GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Quake III: Arena para DC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Ao lado de Unreal Tournament e Half Life, Quake III Arena é hoje uma das melhores opções no gênero ação em primeira pessoa na plataforma PC. Seu engine competente, capaz de suportar uma infinidade de efeitos especiais, e sua jogabilidade refinada continuam a encantar jogadores do mundo inteiro mesmo depois de um ano de vida. Quake III Arena é atualmente um parâmetro para os aspirantes a clássico no seu gênero.

No entanto, todas as conversões da série Quake para o mundo dos consoles não faziam jus ao forte nome construído através da excelente qualidade no PC. Mais recentemente, pudemos observar as aparições lamentáveis de Quake II no Nintendo 64 e no Playstation original. As limitações impostas pela capacidade do hardware dos consoles da Nintendo e da Sony e a ausência do suporte a jogatina online foram os principais fatores degradantes destas conversões.

Mas a Sega lançou há algum tempo o poderoso Dreamcast, um console com poder de processamento e suporte à jogatina via Internet através de um modem. E por que não lançar finalmente um versão decente da série Quake para este console? Realmente, a gigante japonesa não tinha como ignorar esta possibilidade.

A Decência de uma Conversão


Antes de mais nada gostaria de agradecer ao pessoal da Raster Productions, responsável pela programação, devido ao excelente trabalho realizado nesta conversão de Quake III Arena para o Dreamcast. Desde o início do jogo, é possível constatar o esmero aplicado no desenvolvimento deste título e desde já afirmo que esta é, finalmente, a primeira aparição decente da série Quake em um console.

O trailer na apresentação do jogo, idêntico ao do PC, logo indica que a intenção era transportar de modo intacto a alma vencedora da versão original. Obviamente, algumas modificações tiveram que ser realizadas, mas elas felizmente vieram apenas para ambientar melhor um jogo de computador no Dreamcast. As alterações mais visíveis estão presentes nos menus, que por sinal estão mais claros do que nunca.

Bem, mas vamos objetivamente ao que interessa. Os gráficos de Quake III Arena são realmente muito bons, mas não são os mesmos gerados por um computador super turbinado. As texturas desta conversão são bem nítidas e detalhadas, os efeitos de luz e neblina são bacanas pacas e o modelamento dos personagens é fantástico.
No entanto, os programadores não conseguiram atingir a marca de 60 quadros por segundo presente em alguns PCs. Mas a marca de 30 quadros por segundo de Quake III Arena no Dreamcast, além de fornecer uma boa sensação de fluidez nas imagens, é tão constante que não merece ser citada como um demérito. No mais, é importante comparar o preço de um Dreamcast com os custos envolvidos na aquisição de um bom PC, e no caso de Quake III Arena, a plataforma da Sega tem melhor custo/benefício.

Contudo, este custo/benefício poderia ser ainda mais enaltecido se Quake III Arena pudesse ser apreciado apenas com o controle do console. As configurações dos comandos do joystick tornam a tarefa de jogar em um exercício de coordenação motora taxativo mesmo para um habilidoso polvo marinho. A aquisição de um teclado e um mouse é quase obrigatória para quem quiser se divertir com Quake III Arena. O "quase" é justificado com a possibilidade do usuário criar sua própria configuração. Consegui jogar um bocado configurando o controle da seguinte maneira.

Frenesi intacto


A coluna vertebral de Quake III Arena se manteve intacta. Todos os componentes da boa jogabilidade da versão original foram transplantadas com louvor para o Dreamcast. Sem enredo, sem firula, sem frescura, sem compaixão e sem viadagem. Somente a pura diversão de espatifar o máximo de adversários virtuais freneticamente.

No modo single player ainda é possível treinar solitariamente com a inteligência artificial primorosa dos oponentes, principalmente quando a dificuldade é colocada nos níveis mais avançados. ?? possível também se divertir com até quatro amigos offline via divisão da tela de jogo. A queda na taxa de quadros por segundos neste modo é virtualmente inexistente, devido à retirada de alguns detalhes gráficos, e o modo permite bons combates.

Mas convenhamos, Quake é um jogo para ser realmente apreciado via Internet. E neste quesito esta conversão foi muito bem sucedida, mais uma vez.

Os hábitos de caça noturnos de El Sanguinolento


Embora ainda não possamos contar com o luxo de um excelente serviço como a SegaNet, Quake III Arena se revelou extremamente jogável através do acesso a um provedor tupiniquim de Internet. ?? fato que quem estiver afim de massacrar uns gringos online deverá adotar os hábitos de uma verdadeira coruja. Conexão boa mesmo só depois da meia-noite, pois antes disso o lag (atraso na comunicação) nos torna um alvo fácil para qualquer americano que estiver usufruindo de uma boa conexão na SegaNet.

Não posso deixar de citar quando a madrugada cai no Brasil, El Sanguinolento semeia o terror no coração dos três adversários americanos - Quake III Arena suporta no máximo quatro jogadores por mapa - que tiverem a infelicidade e azar de estarem presentes no mesmo local. Mesmo com uma velocidade de acesso inferior, os lags são muito sutis e não atrapalham a fabulosa diversão de encarnar um psicopata virutal.

E por falar em conexão à Internet, vale mencionar que a Raster acertou mais uma vez ao tornar esta tarefa em uma atividade simples e amistosa ao usuário do Dreamcast. O próprio jogo procura todos os servidores disponíveis e os dispõe de acordo com a velocidade de acesso na ordem decrescente. Basicamente é só uma fácil configuração de acesso e a escolha de um apelido bem bacana como o meu e pronto, o usuário estará instantaneamente caçando oponentes virtuais como gazelas nas planícies africanas.

Alguns aspectos sonoros e arquitetônicos


Sob a ótica cultural, Quake III Arena no Dreamcast permanece o mesmo. Conforme mencionado no review do jogo original, tenho que reafirmar que o estilo nerdieval (neologia criada a partir das palavras nerd e medieval) e a trilha sonora pesada não me agradam, porém eles caem como uma luva na proposta de entretenimento do jogo. Ambientes caóticos decorados com toda sorte de gárgulas e artefatos horrendos combinam perfeitamente com a violência proporcionada pela carnificina virtual.

?? realmente muito difícil apontar erros neste jogo, a não ser, talvez, pelo fato de se tratar de um jogo já conhecido por muitos e que chega meio atrasado no console.

O Veredicto:
Sem sombra de dúvidas, esta é a primeira conversão decente de um episódio da série Quake para um console. Os usuários do Dreamcast podem comemorar pois eles são os únicos donos de videogame que podem apreciar uma jogatina online de qualidade no gênero de ação em primeira pessoa. Como retribuição ao presente da disponibilização de um título tão bom, recomendo que os donos da atual plataforma da Sega e amantes do gênero comprem Quake III Arena agora. E se você não curte este tipo de jogo, vale a pena dar uma chance pois ele poderá finalmente te conquistar.

Prós:
+ ??timos gráficos;
+ Fidelidade à versão original do PC;
+ Inteligência artificial privilegiada;
+ Modo multiplayer online e offline soberbos;
+ Interface deveras amistosa.

Contras:
- Carece de um mouse e um teclado;
- SegaNet ainda não existe no Brasil.


Nenhum comentário

||
Outer Space
9/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach
©2016 GameVicio