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Review de Deus Ex para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Deus EX é uma expressão em latim que significa, coloquialmente falando, "O Salvador da Pátria". ?? aquele ser ou coisa que aparece do nada, e que resolve grandes conflitos e desavenças de supetão. Com a imagem manchada pelo lançamento do ruim Daikatana, seria este lançamento o Deus EX da ION Storm e do cabeludo John Romero?

O jeito "Warren Spector" de ser Deus EX, apesar de ter sido desenvolvido pela ION Storm, não teve a menor participação do ferrarista Romero em sua concepção.

O jogo é obra do seu sócio e colega Warren Spector, que no passado criou pérolas como Thief e System Shock 2. Spector tinha um desejo antigo de criar um jogo em primeira pessoa bastante adulto, que fugisse da monotonia dos clones de Quake e que, em suas próprias palavras, até mesmo Lee Iaccoca (o presidente da Chrysler, e um dos homens de negócios mais brilhantes do século) poderia jogar sem constrangimentos. Romero contratou Spector para dirigir os estúdios da ION Storm em Austin, no Texas, em 1997. E foi nessa época que o desenvolvimento do jogo começou, em estágio conceitual. O primeiro passo da equipe da ION Storm foi licenciar uma "engine" para rodar o jogo e economizar tempo, e que fosse bastante poderosa e flexível. Na época, Unreal era o que havia de mais avançado no mercado de jogos em primeira pessoa. A tarefa de incrementá-la e adaptá-la para Deus EX ficou a cargo dos programadores da ION Storm. O próximo passo era começar a criar o jogo dos sonhos de Warren Spector, que não fosse um jogo de tiro em primeira pessoa e nem um adventure ou RPG. Então, decidiu-se mesclar os gêneros, e o resultado foi Deus EX, um híbrido que se parecia muito com suas criações anteriores, mas que teve personalidade própria para superá-las. Deus EX parece um jogo de ação em primeira pessoa, mas não é. Deus é complexo JC Denton, o protagonista da história, é um misto de ser humano e robô, que possui algumas características nano-aperfeiçoadas que podem ser aproveitadas pelo jogador. São os chamados "augmentations", implantes biomecânicos em sua estrutura corporal que ativam uma série de características extra como força muscular para carregar objetos pesados, visão noturna, proteção contra balas, fibras musculares que se regeneram, minimizando os danos em seu corpo, etc. Os "augmentations" são parte importante no desenvolvimento de seu personagem, como em um RPG legítimo. De início, só uma lanterna está disponível. O resto das características você deve procurar durante o jogo, embaladas em "canisters" que podem estar em qualquer lugar. Existem 9 "slots" para receber "augmentations" no seu corpo, e mais de 20 tipos diferentes de características encontradas durante a jogatina. Portanto, cabe a você escolher como montar o seu personagem da melhor maneira possível. Além dos "augmentantions", JC tem algumas habilidades que podem ser melhoradas conforme o nível de experiência do agente.

Entre elas, a capacidade de hackear computadores e dispositivos eletrônicos (que varia conforme seu nível), habilidade com os diversos tipos de armas existentes (o que melhora sua mira, precisão, danos no inimigo), capacidade de nadar e submergir, etc. A qualquer momento do jogo, você pode dar um "upgrade" nas suas habilidades, bastando para isso, ter pontos de experiência suficientes. Você começa com 5000 pontos, e o resto vai sendo recebido de acordo com o sucesso das missões executadas corretamente por você, ou a capacidade de achar lugares secretos, itens, armas e por aí vai. E por falar em itens e armas, eles são muitos. Você tem uma "mochila" onde pode carregar um número pré-determinado de badulaques. ?? interessante escolher muito bem o que vai querer, pois um lança-chamas, por exemplo, apesar de poderoso, é muito grande e pesado, e ocupa o lugar de um fuzil e uma escopeta. Vinhos, barras de chocolate e soja são bons para recuperar energia, mas ocupam um espaço desnecessário. Cigarros só servem para abalar sua saúde e bastões eletrificados para espantar civis. O que carregar então? Mais uma vez, como em um bom RPG, você decide o seu perfil. A qualquer hora é possível se desfazer dos itens supérfluos. Muito mais que Quake Em Deus Ex, você é JC Denton, um agente da UNATCO (coalizão anti-terrorismo da ONU) que tem que enfrentar os perigosos terroristas do grupo NSF, que assolam a população desta decadente Terra do futuro e que, no início do jogo, seqüestram a vacina para a peste "Grey Death", que ataca milhões de pessoas no planeta. Este é o início de uma complicada e bem elaborada história do qual nosso personagem principal participa, e que no decorrer do jogo, descobre ser apenas a ponta de um gigantesco iceberg. Não posso revelar aqui a trama central de Deus EX, pois este é o fator que mais irá lhe surpreender no jogo. Basta saber que a história é bem profunda, e ao ir avançando e descobrindo todos os seus detalhes, você ficará imerso em uma trama de conspiração, traição e terá muitas surpresas pela frente. Arquivo X anyone?

