GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Tom Clancy's Rainbow Six: Rogue Spear para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois do extremo sucesso de Rainbow Six, que inovou o gênero de ação com sua variedade de táticas e armas, chegou a vez da continuação, Rogue Spear, dar continuidade ao sucesso da série. Lançado em 1999 nos Estados Unidos, Rogue Spear chega ao Brasil em 2000. Será que ele conseguirá se dar bem no mercado e não parecer antiquado?

O caos da sociedade


Após o período de guerra fria, as grandes potências se estabilizaram e o terrorismo aproveitou o momento de paz mundial para ganhar força. Sempre com a finalidade de espalhar suas ideologias e crenças ao povo, uma legião de terroristas infestou todas as regiões do globo, utilizando a violência e o medo como principais armas (além de uma boa metralhadora, claro).

Em Rainbow Six: Rogue Spear o jogador assume o comando do grupo de operações especiais Rainbow, criado para neutralizar terroristas. Você deve comandar a equipe, selecionar os soldados que irão compor seu time de durões, analisar cada situação, distribuir o armamento e os equipamentos ideais, e partir para o confronto com o inimigo.

Complexidade logo no início


Apesar de ter diferenças, Rogue Spear segue o mesmo estilo de Swat 3, lançado no início do ano pela Sierra, com muita tática e ação, tudo em primeira pessoa. No início, você inicia uma nova campanha e será apresentado com sua primeira missão. Neste ponto, um briefing enorme lhe será mostrado, com direito a informação que não acaba mais de sua fase atual. Os objetivos são explanados, as pessoas envolvidas nos acontecimentos (terroristas, reféns e demais indivíduos) são mostradas, as sugestões de ação são dadas... você tem todo o suporte necessário.

Passando das explicações iniciais, é apresentada a tela de seleção de personagens e, nesta parte, Rogue Spear já começa seu show: a enorme flexibilidade do jogo impressiona. Você pode montar uma equipe de 8 integrantes, que serão escolhidos a partir de uma lista enorme de opções. Os soldados variam de habilidades, e se encontram divididos em categorias de especialidades: assalto, bombas, equipamentos eletrônicos, reconhecimento e atirador de elite.

Logo após, podemos selecionar as armas (que não vou citar uma por uma aqui senão escreverei até amanhã), os equipamentos e os tipos de traje, que podem ser com armadura leve, média e pesada e variam de camuflagem de acordo com o terreno da missão (neve, floresta, deserto, cidade, noturno, etc). O interessante nesta parte de planejamento inicial, é que todos os detalhes devem ser relevados pelo jogador antes de tomar alguma decisão sobre quem ou o que levar para a missão, pois qualquer coisa poderá o impedir de bem suceder.

Passada esta parte, entramos na complexidade da tela de planejamento estratégico/tático da missão. Aqui, você divide os soldados escolhidos em equipes, e deve falar qual será a ação de cada uma delas por todo o cenário. Um mapa da missão é exibido e você vai marcando o caminho em que as equipes devem percorrer, o modo de aproximação que devem utilizar (cauteloso, assalto e normal), e demais ações, como arremessar uma granada em um determinado local, quebrar uma porta, desativar uma bomba, instalar um equipamento de vigília, dar cobertura a uma outra equipe, defender uma certa localidade/pessoa ou permanecer estático utilizando o rifle de mira telescópica para apagar os vilões a longa distância.

Toda este estágio pré-jogo é bastante complexo e detalhado, devendo levar algum tempo até que você se adapte. Entretanto, nunca foi visto algo tão realista e minucioso anteriormente (a não ser no primeiro Rainbow Six) e isto já merece um destaque enorme em Rogue Spear.

Quantidade e qualidade se unem


As missões, que somam 18, são bem diversificadas, e trazem uma sensação muito boa de novidade a todo instante. Citarei algumas como exemplo: em uma delas, deve-se resgatar reféns, invadindo uma construção sem fazer barulho; em outra, temos que infiltrar na casa de um chefão do tráfego de armas sem ser percebido, grampear seu telefone e sair, sempre utilizando técnicas de camuflagem; e aproximando-se da realidade, deve-se invadir um avião seqüestrado e matar todos os seqüestradores sem piedade, protegendo as pessoas inocentes. Em suma, cada missão é mais bem elaborada que a outra e nunca a mesma estratégia funciona duas vezes. Cada caso é um caso.

Na parte gráfica, Rogue Spear também tem o meu jóia. Cada localidade, seja na cidade, na selva, na neve, dentro de uma mansão ou de um estúdio de televisão, tem as suas características bem particulares e o detalhamento traz um realismo bacana. Você se sente tão sugado pra dentro do jogo, tamanha a sua sensação de imersão, que cumprir uma missão com êxito total chega a ser uma questão de honra para o jogador. Claro que, como o jogo foi lançando a um ano atrás nos EUA, seu visual fica aquém de algumas obras primas da atualidade, mas mesmo assim não deixa de ser belo.

Auditivamente falando, Rogue também se destaca. Todos os sons, sem exceção, ficaram espetaculares e contribuem para aproximar o jogo da realidade. Um dos momentos que mais me impressionou foi quando um bandido estava em fuga, num carro, e aí sai atirando em seu veículo desenfreadamente. Cada disparo meu que atingia a lataria fazia um barulho. E quando dei um tiro nos pneus traseiros, estes furaram e fizeram aquele barulhinho ffsssss... Então, com o carro impossibilitado de correr, dei um tiro com meu sniper pelo vidro e acabei matando o motorista. Este, por sua vez, caiu morto em cima do volante disparando a buzina. Tudo é tão bem feito, tão realista, que babei.

