégia) vai preferir os gene tonics que favoreçam o combate. Os que são mais discretos e adotam o estilo stealth poderão optar por habilidades que favoreçam hackear e modificar sistemas de segurança, como turrets e robôs voadores. Além disso, esse tipo de habilidade favorecerá a aquisição de munição e outros itens, já que há várias máquinas espalhadas por Rupture para a venda de munição, modificação, upgrade genético e fabricação de novos itens. ?? claro que o jogador terá de pensar bem antes de fazer qualquer alteração, uma vez que tantos os plasmids como os gene tonics são em maior número que os slots disponíveis e só podem ser modificados por uma máquina específica capaz de fazer a alteração genética.

E já que falamos dos plasmids, estes são uma espécie de ataque "mágico" contra os inimigos. São como a sua coleção normal de armas, mas a diferença é que emanam de sua mão e vão exigir uma energia específica chamada EVE (algo similar ao mana para aqueles mais acostumados com RPG). Entre os diversos plasmids destacam-se o poder de congelar o inimigo para depois poder quebrá-lo em pedaços (Winter Blast), um raio de eletricidade ótimo para usar na água quando há vários inimigos em contato (Electro-Bolt), e um poder mental que permite flutuar objetos e lançá-los, ou mesmo agarrar uma bomba em pleno ar e devolvê-la ao dono (Telekinesis). Infelizmente, nem todas as armas genéticas são boas como as citadas acima. Algumas podem ser até úteis em determinados momentos, todavia é nessas que o jogador provavelmente vai se concentrar na maior parte do tempo.

Para comprar novas alterações genéticas ou fazer um upgrade existentes, o jogador deverá ter uma boa quantidade de Adam disponível - uma espécie de substância que funciona como matéria prima para sua modificação genética. Quem coleta e carrega Adam são as Little Sisters - crianças geneticamente modificadas e condicionadas apenas para esse tipo de tarefa. Elas aparecem no cenário por compartimentos nas paredes - havendo só algumas delas por fase.

Neste aspecto, há uma decisão de caráter moral a ser feita pelo jogador. Você matará violentamente uma pequena garota para coletar todo o Adam possível e tornar-se poderoso? Ou você salvará a vida dela (coletando menos Adam) e colocará a sua em risco (andando pelos cenário com menos poderes)? Obviamente as conseqüências de tal escolha vão se revelar durante os diálogos, cenas e até mesmo alterando o final. Mas não pense você que este é o único problema. Problema mesmo é o fato de que você não poderá tocar na Little Sister sem antes dar um fim no Big Daddy que a acompanha e a guarda. Acredite: é aí que o bicho pega, especialmente se você joga na dificuldade difícil.

Os grandalhões, à primeira vista, andam lentamente e vestem-se de maneira bizarra usando o que parecem ser trajes de mergulho antigos, com uma espécie de capacete com visor de vidro, parecendo neutros a princípio. Todavia, se você se colocar no caminho de um deles, agredindo-os ou mexendo com a Little Sister, a encrenca está armada. Eles se transformam em uma máquina de guerra, rápidos e mortais, fazendo a vida do jogador ficar um inferno nos níveis iniciais do jogo. Não adianta correr, eles alcançam, ou usam de poderes para retardá-lo. ?? aquela história: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Os Big Daddies que levam o nome de Bouncers trazem consigo uma enorme broca. Já os Rosies atiram à distância e usam minas de proximidade. E mais ao final do jogo, surge o gênero Elite, um pouco maiores, perigosos e mais feios. Esses guardiões das pequenas meninas são sem sombra de dúvida os inimigos mais difíceis do jogo e requerem que o jogador se prepare antes de enfrentá-lo. ?? necessário planejar o que se vai fazer e usar uma combinação de ações e armas para derrotá-los. Você pode, por exemplo, hackear sistemas de segurança para atacá-los, eletrocutá-los na água, usar explosivos, fogo e influenciar (com plasmids) outros personagens para ajudá-los nesta árdua missão.

Os outros inimigos do game, infelizmente, deixam a desejar. Não há variedade expressiva deles no jogo. São organizados em cinco tipos de humanóides: Thug Splicers (atacam corpo a corpo), Leadhead Splicers (munidos com armas de fogo), Nitro Splicers (armados com explosivos), Spider splicers (movem-se muito rápido e pelas paredes), Houdini Splicers (usam poderes, ficam invisíveis, etc), Boss Splicers (é como um Splicer normal, mas tem energia extra e combate melhor).

A Inteligência Artificial nos combates é satisfatória, todavia não espere nada como em F.E.A.R. ou Crysis, onde a os inimigos dão realmente um show e surpreendem o jogador, sendo capazes de se esconder e usar a cobertura do cenário para pregar surpresas. BioShock até pode surpreender no início, quando ateamos fogo em um inimigo e o vemos correndo desesperadamente para a água antes de voltar para a briga. Outros se escondem atrás de paredes por um tempo, ou procuram máquinas para recuperar a saúde. No entanto, um olhar mais atento nos revela que o comportamento deles não passa muito disso. E quando encontramos algo um pouco diferente, percebemos que são eventos programados (scripts) e não uma atitude "independente" da IA. Em geral, todos os inimigos fazem um breve Zig-Zag e atacam quase da mesma forma. Como já dissemos, há outros jogos do gênero com uma resposta mais avançada por parte do computador. A IA é efetiva naquilo que se propõe, mas não há nada de especial ou impressionante.