As missões se passam em Nova Iorque, Hong Kong, Paris, Califórnia e até na famosa Area 51. Os cenários são imensos e detalhados, e é bem provável que você nunca explorará todas as salas, lugares e personagens existentes neles, mesmo que em muitos casos, você os revisite para completar novas missões. Deus EX é um jogo repleto de diálogos com NPCs (personagens não jogáveis) e textos, e a leitura atenta de cada um deles é de vital importância para entender o que está acontecendo durante a jogatina. ??s vezes, até mesmo um jornal jogado na praça pode conter elementos muito interessantes para você descobrir o que está por vir. A compreensão avançada da língua inglesa é fundamental. O mais interessante em Deus EX é que a jogabilidade altera a história, e vice-versa, tornando o jogo extremamente não linear. Você tem muitos caminhos a seguir, e dependendo de suas atitudes, baseadas na sua moral, instinto ou raciocínio, as coisas mudam completamente. Isso também dá uma durabilidade excepcional ao jogo, pois você pode começar tudo de novo e trilhar outros caminhos para ver aonde chegam. Por exemplo: em determinada altura dos acontecimentos, minha missão era matar um terrorista russo, que estava em um avião. Minha companheira de profissão, e veterana na carreira, insistia para que eu apagasse o bastardo sem dó nem piedade, mesmo que ele tivesse se rendido e desarmado. Eu, muito piedoso, me recusei a tomar tal atitude. Foi então que ela, me acusando de insubordinação e contrariando as normas da UNATCO, deu um tiro à queima-roupa no senhor Lebedev, o que causou minha fúria. Aí resolvi fazer justiça com as próprias mãos e matei a Agente Anna Navarre, complicando minha vida dentro da própria organização. Nesta altura, eu tinha 3 opções. Matava o terrorista e cumpria minhas ordens, deixava a Agente Navarre matá-lo e ia embora para a casa com a consciência pesada ou, como fiz, vingava a sua morte derramando sangue no avião. Dependendo da sua atitude, os diálogos de todos os personagens do jogo mudam, a jogabilidade muda (você pode ter menos armas a sua disposição, ser cassado dentro da organização ou ganhar o respeito de todos) e você passa a viver mini-histórias paralelas dentro da trama principal. O lema "você decide" nunca se encaixou tão bem em um jogo como em Deus EX. A preocupação com os detalhes é fantástica, e merece nosso aplauso pela sua ótima execução. Ação e RPG de mãos dadas O mais interessante da jogabilidade de Deus EX é que a parte de ação é muito semelhante ao que já vimos em Half Life, Thief e System Shock 2, ou seja, a ação aqui não é igual nos RPGs tradicionais, com batalhas em turnos. Tudo é muito frenético e às vezes, você terá de descarregar a metralhadora em um inimigo, embora seja mais aconselhável não fazer barulho e esconder-se nas sombras para não chamar a atenção. Há inúmeras armas à sua disposição: metralhadoras, escopetas, bestas, rifles de longo alcance, espadas, lança-chamas, cassetetes, facas, pistolas. Cada uma deverá ser desenvolvida ao longo do jogo, pegando-se "upgrades" por exemplo, para mira, aumento do pente de balas, "coice" e alcance dos tiros. Suas habilidades com determinados armamentos também são fundamentais para acertar o alvo e causar danos maiores nos inimigos. No início do jogo, você terá de descarregar a arma para matar um simples soldado, de muito perto e mirando sempre na cabeça. Mais pro final, já será capaz de acerta-lo a longa distância, mesmo utilizando uma pistola comum.

