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Review de Call of Duty 4: Modern Warfare para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Introdução:


Em 29 de outubro de 2003, o mundo dos games conhecia o primeiro jogo de uma sólida e promissora franquia: Call of Duty. O jogo foi tão bem recebido na sua temática como shooter de guerra que não demorou muito para que viessem as continuações. A última chegou ao mercado no final de 2007 e é considerada por muitos como o melhor jogo da série: Call of Duty 4: Modern Warfare.

Como o próprio nome indica, houve uma mudança significativa na série. Enquanto os outros jogos focam nas guerras do passado (em especial a II Guerra), CoD 4 leva o jogador a um conflito fictício no futuro. Não, não há raios de laser ou equipamentos dos filmes de ficção. O futuro que CoD 4 toma por base é o nosso presente e resulta em um jogo mais realista que seus antecessores, com batalhas e combates intensos, trazendo um enredo que, considerando a atual geopolítica mundial, é plenamente crível e atual, algo que poderia realmente estar se passando em algum lugar do meio-leste europeu, no norte da África, na América Central ou algum outro ponto de recentes conflitos.

Sucesso entre os jogadores, aclamado pela crítica, acompanhe nesta review o motivo pelo qual CoD 4 figurou na concorrida lista dos melhores games de 2007.
Jogabilidade:

Além da história do jogo se passar em ambiente contemporâneo, como já foi dito na introdução, há outras mudanças importantes. O game já não segue o molde do single-player dos exemplares anteriores, onde o jogador vivencia uma campanha para cada país e termina-as separadamente. Na verdade mudou a forma, mas não o conteúdo. Agora temos uma única campanha envolvendo Estados Unidos, Reino Unido e Rússia. Esta última experimenta conflitos internos devido à guerra civil instalada. O enredo inclui também um país do Oriente Médio onde rebeldes se insurgem contra o estado e matam o presidente, tudo transmitido ao vivo pela televisão. São esses os inimigos que o jogador terá de enfrentar na perspectiva dos soldados americanos e britânicos, numa variedade de lugares do mundo como Oriente Médio, Rússia, Azerbaijão e até mesmo Prypiat, a cidade fantasma vítima do acidente nuclear de Chernobyl. O roteiro nunca cai no marasmo, revela boas surpresas e cresce gradualmente, com cenas dignas de filmes de cinema, especialmente na parte final.

Em termos de jogabilidade, estão presentes as mesmas características que marcaram a série, mas com vários melhoramentos que tornam CoD 4 um "senhor" jogo de guerra, convincente, competente e mais realista do que nunca. A linearidade excessiva ainda continua, mas agora, pela grande quantidade de ação e pelo desenho dos cenários, ela acaba ficando em segundo plano, o que já é um avanço importante. Mesmo assim, há momentos claros que percebemos que o game espera o jogador estar exatamente em determinado lugar para, como um gatilho, desencadear uma série de ações. Quando isso acontece, é como se aquele incômodo pensamento "isto é apenas um jogo" viesse à nossa mente, tirando parte da sensação de realismo.

Outro grande passo de CoD 4 é sua atmosfera que simplesmente "hipnotiza" o jogador. O ambiente da guerra é retratado com perfeição, não naquele conceito de "Rambo", onde o jogador sozinho resolve tudo. Neste game tudo é na base da cooperação, você sempre está acompanhado de outros soldados e há muitos momentos que o número de coisas acontecendo é tão grande que chega a desorientar. Seus companheiros comportam-se como verdadeiros soldados, tanto na comunicação, mas principalmente na movimentação pelo cenário. Correm, agacham, deitam, procuram cobertura e mostram que de fato os 5 consultores de guerra utilizados no desenvolvimento do jogo foram bem úteis.

A inteligência artificial dos inimigos mostra-se também "afiada" trazendo vários desafios ao jogador em vários sentidos. Os inimigos com freqüência vão pelos flancos (uma das táticas mais importantes em combate) e acabam por cercar o jogador. Basta se esconder em algum lugar onde os tiros não alcancem para que venha uma chuva de granadas em nossa direção. Há uma quantidade abundante de inimigos para produzir um verdadeiro caos na hora da batalha. CoD 4 é um "osso duro de roer"!