Caso o jogador se aproxime da morte, não deve se preocupar, pois no final das contas ele não morre. Se você já jogou Prey, sabe do que estamos falando. Assim que o jogador supostamente morre é imediatamente ressuscitado em uma Vita Chamber e tem parte da saúde regenerada recebendo quase nenhuma penalidade específica. Os inimigos, por sua vez, não vão regenerar e aguardam o jogador no mesmo estado que se encontravam antes. O problema de utilizar esse sistema é o fato de ter que percorrer boa parte do cenário, dependendo do caso, para encontrar o inimigo, especialmente se ele for um Big Daddy. O que talvez vá ocorrer (como presenciamos) é que intuitivamente o jogador use do sistema de Quick Save e Load quando houver necessidade, deixando assim a Vita Chamber uma opção dispensável.

As missões são interessantes e sempre exigem que o jogador percorra mais de uma vez o complexo cenário. A exploração também é recomendada, já que se pode descobrir algumas recompensas e bônus. Há também uma espécie de mini-game para hackear as máquinas do jogo, que reproduz aquele velho game Pipe para Windows, e que foi recriado em várias edições, inclusive em webgames. Basicamente, é só conduzir um líquido do ponto do ponto "A" ao ponto "B", formando a maior seqüência possível com o quebra-cabeça de canos que lhe é fornecido. No começo chega a divertir, mas depois da metade começa a irritar a paciência, pois o mini-game é sempre o mesmo.

Áudio


Se é difícil descrever algumas coisas com palavras, falar a respeito do som de BioShock pode não fazer justiça ao que ele realmente representa. Você precisa ouvir por si próprio! Mesmo assim, vamos tentar fazer a nossa parte.

O áudio do jogo é fantástico, detalhado e incrivelmente imersivo. Já nos acostumamos com certa dose de repetição de efeitos sonoros em games diversos. Mas em BioShock, tem que se prestar muita atenção para ouvir algo repetido. Tudo é sempre novo, e a ambientação sonora é digna de cinema. O som ambiente não se limita ao lugar que o jogador está. Basta ficar atento para perceber que estamos em um lugar hostil e sombrio debaixo do oceano. Neste aspecto, BioShock nos apresenta sem dúvida o melhor design de som já visto em um jogo de vídeo-game!

A dublagem está excelente, impressionante do começo ao fim. Os momentos em que as Little Systers conversam com os Big Daddies transmitem toda a intimidade e confiança existente entre o bizarro relacionamento. A voz dos grandalhões chega a dar medo quando ouvida nos escuros corredores, ajudando a criar o clima do jogo.

Também a trilha sonora não fica atrás, adicionando oportunamente sempre o clima de tensão necessário. Difícil encontrar nos jogos atuais um que tenha tantos detalhes sonoros - BioShock se coloca muito à frente da concorrência obtendo neste quesito a nota máxima.

Gráficos


O grande destaque de BioShock é a sua engine - Unreal 3. Este motor gráfico é um dos poucos do mercado que realmente impressiona qualquer jogador, pois permite gráficos de última geração com leveza surpreendente! Mesmo sendo um jogo que se desenvolve em um ambiente fechado, temos uma excelente variedade de cenários, uma grande quantidade de cores e estilos - pelo menos até antes das fases finais, quando a coisa fica um tanto repetitiva.

A ambientação é fantástica! Cada detalhe foi observado, recriando perfeitamente o clima dos anos 60. Realmente os desenvolvedores capricharam na arte do jogo, se detendo em centenas de detalhes como objetos, cartazes, placas de néon, entre outras coisas. O visual é atmosférico e Rapture parece estar viva.

Os efeitos também são impressionantes. A água já nas primeiras fases gera um dos mais belos visuais e representação do game. Mas há também efeitos de luz, texturas, sombras, etc, tudo impecável. A animação dos personagens é ótima e nos combates o jogador pode esperar um bom sistema de física usando Havok combinado com ragdoll.

Para os usuários de Windos Vista com DirectX 10, vários efeitos de partículas serão mostrados, sombras em tempo real e uma água ainda mais espetacular. Todavia, repetimos, a melhor notícia mesmo é que não é necessário um super computador para rodar este game com certo nível de qualidade, para a alegria geral.

Conclusão


Muito pouco comentado antes de ser lançado, BioShock conseguiu misturar diferentes elementos de maneira perfeita, se tornando um sério candidato a jogo do ano, além de ter praticamente garantido como a grande surpresa de 2007. ?? verdade que não há nada de estritamente original ou nunca visto antes, todavia o enredo, os gráficos, o som, a produção e o acabamento deste game vão deixar qualquer um impressionado. Isso é tão verdade, que podemos dizer sem sombra de dúvidas que BioShock é um dos poucos games que faz você se esquecer que está apenas jogando. ?? o típico jogo que mais parece um filme.

Porém, como em todo RPG, BioShock pode ser comparado a um bom vinho e depende muito de quem está "degustando". O prazer de jogar estará ligado à atitude do jogador em aproveitar tudo o que ele oferece e experimentar diferentes maneiras de interagir com o micro-cosmos da cidade de Rapture. Se, no caso, o jogador for apressado e assumir o estilo "rambo", verá o game acabar rapidamente sem experimentar a maioria das possibilidades táticas. ?? necessário também jogar no nível normal ou difícil para encontrar alguma verdadeira diversão e desafio.


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