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Review de Silent Hill 2 para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Quer saber o quanto um jogo de videogame pode ser perturbador e assustador? Nada melhor então do que dar uma jogadinha na série Silent Hill, que chega ao seu segundo episódio embalada pelo poder gráfico do Playstation 2.

A Konami fez de tudo para que até o mais durão dos jogadores fizesse xixi nas calças, e tivesse os pêlos de seu braço totalmente arrepiados.

Inspiração "David Lynchiana"


A história de Silent Hill 2 é bastante simples e surreal. James Sunderland recebe uma carta da mulher, Mary, morta há anos, que pede para ele reencontrá-la na velha e conhecida cidade de Silent Hill. Desesperado e apaixonado, James segue à risca o pedido da carta, na esperança de rever o seu grande amor. Chegando lá, ele vê que as coisas não mudaram muito em relação ao primeiro jogo, e Silent Hill continua sendo um lugar amaldiçoado, abandonado, inóspito e muito assustador.

Seu objetivo durante a jogatina consiste basicamente em encontrar pistas para achar Mary. James parece não acreditar que a esposa morreu, e durante muitos momentos, a história te leva a crer que você poderia estar delirando, que há alguma coisa errada com aquilo tudo. Afinal de contas, que lugar é esse, cheio de monstros, fantasmas e poucas pessoas vivas, que parecem ter algum distúrbio mental?

Se você está esperando uma história certinha, com princípio, meio e fim, então Silent Hill 2 não é para você. O jogo, basicamente, é uma história de amor inspirada no estilo do diretor David Lynch de fazer cinema, tendo referências claras de filmes como Twin Peaks, A Estrada Perdida e Mulholland Drive. O clima mórbido, acontecimentos sem pé nem cabeça, analogias sutis com a vida real, personagens saturados de emoções, sexualidade implícita, visual desconcertante e associações livres são características fortes presentes no jogo da Konami.

E é isso o mais legal em Silent Hill 2. Assim como nos filmes de Lynch, ele é um jogo em que cada um pode criar sua própria interpretação dos detalhes, fatos e história. Não existe o certo e nem o errado, só o duvidoso.

Esse contexto deveras esquizofrênico serve como combustível para atormentar ainda mais sua cabeça em uma espécie de terror psicológico, muito sutil. Quando você desliga o Playstation 2, terás a sensação de que algumas daquelas cenas encontradas no jogo poderiam acontecer com você, um mero mortal. E é aí que reside o fator "medo" de Silent Hill 2, na crença da improbabilidade dos acontecimentos supra-normais.

Eu já vi esse filme antes


O maior problema de Silent Hill 2 é que o jogo não é uma evolução substancial do primeiro episódio; este sim, que quebrou paradigmas na indústria dos jogos.

O "engine" gráfico parece ser o mesmo do Silent Hill original (que era, graficamente, à frente de seu tempo) lançado há mais de dois anos, e apenas adaptado ao poder de processamento do Playstation 2. A neblina agora está bem realista, a distância de visão do horizonte é maior, os movimentos dos personagens são mais suaves e as texturas, bem variadas e trabalhadas. A iluminação recebeu uma significativa melhora, e finalmente, mostra as sombras dos objetos perfeitamente, variando conforme o ângulo da luz. O jogo também tem aquele efeito granulado para dar um efeito de escuridão, igual ao visto quando você entra em um quarto escuro.

Mais uma vez, constatamos que todo o aparato tecnológico do Playstation 2 não foi utilizado no seu potencial pleno. Felizmente, as cenas em computação gráfica são bastante críveis, e apesar de alguns movimentos truncados dos personagens, são de excelente qualidade.

A trilha sonora é composta de músicas melancólicas e de suspense, que são muito bem trabalhadas, fazendo o seu cérebro virar um poderoso "Emotion Engine". O som perturbador de Silent Hill 2 é o que mais te deixa no clima, e não os gráficos.

A jogabilidade é idêntica ao do primeiro jogo da série, em um estilo similar a Resident Evil. Você tem que explorar bastante o cenário, achar pistas, ir ali, trazer um objeto, resolver puzzles, etc. Este é um tipo de jogabilidade, diga-se de passagem, já bastante desgastada. Em muitas horas, você fica vagando pelo imenso cenário sem saber o que fazer, experimentando, procurando alguma coisa, voltando aonde já foi... Alguns itens também são muito difíceis de se ver no escuro, e você poderá perder horas apenas tentando encontrá-los. Em suma, Silent Hill 2 é frustrante em muitos momentos, e não te deixa ligado o tempo todo. Isso pode irritar os mais impacientes.

Mas, de um modo geral, Silent Hill 2 tem muito mais aspectos positivos do que negativos.

O Veredicto:
Silent Hill 2 é um polimento do jogo anterior, sem as mesmas surpresas que fizeram tanto impacto na época do seu lançamento. ?? indicado para quem aprecia o clima e o desenrolar da história, e tem estômago forte. Suas cenas são para adulto nenhum botar defeito, misturando sexualidade, horror e suspense em doses generosas. Boo!

Prós:
+ História e cenas perturbadoras;
+ Tema muito adulto, não é para os fracos;
+ Gráficos bons, apesar de nada espetaculares;
+ Clima de mistério e suspense na medida certa;
+ Som assustador e de primeira qualidade;
+ Reviravoltas na história são bacanas.

Contras:
- O efeito de "luz no escuro" cansa em muitas partes;
- Jogabilidade ultrapassada, repetitiva;
- Pode irritar e frustrar os mais impacientes;
- O combate com os monstros é chato pacas;
- Chefes meio esquisitos.


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