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Review de Alone In The Dark: The New Nightmare para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O primeiro jogo da série Alone in the Dark criou um novo gênero de jogos em 1992, conhecido hoje popularmente como "Survival horror", algo que se encaixa na categoria ação/aventura.

Alguns anos mais tarde, foram lançados os episódios 2 (em 1994) e 3 (em 1995), que já não continham o mesmo charme e pioneirismo do original. Além disso, neste mesmo ano, chegaria ao Playstation o primeiro exemplar da série Resident Evil, da Capcom, claramente inspirado em Alone in the Dark, mas que levou a popularidade dos jogos de horror para um patamar superior.

Seis anos mais tarde, depois de muitas promessas da Infogrames, finalmente The New Nighmare (ou Alone in the Dark IV) aparece no PC (e consoles), prometendo uma nova injeção de sustos, adrenalina e novidades no gênero.

Do you speak portuguese?


Primeiramente, temos que dar nossos parabéns a Infogrames do Brasil. Alone in the Dark: The New Nightmare, apesar do título em inglês, é totalmente dublado e legendado em português, o que fará o título ser bem mais difundido no Brasil.

A dublagem é muito bem feita (típica de canastrões em filmes "B", no estilo do jogo) e até mesmo surpreendente em uma época onde as baixas vendas de jogos no Brasil desestimulam as distribuidoras a investirem em localização. A tradução dos menus, livros e pistas durante o jogo também é competente, embora falte atenção aos pequenos detalhes, que deixam escapar algumas incorreções de significado, mas que de forma alguma atrapalham o desenrolar da história.

Boo!


Alone in the Dark IV causa boa impressão logo em seu início, com belos vídeos introdutórios (só vale a pena citar que os vídeos possuem uma resolução tão ruim, mas tão ruim, que às vezes parece que seu monitor ou seu computador estão com problemas) explicando um pouco da história do jogo, uma superprodução da Infogrames apresentada por Bruno Bonell (o megalomaníaco CEO da distribuidora).

O engraçado é que um dos vilões do jogo, logo no vídeo inicial, se parece com um híbrido de Bonell e Hitman (o careca assassino do jogo homônimo da Eidos). Seria uma pitada de humor francês? Bom, deixa para lá.

Edward Carnby, nosso lendário detetive dos 3 episódios anteriores está de volta - agora, bonitão, e com cara de Luigi Barricelli -, e vai investigar a morte de um amigo na horripilante Ilha das Sombras. Com ele, está Aline Cedrac, uma professora de Etnologia que vai ajudar o professor Obed Morton a traduzir algumas tábuas indígenas de uma tribo/civilização antiga chamada Akbanis.

No meio do vôo para a Ilha, uma força misteriosa derruba o avião, obrigando ambos os heróis a saltarem de pára-quedas. Eles se separam e é aí que começa o pesadelo. Você poderá jogar com ambos os personagens, cada um tendo sua própria história, objetivos e características distintas, o que dá realmente uma boa durabilidade para o jogo.

Apenas alguns eventos são comuns a jogatina com os 2 personagens. Afinal de contas, pessoas diferentes precisam de métodos diferentes. Ah, e não podemos esquecer de um detalhe nos chamou bastante a atenção: a mocinha é bem gostosinha... Jogue com ela!

Lanterna para quem tem medo do escuro


Sem sombra de dúvidas, o item de maior destaque neste quarto episódio da série são os gráficos. Os programadores da Darkworks capricharam nos cenários, muito detalhados e em alguns casos, realmente assustadores.

Para a ilusão de medo ser ainda maior, optou-se por cenários em 3D poligonais, com um pouco menos de detalhes do que "fotos em 2D", mas que poderiam ser iluminados com uma lanterna carregada pelo seu personagem. Assim, quando você acende a lanterna, poderá iluminar os cantos escuros e descobrir alguns itens escondidos, ou até mesmo afugentar os monstros que têm pavor da luz. ?? fato que o clima fica bem mais pesado e emocionante desta forma.

Mas, para quem esperava ângulos de câmera dramáticos e movimentação nos cenários, este Alone in the Dark é uma decepção. Eles são estáticos, e o jogo não tem muita "vida" em seus objetos inanimados. Pelo menos, a música e os efeitos sonoros, excelentes e ao mesmo tempo enjoativos, dão o toque de suspense que faltava...

Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão


Você já jogou Resident Evil? Não, então compre um Playstation e vá se divertir um pouco com os 3 episódios já lançados, garantimos pelo menos um bom susto. Se já os tiver experimentado, então você já sabe o que te espera em AITD: The New Nighmare.

Por incrível que pareça, a série que copiou a "arquitetura" do primeiro episódio de Alone in the Dark, Resident Evil, é surpreendentemente plagiada neste lançamento da Infogrames, tanto nas suas qualidades quanto nos seus defeitos.

Os cenários continuam estáticos, a mecânica de resolver puzzles e achar chaves passeando pelo ambiente é revivida, a movimentação é difícil e às vezes confusa (bem mais adequada para um console do que para um PC), os ângulos de câmera continuam inertes, a velha temática da mansão mal-assombrada repleta de criaturas horripilantes está de volta, o clima de suspense é ímpar e até mesmo os inimigos se parecem com os de Resident Evil.

As diferenças ficam por conta dos monstros, que aparecem do nada, das armas (péssimas, e que parecem fazer pouco estrago), da história mais voltada para o misticismo e magia e do mecanismo de save games, que permite a você gravar em qualquer ponto do jogo (mesmo que perca alguns itens e ações já feitas, o que não é legal).

Os camaradas da Darkworks nem ao menos tiveram a destreza de fazer cenários em tempo real como em Code Veronica, o último capítulo da saga Resident Evil lançado para PS2 e Dreamcast, que apresentou uma pequena evolução em relação aos outros episódios da série. E sem contar que a idéia da lanterna também descende de um outro jogo, Silent Hill, lançado para o Playstation em 1999.

Apesar de ter Alone in the Dark IV ter sido bem executado, é uma pena que, em pleno século XXI, a maioria de suas boas idéias foi copiada de clássicos dos videogames.

O Veredicto:
A badalada superprodução de 8 milhões de dólares da Infogrames é um "déjà vú", mas que ainda assim, tem lá os seus lampejos de genialidade e veio para quebrar a recessão de bons jogos de aventura/ação para o PC, um quase órfão do gênero. E não podemos esquecer que o esforço da Infogrames do Brasil em investir na dublagem em português torna este Alone in the Dark bem mais atrativo para os brasileiros.

Prós:
+ Clima de suspense;
+ Belos cenários;
+ Lanterna é bacana pacas;
+ Puzzles lógicos;
+ Música envolvente;
+ Aline Cedrac tem um rebolado gostoso.

Contras:
- Armas ridículas, e ainda por cima, causam pouco dano;
- O mecanismo de gravação dos jogos continua com falhas;
- Edward Carnby tem cara de boiola;
- Não acrescentou nada de novo ao gênero;
- Personagens não abrem a boca para falar!;
- Inimigos aparecem do nada, e são inexpressivos;


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