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Review de The Conduit para Wii de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Em meados de 2007, quando muitos questionavam o desinteresse da Nintendo pelo público ???hardcore???, a High Voltage Software começou a desenvolver The Conduit visando preencher essa brecha de mercado e agradar aos fiéis jogadores não casuais. Era uma época propícia para o desenvolvimento desse projeto e também uma bela oportunidade para uma third-party mostrar sua capacidade de produzir bons jogos e se estabelecer. Com grande expectativa até o seu lançamento, The Conduit provou que tanto a High Voltage quanto a Sega acertaram na receita e que podem ser fortes concorrentes até mesmo contra importantes franquias da própria Nintendo.

Bonitinho e nada ordinário


Invasões alienígenas à capital norteamericana e um mistério por trás do motivo que trouxeram extraterrestres ao planeta Terra são a base do enredo de The Conduit. A história pode ser confundida com diversos filmes hollywoodianos ou até mesmo com outros jogos como Halo, Quake e Duke Nuken 3D. A trama foi bem desenrolada entre cut-scenes que ocorrem durante as fases e diálogos interpretados pelos atores Mark Shepard e Kevin Sorbo, que dão um toque especial à história em meio a ação frenética de suas fases.

O jogo utiliza a inovadora engine Quantum3, que proporciona gráficos pouco vistos em jogos de Wii. Não pense que isso vá fazer o jogo entrar no circuito de melhores gráficos já vistos, muito pelo contrário, muitas vezes até questionamos toda a inovação com a quantidade de texturas repetidas encontradas. Entretanto o que mais chama a atenção é a customização do jogo, que pode ser moldado para agradar até o mais exigente jogador, a começar pelos controles: possibilidade de definir os botões da forma que for mais confortável, ajustar a sensibilidade tanto vertical como horizontal do Wiimote, entre outras peculiaridades. Outra mudança bem vinda é o ajuste em tempo real da dificuldade do jogo, bastando pausá-lo para ajustar seu nível, sem a necessidade de reiniciar a fase ou o jogo inteiro. Todas essas opções deixam o jogo divertido e simples para quem sente dificuldade em jogar FPS usando os sensores de movimento do Wii. Frente a outros FPS como Medal of Honor: Heroes 2 e Call of Duty 5, as melhorias de jogabilidade são bem vindas e, provavelmente, o ponto onde se nota diferença. Pela primeira vez um shooter não fará o jogador cansar de segurar o Wiimote por muito tempo.

O modo para um jogador passa por nove estágios, sendo que o primeiro é um breve tutorial de, no máximo, 15 minutos, e serve apenas para nos familiarizar com os controles e a mecânica do jogo. As outras oito missões se passam em cenários diferentes, mas pecam pela total linearidade, deixando a exploração de lado. ?? frustrante circular por corredores longos e repetitivos com diversas portas às quais não se tem acesso. A limitação imposta não permite que o jogador crie estratégias ou encontre diferentes formas de atingir o mesmo objetivo, o que acaba com a vontade de jogar novamente após terminá-lo. Para quem busca um FPS com veículos para dirigir dentro de fases amplas e abertas, The Conduit não vai ser a melhor opção. Sua proposta é simples e eficaz: atire em tudo que se mexa enquanto avance pela fase. Por outro lado, esse estilo de jogatina já chegou ao seu limite até mesmo no Wii. O arsenal é variado e vai de pistolas alienígenas à lança granadas de plasma entre tantas outras encontradas no decorrer das missões. Surpreende o número de armas que cada uma das nove fases oferece. Sejam elas encontradas em armários ou caídas no chão após matar um inimigo o jogador nunca encontra problema de falta de munição.

Alguns puzzles são necessários para dar continuidade ao jogo. Usando a All-Seeing Eye, uma espécie de olho metálico com mil e uma utilidades, o herói encontra interruptores escondidos, invade computadores e desarma bombas. Quando equipado, um bip sonoro emitido pelo Wiimote guia o jogador pelo cenário e conforme ele se aproxima do objetivo mais rápido o som apita atribuindo um uso criativo para o spearker. O All-Seeing Eye também serve para procurar segredos como portas secretas e inscrições nas paredes visíveis apenas pelo aparelho. Quando os segredos são revelados, códigos e arte do jogo são liberados, ainda que não influenciem na continuidade da aventura. Infelizmente para uma franquia nova, o trabalho para encontrar cada um dos extras não vale o esforço ainda mais quando a própria empresa já disponibilizou grande parte na internet.