Por isso, para ser bem sucedido em Call of Duty 4 (especialmente no multiplayer) é necessário que o jogador aprenda a se movimentar de maneira inteligente pelo cenário. Não adianta ir apenas atirando em pé, correndo pelo cenário aberto. Aproveitar os objetos para ter cobertura, flanquear o inimigo, agachar, deitar-se ou camuflar-se são algumas das táticas obrigatórias para se alcançar a vitória. Mas nem todo lugar é bom esconderijo; carros abandonados pelo cenário, por exemplo, podem explodir, assim como certos barris. Do mesmo modo, há de se ter cuidado redobrado pois algumas armas fazem as balas atravessarem paredes menos espessas. Não menos importante é saber usar a mira da arma, mesmo que diminua a velocidade, pois o aumento considerável da precisão e eficiência dos tiros acaba compensando. Todos esses fatores tornam o avanço pelo cenário muito interessante, pois, assemelhando-se com uma guerra real, deve ser feito por etapas.

Quanto ao armamento em si, o jogador pode carregar duas armas, uma principal e outra secundária, geralmente um revólver, além de granadas e outros equipamentos explosivos especiais. Englobando single e multiplayer, temos uma variedade de armas com várias precisões para distâncias diferentes e força de impacto. Entre elas estão os rifles de assalto (AK-47, M16, MP44, etc), rifles sniper (Dragunov, Barrett M107, Remington 700, etc), espingardas (W1200 e M1014), metralhadoras leves (M249 SAW, M60e4, etc), lançadores de foguetes, explosivos (C4, Claymore), granadas, equipamento para visão noturna, metralhadoras fixas no cenário e uma arma portátil para míssil teleguiado anti-tanques. As granadas fazem toda a diferença nas batalhas e não devem ser ignoradas. Quando atiradas em sua direção, podem, se isso for feito rapidamente, ser jogadas de volta ao "dono". As bombas de "Flash Bangs" também são ótimas para invadir locais fechados com vários inimigos, que ficarão "cegos" por alguns segundos, além das granadas de fumaça para despistar o inimigo em campo aberto.

Para usar todo esse armamento, o jogo oferece 20 fases distintas com diversas missões, além do multiplayer. As missões são criativas e possuem uma variedade tamanha que além de "viciar", não permitem que o jogador se canse. Nelas temos que defender locais contra ondas de inimigos, resgatar pessoas, invadir territórios, andar camuflado sem ser notado, além de algumas outras onde o jogador fica em um helicóptero e um avião atirando lá de cima nos exércitos inimigos ao chão.

Como fator motivação, os desenvolvedores espalharam pelos mapas notebooks com dados de inteligência do inimigo. Ao todo são trinta e conforme colecionamos, liberam-se códigos de trapaça como, por exemplo, tornar o game preto e branco, ou a capacidade de dar um slow motion durante a batalha, entre outras modificações. Assim que se termina a campanha, é liberado o modo Arcade, onde se tem a oportunidade de jogar para fazer pontos, com diversos desafios diferentes (como eliminar soldados inimigos com tiros na cabeça, por exemplo).

?? claro que nem todo jogo é perfeito e COD4 possui suas limitações, e mesmo que algumas sejam bem pequenas, ainda assim ao menos uma é mais séria. Entre as mais simples é a impossibilidade de se dirigir veículos, o que hoje é algo muito bem desenvolvido por alguns jogos do gênero. Parte do realismo do mesmo modo se esvai com o fato de seus companheiros soldados nunca morrerem em batalha, já que fazem parte do enredo principal e precisam estar vivos adiante. Além disso, não há civis no jogo, o que é um tanto estranho, já que a própria situação que o enredo cria pressupõe estarem atravessando muitas vezes partes de cidades e regiões onde deveriam ter pelo menos alguns civis. E o mais grave problema é a duração da campanha single-player. Apesar de épico e intenso, CoD 4 é curto demais, com cerca de 8h de jogo para aqueles com alguma experiência em shooters. Tudo bem que ela é compensada pelo seu fantástico multiplayer, como veremos mais abaixo, mas ainda assim poderia ser um pouco mais extensa.

