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Review de Far Cry 2 para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Um retorno muito aguardado, porém diferente


Esqueça as ilhas paradisíacas e monstros mutantes. Far Cry voltou, mas veio diferente, com um ar inovador, em um ambiente totalmente novo daquele game que fez sucesso há 4 anos atrás. O principal motivo para toda essa mudança pode ser explicado pelo fato da Electronic Arts ter se unido com a Crytek para a criação de Crysis, deixando assim a Ubisoft de lado com os direitos sobre a franquia Far Cry. Este é o principal motivo da impressão que gera aos jogadores de que Crysis seja mais próximo de Far Cry do que o próprio Far Cry 2. E, no caso deste último, a aposta da Ubisoft foi algo realmente novo para diferenciar e ao mesmo tempo aproveitar o peso do nome que ainda tem a franquia no mercado dos jogos. Por isso, é importante deixar claro desde já que de Far Cry este jogo só leva o nome.

Isso posto, falemos sobre o que interessa. Far Cry 2 leva o jogador para o meio de uma guerra civil no continente africano. Duas facções (UFLL e APR) lutam pelo controle político e a missão do jogador é matar um perigoso vendedor de armas chamado Jackal, que é o responsável por fornecer armamentos e fomentar a guerra. A história conforme se desenvolve não faz muito sentido, mas quem se importa? Se você se interessa por jogos como este é porque está fim de ação, do contrário jogaria um RPG ou leria um livro, não é mesmo?

Gráficos e som de tirar o fôlego


Após escolher qual será o perfil de nosso herói (o jogo apresenta várias personagens passivos de escolha), Far Cry 2 já no início nos deixa de boca aberta. Somos conduzidos de carro por um longo cenário. Nosso personagem, sentado no banco traseiro pode observar a árida e bela paisagem africana enquanto conversa com o motorista e passa pelo posto da milícia. As próximas imagens e situações vão deixar o jogador de boca aberta, pois o primeiro impacto que FC2 causa é muito positivo.

Os gráficos são uns dos mais impressionantes para PC deste ano. A engine Dunia e sua capacidade gráfica vai tirar o sono dos rapazes da Crytek. Não que Far Cry 2 esteja acima de Crysis em termos gráficos, porém é mais leve e por isso será mais acessível a um número maior de jogadores. Em Crysis, temos o ciclo do dia e noite, mas ele acontece no momento programado pelo jogo, não tendo o jogador oportunidade de alterá-lo. Já em FC2 o tempo passa constantemente formando um ciclo contínuo. Você joga e vê amanhecer, anoitecer, chover, ventar, enfrenta nevoeiros e incêndios ??? tudo acontece de maneira independente e simulando como se fosse em tempo real. As árvores e vegetação se mechem com ventania, a chuva deixa a estrada com aparência molhada e cada hora do dia gera efeitos de iluminação diferentes nos cenários do jogo e nos seus objetos. A água está real e em certos horários do dia você pode sentir até o ???ar gelado??? de andar próximo a uma cachoeira cercada de rochas. ?? até interessante passar pelo mesmo lugar diferente horas do dia para conferir os efeitos iluminação únicos, já que as sombras geradas dão um show à parte pelo detalhamento e realismo. A ambientação também tem um aspecto bastante real, não deixando dúvidas que estamos de fato em algum país do continente africano, com seus desertos, florestas e raros oásis. Os NPCs estão bem modelados e variados, com ótimas animações e reações.

No quesito áudio, o jogo também se mostra de altíssimo nível. As músicas seguem um estilo nos ritmos africanos colocando junto arranjos orquestrados e variam conforme a situação de combate ??? se tornam um pouco repetitivas conforme o jogador se demora muito em nas missões secundárias ou em exploração do mapa. O som da ambientação é ultra-realístico e varia de acordo com o local que o jogador está, se no deserto, no rio, ou na mata, tudo é ricamente detalhado. Os NPCs sempre falam algo que condiz com o momento - ficam nervosos em combates, ameaçam, e se organizam para atacar. Já os sons das armas são uns dos melhores que já ouvimos em um FPS, bastante intenso e realístico.

