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Review de Grand Prix 3 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois de anos de fracassos e sofrimento, os mais pacientes entusiastas do automobilismo finalmente estão sendo recompensados. Veja por exemplo, Rubinho Barrichelo, que conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio da F1, depois de disputar 124 grandes prêmios. No mesmo momento, os jogadores recebem o aguardado Grand Prix 3, a atualização daquele jogo clássico que é conhecido pelo nome World Circuit 2 ou, simplesmente, GP2.

GP3 estava há 4 anos em produção e, de acordo com as expectativas de quem experimentou os outros dois jogos da série - sempre revolucionários - deveria ser a oitava maravilha do mundo. Será mesmo?

Pit stop de 4 anos.


GP3 é mais uma das profecias fracassadas para o ano 2000. O mundo não acabou, não mudamos de planeta e temos um jogo de Formula 1 que não corresponde a muitas das grandes expectativas que o cercava.

O jogo não é ruim; Pelo contrário. Assim como os outros jogos da série, GP3 continuará sendo, para a maioria das pessoas, o melhor simulador de F1 deste sistema solar. Mas, diante das circunstâncias que citarei a seguir, era de se esperar um produto mais ambicioso.

Veja só... Geoff Crammond, o autor do jogo, que agora resolveu estampar seu nome na caixa, pela primeira vez teve a ajuda de um extenso time de programadores para criar um simulador (diz a lenda que F1GP e GP2 foram feitos praticamente por Mr. Crammond sozinho). Então, se os outros GPs foram o trabalho de um só homem, imagine então o que dezenas de pessoas poderiam fazer...

Quer outro fato para justificar um GP3 revolucionário? Os dois jogos anteriores, apesar de serem em absoluto 3D, haviam sido lançados antes do advento das placas 3D, portanto seriam meros aperitivos do que se poderia fazer com o auxílio de uma dessas poderosas plaquetas gráficas.

O jogo ainda é baseado na temporada de 1998 (a licença de 2000 pertence à EA Sports, do jogo F1 2000), quando Rubinho tinha mais cabelo e ainda botava a maior fé no potencial de sua Stewart-Ford. Tudo bem, já que fatalmente um grupo de fãs do jogo vai lançar um editor e pacote de atualização não oficial a qualquer momento.

No mais, foram 4 anos de trabalho para criar GP3 e o resultado... é insatisfatório. Na realidade, GP3 acabou sendo o mais despretensioso dos jogos da série, quando deveria ser o mais ambicioso. ?? nada mais que um upgrade discreto do jurássico GP2 e o visual, puts, está mais por fora que umbigo de vedete...

Placa 3D? Que diabos é isso?


Seja por preguiça ou excesso de vaidade, Geoff Crammond não quis mudar muita coisa em GP3. O jogo é construído sobre uma versão modificada do engine de GP2 e traz a mesmíssima jogabilidade, o mesmo som, o mesmo estilo. O visual mudou, mas mudou pouco demais para um jogo do ano 2000 e há muito tempo não se via um jogo que usa tão mal os recursos de uma placa 3D. Anti-aliasing? Só nas letras dos menus. Efeitos de luz? Medíocres (e extremamente pesados para o processamento do PC, sabe-se lá porque). Movimentação a 60 quadros por segundo? Desista. GP3 estabelece o estranho limite de 25 quadros por segundo (igual ao GP2), que mesmo assim, custa muito caro para o seu pobre PC.

Mesmo que você seja um desses jogadores hardcore, que tem um PC com processamento suficiente para lançar mísseis nucleares, é impossível ter todos os recursos visuais do jogo ativados, em alta resolução (isto é, acima de 800 x 600 pixels), mantendo uma boa taxa de quadros por segundo. Basta uma corridinha congestionada, na chuva, para você enxergar tudo numa freqüência ideal para o cérebro de uma ameba. Em algumas situações, meu computador, que é decente (mais de 500 Mhz, placa 3D, etc), rodou GP3 numa média de uns 2 quadros por segundo (sem exagero). O teste automático feito no menu de configuração sugeriu para o meu caso, resolução de 1280 x 960, com quase todos os detalhes ativados. Inútil, pois para manter o realismo do jogo e uma suavidade que os meus olhos (e a minha pele) merecem, só em resolução de 640 x 480, igualzinho ao... GP2.

Nesta configuração, GP3 consegue agradar, mantendo uma boa taxa de animação sem perder tanto dos detalhes do cenário.

Pelo menos, os cenários estão mais detalhados que antigamente. O asfalto, zebras e guardrails são mais reais e existem texturas para representar a paisagem distante dos autódromos. A textura de Interlagos, mostrando os arranha-céus de São Paulo, é um tanto feia, mas outras, como as de Spa e Imola, caíram muito bem. Existem vários outros detalhes que, se não impressionam, pelo menos mostram alguma evolução. Na pista molhada, por exemplo, dá pra notar o reflexo do cenário no asfalto (mais um belo comedor de processamento, diga-se de passagem) e a nuvem de água suja que voa dos pneus. Os carros estão bem modelados, embora usem texturas não muito ricas. Sem poder usar a publicidade dos deliciosos tabacos como Marlboro, Benson & Hedges, etc, alguns dos carros mais famosos ficaram com um aspecto monótono (vide, por exemplo, as McLaren); uma pena, mas é a regra para qualquer jogo agora.

