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Review de Max Payne para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Max Payne, passou anos em desenvolvimento nos estúdios da finlandesa Remedy Entertainment e mais alguns meses na Greenleaf onde foi traduzido e dublado em português para manter o sua qualidade de filme policial interativo. A aventura de Max, um homem sem nada a perder, vem com a responsabilidade de ser um dos grandes jogos de ação do ano para o PC, e mesmo não sendo perfeito, agrada imensamente.

A man with nothing to lose


Max Payne é um típico jogo de tiro moderno, com ênfase na ação, mas com diferenciais interessantes em relação ao que o mercado está acostumado a ver. Em primeiro lugar não há monstros, seres sobrenaturais ou criaturas horripilantes para se matar. Só mesmo humanos de carne e osso. Além disso, a visão é sempre em terceira pessoa, como em Tomb Raider, numa tentativa de deixar o jogo mais emocionante. Para finalizar, há uma história consistente durante toda a jogatina, contada através de tirinhas parecidas com histórias em quadrinhos, o que é bem legal.

Max Payne é um tira durão da polícia de Nova Iorque que está todo prosa com o "american way of life", que lhe dá casa, comida, emprego e uma família. O que o nosso herói não contava é que, um dia, ao chegar em casa, ele veria sua bela mulher Michelle e sua recém nascida filhinha serem brutalmente assassinadas por uma gangue de viciados em Valkyr, uma nova e poderosa droga comercializada por uma família de mafiosos locais.

Abalado com a perda, Payne consegue uma transferência para o DEA (a agência Anti-Drogas Americana) e começa a trabalhar de agente infiltrado na criminalidade local. Ao desvendar um roubo a banco em andamento no metrô de NY, ele espera ansiosamente um encontro com um informante chamado Alex, que segundo ele, seria a única fonte em que confiaria. Depois de dar cabo de alguns bandidos, Max é vítima de uma armadilha, e Alex é também assassinado por um desconhecido, na sua frente. O que acontece então?

A polícia de NY coloca Max Payne como suspeito nº 1 na tentativa de assalto a banco e pela matança de bandidos. Primeiro foi a família, e agora ele é culpado de um caso que estava prestes a resolver. E como se isso fosse uma justificativa moral para a chacina que o jogo apresentará nos próximos capítulos, nosso policial durão agora é um homem que não tem nada a perder.

Max Payne está acima da lei, e sua arma é sua melhor companhia e a resposta para todas as perguntas dos bandidos. O ex-tira decide então passar a limpo toda esta história de drogas, máfias e até bruxarias, e vai atrás de seus algozes que lhe colocaram neste pesadelo da vida real.

O desenrolar da história é muito interessante, e Max comenta suas pistas e ações refletindo filosoficamente sobre os acontecimentos na lógica de um injustiçado pelo sistema.

Enfim, mais um jogo em português


Na versão original, em inglês, o ouvinte tinha que se esforçar para entender os toques poéticos e melancólicos na fala do tira. Mesmo para quem estivesse acostumado com a língua, era penoso decifrar as gírias misturadas com uma linguagem intelectualizada de fazer inveja aos membros da academia brasileira de letras. Ah, se tivéssemos homens da lei aqui no Brasil com essa lucidez de pensamento!

Bem, mas isso não importa. O que é real e digno de aplausos, é o investimento da Greenleaf em localizar o lançamento para o português, incluindo todos os diálogos nas histórias e durante o jogo, e as próprias tirinhas, que agora são escritas em legítimo "brasileiro". Max Payne, desta forma, pode ser apreciado até mesmo pela sua vó.

O único problema é que a dublagem não é lá essas coisas, ficando com um aspecto de filme de ação de sessão da tarde. A voz de Payne é bacana, mas o resto carece de qualquer emoção ou interpretação adequada. São um bando de canastrões.

Jogabilidade é o forte


Os gráficos são bacanas e ambientados nos guetos de NY. Mas eles só ficam realmente bons se o usuário tiver um senhor computador, com memória para dar a rodo (128 MB) e uma placa 3D de última geração (GeForce 2 ou 3). Mesmo assim, é triste constatar que um PC totalmente equipado fica ainda muito distante da qualidade gráfica que um videogame da nova geração pode produzir. Os personagens, por exemplo, tem aquelas texturas "coladas" típicas de PC, com rostos pré-configurados, sem nenhum tipo de expressão facial. E os corpos não são tão bem modelados assim...

Os cenários são gigantescos e interativos; você pode abrir portas de vans, arrancar cadeados à bala, incendiar cilindros de gás, destruir caixas, garrafas, luzes, etc. Já da parte sonora não há do que reclamar, as músicas parecem com a de "thrillers" americanos, e os sons das armas e do ambiente são perfeitos.

Mas o que mais empolga mesmo em Max Payne é a sua jogabilidade, e em especial uma inovação chamada "Tempo de Bala". Quando você aperta o botão direito do mouse, o jogo começa a rodar em câmera lenta, dando tempo a Payne para desviar dos tiros inimigos e para acertar os malandros. Para variar, a inspiração deste efeito veio do filme The Matrix, o grande sucesso de ficção científica dos últimos tempos. Mas não se empolgue, pois o efeito tem tempo limitado (que você vê por uma ampola no canto esquerdo da tela) e só é reposto ao se matar mais caras maus.

Max, ao contrário dos heróis de outros jogos de ação, não é muito resistente, e pode ser morto com apenas um tiro na cabeça ou uma granada. O medidor de energia também fica do lado esquerdo, com a silhueta do corpo do policial, que vai se enchendo de vermelho até sua morte.

Há várias armas à sua disposição, deste pistolas, metralhadoras e escopetas, até coquetéis molotov, lança-granadas e um rifle de precisão. E o objetivo é isso aí, sair atirando em tudo o que se mexe mesmo, ajudado pelo bom controle do seu personagem.

A jogatina é dividida em capítulos, que são mini-missões que Max tem que cumprir. O que é interessante para sair da mesmice dos jogos de ação, quebrando um pouco a repetitividade das batalhas e adicionando uma atmosfera de suspense graças à boa história.

O Veredicto:
Não é todo dia que se encontra um jogo de ação com enredo, personagens e jogabilidade do calibre de Max Payne no PC. E poder jogá-lo totalmente em português é mais um privilégio que merece ser levado em consideração. Você, assim como Max, não tem nada a perder.

Prós:
+ Gráficos bacanas, para o PC;
+ Cenários gigantescos, e bem construídos;
+ Dublado e legendado em português;
+ O tempo de bala é uma adição inédita em jogos do gênero;
+ Canastrões;
+ Belas armas, reais;
+ Violento, e com linguajar pesado;
+ Desenrolar da história é bem bolado e interessante.

Contras:
- Haja computador para gerar estes gráficos;
- Mata-mata;
- Modelamento dos personagens fica devendo;
- Não se pode explodir a cabeça dos mafiosos.


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