A grande sacada de Deus EX é mesmo a parte de RPG. ?? muito legal ficar desenvolvendo suas habilidades, armas, personagem. Até mesmo as portas e travas eletrônicas possuem elementos do gênero. Ao se defrontar com uma tranca, por exemplo, você pode optar por destruí-la com armas, usar "lockpicks" para abri-las ou simplesmente achar a chave correta. O mesmo é válido para os sistemas eletrônicos: você pode hackeá-los, usar granadas de pulso eletromagnético para neutralizá-los ou simplesmente ter a mão algumas "multiferramentas", que desarmam qualquer sistema. Sendo assim, Deus EX prima pela sua durabilidade, dando diversas opções ao jogador para passar os obstáculos e tornando a jogabilidade extremamente não linear. A música também é outro ponto de destaque, junto com os efeitos sonoros, principalmente os diálogos entre os personagens, muito bem dublados e com "scripts" longos e variados. Este, sem dúvida, é um jogo muito polido, mas inevitavelmente possui alguns defeitos sérios. Apesar do design das fases e detalhes do jogo serem de altíssimo nível, os gráficos de Deus EX não impressionam tecnicamente já que ele utiliza a velha "engine" de Unreal, modificada, é claro. Isto não seria um ponto negativo se o jogo não fosse tão pesado para rodar. Imagine só, para jogá-lo suavemente, você precisa de um Pentium III, 128 MB de RAM, Voodoo 3 e mais de 750 MB livres em seu HD. Para quem não tem um equipamento como esse, o jeito é abaixar a resolução e esquecer que os gráficos poderiam ser bem melhores, principalmente no ano 2000. Outro ponto extremamente irritante em Deus EX também está relacionado ao seu "peso". Para ler um save game, o jogo demora pra caramba, e como você tem de salvar freqüentemente (as mortes são constantes), isso acaba te enchendo a paciência e perde-se um pouco do tesão.

Em Deus EX, para cada minuto jogado, você pode contar 5 minutos repetindo as fases para obter um bom desempenho. Por último, Deus EX é muito, mas muito duradouro, e apresenta um nível de dificuldade desafiador. Este não é um lançamento indicado para o jogador casual, e sim para os viciados de plantão. Ainda longe do brilhantismo japonês Warren Spector é um grande produtor de jogos, disso eu não tenho dúvida. Seu único defeito é que ele não tem olhos puxados e não está do outro lado do mundo produzindo as mais sofisticadas peças gamísticas concebidas pelo homem. Apesar de Deus EX ser excelente, o nerdidismo americano e a falta de criatividade ocidental fazem o jogo perder um pouco de seu brilho. Os diálogos são muito "duros", previsíveis, e a história é muito boa, mas sem as viagens características de pérolas como a série Final Fantasy, Metal Gear Solid ou mesmo Resident Evil. JC Denton se esforça para ser um personagem carismático e durão como Solid Snake, mas infelizmente como o "Cobra" não há outro. O americano com voz de mau, óculos escuros e implantes no corpo não passa de mais um fracasso do Tio Sam. O mesmo se aplica aos vilões e outros personagens do jogo. Falta "alma" nos jogos americanos, e Deus EX é mais um sólido exemplo de que o Japão ainda está longe de ser superado na arte de criar clássicos e personagens "cool". Bem, chego ao final de mais um review e ainda tenho muita coisa a falar de Deus EX. Mas deixo para você descobrir todos os detalhes deste jogo, que realmente conseguiu fazer com que os meus 2 dedos polegares ficassem virados para cima.

O Veredicto:
Depois da decepção proporcionada por John "Cabelo" Romero com Daikatana, seu colega de criação Warren Inspector decide lavar a honra da ION Storm e nos brinda com o melhor "jogo de tiro cerebral" de todos os tempos. Deus EX é uma obra-prima, que infelizmente não agradará a todos, já que requer muito raciocínio, estratégia e paciência do jogador.

Prós:
+ Jogabilidade extremamente não linear;
+ Muitas armas, itens e diálogos;
+ História bacana;
+ Desenvolver seu personagem é uma tarefa árdua, mas recompensadora;
+ Design das fases é excelente;
+ O jogo é muito atento aos detalhes e polido como diamante;

Contras:
- Pesado demais, e os "loads" irritam;
- Morre-se demais;
- Solid Snake, Avatar ou até mesmo Claire Redfield dão um banho de carisma em JC Denton;
- Você tem que ter bolas de boliche no lugar dos colhões para jogar Deus EX e um inglês afiado como a espada de um Samurai;
- Manual do jogo é uma porcaria, face à sua complexidade;


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Outer Space
9/ 10
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