Como era de se esperar, o modo multiplayer de Rogue Spear também é fabuloso, sendo que o único ponto negativo é que necessita de uma boa conexão caso deseje jogar pela Internet. Uma quantidade impressionante de modos diferentes está ao seu dispor, para saciar seus anseios on-line, tanto no estilo deathmatch, quanto nas batalhas em times:

- Survival: o último sobrevivente vence; - Team Survival: o último time sobrevivente vence; - Scattered Teams: este modo é idêntico ao Team Survival, porém cada membro de uma equipe inicia a fase em um local diferente do mapa, fazendo com que fiquem espalhados; - Terrorist Hunt: também um estilo de Team Survival, mas com o objetivo de matar terroristas; - Scatter Hunt: novamente caça a terroristas, porém cada membro de uma equipe inicia a fase em um local diferente do mapa; - Assassination: mais uma derivação do Tam Survival, mas aqui cada equipe tem um general e deve protegê-lo a todo custo; - Scatter Assassination: igual ao assassination, porém cada membro de uma equipe inicia a fase em um local diferente do mapa; - Save Your Base: aqui você deve chegar até a sua base e conseguir desativar uma bomba antes que ela exploda; - Double Bluff: para vencer, a equipe deve retornar um refém a salvo para a sua base; - Stronghold: você deve defender a sua base de uma invasão; - Double Stronghold: aqui é defender a base e atacar a base alheia, simultaneamente;

Como em Swat 3, Rogue Spear é um jogo praticamente focado na inteligência artificial. Tanto os seus aliados, quantos os bandidos e reféns, têm comportamentos diferenciados e que variam de acordo com a situação e com as características de cada um. Felizmente, a inteligência em Rogue Spear é muito boa, mas com certeza várias pessoas reclamarão dela pelas suas pequenas falhas.

Acontece que, como cada personagem age de uma maneira, alguns, mais desastrados, acabam comprometendo a missão, enquanto outros disparam suas armas quando assustados, matando uma vítima sem pensar. Isto pode causar frustração a alguns jogadores, mas entendam, é puro realismo. Rogue Spear não se compara a um filme do Sylvester Stalone e sim às investidas policiais que ocorrem em nosso mundo real, onde tudo pode acontecer.

Já que tudo é bom, e a jogabilidade? Ela é boa. Apesar de utilizar muitas teclas, o controle das diversas ações de seu personagem é simples e em questão de pouco de tempo você já se sentirá familiarizado com os comandos principais. O problema é que este controle, às vezes, não é tão preciso, o que pode te atrapalhar em algumas situações.

Nem tudo é perfeito


Por mais excelente que Rogue Spear seja, ele tem alguns problemas. Primeiro, os tiros não atravessam portas, nem mesmo o das armas mais poderosas. Isto é um erro enorme, pois na descrição do cartucho de uma arma fala que ele perfura até colete à prova de balas e como não consegue penetrar uma porta de madeira, que até um canivete suíço fura?

Segundo, nas missões em que se deve proteger os reféns, se alguns deles forem mortos, a fase termina no mesmo instante. Imagine na realidade, se uma equipe especial invadisse um prédio, um dos seqüestradores matasse um dos 20 reféns e a equipe simplesmente falasse: & 147;Perdemos, ele matou um refém. Vamos embora& 148;. Isto é ridículo e deve ser relevado em um jogo que tenta simular a realidade.

E terceiro, não se pode utilizar as armas alheias. Imagine novamente um fato real: os policiais estão trocando tiros com os bandidos e acabam as munições. Eles vão simplesmente falar: & 147;Fudeu, estamos sem munição e vamos morrer& 148;, sendo que várias armas poderosas estão jogadas no chão, carregadas e prontas para o uso? Obviamente isto não aconteceria.

Comparando diretamente com Swat 3, Rogue Spear se sai melhor nos quesitos de planejamento e estratégia (você deve indicar os passos de sua equipe antes da missão, o que pode não ser muito legal, pois você acaba assistindo mais do que agindo), enquanto o outro se foca mais na ação no local (as ordens são dadas dentro das fases, ou seja, você vai definindo as estratégias à medida que vai evoluindo). No geral, Rogue Spear tem mais fases, armas, equipamentos e personagens, além de mapas maiores e missões mais variadas.

O Veredicto:
Rogue Spear conseguiu dar um belo prosseguimento à série Rainbow Six, apresentando boas novidades. Apesar de não ter evoluído substancialmente em relação ao seu antecessor, ele pode ser categorizado como o melhor simulador tático até o momento, ao lado de seu concorrente Swat 3. Sem dúvida alguma, uma necessidade a todos os jogadores amantes do gênero.

Prós:
+ Imersivo que não acaba mais;
+ Sons, músicas e gráficos de primeira;
+ Modo multiplayer é excelente e ajuda de maneira apavorante a aumentar a durabilidade de Rogue Spear;
+ Bom número de missões, personagens, armas e equipamentos;

Contras:
- Algumas pequenas falhas e falta de realismo pouco relevantes acontecem de vez em quando;
- Pode ser frustrante para jogadores muito leigos ou iniciantes, devido a sua complexidade;
- Inovou pouco em relação a Rainbow Six.


Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Outer Space
8/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach
©2016 GameVicio