Dirigir, dirigir, dirigir e atirar!


Em termos de jogabilidade, bastante coisa mudou em relação ao primeiro jogo, que conduzia o jogador de maneira linear por cenários enormes. FC2 dá ao jogador a possibilidade de escolher a missão que se quer fazer em mapas igualmente gigantescos (50 km²) ??? a liberdade que o jogo proporciona é indiscutível.

Entretanto, é só jogar um pouco mais para o principal defeito do game vir à tona. Em FC2 você dirige, dirige e dirige. Trata-se de um jogo de tiro em primeira pessoa, mas ??? acredite - você passará 70% do tempo dirigindo por estradas de terra que são verdadeiros caminhos de rato, e que de início parecem repetitivas e confusas. Estas longas viagens até o objetivo da missão demoram vários minutos desnecessários, que acabam sendo mais como um banho de água fria no jogador sedento por ação. Mas, como se não fosse suficientemente burocrático, para chegar a determinado local o jogador enfrentará várias situações que irão desviá-lo do objetivo: postos de milícia que assim que enxergam nosso personagem saem de carro para combater e atirar, encontros inusitados com carros armados, acidentes de percurso (como cair de cima de uma ponte), ou ser cercado por inimigos e como resultado do combate os veículos explodem, obrigando o jogador a percorrer o caminho a pé. Para complicar, as montanhas do cenário muitas vezes nos obrigam a dar voltas enormes para chegar até local determinado. E, ao final de toda essa epopéia, quando o jogador chega ao local da missão, percebe que basta matar um sujeito ou explodir algo e... pronto! Tanto tempo para chegar e resolver a missão em pouquíssimo tempo. Ao terminar, novamente somos obrigados a dirigir mais um bocado...

Apesar deste grande defeito, FC2 não é um jogo ruim, pelo contrário, é um jogo ótimo. Porém, tenha consciência de que se trata de um jogo trabalhoso demais para jogadores mais casuais procurando ação desenfreada. Assim, se o jogador tiver paciência, poderá superar esses inconvenientes usando o ônibus (levam o jogador até alguns pontos chave e lá sempre há carros), focando de início nas missões principais (deixando as secundárias para depois), ou simplesmente atropelando com o carro os inimigos nos postos de milícias.

Muitas missões e pouca variedade


Os mapas de FC2 abrangem uma grande região rural entrecortada por estradas de terras, com a presença de pequenos vilarejos, construções, quartéis, estações de ônibus, torres de celular e postos de guarda. Nos vilarejos centrais, se encontram as missões principais e a algumas secundárias, especialmente para conseguir medicina já que o personagem adquire malária no início do jogo e necessita, de tempos em tempos, tomar uma dose de remédio.

As missões principais são as mais interessantes e menos repetitivas, mas não escapam de certa falta de brilho, criatividade, e variedade no desenvolver do jogo. Geralmente consistem em instalar uma bomba em determinado local, matar um alvo, destruir algum equipamento, e não sai muito disso. A variedade que é acrescentada deve-se a alguns amigos que nosso personagem encontra no jogo. Logo após recebermos determinada missão, somos contatados por um amigo que propõe novos caminhos e etapas para finalizarmos a missão, geralmente acrescentando mais conteúdo à mesma. Já as missões secundárias são bem mais repetitivas e algumas desbloqueiam novas armas, dão recompensa em diamantes e há algumas dos amigos que só aumentam a reputação (gerando mais medo dos inimigos com relação a você, algo que pode facilitar na hora do combate). O problema já dito de início continua sendo o mesmo: assim que aceitamos uma missão, temos que atravessar todo o mapa dirigindo para cumpri-la rapidamente.

E para aqueles que gostam de explorar, há diamantes espalhados por todo o cenário. Para achá-los, basta usar o GPS que uma luz verde pisca mais rápido conforme se chega perto. Nem sempre estão em lugares óbvios, mas escondidos por outros objetos e tem diamantes suficientes para manter o jogador ocupado por muito tempo.

Combates intensos e realísticos, quando não há bugs...


