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Review de Medal of Honor: Frontline para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois de uma aparição primorosa no PC, a série Medal of Honor finalmente volta às suas raízes, em um console da Sony. Frontline é o novo episódio do jogo de tiro épico baseado na Segunda Guerra Mundial e, para variar, faz bonito no Playstation 2.

Saving Private Ryan


Sem sombra de dúvidas, este é o jogo de guerra mais cinemático já lançado, mais até do que MOHAA no PC. A primeira missão deste Medal of Honor é simplesmente espetacular, relembrando o fatídico "Dia D", onde as tropas aliadas desembarcaram nas praias da Normandia para minar a resistência alemã. O banho de sangue, recriado com maestria por Steven Spielberg na clássica cena do filme O Resgate do Soldado Ryan, foi mais uma vez replicado em um jogo da série Medal of Honor.

?? incrível o prazer ao se jogar esta missão, parece literalmente um filme interativo. Aviões voam atirando sobre o cenário, o barulho das metralhadoras e das bombas é autêntico e ensurdecedor, os soldados têm scripts muito bem feitos e variados, e correm para tomar as torres, "bunkers" e casamatas alemãs. Até a cena onde os "bangalores" são colocados para explodir as trincheiras e permitir o avanço das tropas está presente.

E se enganou quem achou que as outras missões não acompanhariam o ritmo da primeira. O design das fases é sensacional e te coloca verdadeiramente no clima de guerra. Há uma missão onde você desce de pára-quedas em um campo holandês que simplesmente replica a sensação de impotência dos soldados na vastidão do conflito. Em outra, você anda por ruelas cheias de nazistas e atiradores de elite, juntamente com seu esquadrão, em duelos cheios de tiros à queima-roupa.

Enquanto o jogo não começa, filminhos apresentando as fases são mostrados, com vídeos reais de acontecimentos e cenas importantes da Segunda Guerra, misturados com ilustrações, mapas e uma narração no melhor estilo dos conselheiros militares.

Som é bom pacas


Mantendo a tradição da série, o que mais chama a atenção em MOHF é a parte sonora. Os estampidos das pistolas, rifles e metralhadoras dos anos 40 são sensacionais, assim como os sons ambientes, a dublagem em alemão das conversas dos soldados e os ruídos dos aviões, carros e tanques. Em uma fase no campo, por exemplo, você fica tenso com aquele clima de natureza, e se sente em plena guerra. Em outra, na cidade, você ouve tiros de metralhadoras para tudo quanto é lado, e não sabe de onde vem o tiro inimigo. ?? tudo muito real!

E para compor o ambiente, nada melhor do que músicas orquestradas compostas por Michael Giacchino, que trabalhou nos dois episódios anteriores, para PSX. Tocadas pela Northwest Symphonia, de Seattle, e acompanhadas por um belíssimo coral de fundo, as músicas são soberbas, e se destacam durante a jogatina, trazendo suspense e emoção.

Com um clima totalmente cinemático e música de alto calibre, Medal of Honor: Frontline, neste aspecto, consegue ser perfeito, no mesmo nível do que a versão para PC. Este é um dos melhores sons já "ouvidos" em um jogo para consoles.

Mixed bag


Se o som é nota 10, não podemos dizer o mesmo dos gráficos. Apesar de ter alguns cenários muito vastos e bonitos, e principalmente, muita movimentação e ação ininterrupta durante as batalhas, Medal of Honor: Frontline mostra que o hardware do Playstation 2 não é lá estas coisas para jogos de tiro em primeira pessoa.

MOHF roda a 30 quadros por segundo na maioria do seu tempo, mas há quedas abruptas durante a jogatina, para uns 22-25 quadros. Não é um jogo suave como deveria ser, embora isso não comprometa sua diversão. As texturas têm aquele aspecto pobre, característico de muitos jogos da primeira geração do PS2, e a geometria dos cenários e dos objetos deixa a desejar na maioria dos casos.