Áudio:


Call of Duty 4 apresenta uma trilha sonora composta por Stephen Barton, experiente compositor britânico, que dá aqui um importante suporte de atmosfera ao game como um todo. Na maioria das vezes, a música aparece em momentos emocionantes e literalmente coloca mais adrenalina no jogador para enfrentar os soldados inimigos. Apesar do seu arranjo orquestral, o que mais marca no jogo é a "sinfonia" das armas e explosões. O som é absurdamente tão intenso quanto a jogabilidade, uma experiência que transcende o mundo real para a imersão total do jogador. Ouve-se de tudo: gritos, explosões, tiros, aviões, helicópteros, até mesmo o som de lesão no ouvido com um fino apito e acompanhado de uma ligeira tontura é real - só falta doer.

As armas em especial possuem som bastante característico e com certa "personalidade"; com algum tempo de jogo somos capazes de identificar quais armas os inimigos estão usando apenas pelo som das mesmas.

Na parte da dublagem, o trabalho ficou perfeito, com vozes combinando com cada personagem. As falas automatizadas, que ocorrem quando uma granada cai por perto, ou algo do tipo "faça cobertura, pois eu estou carregando minha arma", adicionam bastante imersão. Talvez isso incomode um pouco no multiplayer, pois o fato da equipe reportar cada passo do time adversário torna-se repetitivo.

Multiplayer:


Se CoD 4 é extremamente curto na sua campanha para um jogador, felizmente o multiplayer compensa com sobeja esta limitação. Há variedade e longevidade para manter qualquer um durante meses entretido com as várias modalidades de jogo entre outras novidades interessantes.

Os modos de jogo são: Team Deathmatch - aquele clássico modo onde dois times jogam um contra o outro para ver quem mata mais; Free-for-All - trata-se do também famoso Deathmatch, ou seja, todos contra todos; Domination - duas equipes disputam pontos de domínios no mapa, devendo capturá-los e depois defendê-los; Sabotage - que traz uma bomba no cenário e cada equipe tem a oportunidade de capturá-la para plantá-la no local específico do inimigo; Headquarters - uma espécie de rádio aparece em um lugar aleatório do mapa e os times devem respectivamente atacar ou defender o local para que a outra equipe não o capture; Search and Destroy - semelhante ao modo de jogo Sabotage, mas com a diferença que uma equipe ataca e a outra defende.

Os jogos podem ser feitos pela internet ou via rede, em 16 mapas diferentes com até 54 jogadores online! Essa flexibilidade de jogadores e o estilo dos mapas permitem que se realizem jogos mais táticos e furtivos bem como alguns extremamente intensos e árduos. Se no single-player o jogador já sente um certo desnorteio, nos jogos mais hardcore do multiplayer é ainda pior. Tiros vêm por todos os lados e é difícil permanecer em pé durante mais que alguns segundos em cenários pequenos com muitos jogadores. Um verdadeiro inferno, como uma guerra real.

Para os iniciantes é necessário começar pelos jogos com menos jogadores, aprender a se movimentar usando os elementos do cenário (correndo, agachando, deitando, se camuflando) e conhecer os mapas como a palma da mão. Participar de uma equipe bem organizada, que caminha junto e cobre os flancos é o ideal. Há também um interessante recurso, a "Kill Cam", que mostra como o jogador foi morto utilizando a perspectiva do adversário. Esta é uma grande ajuda na estratégia, pois revela os métodos usados pelo inimigo e também onde o próprio jogador falhou, o que não deixa de servir como um grande aprendizado.

Mas o principal destaque do multiplayer de Call of Duty 4 é o seu sistema de ranking e recompensas, que motiva constantemente a avançar mais. O jogador inicia no nível 1 (Soldado) e conforme joga adquire experiência até chegar ao nível 55 (Comandante). Como num RPG, ganha-se pontos de experiência nas mais diversas ações: eliminar um inimigo, dar assistência, armar ou desarmar bombas, etc. Tudo funciona de maneira bem dinâmica e não demora muito para que se consiga promoções e benefícios diversos, como usar um helicóptero para alvejar o inimigo.

