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Review de Legacy of Kain: Soul Reaver para PS1 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A historinha de Legacy of Kain: Soulreaver (LOK) tem como sua espinha dorsal
o vampirismo. Mas para aqueles que esperam um jogo sobre um cara bem
vestido que bebe sangue de belas jovens inocentes e se transforma em
morcego irão se decepcionar. O enredo de LOK é bem mais profundo e sinistro.

Era uma vez um ser humano normal. Raziel era um rapaz trabalhador e um bom
cidadão. Até que em um belo dia o pobre infeliz se encontrou com uma
figura um tanto esquisita, esta figura se chamava Kain. Malandro como ele
só, Kain começou a conversar e envolver Raziel na sua conversa mole. O
clima de descontração estava criado e Kain, que já era uma criança da
noite, chegou pertinho do pescoço inocente do seu novo amigo e cravou as
suas presas. Sugando todo o seu sangue até as últimas hemoglobinas.

Bom, agora que começa a ficar realmente legal, Raziel então se tornou então
um servo de Kain. Só que a sua grande dedicação a arte do vampirismo
lhe rendeu uma gratificação: asas. Mas Kain já almejava este tipo de
gratificação divina a um longo tempo. Invejoso, o mestre convocou seu
criado para se apresentar, Raziel, como o bom trabalhador que é, mostrou
com vergonha a honra alcançada. Um surto de fúria ataca Kain que
considera como uma insolência o ganho das asas antes dele, então as
quebra e lança Raziel em um turbilhão de ácidos que o fariam queimar
por toda a eternidade.

Raziel acorda depois de algum tempo em uma pitoresca gruta. Então um voz, que
mais parece com a do Cid Moreira rouco, começa a explicar que ele morreu
ao cair no turbilhão, mas foi ressuscitado. Esta ressuscitação deve ser
considerada como uma chance de se redimir dos maus causados durante a sua
estadia no mundo dos vivos.

Morto, vivo, morto, vivo, morto, vivo, morto... vivo!


Neste momento tem início uma das melhores aventuras jamais programadas para o Playstation. LOK é só um misto de ação e puzzle em terceira pessoa,
tipo Tomb Raider, com muita violência e gráficos belíssimos.
Se você é tipo da pessoa que não gostou de Metal Gear Solid porque achou
que as 12 horas de jogo não foram suficientes, alegre-se: LOK é enorme!

Além de contar com um extenso ambiente, o jogo ainda lhe permite
visualizar em duas perspectivas diferentes: a dos vivos e a dos não-vivos. Mmmuárrárrá! Este sinistro recurso de mudar de perspectivas é uma
característica única de LOK e um elemento fundamental do jogo, pois
certos puzzles só podem ser resolvidos no mundo dos vivos e outros só
no dos mortos. Mesmo porque alguns poderes adquiridos durante a jogatina só
podem ser utilizados em certas ocasiões, por exemplo: após matar um dos
primeiros chefes de fase, você ganha a habilidade de atravessar grades,
mas isso só é possível no mundo espiritual.

A jogabilidade se compõe de uma parte da resolução de puzzles, outra de
pura ação e peleja. Bem interessantes e originais, os puzzles na maioria
das vezes são altamente lógicos, o grande macete é se acostumar com a
mudança entre os mundos. A parte da pancadaria e ação???aham??? well???
segue um conselho para as pessoas que sofram de qualquer tipo de problema
no coração ou sejam facilmente impressionáveis: não passem nem perto
do CD deste jogo. A violência explícita faz parte do enredo. Durante as
lutas, o sangue virtual voa por todo o cenário de tal maneira que nos faz
pensar que, caso a peleja não acabe em poucos golpes, os seres envolvidos
falecerão brancos e anêmicos. Os desfechos das lutas são os mais criativos
possíveis e variam desde o impalamento até a combustão dos adversários
ainda vivos. Tamanha crueldade acrescenta, em muito, na diversão ao se
jogar para um ser sadio e lúcido, como eu e você.

Pera aí??? Isso tá rodando no Playstation?


Você já falou alguma coisa do tipo: ???Meu Deus??? Como eles conseguiram fazer
isso???? , diante da televisão. Bom, se você nunca falou isso prepare-se
para a sua primeira vez. Ao ver os gráficos de LOK você ficará
embasbacado. Sinceramente, eu me peguei várias vezes confabulando como
foi possível gerar no Playstation gráficos totalmente tridimensionais,
com as texturas detalhadas e em alta resolução, isto sem deixar cair a
fluidez do jogo. Soberbo. E tudo isso fica ainda mais impressionante se eu
mencionar a quantidade de luz e transparências que convivem em perfeita
harmonia na tela. No quesito som, não chega a ser incomum como seus gráficos,
mas LOK definitivamente está cima da média. Os atores das vozes
transmitem com fidelidade o sentimento dos personagens.

A única falta que LOK comete é o no seu ritmo extremamente variável.
Devido a sua extensão é realmente muito difícil manter o mesmo ritmo ou
a mesma emoção o tempo inteiro. Ás vezes o jogo fica chato mesmo, mas
lhes aviso que vale a pena aguentar alguns minutos de chatura, a
recompensa vem a galope, como um novo poder ou uma nova fase.

O Veredicto:
O único pecado cometido pela softhouse foi o da chatice, mas, como seres misericórdiosos que somos, perdoaremos. ?? importantíssimo ressaltar que razão do nosso perdão também se deve aos gráficos inacreditáveis, aos bons ruídos sonoros, aos puzzles inteligentes, a boa jogabilidade e a coragem de fazer um jogo tão violento nos dias de hoje. Por isso consideramos LOK uma diversão longe se ser medíocre e perto da perfeição. Definitivamente uma excelente opção de compra.

Prós:
+ Gráficos impressionantes ;
+ O som fornece uma boa ambientação ;
+ Boa jogabilidade ;
+ O ???melado??? corre solto ;
+ Puzzles lógicos e inteligentes ;

Contra:
- O ritmo varia demais, o jogo chega a ficar chato em alguns momentos


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