O combate é um dos pontos onde Far Cry 2 brilha. Porém, o jogador só vai experimentar algo realmente desafiador se selecionar os modos mais avançados de dificuldade. E se você está mal acostumado com aquele mini-mapa de Crysis, que mostra onde estão os inimigos, esqueça esta mamata. Aqui você deve se guiar pelo que vê e pelo que ouve, o que torna o combate algo bastante intenso em ambientes com muitas folhagens, onde os inimigos podem se camuflar e flanquear o jogador sem serem vistos. Outra vantagem é que o grande cenário do jogo permite que o jogador faça a abordagem que desejar para o ataque: à distância, de surpresa ou no estilo ???Rambo??? (sair atirando para todos os lados). O cenário está cheio de objetos explosivos como barris, botijões de gás, munição (que quando explodem pode matar quem estiver por perto devido as balas que voam para todos os lados) e veículos ??? gerando uma destruição fantástica ao redor. ?? incrível, por exemplo, ver o teto de palha das cabanas irem pelos ares e se perder ao vento a cada explosão! Outro fator estratégico importante é o fogo que pode ser ateado ao cenário, espalhando rapidamente de forma dinâmica na direção do vento e provocando a fuga ou a morte dos inimigos.

A Inteligência Artificial do jogo tem altos e baixos. Na hora que funciona sem bugs é realmente desafiadora e surpreendente, pois os inimigos sempre buscam cercar e surpreender o jogador. Nas fases mais avançadas, suas armas melhoram e ficam mais letais, além dos irritantes snipers que sempre quase nos matam até descobrirmos onde, de fato, estão escondidos. Se nos escondemos dentro de cabanas de madeira, eles atiram contra a parede para as balas atravessarem e são capazes de perseguir o jogador de veículo ou a pé com bastante sucesso. Também são programados para ajudar uns aos outros, organizando-se em operação de resgate de feridos, enquanto alvejam o jogador de balas. Todavia, quando os bugs atacam, é comum ver inimigos atirando para o lado oposto ao jogador e mesmo assim o tiro atingi-lo (dando a impressão que a bala fez uma curva impossível). Outros ficam completamente parados sem reação ou não sabem muito bem o que fazer.

O sistema de danos que o jogador sofre exige que nos dois últimos pontos de vida o jogador faça uma ???cirurgia??? de emergência em si mesmo ??? caso contrário, morrerá rapidamente. Este procedimento consiste em apertar a tecla H e, aleatoriamente, o personagem providencia um meio de se curar: arrancando com os dentes uma bala no braço, usando um alicate e uma faca para arrancar estilhaços da perna, acendendo um maço de fósforos para estancar uma ferida profunda, arrancando com cuidado um comprido arame que penetrou no joelho, e assim por diante. Caso não consiga se curar a tempo, o jogador terá mais uma chance, poderá ser resgatado por um amigo do jogo para em seguida combater de maneira cooperativa com ele. Estes amigos podem ser encontrados nas ???Safe Houses??? do jogo, ativando por ela o resgate.

Armamentos e veículos que deixarão os fãs satisfeitos


O game traz uma variedade de armamentos que deixará qualquer fã do gênero satisfeito. O personagem pode carregar uma arma primária, uma secundária e uma especial, além de bombas, coquetel molotov e um facão. Entre as armas, temos: AK-47, AR-16, Sniper Rifle AS50, Rocket Launcher, Morteiro, Lança Chamas, etc... Sem contar as metralhadoras poderosas que são instaladas em carros e postos de milícias com munição infinita (com a limitação de apenas esquentarem depois de determinado tempo de uso continuo). Há duas maneiras de obter armas no jogo: uma delas é pegar as que estão no chão, o que não é a melhor coisa a se fazer já que invariavelmente estarão degradadas e como resultado disso falharão nas horas em que mais precisamos delas, travando ou mesmo explodindo; e, por isso, a segunda e mais indicada opção é comprar armas dos vendedores, que vêm novinhas em folha e demoram mais para estragar. Nestes locais de venda, o jogador poderá comprar também manuais e outros equipamentos para melhorar a precisão, durabilidade, aumentar o estoque de munição, entre outros upgrades para o personagem que o ajudarão em combate.