De acordo com o avanço, são liberados novos desafios (explodir um carro ou eliminar 50 inimigos com um tipo de arma, por exemplo), novas classes e novas armas. O grande impacto disso na jogabilidade é que não nos limitamos à classe oferecida como padrão no game, mas podemos construir o nosso próprio combatente, com armas específicas e equipamentos característicos, adaptando ele à nossa estratégia e a um mapa do jogo em especial.

Para completar temos os "perks", que são literalmente "vantagens" que podem ser utilizadas no combate. Há uma diversidade delas: chamar aviões bombardeiros para o campo de batalha, munição extra, nível de saúde aumentado, armas com maior poder de destruição, maior precisão, capacidade para correr mais, jogar uma granada antes de morrer, caminhar mais silencioso, capacidade de ouvir o chat de voz dos inimigos entre muitas outras. Tente imaginar cada jogador se utilizando dessas características somado a tudo aquilo que falamos, e você entenderá que o multiplayer de CoD 4 não se limita a apenas vencer os adversários, há uma série de variantes que influenciam na jogabilidade.

E para quem deseja comprar o jogo por causa do multiplayer, a boa notícia é que já temos bons servidores brasileiros com boa participação, inclusive alguns onde temos que ficar na fila para jogar, pois estão cheios com certa frequência.

Gráficos:


O grande trunfo de CoD 4 está mais na ambientação e na soma dos elementos (efeitos, cenário, ação) do que num gráfico extremamente foto-realista, como em Crysis, por exemplo. O ambiente e a atmosfera criados no game realmente fazem o jogador grudar os olhos na tela. Na fase de introdução do jogo, onde acompanhamos alguns soldados na invasão de um navio somos apresentados a uma iluminação cheia de minúcias, partículas, sombras e cenários soberbos. Terminando de maneira literalmente nauseante e com ação explosiva à lá uma cena épica de James Bond, a missão é apenas um aperitivo do que o game tem a oferecer ao jogador.

Dentre os vários efeitos que e engine gráfica se sobressai, estão luz e sombras dinâmicas, além da profundidade de campo. Se o jogador possuir um bom computador para rodar os gráficos, irá curtir bastante cada detalhe, pois CoD 4 é um jogo visualmente intenso, com muitas explosões, fumaça, tiros, e mísseis que deixam seus rastros de fumaça, entre outros detalhes. Nem mesmo no carregamento do jogo conseguimos distrair, já que o enredo é revelado a partir dali.

Em termos de realismo, uma das fases que mais impressiona é a que o jogador acompanha um sniper em Prypiat, cidade vítima do acidente de Chernobyl. São as texturas mais fotorealísticas do game. Como já havia provado o game S.T.A.L.K.E.R., Prypiat é um cenário assustador, especialmente quando tão bem caracterizado como foi em neste shooter.

Mesmo reconhecendo as qualidades gráficas, o game contém certas incoerências na qualidade, especificamente em algumas texturas de baixa resolução, como aquelas usadas para o horizonte dos cenários. Mas não se preocupe, a ação é tão intensa que você não vai ter muito tempo de ficar contemplando a paisagem.

A interface continua limpa e como nos jogos anteriores, não há nada na tela que indique o seu nível de saúde. Se o jogador for muito alvejado, a tela ficará vermelha, indicando que ele está próximo da morte e deve portanto procurar proteção para se recuperar em questão de alguns segundos.

Conclusão:


Diante de tantas continuações de jogos que seguem o caminho da regressão, perdendo suas características e resultando em exemplares inferiores, Call of Duty 4: Modern Warfare consegue ir pelo caminho inverso: é o melhor jogo da franquia! Em sua campanha single-player, apesar de ser curta demais, traz consigo um dos mais realísticos e imersivos jogos de guerra da atualidade. Intenso, empolgante e com uma variedade de missões criativas, CoD 4 leva o jogador ao centro da batalha proporcionando uma experiência visual, sonora e de jogabilidade igualmente soberbos.

Para completar, o multiplayer oferece um sistema de ranking que além de trazer variedade e competitividade, sempre motiva o jogador a avançar mais e mais. Sem dúvida, esse é um game que não pode faltar à coleção de qualquer jogador que leve a sério o entretenimento e que seja fã de shooters de guerra.


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