Mais ultrapassado que o Ricardo Zonta.


A jogabilidade continua a mesma, e isso é, até certo ponto, uma característica positiva. GP3 usa a mesma fórmula de sucesso que consagrou a série: jogabilidade acessível a qualquer mortal, sem esquecer dos princípios básicos da simulação. O grande segredo desta fórmula está nos auxílios de pilotagem, que incluem, entre outros, marcha automática, freio automático, marcha recomendada, traçado recomendado, controle de aceleração e aquele essencial para os mais impacientes: carro indestrutível. Com todos os auxílios ligados, GP3 é um melzinho na chupeta, mas se você é realmente durão e se acha o bam-bam-bam da F1, o desafio de guiar um carro sem a ajuda do computador é da pesada. De qualquer maneira, jogar GP3 continua sendo um orgasmo cerebral múltiplo. A adição dos efeitos de tempo, com chuva variando de poucos milímetros a uma quase tempestade, é um ótimo diferencial em relação ao antigo GP e pode ser considerado como o principal acerto desta nova versão.

Guiar na chuva está muito realista e desafiador. Antes de começar a corrida, um menu mostra as condições atuais da pista, dando a você a opção de ajustes em cima da hora, bem como um gráfico mostrando a previsão para o resto da corrida. ?? a hora de definir sua estratégia, entre pneus "slick" e "biscoito". E o mais interessante: o efeito da chuva é perfeitamente realista, podendo ocorrer de parte da pista estar molhada enquanto um outro trecho ainda está sequinho.

Mais uma vez, temos uma opção de regulagem de várias partes do carro na garagem, o que acaba sendo um fator determinante para a longevidade de GP3. Para vencer uma corrida nos níveis mais difíceis, é necessário sujar a mão de graxa e regular todos os detalhes do seu carro para adequá-lo melhor ao estilo da pista. E uma boa opção de telemetria está a disposição de quem gosta de fazer uma análise minuciosa do desempenho dos carros. Infelizmente a parada nos boxes não consegue ser tão realista. Trocar o bico do carro, reabastecer ou simplesmente trocar os pneus são tarefas que exigem sempre algumas dezenas de segundos, independente do grau de complexidade do trabalho envolvido.

O som é o mesmo de GP2, muito bom, mas poderia ser bem melhor para um jogo lançado em 2000. Porque não colocaram sons individuais para cada carro? ?? um mistério.

A opção de jogo por multi-player agora inclui rede TCP/IP e IPX, ausentes nas outras versões, além de link direto por modem ou cabo serial. Ainda é necessária uma conexão muito veloz para uma jogabilidade decente.

Falando agora dos acidentes, eles continuam extremamente realistas. Alguns pilotos descuidados podem subir na roda alheia e sair voando pelos ares e até capotar, coisa que não era possível no GP2. Só é uma pena que o replay dure apenas 20 segundos e, sendo assim, muitos bons acidentes e pegas acabam sendo perdidos pela câmera. Seria adequado ter uma opção completa de replay, com "rewind", "fast forward", pausa e tudo mais, além de uma maior duração. Mais uma vez, os produtores não quiseram evoluir o jogo...

Há quem exija a presença de um maluco vestido numa capa de chuva cruzando a pista e protestando contra as empresas envolvidas no evento, mas particularmente, eu ficaria contente de ver apenas uns detalhes fúteis como as mãos do piloto segurando o volante (um volante se movendo sozinho é algo meio sobrenatural...), ou uma batida realista no concreto, com o carro reduzido a migalhas ou numa bola de fogo. Minhas esperanças ficam guardadas para GP4 ou GP5, que já estão nos planos da Microprose.

O Veredicto:
Não há dúvidas que, como um exemplar da mais famosa série de simulação de F1, este novo GP é um jogaço, que irá agradar a qualquer fã de automobilismo ou de games em geral. Mas, como uma atualização que demorou 4 anos para ser feita ele fica bem aquém das expectativas. Se tivesse sido lançado uns dois anos atrás, GP3 teria a mais alta recomendação de Outer Space e, certamente, receberia o telegrama de congratulações do presidente da república pela brilhante conquista.

Prós:
+ Como todos os jogos da série F1GP, é um sonho pra jogar;
+ Excelente mistura entre simulação complexa e jogo rapidamente acessível;
+ ??timo manual, totalmente em português;
+ O jogo também, é todo em português.

Contras:
- Visual ultrapassado. O uso da placa 3D é simplesmente patético;
- Pouquíssimas melhorias em relação ao GP2, um jogo de 1996!


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