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Review de S.T.A.L.K.E.R.: Clear Sky para PC de GamesBrasil

por Giordano Trabach, fonte GamesBrasil, data  editar remover


Os perigos da radiação de volta ao PC
?? muito gratificante saber que um jogo que já foi considerado como um Vaporware volte com toda força para o PC. Para relembrar, desde o anúncio no final de 2001 e com constantes atrasos até ser lançado em 2007, o shooter com elementos de RPG, S.T.A.L.K.E.R.: Shadow of Chernobyl marcou toda uma legião de fãs, trazendo atmosfera sombria e desafiadora, uma nova perspectiva e novo fôlego ao gênero terror no PC.

Para a alegria daqueles que curtiram o primeiro game, em setembro deste ano chegou às prateleiras internacionais a continuação da radioativa franquia, S.T.A.L.K.E.R.: Clear Sky. Como o último jogo amarrou bem a história com diferentes finais, a opção que os desenvolvedores seguiram foi construir o enredo de Clear Sky na forma de prólogo, ou seja, uma história que acontece antes dos eventos do primeiro jogo. Portanto é de se esperar algum aprofundamento no universo STALKER, mas não crie muitas expectativas, pois a falta de originalidade é latente, sendo usados basicamente os mesmos elementos do game anterior, fazendo com que tudo pareça mais uma história paralela do que necessariamente um prólogo. O personagem que controlamos é o único sobrevivente de uma forte emissão radioativa, desencadeada por um grupo de pessoas no centro da Zona lideradas por Strelok. Começa assim o manjado roteiro onde o ???gato caça o rato???. Strelok estará sempre a um passo à frente do jogador e o verdadeiro confronto só ocorrera obviamente nos momentos finais do jogo.

Sombrio e atmosférico
O início de Clear Sky é basicamente um grande tutorial para relembrar antigos jogadores e familiarizar os novos ao universo e dinâmica do jogo. Começamos na região que dá nome ao jogo ??? Clear Sky -, um grande e inédito cenário desolado repleto de savanas, entrecortado de pequenos lagos radioativos. Depois de algumas missões cumpridas, temos acesso aos outros mapas já conhecidos do jogo, e o clima de dejavu é quase onipresente, salvando-se graças a algumas novas regiões. Mas mesmo usando de vários cenários repetidos (e remodelados), o game continua bizarro, atmosférico e é um dos poucos jogos que o ambiente transmite exatamente um sentimento de desolação e tristeza que oprimem constantemente o jogador ??? algo importantíssimo em um jogo de terror.

A X-Ray Engine foi otimizada em vários aspectos e reproduz na tela do computador um visual extremamente realístico, reforçando aquele que já era o ponto forte do primeiro jogo: os efeitos de iluminação e sombras. Os raios de sol ganharam uma interação mais abrangente (volumetric lighting), onde os objetos ao longe do cenário geram sombra aos olhos do jogador, especialmente durante o pôr-do-sol. As tempestades formam raios que clareiam a noite de forma assustadora com sombras de acordo com o cenário em tempo real. O céu - seja ele azul, com nuvens ou alterado por alguma emissão radioativa - continua um dos mais realísticos e dinâmicos já vistos, gerando visuais incríveis; ora melancólicos, ora assustadores. As texturas estão ainda mais foto-realísticas e as noites agora são de fato escuras. A distância com que enxergamos pontos luminosos no cenário também ajuda em muito na imersão, dando a real sensação de um universo de jogo grande e dinâmico: seja a luz das lanternas dos NPCS ou o brilho refletido na retina de mutantes, ou quem sabe uma fogueira com um grupo de Stalkers reunidos.

Os já conhecidos efeitos da radiação espalhados pelos cenários estão ainda melhores, visualmente soberbos e fatais! Para quem não sabe, a franquia foi inspirada no filme Stalker (Tarkósvski, 1979), e dá o jogador a oportunidade de agir como no filme, jogando pelo cenário parafusos para verificar se há anomalias pelo caminho. As animações dos personagens também foram melhoradas e estão mais naturais, com NPCs apresentando novos movimentos e interações com o cenário.

O que acaba sendo como uma ???mosca na sopa??? é a queda brusca na taxa de FPS em alguns momentos de sobrecarga de processamento, mesmo em computadores mais avançados, atrapalhando em muito a jogabilidade. Além disso, é um tanto estranho saber que a o motor gráfico do jogo foi otimizado e, não obstante, várias das opções gráficas não são acessíveis ou mesmo não fazem diferença alguma nos seus controles - como no nosso caso, o Anti-Aliasing e o Filtro Anisotrópico que estavam lá ativos só de enfeite, sem apresentar nenhuma diferença visual. Portanto, considere seu computador e vá consciente que mesmo em máquinas mais potentes, o game tem performance sofrível em alguns pontos do cenário.

A ambientação sonora continua excelente, apesar de ter sido reaproveitada em sua maioria com apenas algumas novidades aqui e ali, mas ainda ajudando e muito na construção de uma atmosfera extremamente depressiva para se jogar.