?? engraçado ver o Playstation 2 tendo problemas para rodar um jogo relativamente simples como esse. Fica a impressão que a Dreamworks Interactive não mexeu muito no sistema gráfico desde a versão para PSX, pois este parece o velho Medal of Honor só que em alta resolução e com melhores animações. O do PC é bem superior graficamente, e jogos como Halo e Metroid Prime (que sai em Novembro) estão um passo à frente neste quesito que muitos julgam ser fundamental.

Nem tudo é perfeito


O clima e os scripts extremamente bem executados de Frontline já seriam suficientes para elevar este Medal of Honor ao mais alto patamar de condecoração por Outer Space, mas infelizmente, a EA pisou na bola em alguns pontos-chave do jogo.

O sistema de mira, por exemplo, é péssimo. Parte em culpa do controle, pois é difícil mirar com precisão, e parte em culpa da falta de suavidade do jogo ao movimentar a arma (existem dois tipos de controles, o clássico, igual o do PSX, e o "sharpshooter", no qual uma bolota serve para movimentar seu personagem, e a outra, para mirar).

Mas o pior não é isso. Estranhamente, os soldados desenvolveram uma imunidade sem precedentes às balas. Você, às vezes, pode dar uma rajada completa de metralhadora de um lado para outro sem que ninguém seja atingido. Não obstante este fato, o tiro tem que ser milimétrico, com a cruzinha exatamente em cima do corpo dos nazistas. E ainda, em alguns casos, uns 3 ou 4 tiros no estômago são incapazes de matar os bastardos!

Outro problema é a inteligência artificial dos inimigos, que no caso deste MOHF, se transformou em uma burrice artificial frustrante. ?? uma pena, pois ao contrário de MOHAA, onde os soldados reagem com realismo ao combate e possuem scripts muito bem bolados para suas ações, aqui tudo é muito precário e ironicamente, artificial. Quando você dispara a arma, por exemplo, sai todo mundo atirando em você, mesmo que esteja de costas, na janela ou do outro lado do cenário. E há casos em que mesmo atirando em um soldado, ele não reagia, ou reagia estupidamente. E fora as vezes em que eles ficavam correndo em direção à parede, atrapalhando sua passagem por uma porta ou vão. O engraçado é que até os jogos do PSX tinham uma inteligência artificial decente.

Estes bugs são fruto de uma programação mal feita e ao desatento controle de qualidade da EA. A falta de atenção aos detalhes e polimento da jogabilidade é lamentável em um jogo deste calibre.

MOHAA X MOHF


Comparando o Medal of Honor do PC com o do Playstation 2, podemos chegar a conclusões simples. MOHAA é mais bem feito graficamente, com cenários em alta resolução e bem detalhados, texturas muito superiores e melhor geometria das fases. Ainda, possui inteligência artificial e jogabilidade bem superiores, esta última em decorrência da suavidade do jogo e do uso de teclado + mouse. ?? mais difícil também.

Já MOHF, do PS2, ganha no clima e na ação, apesar de, nele, não podermos pilotar veículos como em MOHAA. A parte sonora também é um fator de peso a se considerar. Obviamente, as capacidades on-line da versão para PC também estão ausentes.

O Veredicto:
Medal of Honor: Frontline, mesmo com defeitos sérios, consegue ser excepcional. ?? o melhor jogo de tiro para consoles e de guerra já lançado (junto com MOHAA). Esperamos que a EA tenha mais cuidado com o próximo capítulo, desta que já é uma das franquias mais bacanas da história dos games.

Prós:
+ Clima de guerra sensacional;
+ Belos cenários e animações;
+ Música de primeira;
+ Missões bem boladas;
+ Os efeitos sonoros mais bacanas de todos os tempos;
+ As armas são fabulosas;
+ Design das fases é excelente;
+ Vídeos da Segunda Guerra.

Contras:
- Jogo é muito linear;
- Gráficos aquém da concorrência;
- Burrice artificial;
- Sistema de mira é péssimo e compromete a diversão;
- Por que as malditas portas estão sempre fechadas?


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