Os aventureiros online encontrarão um multiplayer bastante completo. Três módulos clássicos estão presentes para até 12 participantes simultâneos: Free for All (cada um por si e mate o quanto conseguir), Team deathmatch (elimine o time adversário) e o modo capture a bandeira, antigo, mas que até hoje agrada.

As categorias do multiplayer são bastante customizáveis, permitindo criar partidas onde todos jogam apenas usando determinadas armas e regras de tempo de respawn e duração das partidas. Os jogadores votam ao inicio de cada rodada escolhendo quais armas vão estar disponíveis das 18 (ou todas se preferirem) e qual entre os nove mapas vai acontecer a batalha e a duração de cada round. Após finalizar o tempo de votação, os resultados são exibidos e a batalha inicia automaticamente dividindo o time entre dois grupos caso opte por team play. Assim como Mario Kart, para jogar com amigos é necessário ambos trocarem o Friend Code, o que é um problema ainda não contornado pela Nintendo. E dá tanto trabalho juntar um grupo de conhecidos que não vale o trabalho. A Nintendo precisa urgentemente rever a comunicação entre amigos via Wii para alavancar a jogatina online. As opções de jogatinas com participantes regionais e do mundo todo também estão disponíveis e fechar um grupo de oito a doze jogadores é bem rápido. Não há "lag", mesmo jogando entre duas e doze pessoas.

O jogo tem suporte ao Wii Speak em suas partidas online, o que auxilia na comunicação entre os jogadores. Criar estratégias e rotas de ataques é simples quando existe a possibilidade de conversar com os outros componentes do grupo sem tirar as mãos dos controles ou desviar sua tensão da tela. O problema acontece quando alguém fala no Wii Speaker e o mesmo diminui o som do jogo para facilitar a compreensão, o que atrapalha muitas vezes, perdendo a noção espacial que se tem pelo som das balas.

Headshot certeiro no Wii


Certamente The Conduit mostra o potencial que o Wii tem para jogos não casuais e como o Wiimote deve ser utilizado. Todas as opções que o jogador tem, tanto para configurar o teclado como o jogo em si, prova a preocupação da High Voltage Software em trazer um título à prova de críticas ruins. ?? uma pena que faltou a preocupação na criação de um enredo original, tornando-o um clichê do início ao fim. A campanha curta do singleplayer também seria um grande problema, mas o jogo acaba compensando isso com um bom replay online. Quem não tem seu Wii conectado via Wi-Fi ou não gosta de partidas online vai ficar irritado pelas poucas fases facilmente terminadas em, no máximo, quatro horas. Certamente a High Voltage já está pensando em uma sequência que vai ser bem vinda, entretanto espero que o single player seja revisto e que até lá a Nintendo acabe com os Friend codes de vez.

O Veredicto:
A High Voltage explorou exatamente os pontos em que os outros falharam: usou bem o Wiimote, criou um jogo com tema pouco comum no Wii e o fez com qualidade que poucas vezes se viu no console, que até agora depende demais dos jogos da própria Nintendo. Mesmo apostando na jogabilidade, The Conduit possui um enredo simplório e batido e um singleplayer demasiadamente curto. Já aos apreciadores de multiplayer, The Conduit agrada pelo número de opções disponíveis que aumenta o replay consideravelmente.

Prós:
- Excelentes gráficos para o Wii;
- Boa quantidade de armas;
- Dublagem e aúdio excelentes ajudam na ambientação;
- Multiplayer variado para até 12 pessoas.

Contras:
- A linearidade muitas vezes é frustrante;
- Wii Speak diminui o som no multiplayer;
- A necessidade de Wii Friend Code para jogar com os amigos.


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