Um jogo mais estruturado
No quesito jogabilidade, Clear Sky se mostra mais estruturado que seu anterior. O universo do game está mais dinâmico com a presença de mais bases e pessoas espalhadas pelo mapa. Isso acontece graças ao novo sistema de facções existentes. Podemos escolher jogar sem participar de nenhum grupo, contudo, é mais divertido jogar escolhendo uma destas facções: Stalkers, Duty, Freedon ou Bandidos.

As missões das facções consistem em principalmente capturar pontos do cenário e defendê-los, além de atacar as bases dos inimigos. Este sistema não depende necessariamente do jogador; há uma guerra dinâmica acontecendo, bastando se unir a uma das facções existentes para experimentar mais combates cooperativos e garantir boas recompensas. No final das contas, o resultado de cada batalha afeta em tempo real não apenas a força, mas a quantidade de recursos materiais e humanos de cada grupo. Por isso acaba sendo tão vantajoso juntar-se a um deles e receber o seu suporte, tanto em algumas batalhas como em certos equipamentos. Mas vá avisado que, de todas as facções, a dos Bandidos é a mais fraca em suporte, todavia, em contrapartida, permite ao jogador eliminar inúmeros inimigos de outras facções para adquirir seus armamentos e dinheiro.

No mais, as missões seguem o mesmo esquema do game anteriormente. A campanha principal se resume na caçada de Strelok, onde o jogador se verá quase sempre obrigado a fazer favores a NPCS, a fim de obter informações e avançar na história principal. As secundárias são uma mistura entre eliminar pessoas, achar itens perdidos em meio a mutantes ou mesmo um artefato em um lugar perigoso. Há também as missões que consistem em fugir das emissões radioativas que acontecem com certa freqüência a partir do Centro da Zona. Há um tempo determinado para sair correndo e se esconder no lugar indicado do mapa ??? só que às vezes acaba sendo tempo demais e você tem que esperar pacientemente.

Viajar pelos pontos do mapa também se tornou mais fácil. Basta conversar com certos NPCs para o jogo carregar diretamente no cenário desejado. Isso nos livra de longas caminhadas, mas não dos já conhecidos longos carregamentos de fase.

Novidades bem-vindas!
Outras interessantes novidades a serem destacadas no jogo é o upgrade nas armas e em alguns equipamentos. Agora existem NPCs especializados que podemos procurar para turbinar os equipamentos, obtendo melhorias significativas nas áreas desejadas. As armas, por exemplo, podem ser aperfeiçoadas de diversas maneiras, como mira, recarga, capacidade, etc. Até mesmo os trajes que o personagem usa poderão ganhar vários extras, como maior resistência às cargas elétricas, ao fogo, radiação, ou mesmo liberar mais um slot para carregar artefatos recolhidos de anomalias.

E por falar em anomalias, lembre-se que no jogo anterior podiam-se recolher delas certos objetos que davam bônus na jogabilidade. A ação era relativamente fácil, bastando se aproximar de uma fonte de radiação e recolher o artefato. Todavia, Clear Sky mudou um pouco a maneira de coleta tais objetos, deixando mais parecido com uma ???caça???. Os artefatos agora estão escondidos e se movem constantemente dentro de uma área repleta de radiação. Para o jogador achá-los, deverá fazer uso de um aparelho que indica a sua localização aproximada; só quando se chega perto o suficiente o artefato surge e pode ser coletado. Este sistema de ???caça??? é realmente bem mais divertido e desafiador, porque obriga o jogador a se arriscar em meio às anomalias. Mas, infelizmente, o seu uso não é muito intuitivo, pois no nosso caso demoramos a perceber que o detector não aparecia nas mãos do personagem se ele tivesse com uma arma que ocupasse as duas mãos. Com isso, apenas com a faca ou o revólver é possível usar o detector.

Os combates receberam mais doses de realismo, graças a uma IA mais agressiva e esperta. Os NPCs agora lutam de maneira marcante pela suas vidas, usam kits de vida para recuperar saúde, são capazes de jogar granadas, armam emboscadas e são capazes de dar um tiro cego (no qual escondem o corpo atrás de um objeto e só apontam a arma). Os armamentos receberam novos exemplares na categoria ???light machine guns???. O sistema é parecido com o de Far Cry 2, onde as armas vão estragando e emperram, obrigando o jogador a tentar recarregá-las ou jogá-las pelo cenário.

Para os jogadores que vencerem a campanha principal e desejarem mais desafios, Clear Sky traz suporte ao modo multiplayer, que basicamente é igual ao jogo anterior, com a adição de novos mapas e o modo "Capture the Artifact", em que times diferentes devem capturar um artefato do inimigo, ao mesmo tempo em que defendem o seu. Para a infelicidade dos jogadores, porém, os desenvolvedores fizeram apenas o mínimo esperado neste quesito.