Há também alguma variedade de veículos, como o buggy, Big Truck, carro comum, Assault Truck, Jeeps, dois tipos de barcos e até asa delta (mais difícil de encontrar). Infelizmente, entre os carros, apenas o Assault Truck vem com capacidade ofensiva, o que faz o jogador geralmente optar por ele. Tais veículos quebram se batidos ou se forem alvejados por tiros, mas podem ser arrumados pelo próprio jogador, se não deixar passar do limite de danos.

Multiplayer garante longevidade


A campanha single-player irá ocupar um tempo considerável se for feita em todos os detalhes. Mesmo assim, quando terminar, ainda há um interessante multiplayer que pode ser jogado pela internet ou por LAN com até 16 jogadores. São 14 mapas bem variados tanto em tamanho como em conteúdo, que comportam até quatro modos de jogo. No clássico Deathmatch todos lutam contra todos, bastante popular nos jogos do gênero. Já o Team Deathmatch traz dois times lutando um contra o outro. O Capture de Diamond é uma espécie de variação de ???captura a bandeira???; sendo que cada time possui um diamante em sua base que deve ser defendido a todo custo, ao mesmo tempo em que necessita capturar o da base inimiga. Uma particularidade interessante deste modo é que, quando o jogador pega o diamante, soltará uma fumaça vermelha, sendo impossível de se esconder dos outros. E o último modo, Uprising se resume em manter o domínio de regiões específicas no mapa, com o diferencial que somente o capitão de cada time poderá efetuar a captura ??? cabe ao resto da equipe protegê-lo em tal missão, dando a cobertura necessária e protegendo os pontos capturdos. Este modo é o que mais necessita de trabalho em equipe e organização para obter sucesso.

Há também seis possíveis classes para escolher nas partidas, sendo que cada uma delas utiliza um padrão de uso de armas e upgrades: Commando (rifles de assalto), Sharpshooter (snipers), Guerilla (shotguns), Rebel (lança-chamas), Gunner (armamentos pesados), Saboteur (armas silenciosas).

Para motivar os jogadores, FC2 utiliza um sistema de ranking online muito parecido com CoD 4, que permite que jogador evolua com promoções e upgrades conforme a experiência que ganha, liberando novas armas e recursos. Tudo isso faz do multiplayer de FC2 uma ótima pedida para aqueles que buscam variedade e diversão.

Inovações que vieram para ficar em um jogo ???quase lá???

Far Cry 2 traz um grau de realismo que os jogos do gênero deverão usar a partir de agora. A lista de inovações que este jogo traz é muito bem-vinda. A começar pelo mapa que o jogador usa que, ao invés de sair da tela do jogo, é acessado a partir da mão do próprio personagem em tempo real, até mesmo quando se está dirigindo. As animações em primeira pessoa estão ótimas, pois tudo ocorre da mesma perspectiva: andar, correr, abrir portas, dirigir, pegar munição e até cair, tudo é em primeira pessoa. Além disso, há diversos outros detalhes que só mesmo jogando para curtir, como o travamento das armas velhas, entre outras particularidades.

Mesmo com tantas novidades e uma jogabilidade que de início se mostra surpreendente, Far Cry 2 exigirá bastante paciência daqueles que se dedicarem a explorar tudo o que o jogo oferece, especialmente por obrigar o jogador a dirigir a maior parte do tempo em cumprimento de missões apagadas. Do outro lado da moeda, a ambientação fantástica, gráficos e som incríveis, liberdade total, combates intensos e cenários enormes, poderão entreter os jogadores que encararem este game por várias semanas.

A maior crítica do game está no seu enredo. Ele poderia receber qualquer outro nome da Ubisoft que continuaria sendo um ótimo jogo, mas dar o nome de Far Cry ficou um tanto quanto nonsense e pode acabar frustrando muitos fãs que forem jogar esperando realmente uma continuação. Mas quem não jogou o primeiro ou simplesmente for fã de FPS, provavelmente não verá problemas neste sentindo.


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