Clear Sky, mas pode me chamar de "Bug Collection"
Se você leu a review até aqui e estava empolgado com Clear Sky, é melhor tirar o pé do acelerador porque vamos falar agora sobre os problemas do jogo, que infelizmente não são poucos e ofuscam bastante o brilho deste game. Neste aspecto, Clear Sky segue a mesma sina de seu antecessor ao apresentar literalmente uma coleção de bugs e problemas inexoráveis na jogabilidade. Para evitar nervosismo, não encare o game antes de ter certeza da aplicação do último patch vigente. Até porque alguns patches simplesmente não são compatíveis com jogos salvos anteriormente, obrigando o jogador a iniciar uma nova campanha. E mesmo depois das correções, vá preparado para enfrentar instabilidades, crashs, slowdowns e bugs dos mais variados. Até os jogos salvos às vezes se corrompem, obrigando os jogadores a fazer backups para evitar futuros problemas.

O sistema de facções é muito bonito na teoria, mas na prática é um tanto quebrado, funcionando apenas em partes. Mesmo com a última correção é normal o jogo travar o script das missões. Assim aconteceu com várias missões ordenadas pela facção que nos unimos: a exigência era a dominação de um ponto do cenário, mas depois de eliminar os inimigos, não veio colaboração da equipe e o lugar ficou abandonado, tornando a missão pendente até praticamente o final do jogo. Em outras missões, os scripts simplesmente não são cumpridos ou até mesmo são iniciadas e finalizadas ao acaso, sem a participação do jogador.

A Inteligência Artificial, apesar dos elogios feitos há pouco, sofre penosamente com os bugs. Não é raro entrar em um cenário e encontrar todos os inimigos imóveis diante da presença do jogador. Outro exemplo foi uma situação curiosa que enfrentamos ao cercar e eliminar discretamente um inimigo em uma base repleta deles. Para nossa surpresa, a movimentação do personagem ao redor da construção confundiu a IA que acabou reunindo todos os inimigos em um lugar do mapa, como numa festa de aniversário, todos olhando para um lado e apontando suas armas.

Salvar, carregar, salvar, carregar... (ad infinitum)
Clear Sky não apenas continua com a praxe do game anterior, como vai um pouco além ao ser um jogo brutalmente difícil mesmo nos níveis mais fáceis de dificuldade. Vários fatores colaboram com este fato. Primeiro é a variedade de formas que o jogador pode perder saúde, sem mesmo perceber. Basta sangrar, ser contaminado com certos níveis de radiação ou ser capturado de surpresa por anomalias espalhadas no cenário que o resultado é um rápido ???Game Over??? seguido de um longo carregamento. O problema é que nos dois primeiros casos isso é muito discreto e o jogador iniciante quase não percebe a barra de saúde abaixando rapidamente até que venha a morrer.

Outro fator - que foi levemente melhorado, mas ainda continua lá - é a problemática mira ao tentar alvejar um inimigo. ??s vezes chega ao cúmulo de termos que descarregar todo um pente de balas há dois metros de distância para conseguir fazer algum estrago. Se o jogador tiver paciência para progredir, descobrirá armas melhores e poderá fazer melhorias com o novo sistema de upgrades ??? mas mesmo assim terá de ter paciência. Já os monstros e inimigos não possuem estes problemas. Geralmente atacam em grupos maiores cercando o jogador desavisado. Outros são excessivamente poderosos, como os ???bloodsuckers??? que agora ficam invencíveis quando estão invisíveis.

Fazer progresso no game também exige dinheiro ??? e muito! Dependendo da facção que o jogador escolher, terá que realmente ralar para conseguir comprar alguns itens caríssimos, que podem se estragar rapidamente. Lembre-se também que nada é de graça, você pagará o até mesmo se optar por viajar com algum guia NPCs.

Mas o grande teste decisivo de paciência se encontra no final do jogo. O game fica muito mais intenso e agressivamente difícil. Como se não bastasse a ausência de munição e outros recursos, os momentos derradeiros de Clear Sky são uma corrida contra o tempo em combates dificílimos que deixam o jogador sem saber o que fazer e pouco tempo para pensar antes que acabe morrendo. Realmente Clear Sky, neste aspecto, não será um jogo para todos ??? e para aqueles que enfrentarem já sabem que usarão muito as teclas de atalho para salvar e recarregar.

Para os fãs pacienciosos, uma boa pedida!
Escrever sobre e ler sobre S.T.A.L.K.E.R.: Clear Sky gera uma situação paradoxal. Isso porque muitas das características do jogo descritas falham na sua concepção final, ficando apenas como um potencial a ser alcançado. A coleção de bugs, a problemática performance e instabilidades, além de missões quebradas, resultam em um grande balde de água fria.

Todavia, há de se louvar um game que consegue ser ainda mais atmosférico, sombrio e estruturado que o anterior ??? mesmo sem a originalidade do roteiro. O combate mais realista e a dificuldade extrema não o torna uma indicação para todos, mas quem gostou do jogo anterior, com bastante paciência e compreensão, irá se divertir muito e mergulhar de cabeça neste novo exemplar da franquia radioativa.


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7.2/ 10
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